sábado, 7 de julho de 2007

CIA = MÁFIA

Caos no ar, mas Lulismo no céu

A pesquisa do CNI/Ibope confirma as do PSDB e do CNT/Sensus publicadas mês passado, comentadas na postagem Lulismo forte como rochedo. Lula - ou o lulismo - estabilizou na casa dos 66% de aprovação do seu governo e de 61% de confiança nele.

Apesar dos escândalos, escorregadelas e tudo o mais que se passa no país, Lula continua nas nuvens, se encaminhando celeremente para eleger seu sucessor em 2010 e se eleger em 2015, dentro do figurino “mandato de cinco anos sem reeleição”. Isso, claro, se o céu continuar de brigadeiro.

Quem embalará Macalão?

Bastaram as investigações sobre a fraude dos selos avançarem na Assembléia Legislativa para ex-presidentes da instituição se pronunciarem negando a responsabilidade pela nomeação do principal implicado no caso, o ex-Diretor de Serviços Administrativos Ubirajara Amaral Macalão.

A cada dia se conhece mais detalhes e a magnitude da fraude, mas curiosamente ainda não se obteve o principal: a localização e interrogatório do Macalão, que poderia cooperar com a agilidade das investigações e a recuperação do dinheiro público sangrado.

Em casos como esses um “corruptograma estândar” [ver outro comentário] deve contemplar a investigação dos seguintes aspectos para se chegar aos implicados:

i] quem nomeou Macalão e se foi conivente [“quem pariu tem que embalar Mateus];

ii] demais funcionários implicados;

iii] “ponte” na ECT;

iv] adquirentes de selos; e

v] quem/quens se beneficiou da dinheirama de mais de R$ 3 milhões.

Enquanto o ex-Diretor ficar sumido, continuará valendo um chiste que corre na Praça da Matriz, que diz que a Assembléia Legislativa foi atacada por uma tropa de “Japas” aliada dos italianos com o míssel Macalão.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

2º Encontro de zapatistas com o mundo


Não é hora de Assembléia Constituinte?

Jeferson Miola

O episódio rocambolesco do Renan Calheiros no Senado passou a conter um ingrediente potencialmente perigoso para o governo e para os partidos que têm hesitado em atuar mais energicamente no caso. A manterem esta opção, estarão se dissociando do sentimento cada vez mais crescente na sociedade de que algo deve ser feito – e com urgência.

É verdade que junto com as frágeis alegações do presidente do Senado há uma série de absurdos em todo seu processo, como a invasão na vida privada, atuação da mídia, interesses escusos na sua queda, inversão do princípio de inocência e etc.

Mas também é verdade que com essa crise - e com os demais episódios de senadores envolvidos em irregularidades - o ar no Congresso Nacional ficou irrespirável. No imaginário social o “nojo com a política e com os políticos” talvez seja o sentimento que melhor defina a reação das pessoas comuns nesses dias.

Junte-se a isso os recentes escândalos que demonstraram o envolvimento de setores da alta cúpula do Poder Judiciário brasileiro com a contravenção, a jogatina e o crime organizado. Tais fatos puseram em evidência a discrepância que existe entre privilégios jurídicos e a necessidade de parâmetros verdadeiramente republicanos e justos, iguais para todos cidadãos.

Com o fracasso da votação da reforma política e a sucessão de patifarias que carregam no ventre o gene do sistema eleitoral e político-representativo vigente, as coisas só tendem a se agravar. As razões hoje para a retomada das reformas eleitoral, política e judiciária estão ainda mais latentes. E exigem, para serem efetivas, a ampla mobilização e participação da sociedade brasileira.

O país caminha incontornavelmente para um impasse de credibilidade e de confiança nas instituições; de falência dos padrões jurídico-legais em vigência. Seria de se perguntar se não seria o caso de realização de uma Assembléia Constituinte exclusivamente para a finalidade de conceber e aprovar as reformas política, eleitoral e judiciária do Brasil.

É cada vez mais imprescindível para a saúde das instituições políticas a realização de tais reformas, que só chegarão a termo aceitável se transcorrerem num ambiente de participação e controle da sociedade, como pode ser o caso de uma Assembléia Constituinte.

É chegada a hora de discutir-se, por exemplo, o fim do sistema bicameral do país eliminando-se o Senado Federal e definindo-se um modelo de representação unicameral adequado e igualitário que assegure a diversidade e a expressão federativa.

Pontos como da votação em listas partidárias, financiamento público, revogabilidade de mandatos, fidelidade partidária e outros que tornem as eleições processos lisos e independentes do fator econômico, devem ser contemplados numa verdadeira reforma.

Mas, além disso, uma Constituinte poderia avançar na questão democrática nacional, permeabilizando o Estado brasileiro com dispositivos de participação direta como o Orçamento Participativo na definição e controle das políticas nacionais e na constituição de uma ampla esfera pública não-estatal. Esse é, sem dúvida, o principal antídoto à corrupção.

É essencial, por último, a discussão sobre o fim dos privilégios, dos foros privilegiados e de outras regalias jurídicas, assim como a elegibilidade de desembargadores e ministros das altas instâncias e o controle social do judiciário.

Algo de mais sério está acontecendo no Brasil para além dos escândalos de corrupção. As respostas circunstanciais que sejam dadas a esses processos – com ou sem punições e cassações de mandatos - já não respondem globalmente à gravidade da situação presente. Por isso, a pergunta: não estão reunidas as condições para a realização duma Assembléia Constituinte?

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Blair é fogo e provocação no Oriente Médio

Já foi comentado aqui no BiruTaDoSuL o acinte que representa a designação do ex-Primeiro-Ministro britânico Tony Blair como mediador do conflito no Oriente Médio pelo “quarteto” Estados Unidos, União Européia, Rússia e a ONU [sic].

Blair no Oriente Médio é provocação pura, combustível na explosão e demonstração de colonialismo inominável.

A fraude dos selos na Assembléia Legislativa

A revelação da fraude com selos, que implicava na compra de postagens dos Correios e subseqüente venda de selos para terceiros, poderá ter desdobramentos importantes na continuidade das investigações.

A fraude, que pode ter causado o desvio de mais de três milhões do Legislativo, vinha sendo praticada pelo ex-Diretor de Serviços Administrativos Ubirajara Amaral Macalão – só não se sabe ainda desde quando e se com a conivência/participação de outras pessoas, inclusive parlamentares.

O superintendente da Polícia Federal no RS, que investiga os desvios, disse que “queremos saber o total do valor desviado, há quanto tempo a quadrilha agia e quem são todos os envolvidos”.

Nesse tipo de falcatrua, um “corruptograma” básico conta com as seguintes pontas: 1] setores internos da própria Assembléia [além do operacional ex-Diretor alguém que o acobertava], 2] gente na empresa de Correios e Telégrafos, 3] pessoas – físicas e jurídicas - compradoras das postagens convertidas em selos e 4] os beneficiários finais da dinheirama arrecadada com a fraude, que poderão ser pessoas físicas, jurídicas ou agremiações civis e partidárias.

À ver, portanto, os desdobramentos das investigações, que enfrentam desde já a dificuldade de localizar o ex-Diretor Ubirajara Amaral Macalão, que sumiu do mapa a mais de um mês - não se tem notícia se com ou sem a grana embolsada.

Predador a$$umirá direção do Grêmio

Antonio Britto, o predador que no passado destruiu o futuro do Rio Grande, é o candidato da situação para assumir a presidência do Grêmio. O currículo de Britto se assemelha a um necrológio – por onde passou só ficaram assentados cadáveres.

Começou como porta-voz do Tancredo Neves. O presidente da transição conservadora eleito do colégio eleitoral durou alguns dias, deixando como herança o Sarney.

Foi Ministro do Itamar e engambelou os velhinhos com benefícios jamais concedidos só para se eleger governador do Rio Grande.

Eleito governador em 1994 com a ajudinha da RBS - que editou o último debate em que Olívio Dutra respondeu a uma pergunta capciosa encomendada do Mendelski sobre ocupações de terra – deixou o Estado esgualepado e completamente devastado: entregou a CRT, fatiou a CEEE, destruiu as políticas públicas, transferiu dinheiro para multinacionais, criou pedágios, privatizou o que pôde e causou os rombos que estão na raiz dos males atuais do Rio Grande.

Perdeu a eleição em 1998 para Olívio e disputou a última eleição em 2002 e sequer foi ao segundo turno. Na linguagem futebolística, virou vinagre.

Depois disso, assumiu sua porção de “executivo” – aquele gênero que recebe de volta os favores feitos. Foi para a Azaléia e depois da morte do fundador da empresa Nestor de Paula, matou algumas fábricas instaladas no Rio Grande e liquidou mais de seis mil empregos dos gaúchos.

Cumprido o servicinho, saiu da Azaléia. Depois disso foi flagrado circulando pelos corredores do Palácio Piratini, sede do governo que morreu antes mesmo de começar, rasgando todos os compromissos de campanha. O cheiro nunca engana.

Ultimamente não se tem notícias do paradeiro profi$$ional do “executivo” Britto.

Mau presságio para os gremistas: Britto é o candidato da situação para presidir o Grêmio em lugar de Paulo Odone, que pre$idirá a Grêmio Empreendimento$ - empre$a encarregada do ambicio$o e onero$o empreendimento de construção da “arena” do Olímpico.

Esta dupla já jogou junto. Paulo Odone foi líder do governo Antonio Britto na Assembléia Legislativa. O resultado da tabelinha dos dois sabemos: não sobrou pedra sobre pedra.

Os colorados podem se esbaldar. Desde que passaram a ter o Flávio Obino que todo clube tem [o Presidente Vitório Pífero], ao menos podem ficar aliviados com a dobradinha que cuidará dos de$tino$ do Grêmio: presságio de que o mal tempo voltará a freqüentar a zona do cemitério João 23, como de hábito.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Carta de Frei Betto ao comandante Che

Frei Betto faz antecipadamente [e com tamanha antecedência que deve ter surpreendido todo planejamento - cubano e internacional – das atividades alusivas aos 40 anos do assassinato de Che Guevara].

Quién sabe si la historia del socialismo no sería distinta hoy si hubieran prestado oído a tus palabras: ‘El Estado se equivoca a veces. Cuando sucede una de esas equivocaciones se percibe una disminución del entusiasmo colectivo debido a una reducción cuantitativa de cada uno de los elementos que lo forman, y el trabajo se paraliza hasta quedar reducido a magnitudes insignificantes: es el momento de rectificar’.

Che, muchos de tus recelos se han confirmado a lo largo de estos años y han contribuido al fracaso de nuestros movimientos de liberación. No te escuchamos lo suficiente. Desde África, en 1965, le escribiste a Carlos Quijano, del periódico Marcha de Montevideo: ‘Déjeme decirle, aún a costa de parecer ridículo, que el verdadero revolucionario está guiado por sentimientos de amor. Es imposible pensar en un auténtico revolucionario sin esta cualidad’.
Para ler o texto na íntegra clicar aqui.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Humanos, demasiadamente desumanos

O ex-governador paulista Cláudio Lembo é um exemplar raro de liberal brasileiro, no sentido sócio-político do termo. É uma voz isolada da classe dominante que exprime raciocínios civilizadores sobre o país e a realidade nacional.

O artigo Humanos, demasiadamente desumanos que saiu no Terra Magazine sobre a selvageria de jovens cariocas contra a empregada doméstica Sirley Dias Carvalho Pinto, é uma análise interessante e original sobre o episódio:

Vive-se em ambiente a cada dia mais urbano. As conseqüências deste novo cenário precisam ser dissecadas, sob pena de se atingir um niilismo sem precedentes. A redução de tudo a nada.

De tempos para cá, ocorreram cenas dramáticas e incompreensíveis. Todas envolvem jovens da classe média e média alta. Bem desenvolvidos fisicamente. Estudantes de colégios com elevadas mensalidades.Continue a leitura ...

Bancada do PT na Assembléia repudia manipulação da Zero Hora

O compromisso com a democracia e com a pluralidade nos impõe, às vezes, o convívio com condutas anti democráticas e manipuladoras. Mas isso, por óbvio, tem um limite. Quando o posicionamento político de um jornal orienta uma conduta editorial de má fé, então chegamos a um momento em que não nos é permitido calar, sob pena de sermos coniventes com a desconstituição de princípios básicos do convívio democrático.Continue a leitura ...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Chávez não se intimida com chantagem dos “papagaios do Império”

O presidente venezuelano Hugo Chávez não se intimidou nem um pouco com a ameaça do Senado brasileiro de não aprovar o ingresso da Venezuela no Mercosul caso ele não se retrate da posição expressa quando senadores brasileiros se imiscuíram em assuntos internos daquele país – o caso da não-renovação da licença da golpista RCTV. Vale lembrar: diante das manifestações inoportunas de senadores brasileiros a respeito do affair doméstico da Venezuela, Chávez acusou-os de serem papagaios do Império.

O Senado brasileiro, que está cada vez mais desmoralizado pelos sucessivos escândalos que assomam do presidente da instituição a senadores menos graduados, faria melhor se não comprometesse a unidade do Mercosul e assim também seria poupado de ouvir os torpedos de Chávez:

- “Se não pudermos entrar no Mercosul porque a direita brasileira tem mais força do que a idéia de integração, nós nos retiramos do Mercosul.

- “Não estamos interessados em ingressar no velho Mercosul, que não quer mudanças.

- “Se não podemos ingressar no Mercosul porque a direita brasileira tem mais força, então nos retiramos.

- “Em um Mercosul que está marcado pelo capitalismo, pela competição feroz, não estamos nada interessados em ingressar, assim que dessa maneira poderíamos comprazer a direita brasileira e a direita paraguaia. Se eles no querem que nós ingressemos no Mercosul, não temos nenhum problema. Inclusive sou capaz de retirar a solicitação [de ingresso] e nos dedicamos de cheio à ALBA [Alternativa Bolivariana para as Américas], porque nossa prioridade é construir nosso modelo de desenvolvimento.

- “[queremos] a integração baseada na irmandade, na cooperação, na solidariedade, que coloca na frente o social, como estamos fazendo Cuba e Venezuela e que agora se soma Nicarágua e Bolívia.

De Perón a Kirchner, tudo em família

Na peculiar tradição política argentina, esposa de Presidente do país pode se tornar sucessora. Juan Domingo Perón concorreu em 1973 à presidência da Argentina tendo Isabelita Perón como vice, aproveitando a popularidade da primeira-dama e a comparação simbólica dela com Evita. Foram eleitos e, com a morte de Perón em 1974, Isabelita o sucedeu no cargo e governou o país até o golpe militar de 1976.

O atual presidente Néstor Kirchner vai na mesma balada. Indicará Cristina Kirchner como candidata da situação à sua própria sucessão. O plano é o seguinte: ela se elege neste ano para comandar o país até 2012, quando então ele se apresenta novamente como candidato presidencial.

De acordo com pesquisas recentes, Cristina Kirchner - tratada como o “fator K” – figura na frente com 46,2% das preferências contra Elisa Carrió de centro e 11,1% do direitista Roberto Lavagna.

Independentemente da rotulação ideológica apressada que se queira fazer de Kirchner, o fato é que seu governo representa avanços importantes na nova geopolítica continental e é alentador no aspecto da recuperação da memória e da punibilidade dos crimes cometidos pela sanguinária ditadura argentina.

Seja com o “fator K” ou com qualquer outra fórmula, o fato é que é essencial manter aquele país em rumo distinto do que lhe dariam a menenismo, o direitismo e os neoliberais argentinos.

Multidão resiste no México

Realizou-se ontem no Zócalo [Praza da Constituição] da Cidade do México uma manifestação encabeçada por Manuel López Obrador com mais de 100 mil pessoas em alusão ao primeiro aniversário das eleições escandalosamente fraudadas em 02/07/2006 para viabilizar a eleição do neoliberal Felipe Calderón, um aliado incondicional dos Estados Unidos.

A manifestação, convocada por organizações civis e pelos partidos políticos que apoiaram López Obrador – PRD, PT y Convergência -, revigora um movimento cívico e de consciência para a democratização e realização de mudanças democráticas e populares no México.

A respeito do vivo processo em curso no México, López Obrador disse que “estamos criando a rede nacional de representantes do governo legítimo, a base da organização cidadã para transformar o país”. E completou: “- Eles não têm conseguido destruir nosso movimento. Temos resistido e cresceremos. Em contraste, nossos adversários não poderiam sustentar-se sem os meios de comunicação”.

Enquanto isso, no Brasil, a reforma política sai com viés conservador, os escândalos se sucedem no Legislativo e no Judiciário, os bacanas continuam desfrutando de privilégios, ...

sábado, 30 de junho de 2007

Chance de discutir-se o unicameralismo

Os sucessivos achicalhes políticos que se acompanham no Senado da República poderiam inspirar a discussão sobre o unicameralismo como item a compor a reforma política.

Afora os aspectos filosóficos, jurídicos e políticos que tal discussão importa, o patético pronunciamento do senador Joaquim Ruriz [assista aqui] seria ponto de partida para discutir-se a necessidade de existência da Câmara Alta.

O problema é que a reforma política não só não passará de uma meia-sola como abrirá brechas para que o tucanato aplique uma contra-reforma política criando os distritões eleitorais, tudo ao gosto do conservadorismo brasileiro.

Tem toda a razão o deputado Chico Alencar do PSOL/RJ quando diz que a reforma política só ocorreria de fato se tivesse um clima de constituinte no Brasil.

“O Bom Deus me protegeu de Bush”

Adiante, a resposta de Fidel Castro à George W. Bush, que expressou o desejo [ou a obsessão] de ver Fidel morto, dizendo que “um dia o bom senhor levará embora Fidel Castro” [leia a respeito]:


O Bom Deus me protegeu de Bush

UMA inusual notícia apareceu há uns minutos através da EFE e da Reuters. Limito-me à versão espanhola: "Um dia, o Bom Deus levar-se-á Fidel Castro".

Isto não foi declarado numa piedosa igreja. Tal como fez em West Point, onde proferiu a famosa frase daquilo que deviam esperar dezenas de escuros cantos do mundo, nosso homem falou na Academia da Marinha de Guerra localizada em Newport. Respondia uma pergunta, muito bem elaborada, sobre a situação na América Latina que lhe fez um graduado colombiano da Academia. Que casualidade!


Imediatamente, como se estivesse ansioso por dizer qualquer coisa sobre Cuba e queixoso pela sua vez com o Bom Deus, acrescentou: "Só existe um país antidemocrático por nossos arredores e esse é Cuba. Acho firmemente que os cubanos devem viver numa sociedade livre. Interessa-nos que Cuba seja livre e interessa a eles não ter que viver sob uma forma de governo antiquada que é repressivo".


Anteriormente prometeu: "Continuaremos pressionando em favor da liberdade em Cuba".

Sem perder tempo, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe, ao ser perguntado a respeito de se Bush desejava a morte de Castro, respondeu: "O Presidente referia-se a um acontecimento inevitável". Tal parece que o genial funcionário e seu chefe vão viver milhares de anos.


Agora compreendo por que sobrevivi aos planos de Bush e dos presidentes que ordenaram meu assassinato: o Bom Deus me protegeu.


Fidel Castro Ruz

28 de junho de 2007

18h32

Traduzido pela Equipe de Serviços de Tradutores e Intérpretes do Conselho de Estado — ESTI

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Programaço de domingo

Ótima e econômica opção [gratuita] de fim do final de semana em Porto Alegre é o Concerto da Orquestra de Câmara da ULBRA com a extraordinária regência do Maestro Tiago Flores. Acontece domingo, às 19 horas na Associação Leopoldina Juvenil [Rua Marquês do Herval, 280].

A novidade desse Concerto será a transmissão da batuta por Tiago Flores a Nicolau de Figueiredo, um dos mais importantes especialistas mundiais da música antiga. Ler mais a respeito.

O desejo - ou a obsessão - de Bush

Durante visita a uma escola de guerra naval, o Presidente dos Estados Unidos declarou gratuitamente que “Um dia o bom Senhor levará embora Fidel Castro”. Se diz isso em público a respeito do presidente de outro país, imagina o que Bush não deve dizer a confidentes sobre seus outros desejos mais íntimos?!.


O “Mister Danger” - como Chávez costuma chamar Bush – parece possuído por uma verdadeira obsessão com o fim de Fidel e da Revolução Cubana.

Sabe-se que o plano de Bush e dos poderes ocultos dos Estados Unidos depois do ataque ao Iraque em 2003, que esperavam fossem rápidos e resolutivos, era atacar Cuba, que faz parte do “eixo do mal” juntamente com Irã, Coréia do Sul e Afeganistão.


Em se tratando de um governo dos Estados Unidos, nada disso é novidade. Os documentos secretos da CIA relativos ao período de 1950/1970, recentemente revelados, confirmam que tentaram assassinar Fidel em pelo menos outras seis ocasiões.

Sobre o assunto aqui no BiruTaDoSuL: Bush terá de pôr as barbas de molho e “Bom Pastor” mostra papel da CIA e dos Estados Unidos.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Sumida

Sumida és
lugar vazio
sensação gozada
dor indefinível

longos dias
que ficam intermináveis
e também cinzentos
postos que sem luz

seriam dias escuros
assemelhados a noites

não fossem elas
ao seu jeito próprio
também charmosas
e brilhantes

Flagrantes de Iraque no Brasil

quarta-feira, 27 de junho de 2007

“Bom Pastor” mostra papel da CIA e dos Estados Unidos

Hoje toda a imprensa brasileira noticia a abertura dos arquivos da CIA conhecidos como “Jóias da Família”, que guardavam documentos e material de memória de 1950 a 1970.

Conforme comentado aqui no BiruTaDoSuL no último 23/06, os arquivos não trazem nada de novo, tão somente comprovam o que já se sabia a respeito da atuação anticomunista e agressora da CIA e de governos dos Estados Unidos ao longo da Guerra Fria.


Fica novamente a sugestão de que ver o filme “O bom pastor”, de Robert De Niro e ótimo elenco, conforme recomendado no comentário “Reveladas ações criminosas e ilegais da CIA de 1950 a 1970”.

Blair no Oriente Médio: solução ou provocação?

Na foto, Tony Blair na porta de saída da casa oficial do Primeiro-Ministro da Inglaterra, situada na Downing Street. Ele renunciou ao cargo de Primeiro-Ministro devido ao profundo desgaste sofrido principalmente com o alinhamento incondicional a Bush e à participação ativa na guerra no Iraque. Aliás, Blair foi como um cão dedicado e fiel a Bush, participando mesmo da montagem da farsa das armas químicas para justificar a guerra unilateral dos Estados Unidos contra o Iraque.

Mas Blair não sairá da cena internacional. Foi indicado pelo “Quarteto do Oriente Médio” para ser uma espécie de “embaixador internacional” a mediar tanto o conflito Israel-Palestino quanto outros da conturbada região.


Parece nada realista a escolha de Blair para a função. Na verdade, soa como uma tremenda provocação sua presença em papel tão delicado, pois sempre tomou partido claro em favor de uma das partes do conflito [Israel] e enquanto chefe de Estado da Inglaterra conduziu a coalizão agressora contra um país árabe.


ET: “Quarteto do Oriente Médio” é o grupo composto por Estados Unidos, União Européia, Rússia e a ONU. Chama a atenção que a ONU, que deveria ser a instância mediadora em nome de todas as nações do globo, seja mais um a tomar parte de um “quarteto”. Neste caso a ONU não passa de cereja no bolo que passará legitimidade a presumíveis novas barbaridades que se produzirão.

*** *** ***

Em relação à indicação para “mediador” no Oriente Médio, Blair declarou em entrevista que “qualquer pessoa que se preocupa com paz e estabilidade no mundo sabe que uma solução para a questão palestino-israelense é essencial. Em várias ocasiões disse que farei o necessário para ajudar no assunto”.

Já houve, contudo, forte reação. O porta-voz do Hamas [Palestina], Fawzi Barhmoum, afirmou que Blair não é bem-vindo, pois “apoiou o terrorismo da ocupação sionista e massacres contra o nosso povo”.


De todo modo, além da declarada rejeição ao seu nome, a tarefa de Blair será naturalmente árida com o atual estado de guerra civil na Palestina. O antecessor no cargo, o ex-executivo do Banco Mundial James Wolfensohn, havia renunciado em 2006 depois de exercer a função menos de um ano, diante do fracasso do seu trabalho por lá.

“O que seria e não é”, de Frei Betto

Do artigo “O que seria e não é” de Frei Betto, publicado no Correio da Cidadania: “PMDB, DEM, PSDB e PR representam a classe dominante e, graças ao distanciamento do PT dos movimentos sociais, continuam também como classe dirigente. A direção do país está em mãos de uma coalizão partidária que não diverge frontalmente dos interesses dominantes, e até os reforça mediante a política econômica que prioriza os interesses do capital”.

Nesses quatro anos e meio de governo, o PT perdeu, por inabilidade política e falta de ética de alguns de seus dirigentes, a chance de se constituir no que Gramsci qualifica de ‘bloco histórico no poder’”.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Começa Fórum Social Mundial nos Estados Unidos

A partir de amanhã 27/06 até o próximo domingo 01/07 acontecerá na cidade de Atlanta, estado da Geórgia, o Fórum Social Estadudinense como parte da difusão e expansão planetária deste processo da sociedade civil mundial.

Temas como a libertação dos cinco cubanos presos ilegalmente nos Estados Unidos, a extradição do terrorista Posada Carriles para a Venezuela e tantas outras questões incômodas - guerras, imperialismo, aquecimento global, livre comércio - ao governo Bush farão parte das agendas de discussão.

Será também um momento para se pôr em evidência a oposição tanto interna quanto estrangeira ao unilateralismo e militarismo do governo estadudinense.

Lulismo forte como rochedo - seção 2

A alguns dias atrás foram revelados índices de uma pesquisa nacional realizada pelo PSDB, que situava o Presidente Lula em condições muito confortáveis perante as pessoas entrevistadas. A pesquisa demonstrou que 58% das pessoas Os dados daquele levantamento do PSDB podem ser revistos através deste linque aqui.

Nova pesquisa, desta feita do CNT/Sensus, além de confirmar o levantamento dos tucanos, revela que Lula estabilizou os índices que vinha obtendo desde o final do ano passado, a despeito dos últimos acontecimentos, dentre eles a hiper-exploração midiática em torno do seu irmão Vavá e outras pessoas presumivelmente ligadas ao seu círculo de relação.


Os dados adiante comprovam que Lula - ou melhor, o Lulismo - vai muito bem, obrigado. Por enquanto, todos os caminhos o conduzem a fazer o sucessor em 2010 – seja alguém do PT ou de fora do PT, isso não importa para ele – e voltar à Presidência em 2015, já com o mandato de cinco anos e sem reeleição.


Elite branca: racista, intolerante, homofóbica e xenófoba






Há mais do que muita coisa em comum nas duas imagens.

Há, tragicamente, tudo em comum!

1] A empregada doméstica Sirlei Dias Carvalho Pinto foi brutalmente agredida às 4,30 horas da madrugada enquanto aguardava um ônibus na periferia do Rio de Janeiro para tentar atendimento médico.

Segundo o delegado de Polícia que preside o inquérito, os jovens agressores assumiram o risco de matar Sirlei: “Eles bateram várias vezes na cabeça da moça, ou seja, aceitaram o resultado-morte. Além disso, roubaram os pertences, como celular, carteira, que eram a única riqueza que ela possuía. Trata-se de uma tentativa de latrocínio”.

Os agressores são cinco jovens brancos, todos entre 19 e 21 anos, universitários, pertencentes à classe média alta carioca e todos residentes na Barra da Tijuca, onde Sirlei e outras mulheres negras “servem-nos” e às suas famílias. Eles alegaram que agrediram Sirlei imaginando que fosse uma prostituta!, como se isso fosse atenuante criminal!

2] O muro da Avenida João Pessoa, no Campus Central da UFRGS, outrora palco de pichações politizadas pela democratização do Brasil escritas pelo movimento estudantil libertário, agora desgraçadamente revela a face da intolerância e racismo que é invisível nas aparências da nossa sociedade, mas profundamente corrosiva na vida real. Ali diz: “negro só se for na cozinha do RU; cotas não”.

Os/as autores/as de tal pichação provavelmente sejam todos/as jovens, brancos, universitários, procedentes de famílias abastadas ou bem aquinhoadas que acessam a Universidade Pública e que não admitem que os negros e as negras que lhes servem nas cozinhas das suas casas freqüentem a Universidade Pública.

1 + 2] Morais da história [se é que existem morais nessas tragédias]:

a] em se tratando de “filhos da nobre elite branca”, a probabilidade de que os agressores e autores de tais crimes não sejam condenados é grande; e

b] qual o futuro do nosso país, tendo à frente uma geração capaz de atitudes tão deploráveis?

Privilégio também é o inverno no Rio Grande

Amazônia ameaçada

Ceci Juruá, professora da UERJ e pesquisadora do LPP – Laboratório de Políticas Públicas daquela Universidade enviou correspondência aos Senadores alertando para a “possibilidade de conglomerados estrangeiros e bancos estrangeiros assumirem a posse de territórios da Amazônia brasileira, sobretudo em decorrência de emenda constitucional aprovada pelo Congresso há mais de uma década eliminando a distinção entre empresa brasileira e empresa brasileira de capital nacional”.

Segundo Ceci, essa possibilidade “decorre da aprovação da Lei 11.284/06 pelo Congresso Nacional, após emendas introduzidas pelo Senado, sem que o projeto com as emendas finais tenha sido recolocado em discussão na Câmara”.

A carta de Ceci aos Senadores, acompanhada de Manifesto de Defesa da Amazônia pode ser lida clicando aqui.

domingo, 24 de junho de 2007

Palestina, Oriente Médio e o “risco de guerra total”

Em entrevista na FSP o professor de história da Universidade Harvard e pesquisador da Universidade Oxford, Niall Ferguson, traz um alerta de que “o próximo grande conflito global começará no Oriente Médio”. E diz ainda que “a probabilidade de que Bush ordene uma ação militar antes de deixar a Casa Branca é de 50%”.

A omissão do mundo em dar respostas satisfatórias às graves crises em curso em muitos países da região – em especial na Palestina [clicar para ler], Iraque e Líbano – poderá trazer conseqüências imponderáveis, como se percebe no tom das opiniões de Niall a partir de alguns trechos da entrevista aqui transcritos:

“Em primeiro lugar, a importância econômica do Oriente Médio está crescendo, pois nossa dependência de combustíveis fósseis não caiu. O Oriente Médio é a principal fonte futura de petróleo e gás natural. A idéia de que isso não importa é economicamente ridícula.

Em segundo lugar, o nível de violência no Oriente Médio é altíssimo e tem potencial para crescer ainda mais. Cerca de 3.000 pessoas são mortas no Iraque todo mês, e a tendência é que esse número aumente se os EUA se retirarem do país. Há risco de guerra total, entre os EUA e o Irã e entre Israel e o Irã. É uma região extremamente perigosa.


Ao olharmos para o século 20 notamos que uma enorme proporção dos conflitos ocorreu no leste e no centro da Europa, e há boas razões para isso. Havia conflitos étnicos tremendos e uma série de crises de ordem imperial. O Oriente Médio de hoje tem uma situação parecida. Temos o potencial de conflito étnico -já óbvio em Israel-Palestina e no Iraque- e uma crise da ordem imperial, em que os EUA estão perdendo o controle sobre a região. Em minha opinião, o risco de um conflito global tem sido menosprezado.”


Muito tempo foi desperdiçado com o governo Bush. O poder de iniciativa foi perdido. Bush não soube usar sua influência como presidente dos EUA no Oriente Médio. Mas os EUA não são os únicos responsáveis. Todos os membro permanentes do Conselho de Segurança da ONU [EUA, Reino Unido, França, Rússia e China] têm o dever de estabilizar a situação em Gaza e no Iraque. Mas não há sinais de que a China, muito menos a Rússia, vejam a necessidade disso.”


A coisa mais importante agora é o engajamento com o Irã. Se o próximo presidente [dos EUA] for sensato ele fará o que fez Nixon quando foi à China. Precisamos de um presidente que vá a Teerã e comece a engajar essas pessoas. Isolar regimes e aplicar sanções quase nunca funcionou na história da diplomacia.”


A probabilidade de que Bush ordene uma ação militar antes de deixar a Casa Branca é de 50%. Estamos mais próximos do que muita gente se dá conta de um segundo ataque preventivo americano. As conseqüências de uma ação como essa são incalculáveis. Estamos numa época muito perigosa e, por isso, discordo categoricamente de Luttwak. Dar as costas para o Oriente Médio hoje seria como fazê-lo com os Bálcãs no verão de 1914.”


Na mesma FSP há uma entrevista com o ex-consultor de defesa do Departamento de Estado dos EUA e atual assessor sênior do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos em Washington, Edward Luttwark, que pensa haver catastrofismo nas posições de Ferguson, pois o Oriente Médio não tem a importância que já teve. Para usar as palavras usadas por Ferguson para classificar a opinião de Luttwark: uma tolice, Uma tremenda tolice!

O Lulismo segue forte como rochedo

Abrangente pesquisa nacional feita pelo tucanato com 3.500 inquéritos com 65 perguntas em todo o país, reforça o que empiricamente já foi incorporado ao léxico político no Brasil: Lula é sinônimo de “Lulismo”, não de PT.

Dados preliminares da pesquisa publicados no blógue do Josias de Souza revelam o seguinte:

- 56% reelegeria Lula para um terceiro mandato;
- 58% apoiaria a idéia de fechamento do Congresso Nacional;
- apesar de tudo o que aconteceu, o PT é o partido mais bem avaliado, seguido pelo PMDB e PSDB. As outras legendas ou são ignoradas ou ostentam avaliação negativa;
- 50% admite votar em 2010 num presidenciável de oposição, porém desde que não represente ruptura, mas sim continuidade e melhoria das condições atuais;
- Lula tem aprovação de 60% contra 40% de desaprovação, ao passo que FHC teve aprovação de 56% contra 44% de desaprovação;
- 40% considera os programas sociais, principalmente o Bolsa-Família e seus conexos [auxílio-gás, alimentação, etc], criação exclusiva do Lula, e apenas uma minoria de cerca de 25% identifica o DNA tucano na gênese dos programas;
- os mais conhecidos do PSDB são, em ordem: José Serra [também o mais bem avaliado], Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

Entra e sai crise, chovem canivetes, surgem denúncias de corrupção atingindo os três Poderes, setores empresariais, políticos e adjacentes e ainda assim Lula continua forte feito rochedo.

Se conseguirá conservar este capital político e dar as cartas para 2010 com vistas ao seu retorno em 2014 [ou 2015 com mandato de 5 anos sem reeleição] é a incógnita dos próximos anos. Mas Lula cada vez mais pinta como um fenômeno de longa significação histórica que atravessará os tempos, como um Getúlio Vargas e Juan Perón.

sábado, 23 de junho de 2007

Inéditos de Frida Kahlo e Diego Rivera, 2ª menção

O acervo “secreto” de Frida Kahlo e Diego Rivera, que reúne o arquivo íntimo dos dois pintores, ficou quase meio século guardado em um quarto secreto mandado construir por ambos na Casa Azul de Coyoacán, no México, onde residiram. [clicar para ler 1ª menção de BiruTaDoSuL sobre esse assunto]

No próximo 06 de julho inicia a exposição do arquivo íntimo que reúne 22.105 peças, dentre documentos pessoais, livros, vestuários, fotografias, auto-retratos, quadros, desenhos preliminares, rascunhos, lançamentos de obras, livros de projetos, planos, anotações, correspondências, impressos, publicações, etc.

As imagens são uma pequena mostra do “oceano” descoberto de Frida e Diego Rivera, obtidas no LaJornada.

Resistência argentina à ditadura transformada em "Memória do Mundo”

Enquanto no Brasil a promoção póstuma do Capitão Carlos Lamarca ao posto de Coronel causou tanto celeuma, a Argentina dá mais um passo na reconciliação com a verdade histórica e a justiça. É que lá, assim como em vários outros países que agem diferentemente do Brasil nesta questão, anistia não significou amnésia.

A Argentina acaba de transformar o amplo acervo documental que abrange o período sanguinário de 1976 a 1983 em MEMÓRIA DO MUNDO, um reconhecimento outorgado pela UNESCO que equivale ao status de patrimônio da humanidade. “É uma distinção à luta dos organismos de direitos humanos e à responsabilidade e compromisso do Estado pela defesa da memória”, declarou a ativista de direitos humanos Graciela Karababikian.

O programa Memória do Mundo foi criado pela UNESCO em 1992. De acordo com a instituição, “baseia no suposto de que alguns elementos, coleções ou fundos de patrimônio documental formam parte do patrimônio mundial, à semelhança dos sítios de notável valor universal incluídos na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Se considera que sua importância transcende os limites do tempo e das distintas culturas, e que devem preservar-se para as gerações atuais e futuras e postos de alguma forma à disposição do todos os povos do mundo”.

O povo argentino, através de várias organizações sociais, principalmente das Madres y Abuelas de la Plaza de Mayo, nunca permitiu apagar da memória os trágicos anos da ditadura daquele país. Das medidas adotadas pelo governo Kirchner, devem ser destacadas justamente aquelas que colocaram fim ao princípio da “obediência devida” e retomaram os julgamentos dos militares assassinos.

Passo adiante na Argentina e em outros países não estimula atitudes semelhantes no Brasil. A histeria em torno da condecoração póstuma do Lamarca, além de cínica, se apega em mentiras históricas e falsifica a biografia e história dele.

diZerEs de camInHão

Flagrado no apara-lama de caminhão de pizza que se dirigia do estado de Newada [de neve, geladeira], EUA, para as Brasília [da fantasia, Brasil] para repor suprimento no Congresso Nacional:

Mais corporativo que Bill Gates, só deputados e senadores do Brasil.

Reveladas ações criminosas e ilegais da CIA de 1950 a 1970

Muitos documentos secretos da CIA [agência de inteligência, a “KGB” dos Estados Unidos] relativos aos anos 1950 a 1970, serão abertos e liberados. Tais documentos são conhecidos como “jóias da família”, e reportam ações de espionagem, seqüestros, infiltração de agentes, atentados, conspirações e toda a série de ilegalidades praticadas pela CIA no período.

Com a revelação dos documentos, finalmente são comprovadas as suspeitas de participação da CIA em crimes cometidos em várias partes do mundo. Nos últimos dias, alguns desses documentos vazaram, e então foram revelados planos para o assassinato de Fidel Castro e o congolês Patrice Lumumba e até a interceptação de quatro cartas da atriz Jane Fonda que à época foi uma importante ativista contra a Guerra do Vietnã.

Outros documentos, contudo, parecem ter sido sumidos, como é o caso do golpe no Chile. Segundo memorando de Henry Kissinguer de 1975, quando era Secretário de Estado dos Estados Unidos [a Condolezza Rice daquela época], “A coisa chilena não está em relatório algum” [assim mesmo: “coisa chilena”].

Longe de parecer alentador, estas revelações só confirmam a veracidade das ações criminosas de governos estadudinenses que sucessivamente autorizam a atuação criminosa da CIA para impor sua dominação imperial no mundo. O mundo ainda aguarda a abertura das “caixas pretas” de documentos dos anos 1980 até os dias atuais, onde o controle “orweliano” do império é cada vez mais assustador.

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A propósito, vale ver o filme “O bom pastor”, dirigido e atuado por Robert de Niro e atuação de Angeline Jolie, Matt Damon, que retrata a devoção de um agente da CIA [contracenado por Matt Damon] na tentativa de invasão de Cuba, em 1961.

Sob o signo de brigas, confusões, desentendimentos ...

Mesmo o que poderia parecer altruísmo e virtuosidade se transforma em crispação quando se trata da governadora Yeda. A governadora parece dotada de uma capacidade peculiar de permanentemente gerar crises, desunião e crispas em todas as relações de governo.

Isso aconteceu outra vez nesta semana quando recusou aumentar o seu próprio salário e o do secretariado estadual. A proposta de aumento constava do projeto da Assembléia Legislativa que reajusta os salários dos deputados estaduais, e isso só seria possível com a anuência do Palácio Piratini ou de alguém por lá autorizado. Talvez por avaliar as reações desfavoráveis à medida, Yeda posteriormente desautorizou a inclusão do aumento no projeto da Assembléia, não sem acusar o Legislativo da autoria da proposta. A imputação é no mínimo absurda, para não dizer-se desleal para com outro Poder.

Yeda, desse modo e por essas todas, sedimentando seu “novo jeito de governar”, sob o signo das brigas, confusões, conflitos, desentendimentos ....

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ET: é opinião do BiruTaDoSul que os salários da governadora e dos secretários estaduais estão muito defasados e precisam ser reajustados. Desse ponto de vista, seria correta a manutenção da proposta de reajustamento no projeto da Assembléia.

Pochmann vê sinais de “esclerose econômica” no Brasil

Mesmo com a relativa ampliação do tamanho do Produto Interno Bruto (PIB), não é possível considerar que a economia nacional tenha abandonado a sua trajetória de mais de um quarto de século de semi-estagnação produtiva. Além disso, o país não consegue abandonar o bloco de economias subdesenvolvidas, com PIB per capita situado na 85ª posição do ranking mundial.

De um lado, percebe-se que a comparação do PIB de 2005 com o de 2000 indica a prevalência de uma ridícula variação média de apenas 2,7% ao ano. De outro, constata-se a presença de sinais não desprezíveis de esclerose econômica precoce assentada justamente no baixo comportamento dos investimentos.”

A análise completa do economista e professor da Unicamp Márcio Pochmann pode ser lida no Brasil de Fato, com uma simples apertadinha aqui.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

O Bloco de Esquerda e os desdobramentos para PT gaúcho

Ontem foi lançado o “Programa Comum” do setor político-parlamentar que une PCdoB, PSB e PDT, denominado “Bloco de Esquerda”. Mesmo sendo declaradamente base de sustentação do governo Lula e das políticas sociais em andamento, o Bloco de Esquerda buscará consolidar a unidade entre os três partidos e ampliar o cacife político-eleitoral nas eleições municipais do próximo ano com independência do principal ex-aliado, o PT.

Diz um trecho do Programa: “No momento oportuno em que estará na ordem do dia os entendimentos sobre o próximo pleito de 2008, os Partidos que compõem o Bloco, resguardado suas autonomias na constituição das frentes eleitorais, darão prioridade nesse momento à realização de alianças entre eles”.

Nos principais centros urbanos do país onde possuir candidaturas densas eleitoralmente o Bloco não hesitará em lançá-las, inclusive em competição com o campo eleitoral organizado em torno do PT. Tanto o PCdoB quanto o PSB vêm revelando quadros políticos com potenciais senão de vitórias eleitorais, ao menos de grande contribuição para a construção partidária e social das respectivas agremiações.

Não por outra razão a pré-candidatura da deputada federal Manuela D´Ávila freqüenta naturalmente o tabuleiro das eleições em Porto Alegre em 2008. Vinda de uma esplêndida votação para deputada federal – quase 5% dos votos do eleitorado gaúcho -, sendo uma jovem mulher com grande carisma, poderá ter uma performance surpreendente na eleição da capital gaúcha.

Para o PT é fundamental e absolutamente prioritário recuperar Porto Alegre na futura eleição, como parte da restauração da capacidade de disputa hegemônica na sociedade gaúcha, abalada por sucessivas derrotas eleitorais.

Por isso, o PT deveria desde logo – se é que já não o vem fazendo – a par de assegurar a unidade na escolha da sua candidatura, aprofundar as condições que permitam a manutenção da Frente Popular nas próximas eleições, garantindo a parceria com o Bloco de Esquerda e um lugar para a deputada Manuela na chapa majoritária.

Frente ao desgaste dos governos conservadores dos principais centros políticos e econômicos do Rio Grande do Sul – Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas e Canoas – é imperativo a constituição de alianças da esquerda gaúcha para avançar em direção à retomada de um projeto democrático-popular no Estado em 2010. O próximo ano é determinante para que essa exigência se torne realidade.

E no Boca não vai nada?

Até certa circunstância imperava reserva e complascência diante das dificuldades que nem seriam intransponíveis para um time acostumado a grandes epopéias.

Mas sob desfecho tão cabalístico [para não dizer vexatório], o escracho é inevitável. Diante de cinqüenta mil almas, levar uma enfiada de cinco do Boca, que foi cinco vezes campeão da Libertadores sem fazer um golzinho sequer, é demais. Lá no interior, na eventualidade de qualquer goleada, o fundamental era fazer o chamado gol de honra”, mas nem isso conseguiram! Só levaram. E muitos gols. Foram três na bombonera + dois na sede que fica ao lado do cemitério João 23 [Ai que vergonha dos argentinos só de imaginar as gozações e a charge do Quino no Página12 amanhã!].

Ao tricolor, RIQUELMEMENTE derrotado, não resta outra coisa senão voltar à rotina – ou ao próprio karma - de campeonatos sub-nacionais [aqui conhecidos como certame Gauchão] e segunda divisão de campeonatos nacionais. Enfim, tudo volta ao estado normal, de onde acidentalmente escapou por escassa temporada.


E, em definitivo, valem as máximas que dizem que “imortal é aquele que fica perto do cemitério” e “imortal, só a Dercy Gonçalves”.

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O blógue Nuestro Vino apresenta dois exemplares de imortais, veja lá.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Danny Glover, um hollywoodiano contra Bush e a grande mídia

Com Danny Glover não existem formalidades, nem poses de estrela. Está como poderia estar qualquer um de nós - com jeans e um boné, só e meio perdido a um passo do Teatro Teresa Carreño, em Caracas. E simplesmente sorri e diz ‘sim’ quando lhe peço esta entrevista.

Confira a entrevista do ator e diretor Danny Glover feita pela jornalista cubana Rosa Miriam Elizalde, em Caracas, publicada no Vermelho, o saite do PCdoB.

Ministério Público se equipara ao Supremo

O Ministério Público do Brasil se auto-concedeu um novo valor de teto salarial, que passa do atual R$ 22.211 para R$ 24.500 – valor do salário de Ministro do Supremo. Desse modo, diminui o número de procuradores e promotores públicos que ganhavam acima do teto, o que é ilegal. Eles são o máximo!

A coisa funciona assim: quando os privilégios ficam fora ou acima da lei, aumentam-se os privilégios para caberem dentro das leis criadas para protegerem os privilegiados.

E tem mais: nada de realizar a reforma do judiciário com controle social.

STF não é o mesmo: agora pune indumentária de político

O STF definitivamente mudou. Agora não atua só contra os simples mortais, mas pune também no mundo político.

Não pune parlamentares, mas a indumentária usada por alguns políticos. Num julgamento inusitadamente rápido e exemplar, o STF condenou um chapéu de boiadeiro a não fazer parte da indumentária usada por um exótico parlamentar durante as sessões na Câmara dos Deputados. O STF cassou o chapéu do boiadeiro!

Nesse ritmo, não tardará a hora da cassação de bombachas usadas por pitoresco deputado gaúcho.

Por essas e outras barbaridades – inclusive devido à corrupção que atingiu também o Poder Judiciário – fica cada vez mais difícil não admitir a idéia de que está na ordem do dia a criação de um amplo movimento cívico nacional do tipo “mãos limpas” no Brasil.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Habemus Confúncio no Planalto

E não é que Mangabeira Unger, o Ministro de Dantas, foi confirmado como Confúncio do Planalto? Isso apesar de todas as evidências que recomendariam ao Presidente Lula não nomeá-lo.

O Presidente, assim, adere mais um problema à agenda política já tumultuada. Além de passar a conviver com o constrangimento [para lá de alertado] de ter dentre sua equipe alguém vinculado ao sinistro banqueiro Daniel Dantas e que com cuja verve raivosa em tempos não muito distantes pediu o impeachment do Lula - no melhor estilo lacerdista dos tucanos e demos.

Assim, o Confúncio - que quase foi Ministro SeALOPRA - finalmente foi confirmado como Ministro SePLÉGICO [Secretaria de Planejamento Estratégico]. Ufa!
Levou abracinho do Presidente e retribuiu com os olhinhos fechados e reflexivos, como é do habitus de todo nobre filósofo e pensador.

Israel e Estados Unidos fazem da Palestina a nova Bósnia

Jeferson Miola

Israel, Estados Unidos e Europa mudaram radicalmente em relação à Palestina desde que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas da Fatah, destituiu o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, que pertence ao movimento Hamás.

A partir do último domingo 17/06 foi suspenso o boicote e levantadas as restrições econômicas criminosas impostas por Israel, Estados Unidos e Europa à Palestina, que vigiam desde que o Hamás obteve pelo voto direto e democrático do povo palestino a maioria parlamentar e o cargo de Primeiro-Ministro.

As cadeias monopolistas de notícias passaram então a difundir imagens “humanitárias” de descarregamento de remédios, alimentos e combustíveis e a volta da assistência internacional nos territórios palestinos, somente possível graças à “retomada da ajuda” de Israel, Estados Unidos e Europa à Palestina agora “livre dos radicais terroristas do Hamás”.

A conspiração armada por Israel e EU contra o povo palestino desde janeiro de 2006 não se restringiu ao boicote econômico e ao corte da assistência estabelecida pela ONU, mas compreendeu também o engendramento de ações políticas e militares deliberadas. Militantes do Fatah e segmentos palestinos aliado aos Estados Unidos foram armados e apoiados financeira e materialmente para combaterem o governo do Hamás.

Israel e Estados Unidos fortalecem facções internas na Palestina para assim promoverem a guerra civil palestina; uma verdadeira guerra tribal de destruição sangrenta de palestinos feita pelos próprios palestinos.

Essa política é genocida! E os objetivos dessa política genocida são claros. Com o aprofundamento da devastação de um país já devastado pela guerra permanente promovida contra si por Israel e com o debilitamento político e militar dos setores que se opõem à capitulação e à corrupção do Fatah, fica mais distante do horizonte a construção do Estado Palestino e o enfrentamento aos interesses intervencionistas do imperialismo estadudinense em toda a região do Oriente Médio.

O mundo não pode continuar aceitando com a mesma naturalidade de sempre os acontecimentos na Palestina, cada vez mais transformada em protetorado dos Estados Unidos. A omissão frente à tragédia palestina é tão hedionda quanto à transformação da Palestina na Bósnia do século 21.


Não haverá paz duradoura no mundo enquanto subsistir o conflito no Oriente Médio. E não haverá sossego para as consciências humanistas e libertárias em todo o mundo enquanto não cessar o genocídio promovido contra o povo palestino por Israel e Estados Unidos.