terça-feira, 19 de junho de 2007

Israel e Estados Unidos fazem da Palestina a nova Bósnia

Jeferson Miola

Israel, Estados Unidos e Europa mudaram radicalmente em relação à Palestina desde que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas da Fatah, destituiu o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, que pertence ao movimento Hamás.

A partir do último domingo 17/06 foi suspenso o boicote e levantadas as restrições econômicas criminosas impostas por Israel, Estados Unidos e Europa à Palestina, que vigiam desde que o Hamás obteve pelo voto direto e democrático do povo palestino a maioria parlamentar e o cargo de Primeiro-Ministro.

As cadeias monopolistas de notícias passaram então a difundir imagens “humanitárias” de descarregamento de remédios, alimentos e combustíveis e a volta da assistência internacional nos territórios palestinos, somente possível graças à “retomada da ajuda” de Israel, Estados Unidos e Europa à Palestina agora “livre dos radicais terroristas do Hamás”.

A conspiração armada por Israel e EU contra o povo palestino desde janeiro de 2006 não se restringiu ao boicote econômico e ao corte da assistência estabelecida pela ONU, mas compreendeu também o engendramento de ações políticas e militares deliberadas. Militantes do Fatah e segmentos palestinos aliado aos Estados Unidos foram armados e apoiados financeira e materialmente para combaterem o governo do Hamás.

Israel e Estados Unidos fortalecem facções internas na Palestina para assim promoverem a guerra civil palestina; uma verdadeira guerra tribal de destruição sangrenta de palestinos feita pelos próprios palestinos.

Essa política é genocida! E os objetivos dessa política genocida são claros. Com o aprofundamento da devastação de um país já devastado pela guerra permanente promovida contra si por Israel e com o debilitamento político e militar dos setores que se opõem à capitulação e à corrupção do Fatah, fica mais distante do horizonte a construção do Estado Palestino e o enfrentamento aos interesses intervencionistas do imperialismo estadudinense em toda a região do Oriente Médio.

O mundo não pode continuar aceitando com a mesma naturalidade de sempre os acontecimentos na Palestina, cada vez mais transformada em protetorado dos Estados Unidos. A omissão frente à tragédia palestina é tão hedionda quanto à transformação da Palestina na Bósnia do século 21.


Não haverá paz duradoura no mundo enquanto subsistir o conflito no Oriente Médio. E não haverá sossego para as consciências humanistas e libertárias em todo o mundo enquanto não cessar o genocídio promovido contra o povo palestino por Israel e Estados Unidos.

Um comentário:

Claudia Cardoso disse...

Quando eu vi a reportagem do Jornal Hoje, mostrando o envio de ajuda humanitária ao povo palestino, me deu um nojo! Quanta crueldade, que horror! Israel tb armou o Hamas, quando considerou o Fatah "terrorista" demais em tempos de Arafat.
Bem, teu texto foi lincado no Blogoleone: http://blogoleone.blogspot.com