sábado, 21 de julho de 2007

Cumplicidade

Por Luis Fernando Veríssimo
Se esses dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros. Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.

Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta.
Ler o artigo ...

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Filmes em Cartaz

Thales sugere algumas opções de filmes para as férias da gurizada. Confira: Transformers, Ratatouillle e Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Harry, depois de suas férias, retorna à Escola de Magia de Hogrwords, onde luta contra o Lorde das Trevas Voldemort. Será que Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger conseguirão detê-lo? Assista ao filme e descubra... [escrito por Thales]

Sanha condenatória

A despeito da habitual parcimônia em casos de acidentes aéreos [no Brasil e em qualquer parte do mundo], e a despeito de sinais preliminares de que poderá ter havido falha humana e/ou de equipamento no trágico vôo 3054 da TAM, mesmo assim a imprensa golpista e a direita brasileira se esbaldaram em condenar o governo pela tragédia.

Agiram acusando diretamente na cobertura dos jornais, rádios e tevês, nos saites e blógues, com matérias mentirosas, parciais, ilusoriamente “científicas” e “especializadas” e com charges macabras e coisas do gênero.

Também agiram [e agem] subliminarmente. O melhor exemplar desse ramo da turma é o governador José Serra, que diferentemente da atuação no acidente da cratera da Linha 4 do Metrô de São Paulo, quando literalmente sumiu do mapa, agora atua com desenvoltura e busca colher todos os dividendos políticos com a tragédia. Serra atuou como comentarista, especialista, porta-voz, investigador, interventor, socorrista e, principalmente: fonte para a imprensa golpista.

É claro que a inação do governo em quase um ano de desarranjo do sistema aéreo brasileiro colabora para a fácil associação que a direita tenta fazer com o acidente. A presença do deputado Júlio Redecker do PSDB/RS dentre as vítimas, colaborará para a maior politização do assunto.

É de se perguntar se não será esta tragédia, explorada criminosamente pela mídia golpista e direita brasileira, o primeiro fator a contribuir com a erosão da imagem do Lula e do seu governo, que resistiu a muitos escândalos e adversidades. É uma reflexão que fica pr’outra ocasião.

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Algumas pérolas publicadas:

- Emergência, o refúgio dos covardes, blógue do Marcelo Tas, a respeito do gabinete de crise do governo federal.

- Tragédia anunciada, a forma pasteurizada mais comum, aplicada em vários veículos

- Quando vai ser o próximo, Eliane Cantanhêde, FSP

- Uma dúvida para a Infraero esclarecer: a obra da pista já foi integralmente paga?, Fernando Rodrigues, FSP [pergunta-se: qual a pertinência da questão??]

- Brasil produz uma nova causa mortis: incompetência, Josias de Souza

- Governo é culpado por acidente, acusa Jungmann, no Terra Magazine

- O governo é culpado até prova em contrário, deputado, neofilósofo e neojurista Raul Jungmann

- 'Faltou boa vontade' com pista, diz especialista, James Rojas Waterhouse, professor do Departamento de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo no Terra Magazine.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Quê diria Ratzinger?

A Igreja Católica em Los Angeles fez acordo com mais de 500 vítimas de abusos sexuais cometidos por padres daquela arquidiocese ao longo de pelo menos sete décadas. Dentre os indenizados têm até sessentões, que foram abusados lá pelos 1940.

Pelo acordo a Igreja Católica – a única verdadeiramente cristã, segundo o neomedieval Joseph Ratzinger – pagará uma indenização de mais de 1,2 bilhões de reais além dos 3 bilhões de reais já pagos recentemente na mesma rubrica.

O fato atiça uma curiosidade. É a seguinte: será que o neomedieval Ratzinger aceitaria o aborto caso uma jovem adolescente tivesse sido engravidada por um padre pedófilo? Ou, do contrário, aceitaria ele próprio batizar a criança na única verdadeiramente igreja de Cristo?

Lula e a sucessão

Jeferson Miola
As vaias compradas pelo reacionarismo carioca a preços substanciais – chegavam a valer R$ 200 para entrar no Maracanã – não atingem a popularidade de Lula que, segundo reiteradas pesquisas, segue forte como rochedo. Vaias compradas sequer medem popularidade, até porque no Rio Lula sempre ganhou do reacionarismo por goleada: nunca fez menos de 60% dos votos contra cerca de 30-40% dos tucanos e pefelentos [agora “os Demos”].

O que demonstra que o maior erro do estafe de Lula tenha sido o de desprezar este fato e induzi-lo a não fazer o pronunciamento de abertura oficial do Pan. Um erro que amplificou e superdimensionou o valor das vaias – compradas.

Bem, mas independente disso, as movimentações com vistas à sucessão do Lula prosseguem, tendo o próprio na testa da mesa de jogo. O projeto do Lula consiste no seguinte: fazer seu sucessor em 2010 – não necessariamente alguém do PT – que governaria por cinco anos sem direito à reeleição, o que viria como parte de um pacote político a ser aprovado no Congresso. E então Lula retornaria em 2015 para novo mandato até 2020. Se concluir o atual mandato nas condições de popularidade e identidade popular que ostenta hoje, se elegeria independentemente do desempenho do seu sucessor e teria um retorno épico ao estilo Getúlio Vargas e Juan Perón.

Ciro Gomes, que se mantém prudentemente reservado do ti-ti-ti político, sai da toca para os primeiros ensaios sobre a sucessão de Lula. Com consciência sobre o principal da disputa no Brasil, que é o aprofundamento da derrota do bloco reacionário tucano-pefelento [agora “os Demos”] e a interdição do projeto deles de retorno à Presidência da República, Ciro considera necessário “cimentar um projeto para o dia seguinte da saída do governo Lula”. Dizendo que “não aceita ser vetado” como eventual candidato presidencial da coalizão que sustenta o governo Lula, Ciro recomenda aos partidos da base de apoio “juízo político” nas escolhas que serão feitas. [Ler entrevista de Ciro ao Estadão]

Endossando as declarações de Ciro Gomes, o Ministro Luiz Dulci reconhece a naturalidade da postulação do Ciro e recusa a hipótese de veto: “Certamente não haverá veto, pelo contrário. Não é hora ainda de a coalizão escolher seu candidato. No momento oportuno, o nome de Ciro Gomes será considerado, com muito respeito e atenção, pela importância da liderança dele”. No melhor figurino mineiro, Dulci não perde a ocasião e elogia Ciro, dizendo que ele “é uma pessoa muito querida em todos os partidos da coalizão, inclusive dentro do PT”.

O certo é que Lula desde a vitória eleitoral do ano passado vem arquitetando a continuidade do projeto que inaugurou em 2003, situado acima e à parte do PT e da esquerda brasileira e que tem como centro de gravidade a imposição de uma derrota estratégica ao reacionarismo tucano-pefelento [agora “os Demos”].

Isso não é pouco, mas também não devia ser tudo. E tampouco é a única forma de se chegar aos mesmos fins. Mas em nome disso a esquerda – principalmente o PT - vem pagando um preço elevadíssimo, que poderá lhe custar uma derrota histórica e geracional – o que é outro papo proutra conversa.

Erosão do Império

É provavelmente no interior dos Estados Unidos que ressonam as vozes mais críticas à dominação imperial exercida pelo próprio país no mundo contemporâneo. Bem ilustram o fenômeno pessoas como Noam Chomsky, Danny Glover e Michel Moore.

O jornalista e escritor Cullen Murphy se integra a este time de celebridades com o livro “Are we Rome?” [Nós já somos Roma?], em que traça um paralelo entre os Impérios Romano e Estadunidense nas semelhanças e diferenças.

O autor destaca que certas características dos Estados Unidos - como a militarização excessiva, a expansão do domínio no mundo, a privatização de funções públicas, a “mentalidade que vê os EUA como o centro do sistema solar” e a arrogância – sinalizam o começo do fim da força imperial do país. Algo que não acontecerá, obviamente, depois de amanhã, mas que certamente acontecerá em tempos menores do que se imaginaria.

A Folha de São Paulo publicou entrevista com Cullen Murphy, na qual o autor expõe o conjunto de associações históricas e políticas que comprovam que os Estados Unidos se tornarão a Roma do século 21. Que seja em breve!

sábado, 14 de julho de 2007

Senado precisa de extremunção e não de umbanda

Unicameralismo Já! Fim do Senado Federal! [ler o que já foi escrito ...]

A cada dia emana do Senado Federal uma razão substancial para justificar o fim daquela instituição embolorada, carcomida e anacrônica.

Não bastassem as sucessivas chanchadas e episódios lamentáveis que ridicularizam cada vez mais aquela “Casa”, vem o Senador Romeu Tuma e produz essa notável asneira:

- “Com todo o respeito que tenho ao espiritismo, se trouxermos dez chefes de terreiro, sendo três da Bahia, ainda assim não se faz o descarrego desta Casa hoje, pelo peso da espiritualidade negativa que está tomando conta da Casa”.

Tuma, que é Corregedor do Senado, poderia ao menos poupar tamanha ofensa à umbanda e às religiões afro-descendentes. Mais apropriado seria se tivesse apelado ao neomedieval Joseph Ratzinger. O caso lá é de extremunção, não de encosto.

A cada dia abundam razões para a retomada da reforma política – por que não a convocação de Assembléia Constituinte? – para consumar a extinção do Senado e a instituição de sistema unicameral no Brasil.

Não faltará lugar no reino de Ratzinger para os santos que habitam a “Câmara Alta”.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Sexta 13

Sexta 13


Sexta 13

Dia enluarado

Noite ensolarada

Cidade esbranquiçada

Por gelo fino

Derretido com o calor

Da Bruxa que vaga nas nuvens

Com feitiço e frescor

Que ninguém d´Ela subtrai

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Autocrítica de Cuba

Por Fidel Castro
O trabalho físico não gera por si próprio uma consciência. Cada trabalhador é diferente. O seu temperamento, o seu organismo, os seus nervos, o tipo de trabalho que realiza, o rigor dele, as condições em que utiliza a sua força — sob o sol ardente ou em área climatizada— se for pago por serviço ou remunerado por um salário, se tem hábitos de disciplina ou não, se está em todas as suas capacidades mentais ou sofre dalguma deficiência, escolas onde estudou, professores que teve, se for profissional ou não a actividade a realizar, se o trabalhador é de origem camponesa ou urbana. Uma coisa muito importante: se maneja ou distribui bens ou serviços de qualquer tipo, quem são os seus chefes, qual a imagem que projectam, de que maneira falam, como olham. Poderia preencher páginas a falar das diferenças individuais de cada trabalhador. Portanto, o que mais precisa o cidadão do nosso país são os conhecimentos, se desejamos criar uma consciência.
Ler o artigo de Fidel ...

Estados Unidos financiam mídia conspirativa na Venezuela

Recentemente foram abertos os arquivos secretos da CIA – chamados de “Jóias da Família - relativos às ações ilegais e criminosas da agência de inteligência nos anos 1950 a 1970. Tais arquivos confirmam suspeitas agora comprovadas, como as tentativas de assassinato de Fidel, o apoio ao golpe militar no Brasil e outros países do continente e conspirações contra os alegados “inimigos” da democracia estadunidense.

Agora o governo dos Estados Unidos é acusado de financiar a mídia golpista na Venezuela patrocinando o influente jornalista William Echeverría da emissora Globovisión, além de financiar através do Departamento de Estado a criação de televisão “municipal” em cidade administrada pela oposição ao presidente Chávez. Para ver o vídeo com a acusação de que Echeverria recebeu dinheiro dos Estados Unidos.

Quando os arquivos atualizados das Jóias da Família forem publicados dentro de trinta anos, o mundo se perguntará como foi possível tal dominação imperial capitaneada por um fascínora como Bush em pleno século 21.

A tirania mundial

Por Fidel Castro
Aqueles que constituíram a nação norte-americana jamais imaginaram que aquilo que estavam proclamando nessa altura levava consigo, mesmo como qualquer outra sociedade histórica, os gérmenes de sua própria transformação.
Na atrativa Declaração de Independência de 1776, que na quarta-feira passada fez 231 anos, afirmava-se algo que de uma maneira ou outra cativou a muitos de nós.

Ler a análise de Fidel Castro na íntegra ...

Que feio: Lula e Chávez brigam e não se falam


Deu no Blog do Bob Fernandes que Lula e Chávez vêm colecionando conflitos e desentendimentos, com o comprometimento dos negócios entre Brasil e Venezuela.
Para ler no Blog do Bob Fernandes ...

Partido de Bush também quer fim da barbárie que exultou

No último final de semana o tradicional New York Times defendeu, em editorial, a imediata saída das tropas de soldados dos Estados Unidos do Iraque, conforme comentado em “NY Times hoje condena barbárie que exultou em 2003”.

Agora foram os senadores do Partido do Republicano de Bush que exigiram o mesmo. Eles, grandes entusiastas da guerra em 2003, agora não aceitam a proposta de Bush de aguardar até setembro para a discussão de um cronograma de retirada militar.

Existem senadores do Partido Republicano dispostos a apoiarem o projeto de lei do Partido Democrata que prevê o início da retirada em 120 dias e o fim da ocupação estadunidense no início de 2008, deixando o Iraque e o povo iraquiano nas condições em que deixarão – destruído, saqueado, dividido, órfão e em meio a guerra civil sangrenta.

Fujimori: outro neoliberal que se safa

Um juiz da Corte Suprema do Chile negou o pedido de extradição do ex-Presidente Alberto Fujimori, sob o pretexto de não haver provas do envolvimento dele com atos de corrupção e com esquadrões da morte durante o decênio que governou o Peru, de 1990 a 2000 [sic]. Para ser liberado da prisão domiciliar que cumpre numa mansão em Santiago, Fujimori aguarda a sentença final, que terá o mesmo rumo da decisão do juiz.

Fujimori, que pretendia retornar ao Peru para concorrer às eleições presidenciais do ano passado, ficou preso no Chile por motivos puramente formais/documentais. Como percebeu que as coisas não ficariam bem para ele no Peru, fugirá novamente para o exílio no Japão, onde pretende se candidatar ao Senado nas eleições do final desse mês. Como se vê, dupla nacionalidade sempre tem suas vantagens.

Fujimori, juntamente com Menem na Argentina, Collor e FHC no Brasil, Salinas no México, Andrés Pérez na Venezuela e quejandos, faz parte da marcante geração responsável pela destruição neoliberal do continente latino-americano. Foi destituído do governo por uma rebelião popular depois de serem revelados detalhes dos massacres e corrupção praticados pelo seu governo, sob o comando do principal assessor e ex-Ministro Montesinos.

Brasil - Indignados e envergonhados

Se na questão política há o ânimo de condenar, o acusado, mesmo inocente, será condenado. Se há ânimo de absolver, o acusado, mesmo corrupto, será absolvido.
Artigo de Leonardo Boff, no Correio da Cidadania ...

terça-feira, 10 de julho de 2007

SubCdte Marcos: duas políticas e uma ética


Trechos da conferência do Subcomandante Marcos feita no Auditório Che Guevara da Universidade Autônoma do México para estudantes no último mês de junho, sobre ética e política:
...

Quando e como foi que a ética e a política tomaram esses caminhos?
A ética, o caminho asséptico e medíocre da academia.
A política, o caminho do cinismo e da sem-vergonhice ‘realista’.

Quando foi que a intelectualidade progressista renunciou à análise crítica e se converteu em triste carpideira das derrotas e fracassos de uma classe política que já está morta a vários anos?

Quando se operou essa alquimia mágica que fez dos intelectuais progressistas os justificadores, e não poucas vezes os aduladores, da obrigação de uma ‘esquerda’ tão entre aspas e tão à direita, que têm de fazer malabarismos para tirar da sua posição real no espectro político?


...

E o que se fez da ‘esquerda’ [já levo tantas aspas para ‘esquerda’ que temo que acabem as do teclado], a esquerda que fez o caminho eleitoral [algo compreensível e válido] e ao seu passo foi deixando os princípios, quer dizer, a identidade, como se fosse não só um monte de escombros, mas também um peso afundado?

Para ler todo a conferência em castelhano, clicar aqui.
No final do documento, tem o áudio da conferência, com duração de aproximadamente 25 minutos.

Programa de Yeda prometia prorrogação dos pedágios

No programa de governo da então candidata Yeda Crusius, às páginas 15, aparecia eufemísticamente a proposta de Novos Equilíbrios para os Pedágios de Consórcios que diminuam o custo para o usuário de automóveis e ônibus. [Item 4 do Capítulo Transportes e Sistemas Logísticos].

Na tradução do tecnocratismo do programa de Yeda para o português real “novos equilíbrios” significa “prazos maiores”. O eufemismo escondia o objetivo real de Yeda, de prorrogar os pedágios de Britto e ampliar os custos que as opções neoliberais representam para o Rio Grande e para os gaúchos.


Durante as eleições, BiruTaDoSuL tratou pelo menos quatro vezes do assunto entre os dias 20 e 25 de outubro de 2006 nas postagens ESCÂNDALO: Yeda quer prorrogar contratos de pedágios, Resposta ao IOTTI, Mais pedágios com POLÃO de Yeda, Britto e Padilha e O “preço Yeda” do atraso.

Pena que este assunto, assim como a proposta de Yeda, Britto & Padilha do Polão da BR116 não tenham tido maior exposição no debate eleitoral do ano passado.

Prorrogação dos pedágios: o privado sempre acima do interesse público

A Construtora SULTEPA é uma das empresas proprietárias do Consórcio UNIVIAS, que administra as estradas concedidas do Rio Grande do Sul [estradas dos Pólos de Caxias do Sul, Lajeado e Região Metropolitana, transferidas à iniciativa privada e pedagiadas pelo governador Antonio Britto em 1997]. A SULTEPA vem negociando a venda do Consórcio [leia-se: a venda da concessão das estradas e da exploração dos pedágios] para os grupos paulistas EQUIPAV e BERTIN desde setembro de 2006.

A deputada Marisa Formolo [PT] divulgou na CPI dos Pedágios da Assembléia Legislativa que a empresa SULTEPA assumiu, como parte do Acordo de Investimentos para a venda do UNIVIAS a prorrogação dos prazos dos contratos dos atuais pedágios controlados pelo Consórcio. Tal informação foi descoberta no ofício do Diretor Administrativo da SULTEPA enviado em 23/03/2007 à Comissão de Valores Mobiliários, no qual é explicado:

O Acordo de Investimentos e Outros Pactos celebrado entre as partes em 27.09.2006, considera três etapas para definição e cumprimento total do Pacto (Acordo), sendo que até esta data, estão pendentes as duas etapas mais importantes; a saber:

a) aprovação pelo Órgão concedente DAER-RS; e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul de em quantos anos será prorrogado à Concessão das Rodovias; esta fase será analisada pelo atual Governo; já em tramitação no Legislativo e a expectativa é de conclusão ainda no primeiro semestre de 2007.

Essa correspondência traz pontos importantes à luz:

[1] o Diretor Administrativo da SULTEPA dava como favas contadas a prorrogação dos contratos pelo DAER e Governo do Estado, tendo dúvidas somente sobre quais seriam os novos prazos. Ou, como o próprio diz na carta, “de em quantos anos será prorrogado”.

[2] o Diretor Administrativo da SULTEPA se passou ao dizer que o Projeto de Lei autorizando a prorrogação dos contratos já tramitava na Assembléia Legislativa, o que não é verdadeiro.

[3] se a certeza do Diretor Administrativo da SULTEPA de que os contratos serão prorrogados provinha de informações privilegiadas junto ao DAER e ao Governo do Estado, existiriam aí algumas impropriedades. Poderia o Executivo, por exemplo, atuar em favor de negócios privados, fazer promessas condicionantes de negócios e antecipar resultado de votação dos parlamentares na Assembléia Legislativa?

Que llege la nieve en Porto Alegre


Oxalá ventos e massas polares tragam a neve caída em Buenos Aires ontem à bela e doce capital de todos os gaúchos.
Os presságios favorecem.
A última vez que nevou em Porto Alegre foi em agosto de 1984. Teria sido, então, a segunda vez em todo o século passado.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

NY Times hoje condena barbárie que exultou em 2003

Jeferson Miola

O influente New York Times, assim como o seleto punhado de jornais conservadores dos Estados Unidos, da Inglaterra e da Europa que produzem 90% das notícias que dominam o noticiário no mundo inteiro, em março de 2003 utilizou toda a sorte de ardis e mentiras para estimularem a guerra unilateral promovida por George W. Bush contra o Iraque. A despeito da ONU e de todos os demais países e governos contrários à invasao, à exceção da Inglaterra de Blair, da Itália de Berlusconi, da Espanha de Aznar e de Israel de Sharon.

O NY Times não poupou o tom macarthista na sua cruzada. Dividiu a humanidade em dois tipos, entre “os que são favoráveis aos Estados Unidos e sua estupidez” e os que são “aliados do terrorismo de Bin Laden e seu bando”. Chegaram a inventar, assim, uma nova modalidade de “patriotismo mundial”.

Com o fabuloso poder midiático mundial de pasteurizar e editorializar absolutamente todos os itens da vida moderna – da cultura aos hábitos de consumo, às preferências de educação e “até” os “prosaicos” assuntos de guerra -, este jornalismo conseguiu provisoriamente entorpecer mentes mundo afora com a falácia da “necessidade” da guerra.

Durou pouco: apesar da cegueira intencionalmente provocada, já a partir de abril de 2003, um mês depois do início da invasão anglo-estadudinense, começaram as gigantescas manifestações em todo o mundo contra a guerra.

Hoje, com mais de quatro anos de atraso, o NY Times se volta contra a estupidez que teve papel fundamental na promoção. Sem nenhuma crise de consciência e sem a mínima autocrítica, defende em editorial a imediata saída dos soldados dos Estados Unidos do Iraque.

Sustenta que a saída deve se dar “no prazo estritamente necessário para a remoção operacional e logística”, deixando o Iraque de pernas pro ar e ardendo em fogo. Assim, como se não tivessem mais nada a ver com o assunto. Decerto chamarão a “comunidade internacional” para administrar outra tragédia humanitária semeada pelo governo imperial que defendem.

O NY Times, dessa forma, segue sua sina de colonizadores bárbaros. Faz jus à condição de imprensa imperial. São os donos do mundo, e tirante os interesses dos Estados Unidos, o “resto” não interessa, ainda que sejam os destroços gerados por eles mesmos. Fazem terra arrasada do território e da vida dos outros, extraem todas as riquezas e benefícios almejados e simplesmente caem fora.

É o que fica explícito no texto do editorial de ontem do jornal – “O caminho para casa” -, que prova que quando o cinismo e a canalhice vencem, o futuro pode se transformar em miragem.

Está assustadoramente claro que o plano de Bush é levar a situação enquanto for presidente e depois despejar a confusão nas costas de seu sucessor. Seja qual fosse sua causa, ela está perdida.

Os líderes que Washington apoiou [sic] são incapazes de colocar os interesses nacionais acima do acerto de contas sectárias. As forças de segurança que Washington treinou se comportam como milícias sectárias [sic]. As forças militares adicionais enviadas à região de Bagdá não conseguiram mudar nada.

Continuar a sacrificar as vidas de soldados americanos é errado. A guerra está solapando a força das alianças e das forças militares do país. Ela é um perigoso desvio de atenção da luta de vida ou morte contra o terror. É um ônus sobre os contribuintes americanos e uma traição ao mundo, que precisa da aplicação sábia do poderio e dos princípios americanos. A maioria dos americanos chegou a essas conclusões meses atrás”.

Para ler todo o texto do editorial, que foi publicado pela FSP ...

Robert Fisk: jornalismo da justiça, da decência e posicionado

No final do último junho a Folha de São Paulo antecipava a vinda de Robert Fisk ao Brasil para participar da Feira Literária Internacional de Parati [FLIP] a fim de lançar seus dois novos livros – “Pobre Nação” e “A grande guerra pela civilização”.

O jornal realizou então uma entrevista muito interessante, na qual o correspondente britânico falou sobre a situação Palestina, a relação do mundo ocidental com o Oriente Médio, islamismo, governo Bush e, obviamente, sobre como exerce jornalismo.

Robert Fisk diz temer que George Bush invada o Irã em 2008: “Acordo todas as manhãs e penso: aonde esse homem nos levará hoje?”.

Refutando a imputação de que ao criticar Bush e a posição do governo dos Estados Unidos estaria assumindo posições favoráveis ao mundo oriental, Robert Fisk responde ao repórter e à hipocrisia da imparcialidade da mídia:
- “Veja o que escrevi sobre os Saddams e Arafats da vida. Sou bastante crítico a eles. Assim como à maioria dos regimes árabes. Como jornalista, você tem de estar do lado da justiça, do equilíbrio, da decência, tem de se posicionar. O Oriente Médio não é um jogo, onde você dá tempo equivalente para cada time. Não é um julgamento público, é uma imensa tragédia humana. Se estivéssemos cobrindo o tráfico de escravos no Brasil no século 17, nós daríamos o mesmo espaço ao escravo e ao traficante?

Ler toda a entrevista ...

Robert Fisk, jornalismo feito verdade

Robert Fisk é inglês, reside a mais de trinta anos no Oriente Médio e como o principal correspondente internacional do mundo naquela região conflagrada, acompanhou e acompanha de perto várias guerras e conflitos e as tragédias humanas que lá se desenrolam.

Fisk é jornalista do The Independent, tradicional jornal britânico, e revela não usar a internet e email, mas sim arquivos impressos sobre os assuntos dos quais trata. Em seu currículo, ostenta a rara [senão única] entrevista realizada por um ocidental com Osama Bin Laden. Diretamente na caverna em que o “co-pai dos terrores” vivia [o outro “pai dos terrores” atende por GW Bush].

Robert Fisk esteve nos últimos dias no Brasil participando da Feira Literária Internacional de Parati [FLIP]. É de lá da FLIP que foi feito o relato do blog de Marcelo Tas sobre o “encontro com Robert Fisk, o ‘animal furioso’”.

Um preâmbulo das opiniões lúcidas de Fisk:

Os jornais geralmente tratam os assuntos, especialmente a guerra, como um jogo de futebol. Concedem 50% do tempo para cada adversário. Mas a guerra não é um jogo de futebol. Se eu fosse contar a história do tráfico de escravos africanos para o Brasil deveria dar 50% de espaço para os traficantes de escravos expressar suas opiniões? E também outro tanto para os nazistas?

Uma guerra é pura dor. Já estive num corredor de hospital em Bagdá com o chão ‘inundado’ por três centímetros de sangue. Vi uma criança sem perna com sua mãe ao lado segurando seu braço decepado. Junto delas, um soldado iraquiano com o olho perfurado. Era um soldado do exército que defendia Saddam Hussein. A guerra é o fracasso da civilização.

Por isso não acredito em jornalismo de manchetes. Não se pode brincar com a guerra. A imprensa numa hora dessas pode ser uma arma letal. Como foi o The New York Times que apoiou a invasão do Iraque por George Bush. O mesmo jornal disse que no Independent cobrimos o Oriente Médio como animais furiosos. Fiquei muito feliz com essa condecoração (risos).

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domingo, 8 de julho de 2007

Por que os odiamos?

O judeu Gilad Atzmon nasceu em 1963 em Israel, serviu ao Exército Israelense e se radicou na Inglaterra em 1994, onde atua profissionalmente como músico saxofonista e clarinetista [clicando acima se acessa o saite dele e o ótimo jazz que rola ali]. Gilad parece ser, portanto, um insuspeito israelense que deseja paz no Oriente Médio e que luta pelo reconhecimento de um Estado Palestino livre, autônomo e soberano.

No artigo “Por que os odiamos?Gilad argumenta que Blair “é o homem que em apenas dez anos conseguiu destruir uma das sociedades mais harmoniosas do Ocidente. Tony Blair, a grande promessa do Partido Trabalhista, governou o país durante uma década, conseguiu arrastar este país para todos os conflitos possíveis e levar pequenos conflitos a níveis de crise. Ele conseguiu mentir repetidamente ao seu povo, parlamento e governo; e iniciou uma guerra ilegal que custou a vida de 700,000 civis inocentes. Obviamente ele não pensou no impacto que estas guerras poderiam ter na sua sociedade multiétnica”.

2 em 1: Chávez / Venezuela e Biocombustíveis

O Blog do Alon no texto “O embaixador do aumento do preço da comida” comenta sobre [i] a posição de senadores do PT a respeito dos ataques da direita “senatorial” brasileira à Venezuela e ao governo de Hugo Chávez e [ii] sobre o papel desempenhado pelo Brasil na produção de biocombustíveis.

Sobre [i] Chávez e a situação venezuelana, Alon diz que “nem o governo dos Estados Unidos, com quem o presidente venezuelano, Hugo Chávez, vive às turras, ousa dizer que as eleições na Venezuela não são democráticas. Mas o que nem a Casa Branca tem coragem de externar já é dito sem peias no Brasil. ... É triste que o nosso parlamento tenha se tornado um foco de agitação antivenezuelana. Sem que os senadores da esquerda oponham resistência significativa. Peço que me mostrem uma atitude ou ação do governo venezuelano que possa ser interpretada como ofensiva ao Brasil. O problema está no sentido oposto: as crescentes provocações políticas partidas daqui contra a Venezuela. Sem que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ou o PT reajam”.

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Sobre [ii] biocombustíveis Alon analisa que “O mesmo Lula que começou seu ciclo no poder vendendo-se como o embaixador do combate à fome, especialmente na África, transformou-se no embaixador da redução da dependência americana do petróleo. O que o faz acumular outro papel: embaixador mundial do aumento do preço da comida. O que vai prejudicar especialmente os mais pobres. Principalmente na África. E aumentar a fome. Claro, você sempre pode acreditar que as oportunidades de negócios criadas pelo novo ciclo monocultor vão representar a libertação dos povos explorados e oprimidos, principalmente na África e na América Central. Você e a Velhinha de Taubaté, se ela já não tivesse morrido”.

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Mais água no feijão
Sobre os dois assuntos, acrescem-se os seguintes comentários:

[i] O Secretário de Relações Internacionais do PT [Valter Pomar] publicou artigo a respeito da atitude acanhada dos senadores do PT quanto ao affair Venezuela. Atitude que desde o início do século passado atendia pelo nome de “cretinismo parlamentar”, e

[ii] Os biocombustíveis não podem ser tratados como o “nosso” pensamento único de alternativa energética e vendido com fanatismo como a salvação do mundo. Aliás, em termos de linguagem profética, vale ler a entrevista de Lester Brown na FSP, onde o ambientalista americano diz que o “uso do milho por usinas de álcool desencadeou uma disputa de proporções épicas entre os 800 milhões de donos de carros e os 2 bilhões de pessoas mais pobres do planeta”.

sábado, 7 de julho de 2007

CIA = MÁFIA

Caos no ar, mas Lulismo no céu

A pesquisa do CNI/Ibope confirma as do PSDB e do CNT/Sensus publicadas mês passado, comentadas na postagem Lulismo forte como rochedo. Lula - ou o lulismo - estabilizou na casa dos 66% de aprovação do seu governo e de 61% de confiança nele.

Apesar dos escândalos, escorregadelas e tudo o mais que se passa no país, Lula continua nas nuvens, se encaminhando celeremente para eleger seu sucessor em 2010 e se eleger em 2015, dentro do figurino “mandato de cinco anos sem reeleição”. Isso, claro, se o céu continuar de brigadeiro.

Quem embalará Macalão?

Bastaram as investigações sobre a fraude dos selos avançarem na Assembléia Legislativa para ex-presidentes da instituição se pronunciarem negando a responsabilidade pela nomeação do principal implicado no caso, o ex-Diretor de Serviços Administrativos Ubirajara Amaral Macalão.

A cada dia se conhece mais detalhes e a magnitude da fraude, mas curiosamente ainda não se obteve o principal: a localização e interrogatório do Macalão, que poderia cooperar com a agilidade das investigações e a recuperação do dinheiro público sangrado.

Em casos como esses um “corruptograma estândar” [ver outro comentário] deve contemplar a investigação dos seguintes aspectos para se chegar aos implicados:

i] quem nomeou Macalão e se foi conivente [“quem pariu tem que embalar Mateus];

ii] demais funcionários implicados;

iii] “ponte” na ECT;

iv] adquirentes de selos; e

v] quem/quens se beneficiou da dinheirama de mais de R$ 3 milhões.

Enquanto o ex-Diretor ficar sumido, continuará valendo um chiste que corre na Praça da Matriz, que diz que a Assembléia Legislativa foi atacada por uma tropa de “Japas” aliada dos italianos com o míssel Macalão.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

2º Encontro de zapatistas com o mundo


Não é hora de Assembléia Constituinte?

Jeferson Miola

O episódio rocambolesco do Renan Calheiros no Senado passou a conter um ingrediente potencialmente perigoso para o governo e para os partidos que têm hesitado em atuar mais energicamente no caso. A manterem esta opção, estarão se dissociando do sentimento cada vez mais crescente na sociedade de que algo deve ser feito – e com urgência.

É verdade que junto com as frágeis alegações do presidente do Senado há uma série de absurdos em todo seu processo, como a invasão na vida privada, atuação da mídia, interesses escusos na sua queda, inversão do princípio de inocência e etc.

Mas também é verdade que com essa crise - e com os demais episódios de senadores envolvidos em irregularidades - o ar no Congresso Nacional ficou irrespirável. No imaginário social o “nojo com a política e com os políticos” talvez seja o sentimento que melhor defina a reação das pessoas comuns nesses dias.

Junte-se a isso os recentes escândalos que demonstraram o envolvimento de setores da alta cúpula do Poder Judiciário brasileiro com a contravenção, a jogatina e o crime organizado. Tais fatos puseram em evidência a discrepância que existe entre privilégios jurídicos e a necessidade de parâmetros verdadeiramente republicanos e justos, iguais para todos cidadãos.

Com o fracasso da votação da reforma política e a sucessão de patifarias que carregam no ventre o gene do sistema eleitoral e político-representativo vigente, as coisas só tendem a se agravar. As razões hoje para a retomada das reformas eleitoral, política e judiciária estão ainda mais latentes. E exigem, para serem efetivas, a ampla mobilização e participação da sociedade brasileira.

O país caminha incontornavelmente para um impasse de credibilidade e de confiança nas instituições; de falência dos padrões jurídico-legais em vigência. Seria de se perguntar se não seria o caso de realização de uma Assembléia Constituinte exclusivamente para a finalidade de conceber e aprovar as reformas política, eleitoral e judiciária do Brasil.

É cada vez mais imprescindível para a saúde das instituições políticas a realização de tais reformas, que só chegarão a termo aceitável se transcorrerem num ambiente de participação e controle da sociedade, como pode ser o caso de uma Assembléia Constituinte.

É chegada a hora de discutir-se, por exemplo, o fim do sistema bicameral do país eliminando-se o Senado Federal e definindo-se um modelo de representação unicameral adequado e igualitário que assegure a diversidade e a expressão federativa.

Pontos como da votação em listas partidárias, financiamento público, revogabilidade de mandatos, fidelidade partidária e outros que tornem as eleições processos lisos e independentes do fator econômico, devem ser contemplados numa verdadeira reforma.

Mas, além disso, uma Constituinte poderia avançar na questão democrática nacional, permeabilizando o Estado brasileiro com dispositivos de participação direta como o Orçamento Participativo na definição e controle das políticas nacionais e na constituição de uma ampla esfera pública não-estatal. Esse é, sem dúvida, o principal antídoto à corrupção.

É essencial, por último, a discussão sobre o fim dos privilégios, dos foros privilegiados e de outras regalias jurídicas, assim como a elegibilidade de desembargadores e ministros das altas instâncias e o controle social do judiciário.

Algo de mais sério está acontecendo no Brasil para além dos escândalos de corrupção. As respostas circunstanciais que sejam dadas a esses processos – com ou sem punições e cassações de mandatos - já não respondem globalmente à gravidade da situação presente. Por isso, a pergunta: não estão reunidas as condições para a realização duma Assembléia Constituinte?

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Blair é fogo e provocação no Oriente Médio

Já foi comentado aqui no BiruTaDoSuL o acinte que representa a designação do ex-Primeiro-Ministro britânico Tony Blair como mediador do conflito no Oriente Médio pelo “quarteto” Estados Unidos, União Européia, Rússia e a ONU [sic].

Blair no Oriente Médio é provocação pura, combustível na explosão e demonstração de colonialismo inominável.

A fraude dos selos na Assembléia Legislativa

A revelação da fraude com selos, que implicava na compra de postagens dos Correios e subseqüente venda de selos para terceiros, poderá ter desdobramentos importantes na continuidade das investigações.

A fraude, que pode ter causado o desvio de mais de três milhões do Legislativo, vinha sendo praticada pelo ex-Diretor de Serviços Administrativos Ubirajara Amaral Macalão – só não se sabe ainda desde quando e se com a conivência/participação de outras pessoas, inclusive parlamentares.

O superintendente da Polícia Federal no RS, que investiga os desvios, disse que “queremos saber o total do valor desviado, há quanto tempo a quadrilha agia e quem são todos os envolvidos”.

Nesse tipo de falcatrua, um “corruptograma” básico conta com as seguintes pontas: 1] setores internos da própria Assembléia [além do operacional ex-Diretor alguém que o acobertava], 2] gente na empresa de Correios e Telégrafos, 3] pessoas – físicas e jurídicas - compradoras das postagens convertidas em selos e 4] os beneficiários finais da dinheirama arrecadada com a fraude, que poderão ser pessoas físicas, jurídicas ou agremiações civis e partidárias.

À ver, portanto, os desdobramentos das investigações, que enfrentam desde já a dificuldade de localizar o ex-Diretor Ubirajara Amaral Macalão, que sumiu do mapa a mais de um mês - não se tem notícia se com ou sem a grana embolsada.

Predador a$$umirá direção do Grêmio

Antonio Britto, o predador que no passado destruiu o futuro do Rio Grande, é o candidato da situação para assumir a presidência do Grêmio. O currículo de Britto se assemelha a um necrológio – por onde passou só ficaram assentados cadáveres.

Começou como porta-voz do Tancredo Neves. O presidente da transição conservadora eleito do colégio eleitoral durou alguns dias, deixando como herança o Sarney.

Foi Ministro do Itamar e engambelou os velhinhos com benefícios jamais concedidos só para se eleger governador do Rio Grande.

Eleito governador em 1994 com a ajudinha da RBS - que editou o último debate em que Olívio Dutra respondeu a uma pergunta capciosa encomendada do Mendelski sobre ocupações de terra – deixou o Estado esgualepado e completamente devastado: entregou a CRT, fatiou a CEEE, destruiu as políticas públicas, transferiu dinheiro para multinacionais, criou pedágios, privatizou o que pôde e causou os rombos que estão na raiz dos males atuais do Rio Grande.

Perdeu a eleição em 1998 para Olívio e disputou a última eleição em 2002 e sequer foi ao segundo turno. Na linguagem futebolística, virou vinagre.

Depois disso, assumiu sua porção de “executivo” – aquele gênero que recebe de volta os favores feitos. Foi para a Azaléia e depois da morte do fundador da empresa Nestor de Paula, matou algumas fábricas instaladas no Rio Grande e liquidou mais de seis mil empregos dos gaúchos.

Cumprido o servicinho, saiu da Azaléia. Depois disso foi flagrado circulando pelos corredores do Palácio Piratini, sede do governo que morreu antes mesmo de começar, rasgando todos os compromissos de campanha. O cheiro nunca engana.

Ultimamente não se tem notícias do paradeiro profi$$ional do “executivo” Britto.

Mau presságio para os gremistas: Britto é o candidato da situação para presidir o Grêmio em lugar de Paulo Odone, que pre$idirá a Grêmio Empreendimento$ - empre$a encarregada do ambicio$o e onero$o empreendimento de construção da “arena” do Olímpico.

Esta dupla já jogou junto. Paulo Odone foi líder do governo Antonio Britto na Assembléia Legislativa. O resultado da tabelinha dos dois sabemos: não sobrou pedra sobre pedra.

Os colorados podem se esbaldar. Desde que passaram a ter o Flávio Obino que todo clube tem [o Presidente Vitório Pífero], ao menos podem ficar aliviados com a dobradinha que cuidará dos de$tino$ do Grêmio: presságio de que o mal tempo voltará a freqüentar a zona do cemitério João 23, como de hábito.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Carta de Frei Betto ao comandante Che

Frei Betto faz antecipadamente [e com tamanha antecedência que deve ter surpreendido todo planejamento - cubano e internacional – das atividades alusivas aos 40 anos do assassinato de Che Guevara].

Quién sabe si la historia del socialismo no sería distinta hoy si hubieran prestado oído a tus palabras: ‘El Estado se equivoca a veces. Cuando sucede una de esas equivocaciones se percibe una disminución del entusiasmo colectivo debido a una reducción cuantitativa de cada uno de los elementos que lo forman, y el trabajo se paraliza hasta quedar reducido a magnitudes insignificantes: es el momento de rectificar’.

Che, muchos de tus recelos se han confirmado a lo largo de estos años y han contribuido al fracaso de nuestros movimientos de liberación. No te escuchamos lo suficiente. Desde África, en 1965, le escribiste a Carlos Quijano, del periódico Marcha de Montevideo: ‘Déjeme decirle, aún a costa de parecer ridículo, que el verdadero revolucionario está guiado por sentimientos de amor. Es imposible pensar en un auténtico revolucionario sin esta cualidad’.
Para ler o texto na íntegra clicar aqui.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Humanos, demasiadamente desumanos

O ex-governador paulista Cláudio Lembo é um exemplar raro de liberal brasileiro, no sentido sócio-político do termo. É uma voz isolada da classe dominante que exprime raciocínios civilizadores sobre o país e a realidade nacional.

O artigo Humanos, demasiadamente desumanos que saiu no Terra Magazine sobre a selvageria de jovens cariocas contra a empregada doméstica Sirley Dias Carvalho Pinto, é uma análise interessante e original sobre o episódio:

Vive-se em ambiente a cada dia mais urbano. As conseqüências deste novo cenário precisam ser dissecadas, sob pena de se atingir um niilismo sem precedentes. A redução de tudo a nada.

De tempos para cá, ocorreram cenas dramáticas e incompreensíveis. Todas envolvem jovens da classe média e média alta. Bem desenvolvidos fisicamente. Estudantes de colégios com elevadas mensalidades.Continue a leitura ...

Bancada do PT na Assembléia repudia manipulação da Zero Hora

O compromisso com a democracia e com a pluralidade nos impõe, às vezes, o convívio com condutas anti democráticas e manipuladoras. Mas isso, por óbvio, tem um limite. Quando o posicionamento político de um jornal orienta uma conduta editorial de má fé, então chegamos a um momento em que não nos é permitido calar, sob pena de sermos coniventes com a desconstituição de princípios básicos do convívio democrático.Continue a leitura ...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Chávez não se intimida com chantagem dos “papagaios do Império”

O presidente venezuelano Hugo Chávez não se intimidou nem um pouco com a ameaça do Senado brasileiro de não aprovar o ingresso da Venezuela no Mercosul caso ele não se retrate da posição expressa quando senadores brasileiros se imiscuíram em assuntos internos daquele país – o caso da não-renovação da licença da golpista RCTV. Vale lembrar: diante das manifestações inoportunas de senadores brasileiros a respeito do affair doméstico da Venezuela, Chávez acusou-os de serem papagaios do Império.

O Senado brasileiro, que está cada vez mais desmoralizado pelos sucessivos escândalos que assomam do presidente da instituição a senadores menos graduados, faria melhor se não comprometesse a unidade do Mercosul e assim também seria poupado de ouvir os torpedos de Chávez:

- “Se não pudermos entrar no Mercosul porque a direita brasileira tem mais força do que a idéia de integração, nós nos retiramos do Mercosul.

- “Não estamos interessados em ingressar no velho Mercosul, que não quer mudanças.

- “Se não podemos ingressar no Mercosul porque a direita brasileira tem mais força, então nos retiramos.

- “Em um Mercosul que está marcado pelo capitalismo, pela competição feroz, não estamos nada interessados em ingressar, assim que dessa maneira poderíamos comprazer a direita brasileira e a direita paraguaia. Se eles no querem que nós ingressemos no Mercosul, não temos nenhum problema. Inclusive sou capaz de retirar a solicitação [de ingresso] e nos dedicamos de cheio à ALBA [Alternativa Bolivariana para as Américas], porque nossa prioridade é construir nosso modelo de desenvolvimento.

- “[queremos] a integração baseada na irmandade, na cooperação, na solidariedade, que coloca na frente o social, como estamos fazendo Cuba e Venezuela e que agora se soma Nicarágua e Bolívia.

De Perón a Kirchner, tudo em família

Na peculiar tradição política argentina, esposa de Presidente do país pode se tornar sucessora. Juan Domingo Perón concorreu em 1973 à presidência da Argentina tendo Isabelita Perón como vice, aproveitando a popularidade da primeira-dama e a comparação simbólica dela com Evita. Foram eleitos e, com a morte de Perón em 1974, Isabelita o sucedeu no cargo e governou o país até o golpe militar de 1976.

O atual presidente Néstor Kirchner vai na mesma balada. Indicará Cristina Kirchner como candidata da situação à sua própria sucessão. O plano é o seguinte: ela se elege neste ano para comandar o país até 2012, quando então ele se apresenta novamente como candidato presidencial.

De acordo com pesquisas recentes, Cristina Kirchner - tratada como o “fator K” – figura na frente com 46,2% das preferências contra Elisa Carrió de centro e 11,1% do direitista Roberto Lavagna.

Independentemente da rotulação ideológica apressada que se queira fazer de Kirchner, o fato é que seu governo representa avanços importantes na nova geopolítica continental e é alentador no aspecto da recuperação da memória e da punibilidade dos crimes cometidos pela sanguinária ditadura argentina.

Seja com o “fator K” ou com qualquer outra fórmula, o fato é que é essencial manter aquele país em rumo distinto do que lhe dariam a menenismo, o direitismo e os neoliberais argentinos.

Multidão resiste no México

Realizou-se ontem no Zócalo [Praza da Constituição] da Cidade do México uma manifestação encabeçada por Manuel López Obrador com mais de 100 mil pessoas em alusão ao primeiro aniversário das eleições escandalosamente fraudadas em 02/07/2006 para viabilizar a eleição do neoliberal Felipe Calderón, um aliado incondicional dos Estados Unidos.

A manifestação, convocada por organizações civis e pelos partidos políticos que apoiaram López Obrador – PRD, PT y Convergência -, revigora um movimento cívico e de consciência para a democratização e realização de mudanças democráticas e populares no México.

A respeito do vivo processo em curso no México, López Obrador disse que “estamos criando a rede nacional de representantes do governo legítimo, a base da organização cidadã para transformar o país”. E completou: “- Eles não têm conseguido destruir nosso movimento. Temos resistido e cresceremos. Em contraste, nossos adversários não poderiam sustentar-se sem os meios de comunicação”.

Enquanto isso, no Brasil, a reforma política sai com viés conservador, os escândalos se sucedem no Legislativo e no Judiciário, os bacanas continuam desfrutando de privilégios, ...

sábado, 30 de junho de 2007

Chance de discutir-se o unicameralismo

Os sucessivos achicalhes políticos que se acompanham no Senado da República poderiam inspirar a discussão sobre o unicameralismo como item a compor a reforma política.

Afora os aspectos filosóficos, jurídicos e políticos que tal discussão importa, o patético pronunciamento do senador Joaquim Ruriz [assista aqui] seria ponto de partida para discutir-se a necessidade de existência da Câmara Alta.

O problema é que a reforma política não só não passará de uma meia-sola como abrirá brechas para que o tucanato aplique uma contra-reforma política criando os distritões eleitorais, tudo ao gosto do conservadorismo brasileiro.

Tem toda a razão o deputado Chico Alencar do PSOL/RJ quando diz que a reforma política só ocorreria de fato se tivesse um clima de constituinte no Brasil.