segunda-feira, 2 de julho de 2007

Chávez não se intimida com chantagem dos “papagaios do Império”

O presidente venezuelano Hugo Chávez não se intimidou nem um pouco com a ameaça do Senado brasileiro de não aprovar o ingresso da Venezuela no Mercosul caso ele não se retrate da posição expressa quando senadores brasileiros se imiscuíram em assuntos internos daquele país – o caso da não-renovação da licença da golpista RCTV. Vale lembrar: diante das manifestações inoportunas de senadores brasileiros a respeito do affair doméstico da Venezuela, Chávez acusou-os de serem papagaios do Império.

O Senado brasileiro, que está cada vez mais desmoralizado pelos sucessivos escândalos que assomam do presidente da instituição a senadores menos graduados, faria melhor se não comprometesse a unidade do Mercosul e assim também seria poupado de ouvir os torpedos de Chávez:

- “Se não pudermos entrar no Mercosul porque a direita brasileira tem mais força do que a idéia de integração, nós nos retiramos do Mercosul.

- “Não estamos interessados em ingressar no velho Mercosul, que não quer mudanças.

- “Se não podemos ingressar no Mercosul porque a direita brasileira tem mais força, então nos retiramos.

- “Em um Mercosul que está marcado pelo capitalismo, pela competição feroz, não estamos nada interessados em ingressar, assim que dessa maneira poderíamos comprazer a direita brasileira e a direita paraguaia. Se eles no querem que nós ingressemos no Mercosul, não temos nenhum problema. Inclusive sou capaz de retirar a solicitação [de ingresso] e nos dedicamos de cheio à ALBA [Alternativa Bolivariana para as Américas], porque nossa prioridade é construir nosso modelo de desenvolvimento.

- “[queremos] a integração baseada na irmandade, na cooperação, na solidariedade, que coloca na frente o social, como estamos fazendo Cuba e Venezuela e que agora se soma Nicarágua e Bolívia.

De Perón a Kirchner, tudo em família

Na peculiar tradição política argentina, esposa de Presidente do país pode se tornar sucessora. Juan Domingo Perón concorreu em 1973 à presidência da Argentina tendo Isabelita Perón como vice, aproveitando a popularidade da primeira-dama e a comparação simbólica dela com Evita. Foram eleitos e, com a morte de Perón em 1974, Isabelita o sucedeu no cargo e governou o país até o golpe militar de 1976.

O atual presidente Néstor Kirchner vai na mesma balada. Indicará Cristina Kirchner como candidata da situação à sua própria sucessão. O plano é o seguinte: ela se elege neste ano para comandar o país até 2012, quando então ele se apresenta novamente como candidato presidencial.

De acordo com pesquisas recentes, Cristina Kirchner - tratada como o “fator K” – figura na frente com 46,2% das preferências contra Elisa Carrió de centro e 11,1% do direitista Roberto Lavagna.

Independentemente da rotulação ideológica apressada que se queira fazer de Kirchner, o fato é que seu governo representa avanços importantes na nova geopolítica continental e é alentador no aspecto da recuperação da memória e da punibilidade dos crimes cometidos pela sanguinária ditadura argentina.

Seja com o “fator K” ou com qualquer outra fórmula, o fato é que é essencial manter aquele país em rumo distinto do que lhe dariam a menenismo, o direitismo e os neoliberais argentinos.

Multidão resiste no México

Realizou-se ontem no Zócalo [Praza da Constituição] da Cidade do México uma manifestação encabeçada por Manuel López Obrador com mais de 100 mil pessoas em alusão ao primeiro aniversário das eleições escandalosamente fraudadas em 02/07/2006 para viabilizar a eleição do neoliberal Felipe Calderón, um aliado incondicional dos Estados Unidos.

A manifestação, convocada por organizações civis e pelos partidos políticos que apoiaram López Obrador – PRD, PT y Convergência -, revigora um movimento cívico e de consciência para a democratização e realização de mudanças democráticas e populares no México.

A respeito do vivo processo em curso no México, López Obrador disse que “estamos criando a rede nacional de representantes do governo legítimo, a base da organização cidadã para transformar o país”. E completou: “- Eles não têm conseguido destruir nosso movimento. Temos resistido e cresceremos. Em contraste, nossos adversários não poderiam sustentar-se sem os meios de comunicação”.

Enquanto isso, no Brasil, a reforma política sai com viés conservador, os escândalos se sucedem no Legislativo e no Judiciário, os bacanas continuam desfrutando de privilégios, ...

sábado, 30 de junho de 2007

Chance de discutir-se o unicameralismo

Os sucessivos achicalhes políticos que se acompanham no Senado da República poderiam inspirar a discussão sobre o unicameralismo como item a compor a reforma política.

Afora os aspectos filosóficos, jurídicos e políticos que tal discussão importa, o patético pronunciamento do senador Joaquim Ruriz [assista aqui] seria ponto de partida para discutir-se a necessidade de existência da Câmara Alta.

O problema é que a reforma política não só não passará de uma meia-sola como abrirá brechas para que o tucanato aplique uma contra-reforma política criando os distritões eleitorais, tudo ao gosto do conservadorismo brasileiro.

Tem toda a razão o deputado Chico Alencar do PSOL/RJ quando diz que a reforma política só ocorreria de fato se tivesse um clima de constituinte no Brasil.

“O Bom Deus me protegeu de Bush”

Adiante, a resposta de Fidel Castro à George W. Bush, que expressou o desejo [ou a obsessão] de ver Fidel morto, dizendo que “um dia o bom senhor levará embora Fidel Castro” [leia a respeito]:


O Bom Deus me protegeu de Bush

UMA inusual notícia apareceu há uns minutos através da EFE e da Reuters. Limito-me à versão espanhola: "Um dia, o Bom Deus levar-se-á Fidel Castro".

Isto não foi declarado numa piedosa igreja. Tal como fez em West Point, onde proferiu a famosa frase daquilo que deviam esperar dezenas de escuros cantos do mundo, nosso homem falou na Academia da Marinha de Guerra localizada em Newport. Respondia uma pergunta, muito bem elaborada, sobre a situação na América Latina que lhe fez um graduado colombiano da Academia. Que casualidade!


Imediatamente, como se estivesse ansioso por dizer qualquer coisa sobre Cuba e queixoso pela sua vez com o Bom Deus, acrescentou: "Só existe um país antidemocrático por nossos arredores e esse é Cuba. Acho firmemente que os cubanos devem viver numa sociedade livre. Interessa-nos que Cuba seja livre e interessa a eles não ter que viver sob uma forma de governo antiquada que é repressivo".


Anteriormente prometeu: "Continuaremos pressionando em favor da liberdade em Cuba".

Sem perder tempo, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe, ao ser perguntado a respeito de se Bush desejava a morte de Castro, respondeu: "O Presidente referia-se a um acontecimento inevitável". Tal parece que o genial funcionário e seu chefe vão viver milhares de anos.


Agora compreendo por que sobrevivi aos planos de Bush e dos presidentes que ordenaram meu assassinato: o Bom Deus me protegeu.


Fidel Castro Ruz

28 de junho de 2007

18h32

Traduzido pela Equipe de Serviços de Tradutores e Intérpretes do Conselho de Estado — ESTI

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Programaço de domingo

Ótima e econômica opção [gratuita] de fim do final de semana em Porto Alegre é o Concerto da Orquestra de Câmara da ULBRA com a extraordinária regência do Maestro Tiago Flores. Acontece domingo, às 19 horas na Associação Leopoldina Juvenil [Rua Marquês do Herval, 280].

A novidade desse Concerto será a transmissão da batuta por Tiago Flores a Nicolau de Figueiredo, um dos mais importantes especialistas mundiais da música antiga. Ler mais a respeito.

O desejo - ou a obsessão - de Bush

Durante visita a uma escola de guerra naval, o Presidente dos Estados Unidos declarou gratuitamente que “Um dia o bom Senhor levará embora Fidel Castro”. Se diz isso em público a respeito do presidente de outro país, imagina o que Bush não deve dizer a confidentes sobre seus outros desejos mais íntimos?!.


O “Mister Danger” - como Chávez costuma chamar Bush – parece possuído por uma verdadeira obsessão com o fim de Fidel e da Revolução Cubana.

Sabe-se que o plano de Bush e dos poderes ocultos dos Estados Unidos depois do ataque ao Iraque em 2003, que esperavam fossem rápidos e resolutivos, era atacar Cuba, que faz parte do “eixo do mal” juntamente com Irã, Coréia do Sul e Afeganistão.


Em se tratando de um governo dos Estados Unidos, nada disso é novidade. Os documentos secretos da CIA relativos ao período de 1950/1970, recentemente revelados, confirmam que tentaram assassinar Fidel em pelo menos outras seis ocasiões.

Sobre o assunto aqui no BiruTaDoSuL: Bush terá de pôr as barbas de molho e “Bom Pastor” mostra papel da CIA e dos Estados Unidos.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Sumida

Sumida és
lugar vazio
sensação gozada
dor indefinível

longos dias
que ficam intermináveis
e também cinzentos
postos que sem luz

seriam dias escuros
assemelhados a noites

não fossem elas
ao seu jeito próprio
também charmosas
e brilhantes

Flagrantes de Iraque no Brasil

quarta-feira, 27 de junho de 2007

“Bom Pastor” mostra papel da CIA e dos Estados Unidos

Hoje toda a imprensa brasileira noticia a abertura dos arquivos da CIA conhecidos como “Jóias da Família”, que guardavam documentos e material de memória de 1950 a 1970.

Conforme comentado aqui no BiruTaDoSuL no último 23/06, os arquivos não trazem nada de novo, tão somente comprovam o que já se sabia a respeito da atuação anticomunista e agressora da CIA e de governos dos Estados Unidos ao longo da Guerra Fria.


Fica novamente a sugestão de que ver o filme “O bom pastor”, de Robert De Niro e ótimo elenco, conforme recomendado no comentário “Reveladas ações criminosas e ilegais da CIA de 1950 a 1970”.

Blair no Oriente Médio: solução ou provocação?

Na foto, Tony Blair na porta de saída da casa oficial do Primeiro-Ministro da Inglaterra, situada na Downing Street. Ele renunciou ao cargo de Primeiro-Ministro devido ao profundo desgaste sofrido principalmente com o alinhamento incondicional a Bush e à participação ativa na guerra no Iraque. Aliás, Blair foi como um cão dedicado e fiel a Bush, participando mesmo da montagem da farsa das armas químicas para justificar a guerra unilateral dos Estados Unidos contra o Iraque.

Mas Blair não sairá da cena internacional. Foi indicado pelo “Quarteto do Oriente Médio” para ser uma espécie de “embaixador internacional” a mediar tanto o conflito Israel-Palestino quanto outros da conturbada região.


Parece nada realista a escolha de Blair para a função. Na verdade, soa como uma tremenda provocação sua presença em papel tão delicado, pois sempre tomou partido claro em favor de uma das partes do conflito [Israel] e enquanto chefe de Estado da Inglaterra conduziu a coalizão agressora contra um país árabe.


ET: “Quarteto do Oriente Médio” é o grupo composto por Estados Unidos, União Européia, Rússia e a ONU. Chama a atenção que a ONU, que deveria ser a instância mediadora em nome de todas as nações do globo, seja mais um a tomar parte de um “quarteto”. Neste caso a ONU não passa de cereja no bolo que passará legitimidade a presumíveis novas barbaridades que se produzirão.

*** *** ***

Em relação à indicação para “mediador” no Oriente Médio, Blair declarou em entrevista que “qualquer pessoa que se preocupa com paz e estabilidade no mundo sabe que uma solução para a questão palestino-israelense é essencial. Em várias ocasiões disse que farei o necessário para ajudar no assunto”.

Já houve, contudo, forte reação. O porta-voz do Hamas [Palestina], Fawzi Barhmoum, afirmou que Blair não é bem-vindo, pois “apoiou o terrorismo da ocupação sionista e massacres contra o nosso povo”.


De todo modo, além da declarada rejeição ao seu nome, a tarefa de Blair será naturalmente árida com o atual estado de guerra civil na Palestina. O antecessor no cargo, o ex-executivo do Banco Mundial James Wolfensohn, havia renunciado em 2006 depois de exercer a função menos de um ano, diante do fracasso do seu trabalho por lá.

“O que seria e não é”, de Frei Betto

Do artigo “O que seria e não é” de Frei Betto, publicado no Correio da Cidadania: “PMDB, DEM, PSDB e PR representam a classe dominante e, graças ao distanciamento do PT dos movimentos sociais, continuam também como classe dirigente. A direção do país está em mãos de uma coalizão partidária que não diverge frontalmente dos interesses dominantes, e até os reforça mediante a política econômica que prioriza os interesses do capital”.

Nesses quatro anos e meio de governo, o PT perdeu, por inabilidade política e falta de ética de alguns de seus dirigentes, a chance de se constituir no que Gramsci qualifica de ‘bloco histórico no poder’”.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Começa Fórum Social Mundial nos Estados Unidos

A partir de amanhã 27/06 até o próximo domingo 01/07 acontecerá na cidade de Atlanta, estado da Geórgia, o Fórum Social Estadudinense como parte da difusão e expansão planetária deste processo da sociedade civil mundial.

Temas como a libertação dos cinco cubanos presos ilegalmente nos Estados Unidos, a extradição do terrorista Posada Carriles para a Venezuela e tantas outras questões incômodas - guerras, imperialismo, aquecimento global, livre comércio - ao governo Bush farão parte das agendas de discussão.

Será também um momento para se pôr em evidência a oposição tanto interna quanto estrangeira ao unilateralismo e militarismo do governo estadudinense.

Lulismo forte como rochedo - seção 2

A alguns dias atrás foram revelados índices de uma pesquisa nacional realizada pelo PSDB, que situava o Presidente Lula em condições muito confortáveis perante as pessoas entrevistadas. A pesquisa demonstrou que 58% das pessoas Os dados daquele levantamento do PSDB podem ser revistos através deste linque aqui.

Nova pesquisa, desta feita do CNT/Sensus, além de confirmar o levantamento dos tucanos, revela que Lula estabilizou os índices que vinha obtendo desde o final do ano passado, a despeito dos últimos acontecimentos, dentre eles a hiper-exploração midiática em torno do seu irmão Vavá e outras pessoas presumivelmente ligadas ao seu círculo de relação.


Os dados adiante comprovam que Lula - ou melhor, o Lulismo - vai muito bem, obrigado. Por enquanto, todos os caminhos o conduzem a fazer o sucessor em 2010 – seja alguém do PT ou de fora do PT, isso não importa para ele – e voltar à Presidência em 2015, já com o mandato de cinco anos e sem reeleição.


Elite branca: racista, intolerante, homofóbica e xenófoba






Há mais do que muita coisa em comum nas duas imagens.

Há, tragicamente, tudo em comum!

1] A empregada doméstica Sirlei Dias Carvalho Pinto foi brutalmente agredida às 4,30 horas da madrugada enquanto aguardava um ônibus na periferia do Rio de Janeiro para tentar atendimento médico.

Segundo o delegado de Polícia que preside o inquérito, os jovens agressores assumiram o risco de matar Sirlei: “Eles bateram várias vezes na cabeça da moça, ou seja, aceitaram o resultado-morte. Além disso, roubaram os pertences, como celular, carteira, que eram a única riqueza que ela possuía. Trata-se de uma tentativa de latrocínio”.

Os agressores são cinco jovens brancos, todos entre 19 e 21 anos, universitários, pertencentes à classe média alta carioca e todos residentes na Barra da Tijuca, onde Sirlei e outras mulheres negras “servem-nos” e às suas famílias. Eles alegaram que agrediram Sirlei imaginando que fosse uma prostituta!, como se isso fosse atenuante criminal!

2] O muro da Avenida João Pessoa, no Campus Central da UFRGS, outrora palco de pichações politizadas pela democratização do Brasil escritas pelo movimento estudantil libertário, agora desgraçadamente revela a face da intolerância e racismo que é invisível nas aparências da nossa sociedade, mas profundamente corrosiva na vida real. Ali diz: “negro só se for na cozinha do RU; cotas não”.

Os/as autores/as de tal pichação provavelmente sejam todos/as jovens, brancos, universitários, procedentes de famílias abastadas ou bem aquinhoadas que acessam a Universidade Pública e que não admitem que os negros e as negras que lhes servem nas cozinhas das suas casas freqüentem a Universidade Pública.

1 + 2] Morais da história [se é que existem morais nessas tragédias]:

a] em se tratando de “filhos da nobre elite branca”, a probabilidade de que os agressores e autores de tais crimes não sejam condenados é grande; e

b] qual o futuro do nosso país, tendo à frente uma geração capaz de atitudes tão deploráveis?

Privilégio também é o inverno no Rio Grande

Amazônia ameaçada

Ceci Juruá, professora da UERJ e pesquisadora do LPP – Laboratório de Políticas Públicas daquela Universidade enviou correspondência aos Senadores alertando para a “possibilidade de conglomerados estrangeiros e bancos estrangeiros assumirem a posse de territórios da Amazônia brasileira, sobretudo em decorrência de emenda constitucional aprovada pelo Congresso há mais de uma década eliminando a distinção entre empresa brasileira e empresa brasileira de capital nacional”.

Segundo Ceci, essa possibilidade “decorre da aprovação da Lei 11.284/06 pelo Congresso Nacional, após emendas introduzidas pelo Senado, sem que o projeto com as emendas finais tenha sido recolocado em discussão na Câmara”.

A carta de Ceci aos Senadores, acompanhada de Manifesto de Defesa da Amazônia pode ser lida clicando aqui.

domingo, 24 de junho de 2007

Palestina, Oriente Médio e o “risco de guerra total”

Em entrevista na FSP o professor de história da Universidade Harvard e pesquisador da Universidade Oxford, Niall Ferguson, traz um alerta de que “o próximo grande conflito global começará no Oriente Médio”. E diz ainda que “a probabilidade de que Bush ordene uma ação militar antes de deixar a Casa Branca é de 50%”.

A omissão do mundo em dar respostas satisfatórias às graves crises em curso em muitos países da região – em especial na Palestina [clicar para ler], Iraque e Líbano – poderá trazer conseqüências imponderáveis, como se percebe no tom das opiniões de Niall a partir de alguns trechos da entrevista aqui transcritos:

“Em primeiro lugar, a importância econômica do Oriente Médio está crescendo, pois nossa dependência de combustíveis fósseis não caiu. O Oriente Médio é a principal fonte futura de petróleo e gás natural. A idéia de que isso não importa é economicamente ridícula.

Em segundo lugar, o nível de violência no Oriente Médio é altíssimo e tem potencial para crescer ainda mais. Cerca de 3.000 pessoas são mortas no Iraque todo mês, e a tendência é que esse número aumente se os EUA se retirarem do país. Há risco de guerra total, entre os EUA e o Irã e entre Israel e o Irã. É uma região extremamente perigosa.


Ao olharmos para o século 20 notamos que uma enorme proporção dos conflitos ocorreu no leste e no centro da Europa, e há boas razões para isso. Havia conflitos étnicos tremendos e uma série de crises de ordem imperial. O Oriente Médio de hoje tem uma situação parecida. Temos o potencial de conflito étnico -já óbvio em Israel-Palestina e no Iraque- e uma crise da ordem imperial, em que os EUA estão perdendo o controle sobre a região. Em minha opinião, o risco de um conflito global tem sido menosprezado.”


Muito tempo foi desperdiçado com o governo Bush. O poder de iniciativa foi perdido. Bush não soube usar sua influência como presidente dos EUA no Oriente Médio. Mas os EUA não são os únicos responsáveis. Todos os membro permanentes do Conselho de Segurança da ONU [EUA, Reino Unido, França, Rússia e China] têm o dever de estabilizar a situação em Gaza e no Iraque. Mas não há sinais de que a China, muito menos a Rússia, vejam a necessidade disso.”


A coisa mais importante agora é o engajamento com o Irã. Se o próximo presidente [dos EUA] for sensato ele fará o que fez Nixon quando foi à China. Precisamos de um presidente que vá a Teerã e comece a engajar essas pessoas. Isolar regimes e aplicar sanções quase nunca funcionou na história da diplomacia.”


A probabilidade de que Bush ordene uma ação militar antes de deixar a Casa Branca é de 50%. Estamos mais próximos do que muita gente se dá conta de um segundo ataque preventivo americano. As conseqüências de uma ação como essa são incalculáveis. Estamos numa época muito perigosa e, por isso, discordo categoricamente de Luttwak. Dar as costas para o Oriente Médio hoje seria como fazê-lo com os Bálcãs no verão de 1914.”


Na mesma FSP há uma entrevista com o ex-consultor de defesa do Departamento de Estado dos EUA e atual assessor sênior do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos em Washington, Edward Luttwark, que pensa haver catastrofismo nas posições de Ferguson, pois o Oriente Médio não tem a importância que já teve. Para usar as palavras usadas por Ferguson para classificar a opinião de Luttwark: uma tolice, Uma tremenda tolice!

O Lulismo segue forte como rochedo

Abrangente pesquisa nacional feita pelo tucanato com 3.500 inquéritos com 65 perguntas em todo o país, reforça o que empiricamente já foi incorporado ao léxico político no Brasil: Lula é sinônimo de “Lulismo”, não de PT.

Dados preliminares da pesquisa publicados no blógue do Josias de Souza revelam o seguinte:

- 56% reelegeria Lula para um terceiro mandato;
- 58% apoiaria a idéia de fechamento do Congresso Nacional;
- apesar de tudo o que aconteceu, o PT é o partido mais bem avaliado, seguido pelo PMDB e PSDB. As outras legendas ou são ignoradas ou ostentam avaliação negativa;
- 50% admite votar em 2010 num presidenciável de oposição, porém desde que não represente ruptura, mas sim continuidade e melhoria das condições atuais;
- Lula tem aprovação de 60% contra 40% de desaprovação, ao passo que FHC teve aprovação de 56% contra 44% de desaprovação;
- 40% considera os programas sociais, principalmente o Bolsa-Família e seus conexos [auxílio-gás, alimentação, etc], criação exclusiva do Lula, e apenas uma minoria de cerca de 25% identifica o DNA tucano na gênese dos programas;
- os mais conhecidos do PSDB são, em ordem: José Serra [também o mais bem avaliado], Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

Entra e sai crise, chovem canivetes, surgem denúncias de corrupção atingindo os três Poderes, setores empresariais, políticos e adjacentes e ainda assim Lula continua forte feito rochedo.

Se conseguirá conservar este capital político e dar as cartas para 2010 com vistas ao seu retorno em 2014 [ou 2015 com mandato de 5 anos sem reeleição] é a incógnita dos próximos anos. Mas Lula cada vez mais pinta como um fenômeno de longa significação histórica que atravessará os tempos, como um Getúlio Vargas e Juan Perón.

sábado, 23 de junho de 2007

Inéditos de Frida Kahlo e Diego Rivera, 2ª menção

O acervo “secreto” de Frida Kahlo e Diego Rivera, que reúne o arquivo íntimo dos dois pintores, ficou quase meio século guardado em um quarto secreto mandado construir por ambos na Casa Azul de Coyoacán, no México, onde residiram. [clicar para ler 1ª menção de BiruTaDoSuL sobre esse assunto]

No próximo 06 de julho inicia a exposição do arquivo íntimo que reúne 22.105 peças, dentre documentos pessoais, livros, vestuários, fotografias, auto-retratos, quadros, desenhos preliminares, rascunhos, lançamentos de obras, livros de projetos, planos, anotações, correspondências, impressos, publicações, etc.

As imagens são uma pequena mostra do “oceano” descoberto de Frida e Diego Rivera, obtidas no LaJornada.

Resistência argentina à ditadura transformada em "Memória do Mundo”

Enquanto no Brasil a promoção póstuma do Capitão Carlos Lamarca ao posto de Coronel causou tanto celeuma, a Argentina dá mais um passo na reconciliação com a verdade histórica e a justiça. É que lá, assim como em vários outros países que agem diferentemente do Brasil nesta questão, anistia não significou amnésia.

A Argentina acaba de transformar o amplo acervo documental que abrange o período sanguinário de 1976 a 1983 em MEMÓRIA DO MUNDO, um reconhecimento outorgado pela UNESCO que equivale ao status de patrimônio da humanidade. “É uma distinção à luta dos organismos de direitos humanos e à responsabilidade e compromisso do Estado pela defesa da memória”, declarou a ativista de direitos humanos Graciela Karababikian.

O programa Memória do Mundo foi criado pela UNESCO em 1992. De acordo com a instituição, “baseia no suposto de que alguns elementos, coleções ou fundos de patrimônio documental formam parte do patrimônio mundial, à semelhança dos sítios de notável valor universal incluídos na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Se considera que sua importância transcende os limites do tempo e das distintas culturas, e que devem preservar-se para as gerações atuais e futuras e postos de alguma forma à disposição do todos os povos do mundo”.

O povo argentino, através de várias organizações sociais, principalmente das Madres y Abuelas de la Plaza de Mayo, nunca permitiu apagar da memória os trágicos anos da ditadura daquele país. Das medidas adotadas pelo governo Kirchner, devem ser destacadas justamente aquelas que colocaram fim ao princípio da “obediência devida” e retomaram os julgamentos dos militares assassinos.

Passo adiante na Argentina e em outros países não estimula atitudes semelhantes no Brasil. A histeria em torno da condecoração póstuma do Lamarca, além de cínica, se apega em mentiras históricas e falsifica a biografia e história dele.

diZerEs de camInHão

Flagrado no apara-lama de caminhão de pizza que se dirigia do estado de Newada [de neve, geladeira], EUA, para as Brasília [da fantasia, Brasil] para repor suprimento no Congresso Nacional:

Mais corporativo que Bill Gates, só deputados e senadores do Brasil.

Reveladas ações criminosas e ilegais da CIA de 1950 a 1970

Muitos documentos secretos da CIA [agência de inteligência, a “KGB” dos Estados Unidos] relativos aos anos 1950 a 1970, serão abertos e liberados. Tais documentos são conhecidos como “jóias da família”, e reportam ações de espionagem, seqüestros, infiltração de agentes, atentados, conspirações e toda a série de ilegalidades praticadas pela CIA no período.

Com a revelação dos documentos, finalmente são comprovadas as suspeitas de participação da CIA em crimes cometidos em várias partes do mundo. Nos últimos dias, alguns desses documentos vazaram, e então foram revelados planos para o assassinato de Fidel Castro e o congolês Patrice Lumumba e até a interceptação de quatro cartas da atriz Jane Fonda que à época foi uma importante ativista contra a Guerra do Vietnã.

Outros documentos, contudo, parecem ter sido sumidos, como é o caso do golpe no Chile. Segundo memorando de Henry Kissinguer de 1975, quando era Secretário de Estado dos Estados Unidos [a Condolezza Rice daquela época], “A coisa chilena não está em relatório algum” [assim mesmo: “coisa chilena”].

Longe de parecer alentador, estas revelações só confirmam a veracidade das ações criminosas de governos estadudinenses que sucessivamente autorizam a atuação criminosa da CIA para impor sua dominação imperial no mundo. O mundo ainda aguarda a abertura das “caixas pretas” de documentos dos anos 1980 até os dias atuais, onde o controle “orweliano” do império é cada vez mais assustador.

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A propósito, vale ver o filme “O bom pastor”, dirigido e atuado por Robert de Niro e atuação de Angeline Jolie, Matt Damon, que retrata a devoção de um agente da CIA [contracenado por Matt Damon] na tentativa de invasão de Cuba, em 1961.

Sob o signo de brigas, confusões, desentendimentos ...

Mesmo o que poderia parecer altruísmo e virtuosidade se transforma em crispação quando se trata da governadora Yeda. A governadora parece dotada de uma capacidade peculiar de permanentemente gerar crises, desunião e crispas em todas as relações de governo.

Isso aconteceu outra vez nesta semana quando recusou aumentar o seu próprio salário e o do secretariado estadual. A proposta de aumento constava do projeto da Assembléia Legislativa que reajusta os salários dos deputados estaduais, e isso só seria possível com a anuência do Palácio Piratini ou de alguém por lá autorizado. Talvez por avaliar as reações desfavoráveis à medida, Yeda posteriormente desautorizou a inclusão do aumento no projeto da Assembléia, não sem acusar o Legislativo da autoria da proposta. A imputação é no mínimo absurda, para não dizer-se desleal para com outro Poder.

Yeda, desse modo e por essas todas, sedimentando seu “novo jeito de governar”, sob o signo das brigas, confusões, conflitos, desentendimentos ....

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ET: é opinião do BiruTaDoSul que os salários da governadora e dos secretários estaduais estão muito defasados e precisam ser reajustados. Desse ponto de vista, seria correta a manutenção da proposta de reajustamento no projeto da Assembléia.

Pochmann vê sinais de “esclerose econômica” no Brasil

Mesmo com a relativa ampliação do tamanho do Produto Interno Bruto (PIB), não é possível considerar que a economia nacional tenha abandonado a sua trajetória de mais de um quarto de século de semi-estagnação produtiva. Além disso, o país não consegue abandonar o bloco de economias subdesenvolvidas, com PIB per capita situado na 85ª posição do ranking mundial.

De um lado, percebe-se que a comparação do PIB de 2005 com o de 2000 indica a prevalência de uma ridícula variação média de apenas 2,7% ao ano. De outro, constata-se a presença de sinais não desprezíveis de esclerose econômica precoce assentada justamente no baixo comportamento dos investimentos.”

A análise completa do economista e professor da Unicamp Márcio Pochmann pode ser lida no Brasil de Fato, com uma simples apertadinha aqui.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

O Bloco de Esquerda e os desdobramentos para PT gaúcho

Ontem foi lançado o “Programa Comum” do setor político-parlamentar que une PCdoB, PSB e PDT, denominado “Bloco de Esquerda”. Mesmo sendo declaradamente base de sustentação do governo Lula e das políticas sociais em andamento, o Bloco de Esquerda buscará consolidar a unidade entre os três partidos e ampliar o cacife político-eleitoral nas eleições municipais do próximo ano com independência do principal ex-aliado, o PT.

Diz um trecho do Programa: “No momento oportuno em que estará na ordem do dia os entendimentos sobre o próximo pleito de 2008, os Partidos que compõem o Bloco, resguardado suas autonomias na constituição das frentes eleitorais, darão prioridade nesse momento à realização de alianças entre eles”.

Nos principais centros urbanos do país onde possuir candidaturas densas eleitoralmente o Bloco não hesitará em lançá-las, inclusive em competição com o campo eleitoral organizado em torno do PT. Tanto o PCdoB quanto o PSB vêm revelando quadros políticos com potenciais senão de vitórias eleitorais, ao menos de grande contribuição para a construção partidária e social das respectivas agremiações.

Não por outra razão a pré-candidatura da deputada federal Manuela D´Ávila freqüenta naturalmente o tabuleiro das eleições em Porto Alegre em 2008. Vinda de uma esplêndida votação para deputada federal – quase 5% dos votos do eleitorado gaúcho -, sendo uma jovem mulher com grande carisma, poderá ter uma performance surpreendente na eleição da capital gaúcha.

Para o PT é fundamental e absolutamente prioritário recuperar Porto Alegre na futura eleição, como parte da restauração da capacidade de disputa hegemônica na sociedade gaúcha, abalada por sucessivas derrotas eleitorais.

Por isso, o PT deveria desde logo – se é que já não o vem fazendo – a par de assegurar a unidade na escolha da sua candidatura, aprofundar as condições que permitam a manutenção da Frente Popular nas próximas eleições, garantindo a parceria com o Bloco de Esquerda e um lugar para a deputada Manuela na chapa majoritária.

Frente ao desgaste dos governos conservadores dos principais centros políticos e econômicos do Rio Grande do Sul – Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas e Canoas – é imperativo a constituição de alianças da esquerda gaúcha para avançar em direção à retomada de um projeto democrático-popular no Estado em 2010. O próximo ano é determinante para que essa exigência se torne realidade.

E no Boca não vai nada?

Até certa circunstância imperava reserva e complascência diante das dificuldades que nem seriam intransponíveis para um time acostumado a grandes epopéias.

Mas sob desfecho tão cabalístico [para não dizer vexatório], o escracho é inevitável. Diante de cinqüenta mil almas, levar uma enfiada de cinco do Boca, que foi cinco vezes campeão da Libertadores sem fazer um golzinho sequer, é demais. Lá no interior, na eventualidade de qualquer goleada, o fundamental era fazer o chamado gol de honra”, mas nem isso conseguiram! Só levaram. E muitos gols. Foram três na bombonera + dois na sede que fica ao lado do cemitério João 23 [Ai que vergonha dos argentinos só de imaginar as gozações e a charge do Quino no Página12 amanhã!].

Ao tricolor, RIQUELMEMENTE derrotado, não resta outra coisa senão voltar à rotina – ou ao próprio karma - de campeonatos sub-nacionais [aqui conhecidos como certame Gauchão] e segunda divisão de campeonatos nacionais. Enfim, tudo volta ao estado normal, de onde acidentalmente escapou por escassa temporada.


E, em definitivo, valem as máximas que dizem que “imortal é aquele que fica perto do cemitério” e “imortal, só a Dercy Gonçalves”.

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O blógue Nuestro Vino apresenta dois exemplares de imortais, veja lá.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Danny Glover, um hollywoodiano contra Bush e a grande mídia

Com Danny Glover não existem formalidades, nem poses de estrela. Está como poderia estar qualquer um de nós - com jeans e um boné, só e meio perdido a um passo do Teatro Teresa Carreño, em Caracas. E simplesmente sorri e diz ‘sim’ quando lhe peço esta entrevista.

Confira a entrevista do ator e diretor Danny Glover feita pela jornalista cubana Rosa Miriam Elizalde, em Caracas, publicada no Vermelho, o saite do PCdoB.

Ministério Público se equipara ao Supremo

O Ministério Público do Brasil se auto-concedeu um novo valor de teto salarial, que passa do atual R$ 22.211 para R$ 24.500 – valor do salário de Ministro do Supremo. Desse modo, diminui o número de procuradores e promotores públicos que ganhavam acima do teto, o que é ilegal. Eles são o máximo!

A coisa funciona assim: quando os privilégios ficam fora ou acima da lei, aumentam-se os privilégios para caberem dentro das leis criadas para protegerem os privilegiados.

E tem mais: nada de realizar a reforma do judiciário com controle social.

STF não é o mesmo: agora pune indumentária de político

O STF definitivamente mudou. Agora não atua só contra os simples mortais, mas pune também no mundo político.

Não pune parlamentares, mas a indumentária usada por alguns políticos. Num julgamento inusitadamente rápido e exemplar, o STF condenou um chapéu de boiadeiro a não fazer parte da indumentária usada por um exótico parlamentar durante as sessões na Câmara dos Deputados. O STF cassou o chapéu do boiadeiro!

Nesse ritmo, não tardará a hora da cassação de bombachas usadas por pitoresco deputado gaúcho.

Por essas e outras barbaridades – inclusive devido à corrupção que atingiu também o Poder Judiciário – fica cada vez mais difícil não admitir a idéia de que está na ordem do dia a criação de um amplo movimento cívico nacional do tipo “mãos limpas” no Brasil.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Habemus Confúncio no Planalto

E não é que Mangabeira Unger, o Ministro de Dantas, foi confirmado como Confúncio do Planalto? Isso apesar de todas as evidências que recomendariam ao Presidente Lula não nomeá-lo.

O Presidente, assim, adere mais um problema à agenda política já tumultuada. Além de passar a conviver com o constrangimento [para lá de alertado] de ter dentre sua equipe alguém vinculado ao sinistro banqueiro Daniel Dantas e que com cuja verve raivosa em tempos não muito distantes pediu o impeachment do Lula - no melhor estilo lacerdista dos tucanos e demos.

Assim, o Confúncio - que quase foi Ministro SeALOPRA - finalmente foi confirmado como Ministro SePLÉGICO [Secretaria de Planejamento Estratégico]. Ufa!
Levou abracinho do Presidente e retribuiu com os olhinhos fechados e reflexivos, como é do habitus de todo nobre filósofo e pensador.

Israel e Estados Unidos fazem da Palestina a nova Bósnia

Jeferson Miola

Israel, Estados Unidos e Europa mudaram radicalmente em relação à Palestina desde que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas da Fatah, destituiu o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, que pertence ao movimento Hamás.

A partir do último domingo 17/06 foi suspenso o boicote e levantadas as restrições econômicas criminosas impostas por Israel, Estados Unidos e Europa à Palestina, que vigiam desde que o Hamás obteve pelo voto direto e democrático do povo palestino a maioria parlamentar e o cargo de Primeiro-Ministro.

As cadeias monopolistas de notícias passaram então a difundir imagens “humanitárias” de descarregamento de remédios, alimentos e combustíveis e a volta da assistência internacional nos territórios palestinos, somente possível graças à “retomada da ajuda” de Israel, Estados Unidos e Europa à Palestina agora “livre dos radicais terroristas do Hamás”.

A conspiração armada por Israel e EU contra o povo palestino desde janeiro de 2006 não se restringiu ao boicote econômico e ao corte da assistência estabelecida pela ONU, mas compreendeu também o engendramento de ações políticas e militares deliberadas. Militantes do Fatah e segmentos palestinos aliado aos Estados Unidos foram armados e apoiados financeira e materialmente para combaterem o governo do Hamás.

Israel e Estados Unidos fortalecem facções internas na Palestina para assim promoverem a guerra civil palestina; uma verdadeira guerra tribal de destruição sangrenta de palestinos feita pelos próprios palestinos.

Essa política é genocida! E os objetivos dessa política genocida são claros. Com o aprofundamento da devastação de um país já devastado pela guerra permanente promovida contra si por Israel e com o debilitamento político e militar dos setores que se opõem à capitulação e à corrupção do Fatah, fica mais distante do horizonte a construção do Estado Palestino e o enfrentamento aos interesses intervencionistas do imperialismo estadudinense em toda a região do Oriente Médio.

O mundo não pode continuar aceitando com a mesma naturalidade de sempre os acontecimentos na Palestina, cada vez mais transformada em protetorado dos Estados Unidos. A omissão frente à tragédia palestina é tão hedionda quanto à transformação da Palestina na Bósnia do século 21.


Não haverá paz duradoura no mundo enquanto subsistir o conflito no Oriente Médio. E não haverá sossego para as consciências humanistas e libertárias em todo o mundo enquanto não cessar o genocídio promovido contra o povo palestino por Israel e Estados Unidos.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

A chanchada no Senado e o calvário do Brasil

Dias atrás, no comentário Lula e o calvário do Renan Calheiros foi enfocada a hipotética contabilidade política do Presidente Lula em relação às agruras do Presidente do Senado.

De lá para cá aconteceram fatos patéticos, como [1] o telefonema da esposa do EpitáCio [não será EpitáFio ??] Cafeteira em plena sessão da Comissão de Ética pedindo que ficasse no cargo de relator do processo de absolvição do Renan, o [2] afastamento do mesmo EpitáCio [não será EpitáFio ??] do cargo por dez dias devido a problemas de saúde e [3] o bate-boca do advogado da mãe da filha de Renan com Senadores e a claque da Comissão de Ética.

Sem esquecer da correria do Renan para ajuntar às pressas nova papelada à sua defesa - de notas fiscais frias a folhas de cheques repetidas e outras engendrações próprias de falcatruas desse gênero.

Ah, e o monumental arreglo para salvá-lo ainda está de pé, em que pese algumas defecções, tanto na base do governo quanto na oposição.

Assistimos, nesses dias, a fatos vexatórios que envergonham o país, diminuem a autoridade e credibilidade das instituições de governo e de Estado e expõem a dimensão mesquinha que adquiriu a política nacional.

Fossem outros tempos e provavelmente os que hoje são ferrenhos socorristas do Renan – PeTistas à frente – estariam clamando por ética e defendendo uma investigação lisa e séria.

Fossem tempos em que não houvesse tamanha promiscuidade com empreiteiras e com o submundo dos negócios, a grita seria generalizada pela cassação do Renan.

Fossem outros os tempos e o Brasil estivesse como hoje, carcumido pela corrupção em todos os níveis e em todos os Poderes da República e teríamos em marcha no país campanhas cívicas do tipo “Brasil de mãos limpas” com a mesma significação que foram as campanhas das Diretas Já e Fora Collor.

Mas os tempos são definitivamente outros. Esses são tempos de outra política e de outra lógica, que para entender o Brasil o melhor seja mirá-lo de cabeça para baixo, porque a política está de ponta cabeça. Ou talvez esteja no lugar que a classe dominante sempre deixou, com a diferença que agora todos fazem parte desse baile, sendo que hoje os/as personagens dançam essa valsa com uma desenvoltura de deixar enrubescidos os mais pudicos e “antiquados”.

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A propósito de chanchadas, chuvas, cavalos, epitáFios e bailes, fica apensada a coluna de Carlos Heitor Cony, publicada na FSP de hoje:

CARLOS HEITOR CONY

Como tirar um cavalo da chuva

Ingredientes: um cavalo; uma chuva.

Modo de preparar: pega-se um cavalo que esteja na chuva e, usando de persuasão ou de força, obriga-se o animal a se dirigir a um lugar seco, onde deverá ficar até que a chuva passe.

Modo de usar: são inúmeras as vantagens de tirar um cavalo da chuva, qualquer cavalo, da chuva, de qualquer chuva. Chuva e cavalo podem se misturar, mas há que tomar cuidado para não prejudicar a natureza dos ingredientes, ficando o cavalo molhado demais e a chuva, que deveria fecundar o solo fazendo nascer o trigo e as flores do campo, ficar molhando inutilmente o cavalo, que não produz flores nem trigo.

Outro mérito de tirar o cavalo da chuva, sobretudo para quem não dispõe de um cavalo, mas está sujeito a chuvas e trovoadas, é fazer o que deve ser feito, ou seja, tirar o cavalo da chuva e, se possível, tirar-se a si mesmo da chuva.

Sabe-se que quem está na chuva é para ser molhado. Recomenda-se tirar o cavalo da chuva em ocasiões especiais, como votações no Congresso, prorrogações de medidas provisórias, reescalonamento de dívidas públicas, cargos e funções.

É preferível tirar o cavalo da chuva, mantendo-o enxuto, do que enxugá-lo depois de molhado. Em caso de dúvida, para saber se o cavalo está molhado ou não, aconselha-se um relatório do senador Epitácio Cafeteira.

Mas convém não exagerar e, a pretexto de enxugar o cavalo molhado pela chuva, enxugar os orçamentos da saúde, da educação, dos transportes, da segurança.

Como servir: com o cavalo tirado da chuva, pode-se fazer muita coisa ou nada fazer. Em ocasiões mais críticas, o melhor é montá-lo e partir indignado em todas as direções. (Esta crônica é dedicada a todos os cavalos que estão na chuva).

Privilégio

Privilégio é começar a semana na tranqueira do trânsito escutando Jorge Drexler e apreciando as doces e suaves mulheres porto-alegrenses recém-amanhecidas que cruzam a vista.

sábado, 16 de junho de 2007

Olívio Dutra, 66: homem e monumento; moinho e vento

Nessa província gaúcha sentimos as alegrias e especialmente as dores, de modo diferente de como as sentem nossos irmãos das outras províncias do Brasil. Aqui costumamos sentí-las com dramaticidade, como dores lancinantes e de cortante agudeza.

Mas também aqui, em sensações dialeticamente equivalentes, encontramos entre nós maior força de cura, elaboração e superação das dores. Porque por aqui temos a honrosa oportunidade de coexistir humana e politicamente com seres diferenciados [ou simplesmente diferentes].

Daquele tipos que politizam a existência e humanizam a política; que tocam a alma porque só o que vale é purgar os pedaços de morte” dos corações. Daqueles “antiquados” que fazem política pela simples razão de acreditarem que é através dela – da Política - que se realizam os bons e melhores sonhos libertários e emancipatórios.

Nos 66 anos do Olívio Dutra, celebrados ontem à noite por centenas de amigos/as, companheiros/as e camaradas, o Flávio Koutzii – outro monstro desse gênero “antiquado” - foi escolhido para homenagear o Olívio em nome da “comunidade dos Petistas”.

Na melhor têmpera poética-revolucionária, Flávio assim falou de/ao nosso Mestre, Amigo, Irmão, Companheiro e Camarada Olívio:

Olívio,
Tu me desculpe a intimidade,
mas o cara mais parecido com o Laçador que conheço
És tu!
Os ventos passam
E tu ... firme, ali!
Nem o furacão te move.
As águas da chuva te tocam
E tu .... firme, ali!
Nem a tempestade te arrasta
Às vezes é o fogo, até amigo, que te atinge,
E tu ... firme, ali!
Nem o maior incêndio te queima.
O tempo, que é mais que tudo, passa,
E tu ... firme,sempre ali!
Nem as costas curvas,
Nem o olhar turvas.
Lembro da carta de Theo a Van Gogh, que dizia:
“Já não há moinho, mas o vento ainda sopra”
Palavras que me fazem pensar que
Tu és vento e moinho
O Laçador é monumento.
Tu Olívio,
Tu és um homem e um monumento.

Novo jeito de descortesia e incivilidade

Deu na Página10 da ZH de hoje, 16/06: “Sem a presença da governadora Yeda Crusius, o secretário da Segurança, José Francisco Mallmann, e o chefe da Casa Civil, Luiz Fernando Záchia, fizeram as honras da casa na assinatura de convênios com o Ministério da Justiça ontem. Mallmann se desculpou com o ministro Tarso Genro pela ausência de Yeda, que permaneceu em Canela depois de encontro com os governadores do Sul na quinta-feira”.

A governadora Yeda CrusiusCredo decerto estava ocupadíssima com algo importante e inadiável na residência oficial em Canela para não receber o Ministro Tarso Genro, aquele que tem assegurado os únicos investimentos feitos na área da Segurança Pública gaúcha.

A governadora, que se notabiliza em produzir doze conflitos em cada seis relações estabelecidas, também revela uma peculiar incapacidade de estabelecer relações de cortesia e civilidade política. Ou, pelo menos, de agradecimento.

Lula e o calvário do Renan Calheiros

Tá certo que a Rede Globo tem seus interesses na ruína do Renan e nos desdobramentos de sua queda, e que por isso escarafunchou o que pôde para demonstrar as gritantes contradições na defesa apresentada pelo presidente do Senado.

Mas também pudera: a própria instituição – conhecida como “Senado da República” – foi longe demais no arreglo monumental para salvar Renan. Agiu com tamanho deboche no exame dos documentos que tiraria a paciência do mais calmo e idiota dos mortais.

Lula capitaliza em vários aspectos com o calvário de Renan, independente do resultado do julgamento na Comissão de Ética do Senado na próxima semana:

i] desgastes no Congresso o fazem ainda mais rochedo do que já é;

ii] aumenta o cacife próprio no carteado com o PMDB;

iii] tira o foco do Vavá;

iv] se Renan se safar, o será por mérito do time do Planalto no Senado;

v] conhece um revolucionário modelo de produção pecuária que lhe permite atualizar os índices de produtividade para avaliação de latifúndios com fins de reforma agrária.

Quem quiser sugerir outros possíveis desdobramentos, pode enviar para birutadosul@gmail.com.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

diZerEs de camInHão: ainda sobre imortais

Vem do Iagê, que escreve no Nuestro Vino, uma variação sobre a imortalidade, escrita em postagem anterior na seção diZerEs de camInHão desse blógue:
“Imortal, só a Dercy Gonçalves

Biocombustíveis versus alimentos

O relator especial das Nações Unidas para a Alimentação, o suíço Jean Ziegler, disse que “produzir etanol a partir de alimentos condenaria à morte por fome a centenas de milhares de pessoas no mundo”.


Ziegler acusou de hipócritas Estados Unidos, União Européia y Japão por estimularem a produção de álcool para diminuir a dependência de petróleo importado. “Existe um grande perigo para o direito à alimentação devido ao desenvolvimento dos biocombustíveis” declarou Ziegler em uma coletiva de imprensa no marco do Conselho de Direitos Humanos da ONU.


Ziegler acrescentou ainda que além da perda de vidas devido à fome, a adoção dos biocombustíveis já causa o aumento significativo do preço dos alimentos no mundo, como o que já ocorre no México, onde o preço do milho subiu 16% com o crescimento da demanda para biocombustíveis. [Fonte: Prensa Latina]


BiruTaDoSul tem trazido ponderações acerca dessa questão, que longe de configurar consenso, abre polêmica longe de serem superadas. À ver o que já foi aqui escrito.

Mangabeira, o “Confúncio do Planalto”, seria “Ministro” de Dantas

Mangabeira Unger, o “Confúncio do Planalto” cuja posse como Ministro foi adiada novamente, desta vez para a próxima terça-feira 19/06, é [ou era até a noite de ontem, 14/06] funcionário do Banco Opportunity, do sinistro banqueiro Daniel Dantas.

A informação foi publicada em primeira mão por Samuel Possebon na Teletime News, e terá repercussão na Carta Capital que vai às bancas hoje.

Um trecho da reportagem de Samuel, cujo conteúdo pode ser lido na íntegra no blógue Conversa Afiada:
Mas por que Mangabeira deve ser chamado de funcionário de Dantas, e não da BrT? Porque só o grupo de Daniel Dantas pode demiti-lo ou poderá contratar alguém no seu lugar como ‘trustee’ da Brasil Telecom. Aliás, Mangabeira precisaria ter informado o Opportunity antes de se demitir”.

Diante de tais revelações, não seria crível a nomeação do “Confúncio do Planalto” como Ministro da República. Salvo, evidentemente, na eventualidade de um surto kamikaze do Presidente Lula, que contrariaria os próprios interesses e importaria, por antecipação, um novo problemaço. Nesta eventualidade, o “Confúncio” não seria Ministro da República, mas sim Ministro do Dantas.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Samuel Pinheiro Guimarães nos leva à Era dos Gigantes

O embaixador de carreira Samuel Pinheiro Guimarães, que ocupa a função de Secretário-Geral do Itamaraty – equivalente ao cargo de Vice-Ministro de Relações Exteriores -, conquistou o prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano de 2006.

O prêmio refere-se à obra “Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes”, que Samuel Pinheiro Guimarães lançou no ano passado pela Contraponto Editora. “Desafios Brasileiros” é exuberante em informações, no didatismo e na fundamentação histórico-social. Deveria receber referência de uso obrigatório no ensino médio brasileiro.

Tendo tido o privilégio de ler as partes do livro à medida em que o autor generosamente me brindava com o envio dos capítulos concluídos, confesso ter sido tomado, já à primeira vista, por verdadeiro fascínio. No intervalo entre um capítulo e outro, a ânsia em receber o capítulo subseqüente para submergir fundo nessa experiência de ser brasileiro.

É, sem dúvidas, uma obra clássica e marcante, indispensável à formação de consciência e valores contra-hegemônicos que possam iluminar a construção da nossa identidade enquanto povo e nação.

Samuel Pinheiro Guimarães acumula uma notável produção literária, mas é com o quilate de “Desafios Brasileiros” que ele passa a freqüentar a galeria dos principais pensadores clássicos do Brasil.

Samuel, além disso, comprova sua excelência autoral para além do terreno literário. Ele é um dos principais artífices da política externa brasileira, uma obra que vem fornecendo ao Brasil do século 21 as pistas e os caminhos para a superação das disparidades regionais e sociais.

Essa condição, de “capitão e artífice”, dá somente a Samuel a indiscutível autoridade e contemporaneidade para escrever os urgentes “Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes”.

diZerEs de camInHão

Para a seção diZerEs de camInHão” do BiruTaDoSuL, diretamente do apara-barro dum caminhão que circulava pela ruas e avenidas do bairro Azenha de Porto Alegre, vem o seguinte dito popular:

Imortal é aquele que fica perto de cemitério