quarta-feira, 23 de maio de 2007

Quando o Judiciário não deixa fazer justiça

As operações da Polícia Federal podem dar com os burros n’água se os vigaristas endinheirados e engravatados continuarem se valendo de ardis legais para gozarem de privilégios.

De nada adianta o eficiente trabalho da PF de desbaratamento de quadrilhas que saqueiam recursos públicos se na ponta final dos processos - no Judiciário -, são valorizadas “tortuosidades” jurídicas que permitem aos réus presos em flagrante disporem de foro privilegiado, terem prisão revogada e gozarem de outras regalias.

O Judiciário, que valoriza tanto as filigranas técnicas e formais que acabam permitindo a soltura dos vigaristas endinheirados e engravatados deveria, ao contrário, se valer dos mínimos detalhes previstos na lei para aplicar com justiça e severidade as penas da lei, independentemente da condição social, econômica ou funcional da pessoa implicada.

A atuação das mais altas instâncias do Judiciário é decepcionante, a pretexto da alegação de seguirem a lei. Na verdade, o STF e o STJ atuam na proporção inversa ao sentimento estupefato e indignado da sociedade brasileira com os fatos revelados. A cada dia a injustiça marca ponto com a soltura em escala industrial dos quadrilheiros presos em flagrante.

O Brasil só se tornará uma república verdadeira quando o sonho de justiça for realizado. Este sonho não se realizará sem a profunda transformação do Sistema e do Poder Judiciário do país, principalmente quando se sabe que foi comprometido nos escândalos recentes e cuja atuação leniente produz uma cultura de impunidade, de favorecimento e de injustiça.

2 comentários:

Claudia Cardoso disse...

Pois é, Jeferson. Trata-se de uma enorme contradição: ao mesmo tempo que o Executivo amplia as bases de um sistema, a fim de desbaratar as quadrilhas que se servem do dinheiro público, ou sonegam impostos, o Judiciário segue na sanha da impunidade aos crimes de colarinho branco! O pai já está de gozação em casa: faltará cadeia para tanto nível superior... De qualquer sorte, o Lula acerta algumas - ainda bem, não é mesmo? Quanto ao Judiciário, está na hora de se criar mecanismos de controle público e, quem sabe, até eleição para determinados postos. Abraço!

Biruta do Sul disse...

Querida Cláudia, o craque Cardoso, além de campeão do Racing, cada vez se revela um arguto cronista político. Comentários breves e certeiros.
Sou cada vez mais fã dele. Não seria nada mal um blog/seção do "Seu Cardoso".
No mais, concordo contigo, temos de inventar a roda no tema do judiciário. Faliu, soçobrou, foi pro espaço. Ministros do Supremo e do TCU nomeados pelo Executivo e Congresso é puro arreglo.
Um abração,