sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A casa do Oscar

Chico Buarque, publicado no Terra Magazine*

A casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.

Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.

Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar.

* Texto escrito para os 90 anos do arquiteto Oscar Niemeyer, em 1998.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

“Aliados” derrotaram governo na CPMF

A derrota estrondosa do governo federal na votação da CPMF não foi causada pela previsível articulação contrária do reacionarismo demos-tucano, tendo FHC à frente das manobras estratégicas. Os Demos e o PSDB votaram centralizadamente, como um bloco monolítico - contra a prorrogação da CPMF.

A derrota do governo no plenário do Senado [sem se analisar os equívocos do governo ao longo dos últimos meses] foi determinada pelos votos contrários dos senadores “aliados” do governo – faltaram quatro para a aprovação. Três deles são do PMDB, que controla importantes ministérios, inclusive o da Saúde: Geraldo Mesquita (AC), Jarbas Vasconcellos (PE) e Mão Santa (PI). Dois são do PR, o mesmo partido do Vice-Presidente: César Borges (BA) e Expedito Junior (RO). E outros dois são do PTB, que tem muitos cargos na Esplanada: Mozarildo Cavalcanti (RR), que se ausentou, e Romeu Tuma (SP), cujo filho não-eleito na última eleição tem carguinho [9 – 10 mil] de Secretário no Ministério da Justiça.
Garibaldi Alves, o Presidente que é a cara do Senado, não votou, por ser voto minerva.

A elástica e pragmática aliança do governo Lula, causa de tantas metaformoses pessoais, ideológicas, programáticas e políticas de alguns, foi montada para garantir a vitória do governo em votações com exigência de maioria de 3/5 no Congresso.
Só reformas constitucionais [inclusive as de recorte conservador que tramitam] e restritas matérias legislativas necessitam de tal maioria. Na única necessidade nestes cinco anos em que o governo Lula precisou de maioria qualificada para aprovar medida de interesse social [a CPMF financia saúde, bolsa-família, etc], foi derrotado com a falta de votos dos “aliados” que fazem parte da aliança tão cantada em verso e prosa.

Venceu o reacionarismo nucleado em torno do PSDB e do Demos - FHC à frente das operações de guerra -, que defendem o endurecimento do combate ao governo Lula. É ilusão pueril imaginar que a oposição reacionária será responsabilizada pela eventual falta de investimentos sociais do governo. Se houver impacto nas políticas públicas e investimentos governamentais, quem paga a conta do desgaste será o próprio governo.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Referendo evidencia força da democracia na Venezuela

Luiz Alberto Moniz Bandeira, cientista político e professor de Relações Internacionais da UERJ, conclui que a vitória do “não” no referendo da Venezuela – ou a derrota do Presidente Hugo Chávez – paradoxalmente contém um significado de vitória para Chávez.
Ele revela esta opinião em entrevista ao O Globo de 04/12/2007:
OG:
O que representa a vitória do “não” no referendo da reforma constitucional venezuelana? Foi uma derrota para o governo Chávez?
Moniz Bandeira: A vitória do “não” no referendo da reforma constitucional foi, por mais paradoxal que pareça, uma vitória do Presidente Hugo Chávez, pois demonstra que a democracia no país está funcionando. E também salva seu próprio governo, pois ele assim percebe que o poder tem limites e que ele não pode esticar demais o elástico. Esse resultado tende a evitar que a fratura política se consolide e leve a Venezuela a um beco sem saída.

OG: O governo americano comemorou o resultado. Essa foi uma vitória também para a Casa Branca?
Moniz Bandeira: A Casa Branca pode comemorar. Mas perde o argumento de que a Venezuela é uma ditadura.”

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O quadro da dor

O segundo turno do PED - Processo de Eleições Diretas do PT será disputado no próximo 16/12 entre o atual presidente Ricardo Berzoini e o deputado federal Jilmar Tatto.

Nada alentador para a comunidade petista ter de escolher entre [i] quem representa a posição política e ideológica que domina o PT a mais de década e fez o partido se assemelhar a um PRI mexicano em vícios, degenerações e desvios; ou [ii] aquele que tem idêntica genética político-ideológica do primeiro e que nos seus “domínios” é referido como um integrante da “famiglia” Tatto; pertencente à “Tattolândia” [possuir a designação “famiglia” dispensa a apresentação de outros predicados do candidato].

Depois de dois PEDs e do 3º Congresso, parece que tudo continuará “como dantes no quartel D´Abrantes” – no PT!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Conferência de Annapolis: “uma conferência de guerra”

Republicação de postagem publicada em 25 de outubro passado.

Michel Warschawsky

Para entender de qué trata una conferencia, uno cree habitualmente que la pregunta es “quién asiste”. Sin embargo creo que la verdadera cuestión siempre debe ser “a quién no se invita”.

Un encuentro de paz para tratar el conflicto israelo-palestino en el que no se invita a Hamás no es una reunión de paz, sino una conferencia de guerra contra, entre otros, Hamás y una parte sustancial de la población palestina de Cisjordania y Gaza que eligió mayoritariamente a Hamás en el Consejo Legislativo Palestino.


Michel Warschawsky é um ativista e intelectual judeu que vive [ou vivia] em Quèbec/Canadá. Ele participou da Conferência Um mundo sem guerras é possível”, promovida pelo Governo Olívio Dutra juntamente com a CLACSO durante o IIº Fórum Social Mundial de Porto Alegre de 2002. Há um livro com o mesmo nome da Conferência, publicado pela Corag, no qual estão organizadas as exposições e análises dos/das conferencistas e debatedores/as.


Aquela Conferência foi um marco do debate no contexto do Fórum Social Mundial sobre os principais conflitos em curso no mundo - Palestina, Colômbia, País Basco e Chiapas/México, reunindo vários personagens laureados com Prêmio Nobel da Paz [Rigoberta Menchú, Adolfo Perez Esquivel, Médicos Sem-Fronteira], intelectuais como Noam Chomsky, Dom Pablo Casanova, Ana Esther Ceceña, Mikel Noval e outros. Ainda participou da Conferência Luis Antonio Ocampo, representante do então Secretário-Geral da ONU, Kofi Anan.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Manchetes que Zero Hora não daria

Jamais alguma manchete de Zero Hora seria:

Tesoureiro e operador da campanha de Yeda foi preso pela PF

Ou

Secretário da Juventude de Fogaça é denunciado e se afasta

Mas, contra Lula e a favor da estigmatização – e contra a informação decente e honesta – Zero Hora tem a seguinte manchete na edição de hoje:

Ministro articulador do governo Lula é denunciado e se afasta

domingo, 18 de novembro de 2007

“Chutzpah”, ousadia descarada

Rosane de Oliveira escreveu sugestivamente na sua Página10 de Zero Hora em 16/11/2007: “A entrevista de Antônio Dorneu Maciel à repórter Adriana Irion merece duas leituras: primeiro as linhas, depois as entrelinhas”.

A fotografia de um Maciel clemente, que ilustra a entrevista dele naquela edição do jornal, é uma exuberante expressão de “ousadia descarada”.

Tomo emprestado esse conceito de Irvin D. Yalom, em A cura de Schopenhauer [pág.76]:

Ousadia descarada, que em iídiche era ‘Chutzpah’, palavra sem uma correspondência exata em outras línguas, mas bem definida na história do menino que matou os pais e depois pediu clemência aos jurados por ser órfão”.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Em lugar duma personagem, um caso psiquiátrico

A governadora Yeda Crusius faz o gênero de pessoas cujas atitudes, manifestações, falas, olhares e trejeitos surpreendem e intrigam. Do gestual à fala, Yeda é um tipo humano que atiça minha curiosidade, porque vejo-a como um exemplar revelador dessa vastidão que são as hipóteses humanas. Como dizia Schopenhauer, “quanto mais conheço os homens, mais aprecio os cães”.

Ouvindo-a a pouco no programa Atualidade da Rádio Gaúcha, me inclino a crer que a governadora não pode ser observada e “escutada” estritamente desde a perspectiva da política. Ela é oceânica na produção de sinais e sintomas que fazem-na freqüentar o ambiente interpretativo da psicanálise e psiquiatria. Seria como estar-se frente a um “caso psiquiátrico”, com todos os traços característicos de esquizofrenia – com todo o respeito e solidariedade às pessoas portadoras desse sofrimento psíquico.

Alguém que sofresse a derrota contundente como a que ela sofreu ontem na Assembléia Legislativa, trataria de postar-se com humildade, respeito e disposição ao diálogo. Alguém sim, mas não Yeda, a governadora. Ela fala e observa os fatos desde um lugar sui generis, e a partir daí se concede o direito de, com a máxima soberba, fazer extrapolações que seriam consideradas perigosas e imprudentes por pessoas centradas.

No que depender da verve da governadora, a auto-proclamada “heroína gaúcha Anita Garibaldi do século 21, os tempos vindouros serão de mais crise e conflito político. Alguns comentários dela, que podem ser ouvidos na entrevista concedida à Rádio Gaúcha [que pode ser ouvida no saite da rádio só até a manhã de amanhã]:

1] com sua voz habitualmente em tom odioso contra parlamentares e partidos de oposição e a todos aqueles que dela discordam, se disse surpresa com a “atitude” da Assembléia Legislativa de votar ontem mesmo o pacote. A oposição [PT, PCdoB, PSB e PDT] tem somente 18 votos, e a derrota sofrida contou com pelo menos 16 votos de parlamentares do DEM [do vice-governador], do PP, do PTB, do PPS e do PMDB [que ocupam várias Secretarias de Estado];

2] declara-se cumpridora tanto [1] do pacto pelo Rio Grande [sic], quanto [2] dos compromissos da campanha eleitoral [sic sic]. Quem não cumpriu sua parte foi a ALERGS, ao rejeitar as propostas que traduziam estes dois compromissos cumpridos.

3] entende que a derrota não é dela e do governo, mas sim daqueles que não aprovaram o pacote [sic]. Os que agiram contra – deputados, empresários, funcionários públicos e trabalhadores – são os principais derrotados, e têm a responsabilidade sobre a situação do Estado. Neste particular a governadora dá sinais de não ter sido a eleita!;

4] Yeda insiste em que está cumprindo as promessas de campanha;

5] se insurge ao que caracteriza como “ataque federal às instituições gaúchas”. Talvez neste momento o “espírito de Anita” tenha se apossado da governadora;

6] diz, em função do sentimento anterior, que “vamos a Brasília para dizer ‘não se metam aqui’ retornem um pouquinho do imposto que recolhem aqui”. De novo ela parece ter tido um súbito ataque farroupilha. Compreensível, hoje se comemora a Proclamação da República.

A nota oficial do governo gaúcho, publicada nos jornais de hoje, vai na mesma toada.

Fica a lembrança de que em Porto Alegre tem plantão psiquiátrico no Centro de Saúde Vila dos Comerciários, Hospital Espírita, Clínica Pinel e Casa São José. Ainda atendem pelo SUS, enquanto não forem destruídos pelo governo Yeda.

A derrota da empulhação

Com a reprovação do pacote de medidas opostas a tudo o que prometeu nas eleições para se eleger, a governadora Yeda Crusius amargou uma derrota que não é só política, mas tem o sentido de uma reprovação também moral. Moral no sentido do bom habitus político, da antítese da desfaçatez e da quebra de confiança, da oposição à mentira e à empulhação; e não no sentido de uma moralidade corriqueira, da simples repreensão pudica de atitudes e comportamentos.

Ainda que o principal argumento racional no debate público contra o pacote tenha sido a recusa do aumento puro e simples de impostos como remédio para o enfrentamento a crítica situação das finanças públicas gaúchas, a derrota da governadora tem o valor de um recado de que política é coisa digna e deve ser feita com verdade.

Nas eleições passadas, para se eleger a governadora fez uma campanha falsa e diversionista. Iludiu o povo com o mantra abstrato do tal “novo jeito de governar”, mistificou a realidade a ponto de se comparar com a “Anita Garibaldi do século 21, mentiu mais que o Britto costuma mentir, prometendo facilidades que obviamente não poderia cumprir no governo, e ocultou sua vocação privatista e de destruição do Estado e das políticas sociais. A derrota do governo, portanto, é um eloqüente ensinamento de que alguém até pode se eleger na base da mentira, mas governar a partir de bases falsas é muito difícil.

O resultado de ontem é o epitáfio do “primeiro ano político útil” da governadora. Ano que contabiliza resultados muito semelhantes no início e no fim: derrota legislativa na tentativa de aprovar pacote com medidas que nas eleições jurou não aplicar; coleção de conflitos políticos e institucionais por todos os lados; crise de sustentação do governo com provável demissões no secretariado; e impressionante quebra da capacidade de interlocução política.

O governo Yeda Crusius tem todas as características de que poderá melancolizar. É um governo que a cada iniciativa política não renova, mas se esclerosa; envelhece ainda mais. E se persistir o comportamento crispado e arrogante de seus integrantes – a começar pela própria governadora – em breve tempo o governo economizará nos gastos com compras de café, porque serão escassas as visitas que o Piratini receberá.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Carta de Jon Lee Anderson para “repórter” da Veja

Jon Lee Anderson, autor de Che Guevara – Uma biografia [Editora Objetiva, uma belíssima biografia], enviou a carta adiante reproduzida [já traduzida ao português] ao “repórter” Diogo Schelp, da Veja, autor da “reportagem” infame sobre Che Guevara, publicada pela “revista” em outubro passado:


Caro Diogo,

Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu e-mail. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hipereditorializada, ou uma hagiografia ou — como é o seu caso — uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei por pele e osso na figura supermitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é.


Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista.


No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa-fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.


Cordialmente,


Jon Lee Anderson.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Conselho Internacional discute passos do Fórum Social Mundial

A semana de mobilização e ação global que irá marcar o Fórum Social Mundial em janeiro de 2008 começou a ganhar forma depois da reunião do Conselho Internacional, que aconteceu na última semana de outubro, na cidade de Belém (PA). Mais de 100 representantes de movimentos e entidades vindos de quatro continentes traçaram estratégias e discutiram as articulações locais e globais para o próximo FSM. Ao contrário das edições anteriores, o Fórum Social Mundial de 2008 não terá eventos centralizados, mas será composto por milhares de atividades organizadas por movimentos, grupos, redes e entidades em seus locais de atuação, ...

Ler toda a informação divulgada pelo escritório brasileiro do FSM ...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Fala, Rambo!

O Ministro “Rambo” da Defesa, Nelson Jobim, curiosamente anda se esquivando da mídia e suspendeu as aparições espetaculares que costumava fazer em todos os finais de semana, principalmente em feriadinhos prolongados.

Desde que realizou sua obstinada profissão de fé de defenestrar toda a diretoria anterior da ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil, o inventário que se faz é o seguinte:

i] uma companhia aérea fechou as portas de suas aeronaves, demitiu mais de mil funcionários e cancelou centenas de vôos domésticos e internacionais;

ii] a zona nos principais aeroportos do país fugiu, como antes, ao controle das “autoridades”, deixando milhares de passageiros na mão e irritados;

iii] um avião caiu sobre uma casa em São Paulo, logo após decolar do Campo de Marte;

iv] três helicópteros caíram no mesmo dia em São Paulo.

Fala Jobim!, ou melhor, fala Rambo!

Excelências ... na arte do engodo

Brasília é, provavelmente, uma das principais escolas de malandragem do mundo. Mas infelizmente não no sentido “brasiliano” e popular da expressão.

As Suas Excelências que habitam aquele reino - e atuam no Executivo, Legislativo, Judiciário, setor imobiliário, negócios, na vida, etc – sempre inventam maneiras extremamente criativas para tirar novas e permanentes vantagens e ampliar os velhos e polpudos privilégios.

Nesses últimos dias, algumas dessas Suas Excelências, os Senadores da República que habitam o lamaçal de uma “Casa” que a muito tempo deveria ter sido extinta, pousaram de moralizadores com a falsa proposição de extinguir a verba indenizatória de quinze mil reais a que têm direito mensalmente [por critério de “justiça”, as outras Suas Excelências, os nobres Deputados Federais, também percebem o mesmo valor ao mesmo título!].

Tal proposta, ao contrário de propiciar economia de gastos e tornar transparente o controle das despesas daquela “Casa”, conforme alardeado por amplos setores da mídia a-crítica, na verdade viabiliza [1] o privilégio de aumento de salário de Suas Excelências para R$ 24.500 e, ao mesmo tempo, [2] põe uma tampa no bueiro que é o descontrole e falta de critério do uso do dinheiro da verba indenizatória.

E por que isso? Simplesmente porque Suas Excelências utilizam os quinze mil reais todo o santo mês para fins desconhecidos e sem prestarem contas dos gastos realizados! Convém-lhes agir rápido, evitando que o habitus de tão transcendental “Casa” possa se tornar fonte de novos escândalos e dores de cabeça, o que já não falta naquela “Casa”.

Pra trouxas, definitivamente, Suas Excelências não servem. Principalmente quando agem às custas do povo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Aposta alta do Ministro “Rambo”

Nelson Jobim, o Ministro “Rambo” da Defesa, portador de gestual expressivo e que imprime uma marca teatral espetacularista à sua gestão, jogou todas as fichas na demissão do presidente da ANAC, a Agência Nacional de Aviação Civil que nunca deveria ter existido. A ANAC nasceu com o probleminha congênito de fazer parte de um modelo falido de regulação.

O Ministro Rambo fez da demissão de Milton Zuanazzi uma profissão de fé. Não faltaram demonstrações de desrespeito, deslealdade e desonra pessoal contra Zuanazzi, decerto aprovadas no Planalto, vez que nunca censuradas.
A aposta do Ministro Rambo é alta: a partir do instante da defenestração de Zuanazzi, passará a responder por todo e qualquer atraso de vôos, vendas indevidas de lugares em aviões, cancelamento de vôos, filas nos aeroportos, caos nos guichês das companhias, motim dos controladores e - rogando a deus nos livrar de novas tragédias – por acidentes aéreos.

Em caso de fracasso, já é de se prever que a mídia golpista e partidária não demonizará o Ministro Rambo, até porque ele é peça-chave do tabuleiro da disputa eleitoral de 2010. Com o carinho de Lula e tocando fundo meio-coração do tucanato.

Fica faltando a Milton Zuanazzi a exposição das “razões dos fatos” da crise aérea enfrentada no país, sob pena de entrar para a história como vilão duma história obscura não-contada [ou mal contada], e que foi caçado exitosamente pelo espetaculoso Ministro Rambo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Quatro avo

Quatro avo
De avó

Quantos ovos

Têm?

*
Quatro avo
De avó
Quantos ovos
São?

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

O que move a humanidade

Luis Fernando Veríssimo
Existem muitas teorias sobre o que fez o Homem dominar o planeta e construir civilizações - enquanto o joão-de-barro, por exemplo, só consegue construir conjugados - e levar grandes mulheres para a cama - enquanto o máximo que um gorila conseguiu foi segurar a mão da Sigourney Weaver. Dizem que o cavalo é mais bonito do que o Homem e que a barata é mais resistente, mas não há notícia de uma fuga a três vozes composta por um cavalo ou uma liga de aço inventada por uma barata.
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sábado, 20 de outubro de 2007

O Poder Global e a nova geopolítica das nações

O Poder Global e a nova geopolítica das nações”, livro de José Luís Fiori [Boitempo Editorial] estará disponível a partir do próximo 24 de outubro. Vale ler o depoimento de Fiori ao Le Monde Diplomatique, onde expõe os argumentos do livro e outras idéias originalíssimas deste que é um dos maiores pensadores do Brasil contemporâneo.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

O sorriso de Olívio

David Coimbra
....

Apesar do desgosto do fotógrafo, encantei-me com a autenticidade de Olívio Dutra, e tomei o episódio como um símbolo da maior qualidade do seu partido: a coerência. Foi fermentado por tal coerência que o PT cresceu. Era algo novo no Brasil, um partido que participava do jogo democrático sem fazer concessões iníquas em troca do poder. E o PT ensinou aos outros partidos que coerência e sucesso não são excludentes, na política.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Pino Solanas, um cidadão latino-americano

Um dos principais cineastas latino-americanos da atualidade, candidato pela segunda vez à Presidência da Argentina, Fernando “Pino” Solanas fala da Pátria Grande Latino-americana e dos seus projetos de cinema em entrevista ao Brasil de Fato.

Nossos povos têm que sair do esquema neoliberal.

E têm que mudar. Têm que mudar a essência do que tem sido a América Latina: um território colonial e neocolonial. Território de saque de mais valia e de recursos naturais. Temos de construir formas inovadoras.

Quando falamos de um socialismo latino-americano, falamos de um socialismo pensado a partir de nossas tradições históricas, a partir das nossas heranças. De Simón Rodrigues, Artigas, Mariano Moreno, Monteagudo... a Mariátegui. Todo esse imenso acervo cultural. Citaria 50 nomes, desde Tupac Amaru, Bolívar..., e assim por diante.”
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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Esquerda e direita

Luis Fernando Veríssimo

... E, aparentemente, o DNA não vai nos dizer se estamos condenados a ser contraditórios de uma maneira ou de outra, para sempre. Era só o que nos faltava, o DNA ser do centrão.


Feliz é a mosca, que tem mais ou menos a nossa estrutura genética mas absolutamente nenhum interesse nas suas implicações.

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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A crise tem data, nome e sobrenome

Miguel Rossetto

Os atuais problemas financeiros que o Rio Grande enfrenta não são resultado de opções tomadas há mais de 30 anos, mas sim de escolhas feitas entre 1995 e 1997, pelo governo Britto, pelo PMDB, pelo PSDB e seus aliados. Essas medidas retiraram receitas do Estado, desorganizaram a economia e comprometeram a capacidade de financiamento público.

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domingo, 7 de outubro de 2007

Che: símbolo del mundo

No Prensa Latina pode-se chegar a um importante acervo a respeito do Che, símbolo del mundo. Para acessar o sítio especial do Prensa Latina onde este tesouro está armazenado é só clicar na imagem.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Que dure, como Amauta

As razões materiais não estarão jamais acima das razões duma existência liberta, consciente e alegre. Mas as razões materiais eventualmente podem impor ritmos, potências e entregas aquém do desejo de dedicação de alma e corpo a empreendimentos que buscam o encontro da liberdade, da consciência e da alegria.

É devido a tal condição imposta à sua editoria que BiruTaDoSuL mergulha a partir de hoje no recolhimento, desculpando-se das pessoas amigas que acompanharam, estimularam e justificaram o pouco que até aqui foi concretizado.

Surgido quase “acidentalmente”, numa circunstância de insurgência civil em que os blógues - e a internet, de modo geral - se tornaram poderosas forças argumentativas diante do controle monstruoso da informação e da opinião no Brasil, nunca tive a presunção de que o BiruTaDoSuL viesse a se tornar “veículo” ou fonte de informação.

BiruTaDoSuL surgiu modestamente como um espaço autônomo para a publicação de opiniões, polêmicas e análises oferecendo ângulos variados de apreciação da realidade e dos fatos. Conforme dito na mensagem de lançamento em 05 de setembro de 2006, BiruTaDoSuL nascia como um blógue “Que se habilita como um espaço de reflexão, análise e manifestação de sentimentos e percepções acerca dos dias atuais e das direções dos ventos dos dias nossos de cada dia.”.

E nasceu desejando simplesmente “que a companhia seja profícua”. Como se vê, portanto, foram sempre singelos os propósitos desde seu nascimento naquela quase primavera de 2006.

Hoje, nesse 26 de setembro de 2007, 406 postagens depois, centenas de comentários recebidos às publicações feitas e do meu carinho indizível pela BiruTa dos ventos”, na pior das hipóteses consigo conceber a idéia de um recolhimento temporário – que até poderá ser prolongado -, mas não sua finitude.

Das muitas genialidades humanas, tenho lido e conhecido muito José Carlos Mariátegui, um peruano do início do século passado que se correspondia com Antonio Gramsci e cujo gênio criativo de esquerda adquire ainda maior saliência no contexto de uma existência brevíssima, interrompida precocemente, mas que condensou os melhores ensinamentos sobre política desde a perspectiva de esquerda.

De um texto de Mariátegui, por ocasião do terceiro aniversário da revista Amauta [sábio, em quíchua], que ele dirigia, busco as palavras para um até breve, que seja também um hasta la victória, siempre:

La primera obligación de toda obra, del género de la que Amauta se ha impuesto, es esta: durar. La historia es duración. No vale el grito aislado, por muy largo que sea su eco; vale la prédica constante, continua, persistente. No vale la idea perfecta, absoluta, abstracta, indiferente a los hechos, a la realidad cambiante y móvil; vale la idea germinal, concreta, dialéctica, operante, rica en potencia y capaz de movimiento. Amauta no es una diversión ni un juego de intelectuales puros: profesa una idea histórica, confiesa una fe activa y multitudinaria, obedece a un movimiento social contemporáneo. En la lucha entre dos sistemas, entre dos ideas, no se nos ocurre sentirnos espectadores ni inventar un tercer término. La originalidad a ultranza, es una preocupación literaria y anárquica. En nuestra bandera inscribimos esta sola, sencilla y grande palabra: Socialismo. [Con este lema afirmamos nuestra absoluta independencia frente a la idea de un Partido nacionalista, pequeño burgués y demagógico.]” José Carlos Mariátegui, Lima, setembro de 1928.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Vê, estão voltando as flores

Para recepcionar a primavera na bela e doce Porto Alegre, o samba-marchinha Estão voltando as flores”, do paranaguaense Paulo Soledade e uma maravilha pintada sobre óleo por Nélson Jungbluth, exposta num totem do Essa PoA é Boa, exposição paralela à Bienal, que acontece no DC Navegantes.
Vê, estão voltando as flores
Vê, nessa manhã tão linda

Vê, como é bonita a vida

Vê, há esperança ainda


Vê, as nuvens vão passando

Vê, um novo céu se abrindo


Vê, o sol iluminando

Por onde nós vamos indo
Por onde nós vamos indo

Inter teve título roubado em 2005

Deu no UOL on line: O ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, que renunciou ao cargo na última sexta-feira por conta das acusações que sofre de lavagem de dinheiro, insinuou que o título brasileiro, conquistado pelo time alvinegro em 2005, foi “roubado” e que deveria ter ficado com o Internacional.
Continuar leitura no UOL ...
Ler o que BiruTaDoSuL já denunciou sobre esta falcatrua ...

diZerEs de camInHão

“Pior que muquirana empodeirado, só ignorantão depois que vira rico”

BiruTaDoSuL republica, a pedido, o dito de caminhoneiro sobre os muquiranas empodeirados, que homenageia pessoas que ocupam carguinhos no governo e se acham um supra-sumo. Para recapitular, a seção “diZerEs de camInHão” foi criada a alguns meses e recebe escritos sábias citações flagradas em apara-barros dos caminhões andantes da vida.

Os caminhoneiros possuem uma singular noção acerca da vida, e a eternizam em inscrições estampadas nos apara-barros dos seus possantes caminhões. Apara-barro, na concepção moderna de marketing, é uma espécie de “outdoor traseiro ambulante”.

sábado, 22 de setembro de 2007

El Nombre Encontrado

Eduardo Galeano

En la sierra mexicana de Nayarit había una comunidad que no tenía nombre. Desde hacía siglos andaba buscando nombre esa comunidad de indios huicholes. Carlos González lo encontró, por pura casualidad.

Este indio huichol había venido a la ciudad de Tepic para comprar semillas y visitar parientes. Al atravesar un basural, recogió un libro tirado entre los desperdicios. Hacía años que Carlos había aprendido a leer la lengua de Castilla, y mal que bien podía. Sentado a la sombra de un alero, empezó a descifrar páginas. El libro hablaba de un país de nombre raro, que Carlos no sabía ubicar pero que debía estar bien lejos de México, y contaba una historia de hace pocos años.

En el camino de regreso, caminando sierra arriba, Carlos siguió leyendo. No podía desprenderse de esta historia de horror y de bravura. El personaje central del libro era un hombre que había sabido cumplir su palabra. Al llegar a la aldea, Carlos anunció, eufórico:

-¡Por fin tenemos nombre!

Y leyó el libro, en voz alta, para todos. La tropezada lectura le ocupó casi una semana. Después, las ciento cincuenta familias votaron. Todas por sí. Con bailares y cantares se selló el bautizo.

Ahora tienen cómo llamarse. Esta comunidad lleva el nombre de un hombre digno, que no dudó a la hora de elegir entre la traición y la muerte.

-Voy para Salvador Allende dicen, ahora, los caminantes.

Debate sobre Partido Socialista Venezuelano

O profesor Edgardo Lander, da Universidade Central da Venezuela, que é um destacado intelectual da esquerda venezuelana, faz chegar polêmica análise sobre o processo venezuelano. O artigo “El Tribunal Disciplinario del Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) y la construcción de la democracia” é um convite à reflexão e à discussão honesta e não sectária acerca dos dilemas do processo venezuelano.

Começa afirmando que “El estilo del debate y los mecanismos mediante los cuales se han venido procesando las diferencias políticas y de opinión en el Partido Socialista Unido de Venezuela(PSUV) son extraordinariamente graves. De no revertirse a corto plazo, este estilo de dirección, de procesamiento de diferencias y de toma de decisiones en la organización en formación, se estaría conformando una estructura partidista con concepciones y prácticas de naturaleza no democrática”.

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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A Pesquisadora e a Aranha

A Folha de São Paulo do último 17/09/2007 publicou reportagem com o título “45% da cúpula do governo é sindicalizada” [ler ...] dissertando sobre o perfil de sindicalização das pessoas que ocupavam o que o jornal considera “cargos de elite no poder” do governo federal.

A matéria repercute o resultado da pesquisa “Governo Lula: contornos sociais e políticos da elite do poder”, coordenada por Maria Celina D'Araújo, do CPDOC [Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil] da FGV. A pesquisa concluiu, dentro do óbvio mais que ululante, que “os cargos de confiança mais altos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva são ocupados por sindicalizados e filiados ao PT”.

A pesquisadora da FGV não necessitaria realizar tão brilhante pesquisa para concluir que os cargos mais elevados da Administração Federal no governo Lula [consequentemente, os de maior remuneração] não foram preenchidos por gestores e técnicos ligados ao PSDB, aos Demos ou ao conservadorismo neoliberal. Por mais que a pesquisadora e a FSP considerem anti-natural um operário governar o país e profissionais vinculados a tradições populares e sociais ocuparem postos de mando no Estado brasileiro, o povo brasileiro quis contrariá-los nas eleições passadas.

Na reportagem, a prestigiosa pesquisadora que coordenou nada relevante pesquisa realizada com recursos públicos, tece considerações curiosas acerca dos fabulosos “achados científicos”:

- “Você tem ainda uma superposição: parte dos petistas é também sindicalizada. É uma malha associativa muito forte

- “A população brasileira tem em torno de 14% de sindicalizados. Na nossa amostra, a gente tem 45%. É muito diferente da realidade brasileira

- “Nós pegamos os níveis 5 e 6, que são cargos de direção. Acho que, se olhar mais para baixo, a tendência é até ter mais militantes e sindicalizados. A nossa amostra é uma elite que requer especialização técnica

- “O que a gente observa é que a área econômica é a mais profissionalizada. Quando a gente vai ver as áreas onde há maior concentração de pessoas sem experiência, sem currículo anterior e com maior militância é na área de saúde e nas áreas sociais. É muito a cara do Brasil, uma cara que se repete.

- é “preciso olhar com cuidado a possibilidade de movimentos sociais serem controlados pelo Estado. Isso acontece em outros países, Venezuela, Bolívia. Tem sido um recurso bastante usado por governos de recorte popular e pode ter custo para a democracia também, porque você tira autonomia, independência desses movimentos.

A reportagem da Folha de SP ainda complementa com outras pérolas:

- “cerca de 25% tinham filiação partidária: 19,90% eram filiados ao PT, e 5%, a outros partidos. O estudo mostra que a maior parte dos filiados vem do serviço público

- “Os filiados são, em sua maior parte, ‘outsiders’ da esfera pública

- “os indicadores de ‘associativismo’ também impressionam. Um total de 46% declaram ter pertencido a algum movimento social, 31,8% declaram ter pertencido a conselhos gestores e 23,8%, a experiência de gestão local. Apenas 5% pertenceram a associação patronais.

- “nada disso permite conclusões retumbantes, apenas aferir que, de fato, a tese que insiste num forte vínculo sindical, social e partidário está correta

Os resultados da pesquisa permitem chegar-se às seguintes conclusões:

i] uma instituição respeitável como a FGV deveria ser mais criteriosa, em termos científicos, sociais e intelectuais na autorização de pesquisas e no direcionamento de energias, trabalhos e recursos de seus prestigiosos pesquisadores;

ii] a mistura de “ciência encomendada” ou “ciência sob medida” ou “ciência instrumental” com mídia golpista, gobbeliana e partidária, na melhor das hipóteses, é mãe fecunda de totalitarismos;

iii] quando uma mídia sem escrúpulos faz do cientificismo feito de “ciência encomendada” um argumento de convencimento público, ocorre uma perigosa sinergia que visa a justificação de preconceitos para minar a imagem e afetar a representação simbólica de determinados atores sociais no contexto da sociedade e do imaginário social;

iv] a pesquisa e a reportagem que lhe deu publicidade [estranhamente só a FSP] valem menos pelo revelado e mais pelo ocultado, onde processam subliminarmente preconceitos, ódio racial e intolerância com a inserção social e técnica das camadas subalternas.

Com esta pesquisa, a pesquisadora da FGV se assemelha ao anedótico pesquisador da aranha, celebrizado por chegar a conclusões absurdas nos seus experimentos. Vale lembrar a clássica constatação dele de que “aranhas sem patas são surdas”. O pesquisador chegou à estapafúrdia conclusão ao constatar que após extrair as seis patas de aranhas, elas ficavam imóveis ao seu comando em voz alta de “anda, aranha!, anda, aranha!”!

Mentiras deliberadas, mortes estranhas e agressão à economia mundial

Fidel Castro, habitual colunista de BiruTaDoSuL


Numa reflexão falei de barras de ouro depositadas nos sótãos das Torres Gêmeas. Nesta ocasião o tema é ainda mais complexo e difícil de crer. Há quase quatro décadas cientistas residentes nos Estados Unidos descobriram a Internet, da mesma maneira que Albert Einstein, nascido na Alemanha, descobriu em seu tempo a fórmula para medir a energia atômica.

... ...

Um exemplo claro do uso da ciência e da tecnologia com os mesmos fins hegemônicos é descrito num artigo do ex-oficial da Segurança Nacional dos Estados Unidos Gus W. Weiss, que apareceu pela primeira vez na revista Studies in Intellligence, em 1966, embora com real difusão no ano 2002, intitulado Enganando os soviéticos. Nele Weiss atribuísse a idéia de que a URSS recebesse os softwares que necessitava para sua indústria, mas já contaminados com objetivo de fazer com que colapsasse a economia daquele país.

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Retirada de tropas

Pela democracia, o Senado deve acabar

Rui Falcão, FSP 20/09/2007

A existência do Senado é um desserviço à democracia brasileira. É chegada a hora de discutir o fim do sistema bicameral do país

A absolvição do senador Renan Calheiros pode contribuir, paradoxalmente, para aperfeiçoar a democracia se a reflexão sobre o escândalo transpuser as considerações de caráter circunstancial.

Ler o artigo publicado na FSP ...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Grandes investidores compram terras no Brasil

Com a moda do etanol, grandes grupos econômicos internacionais estão investindo enormes quantias de dinheiro na aquisição de terras e de usinas de cana-de-açúcar.

Nos tempos em que os governos se preocupavam com a autonomia do nosso país, o problema da aquisição de terras por estrangeiros foi sempre objeto de preocupação. Até os militares, que cederam facilmente nossa indústria ao capital multinacional, fizeram leis rigorosas para impedir que empresas estrangeiras adquirissem porcentagens de terra superiores a certos limites em cada município brasileiro.

Ler todo editorial do Correio da Cidadania ...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Caiu outro avião: não demorará e Lula será o culpado

Do jeito que as coisas vão, não tardará o momento em que o conservadorismo tucano-pefelento [demos] e sua mídia golpista, gobbeliana e partidária culparão Lula por todas as mazelas e tragédias não só do Brasil, mas do mundo todo.

Diante do surrealismo da mídia nativa, não seria surpreendente se algum espaço mais fanático da mídia golpista, gobelliana e partidária começasse a circular a falseta de que a culpa pela tragédia aérea na Tailândia é do Lula ...

Sem-Mídia, mas Com-Decência e Com-Dignidade

No sábado 15/09 aconteceu uma manifestação em frente ao prédio do golpista, gobbeliano e partidário jornal Folha de São Paulo, na capital paulista. A manifestação é a primeira atividade de um movimento de insurgência à atuação da mídia golpista, gobbeliana e partidária do país.

Na ausência de canais de televisão, emissoras de rádio ou jornais de grande circulação, o epicentro de expressão desse movimento é a internet. Os “sem-mídia” se organizam num universo cada vez mais efervecente de blógues e saites de análises, opiniões e também de notícias publicadas com decência e dignidade. Esse BiruTaDoSuL faz parte muito modestamente desse “bando”.

Notícias sobre o movimento podem ser lidas no Cidadania.Com, no Conversa Afiada e no Vi o Mundo.

Ler o Manifesto dos Sem-Mídia, cuja íntegra foi protocolada e entregue à Folha de São Paulo.

Metade do dia

Metade do dia
Passa silenciosa e inexorável
Mais aproximando a lua da noite
Do que iluminando com o sol
A outra metade do dia ainda porvir
Deixando, assim, o sol do dia

No ocaso de outra lua que domina

sábado, 15 de setembro de 2007

Máfia russa para além do futebol

Deu na Terra Magazine na matéria “Corinthians é ponta de iceberg” [ler ...] que a parceria da MSI [empresa pertencente ao mafioso russo Boris Berezowski] com o Corinthians visava mais que a participação no futebol brasileiro. Foi um mecanismo de implantação da máfia russa – originária do processo de destruição da URSS em 1991 - no Brasil em outros negócios, muito além do futebol.

No futebol, a exigência de retorno financeiro foi tamanho que fizeram de tudo para seqüestrar o título de campeão brasileiro em 2005 do Sport Club Internacional de Porto Alegre em favor do Corinthians, conforme comentado em nota do BiruTaDoSuL de 11 de setembro passado [ler ...] e em artigo publicado na Carta Maior em novembro de 2005 [ler ...].

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

11 de septiembre de 1973

Frida Modak, Secretária de Imprensa do Presidente Salvador Allende

El 11 de septiembre de 1973 llegué a La Moneda alrededor de las ocho de la mañana. Una hora antes, una llamada telefónica en la que me preguntaban si el Presidente estaba en la casa de gobierno me indicó que había salido de la residencia presidencial de Tomás Moro, a la que me había comunicado por última vez con Augusto Olivares a las tres y media de la mañana. Mientras él y otros asesores trabajaban con el Presidente en el discurso con el que convocaría a un plebiscito para dirimir las diferencias con el parlamento, les iba entregando toda la información que recibía sobre el movimiento de camiones que transportaban militares hacia Santiago.

Este relato é feito por Frida Modak, que foi Secretária de Imprensa do Presidente Salvador Allende.

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O Império e a mentira

Fidel Castro [contumaz colunista do BiruTaDoSul]

“REAGAN foi o criador da Fundação Nacional Cubano-Americana, cujo sinistro papel no bloqueio e no terrorismo contra Cuba se conheceria anos depois quando o governo dos Estados Unidos revelou documentos secretos, embora ainda cheios de desavergonhados riscos. Se os tivéssemos conhecido antes, nossa conduta não mudaria.”

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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Renan goleia mídia golpista, gobbeliana e partidária

A absolvição de Renan Calheiros, presidente moribundo do Senado Federal, tem como principal subproduto a monumental derrota da mídia golpista, gobbeliana e partidária. Mídia que editorializou o escândalo do Renan como editorializa todo e qualquer assunto que seja do seu interesse particularíssimo.

Por mais que a partir de agora se passe a ouvir a balela de que perdeu a chamada
“opinião pública” ou de que perderam os valores republicanos, éticos, morais, etc etc etc, a principal derrotada mesmo foi mesmo essa espécie de mídia corrosiva que viceja no país. E que lamentavelmente continua repartindo entre as poucas famílias que a monopolizam, as polpudas verbas publicitárias federais.

Desde o ponto de vista político, dos hábitos republicanos e da coisa pública, a absolvição do Renan é deplorável. E custará caro ao próprio PT um preço alto, que deploravelmente cultiva um passivo importante neste quesito. Outra prova de que o PT sangrará com este processo é a maquinação da oposição tucano-pefelenta e sua mídia golpista, gobbeliana e partidária de que o PT e o governo Lula seriam os responsáveis por eventual absolvição do Renan.

Disso tudo esse espaço do BirutaDoSul nunca teve dúvidas. Aqui nesse espaço se disse inclusive mais: que o escândalo do Renan seria um bom começo para a extinção do Senado e a realização de uma radical Reforma Política no país.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

11 de Setembro, de Alende a World Trade Center

Onde ocorrer um evento marcante, semiótico, serão notados os vestígios do império estadounidense. Duas patas do mesmo corpo chamado Estados Unidos unem num único sentido os acontecimentos de 11 de setembro de 1973 e de 11 de setembro de 2001.

Em 1973, os Estados Unidos apoiaram e atuaram diretamente na deposição do governo socialista e assassinato do presidente democraticamente eleito, Salvador Alende. Os estrondos de bombas e os sons dos aviões sobrevoando o Palácio de La Moneda ainda podem ser ouvidos. À frente da campanha sanguinária promovida pelos Estados Unidos, o fiel aliado Augusto Pinochet.

Em 2001, Bin Laden, antigo aliado e braço armado pelos Estados Unidos para consumar o governo Talibã, no Afeganistão, comanda o semiótico ataque às torres do edifício World Trade Center. As imagens dos aviões se chocando contra os edifícios e as chamas gigantescas de fogo e dor não sairão jamais da paisagem das pessoas que vivem neste século. Ainda não é totalmente esclarecido se a família Bush e/ou integrantes do governo de George Bush mantêm negócios petroleiros com a família de Bin Laden. O que seria até irrelevante, em função dos demais vínculos.

Estas duas barbáries ligam-se coerente e logicamente como parte de uma mesma atitude do império estadounidense no mundo contemporâneo. É certo que neste 11 de setembro a mídia global, controlada pelos Estados Unidos, de onde se originam quase 90% das “notícias” consumidas no mundo, relembrará o 11 de setembro do Norte, o de 2001.

O 11 de setembro de 1973, o do Sul, continuará como escrita e lembrança da página dos povos oprimidos e agredidos. Para que a memória dos povos produzam a consciência anti-imperialista e anti-capitalista.

No saite VioMundo, do jornalista Luis Carlos Azenha, tem uma boa cobertura sobre o 11 de setembro. Vale ver ...

Máfia russa no Corinthians e o verdadeiro campeão

As revelações sobre a atuação da máfia russa no Corinthians Paulista, com Boris Berezovski à frente dos negócios, pode ser o fio da meada sobre a “encomenda” do título de campeão brasileiro do clube em 2005.

Para lembrar: o Internacional de Porto Alegre, verdadeiro campeão daquele ano, teve o título surrupiado pela manobra de cancelamento sem critério de 11 jogos apitados pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho, que manipulou alguns resultados. Não bastasse isso, no confronto direto entre Inter e Corinthians, o time gaúcho, que deu um banho de bola, foi roubado com um pênalti não marcado e a expulsão injusta do jogador Tinga.

Tudo para garantir o retorno financeiro aos negócios milionários da máfia russa no futebol brasileiro. Até as pedras do Estádio Pacaembu sabem que o Corinthians tinha de ser campeão ...

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

E “la nave vá”

Se é verdade que o IIIº Congresso do PT frustrou muitas expectativas alimentadas quanto à mudança de orientação partidária, também não se pode afirmar que o encontro tenha sido um completo desastre.

O PT apenas perdeu uma chance importantíssima [mais uma] do próprio calendário partidário-institucional. O que pode significar muito na presente circunstância de sua história. É bem provável que em função dos sentimentos de desencanto e desilusão que assomam boa parte da militância petista e da base social do Partido, o resultado do Congresso, em prazo não maior que médio, cobrará um preço alto. Talvez o preço da própria subsistência do PT enquanto alternativa transformadora de esquerda capaz de empolgar vanguardas e multidões.

Se há uma verdade incontornável emanada do IIIº Congresso é quanto à correlação de forças, que conserva a maioria dirigente e o controle da máquina partidária em mãos do Campo Majoritário, que com suas políticas e práticas vem conduzindo o PT a um processo acelerado de degeneração. Esse dado não pode ser subestimado. E poderá dizer muito sobre o futuro reservado ao PT.

Neste sentido, é incompreensível a predileção da esquerda petista em atacar-se mutuamente ao invés de unir-se para enfrentar de maneira coesa o Campo Majoritário nas disputas subsequentes, a começar pelo Processo de Eleições Diretas [PED]. É difícil, neste contexto, compreender-se os textos de autorias de dirigentes da Democracia Socialista e da Articulação de Esquerda se engalfinhando gratuitamente e a partir de aspectos rigorosamente acessórios a respeito do Congresso do PT.

Fariam melhor se se empenhassem nas tarefas fundamentais que têm pela frente enquanto duas das principais forças de esquerda do PT. A começar pelo PED, marcado para dezembro próximo. Não há chance de retomada do PT pela esquerda sem uma unidade programática e de ação nucleada a partir dessas duas forças internas da esquerda do PT.

Persistir nessa prática demarcatória e sectária significa persistir contrariando os interesses não só da esquerda petista, mas do conjunto da esquerda brasileira. Enquanto isso continuar acontecendo, estarão contribuindo para que “la nave” – leia-se, o Campo Majoritário – “”.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Mais SUS: mais vida e menos crise

Jussara Cony

Há consenso, hoje, na discussão sobre o que se convencionou denominar “crise da saúde”, prevalecendo a visão de que o SUS é uma política essencial para a superação das dificuldades e não causa dos seus entraves. A realidade mostra que há crise onde o SUS não está adequadamente implantado, financiado e gerido.

As dificuldades do SUS advêm da própria magnitude e generosidade desse sistema que visa assegurar acesso gratuito e universal a mais de 170 milhões de pessoas, prestando desde assistência básica à medicina nuclear.
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quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A maquinação da mídia golpista, gobbeliana e partidária contra o PT

Bastou começar a entoada da oposição tucano-pefelenta de que a cassação ou absolvição do Renan Calheiros depende do PT que a mídia golpista – e gobbeliana, acrescente-se – editorializou a cobertura associando o PT com a eventual absolvição de Renan.

Basta ver a enorme "coincidência" entre os pronunciamentos de Arthur Virgílio [PSDB] e Agripino Maia [DEM] e as manchetes de jornais e matérias veiculadas em rádios e na televisão. Vão todos no mesmo embalo: "Futuro de Renan depende do PT"!

Moral da história: se Renan mantiver o mandato apesar de todas as denúncias, será por obra do PT – um partido que querem identificar inapelavelmente com corrupção e traquinagem.

A mídia golpista – que além de gobbeliana é partidária – consegue a proeza de tornar determinante e decisivo o peso de 12 senadores/as petistas num universo de 81 senadores/as do Senado Federal. Mistificação é o principal subproduto da aritmética forçada desse tipo de mídia.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Os super-revolucionários

Fidel Castro
Leio cuidadosamente todos os dias as opiniões sobre Cuba de agências tradicionais de imprensa, incluídas as dos povos que fizeram parte da URSS, as da República Popular China e outras. Chegam-me notícias de órgãos de imprensa escrita da América Latina, Espanha e do resto da Europa.
O quadro é cada vez mais incerto perante o temor de uma recessão prolongada como a dos anos posteriores a 1930. O governo dos Estados Unidos recebeu no dia 22 de julho de 1944 os privilégios outorgados em Bretton Woods à potência militar mais poderosa, emitir o dólar como moeda internacional de câmbio.
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