segunda-feira, 13 de agosto de 2007

As muitas facetas macabras do golpismo

O golpismo macabro não se contenta com o absoluto descrédito em que caiu o malfadado movimento “Cansei!”. Além de comparações sarcásticas como a feita pelo nada lulista Cláudio Lembo, que disse se tratar de um “movimento de dondocas enfadadas da vida enfadonha que levam”, o “Cansei!” também tem sido denunciado como iniciativa golpista da direita e da mídia inconformadas com o fato de Lula ser presidente do Brasil.

Por isso os golpistas contorcem-se para inventarem novas e novas formas de conquistar a simpatia popular. Mas tem sido difícil.

Neste último final de semana, por exemplo, foi lançado em Porto Alegre, no tradicional Brique do Parque da Redenção, o “Movimento Luto Brasil”, a versão gaúcha do “Cansei!” da elite paulista. Tal movimento surge com a indelével torpeza da direita: apócrifo, sem identificação de autoria, mas escorado no envolvimento genérico de familiares das vítimas ou de pessoas condoídas com a tragédia.

Também sob o pretexto da tragédia do avião da TAM e da suposta solidariedade com os familiares das vítimas, o punhado de manifestantes alardeava a defesa da mesma pauta lacerdista do “Cansei!”.

O manifesto distribuído pelos “enlutados” começa com o seguinte absurdo: “Bombas explodem pelo mundo, aviões explodem no Brasil. A insegurança é crescente entre nós. Os cidadãos têm medo de sair de casa, pois a morte espreita a todos. Em vez de podermos trabalhar, passear e amar tranquilamente, estamos sempre a espreita de que algo ruim possa acontecer. Pais não dormem enquanto seus filhos não chegam. Será que tudo isto é normal? Será que a normalidade do medo tornou-se algo natural?

Só esqueceram de culpabilizar o Lula pela crise das bolsas de valores no mundo e pela queda da ponte ocorrida nos Estados Unidos alguns dias atrás.

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Ainda que seja uma iniciativa de credibilidade zero e de autoria desconhecida, o jornal Zero Hora não perdeu a ocasião de repercutir a manifestação na edição de hoje, 13/08/2007.

E o fez com um “jornalismo” de técnica e ética duvidosas. Na página 28 do jornal, no corpo do obituário comentado e biografado que faz a cada leva de vítimas identificadas e enterradas, Zero Hora menciona o lançamento do “Movimento Luto Brasil”.

E ilustra a página com a maior fotografia de todo o obituário comentado. Uma fotografia, ao que se percebe, tirada de aparelho celular e não de câmera fotográfica profissional ou mesmo amadora de boa qualidade, como se recomendaria à cobertura fática dos acontecimentos. Tudo para garantir a divulgação do faccioso e inexistente.

É impressionante como a direita e sua mídia golpista conseguem fabricar clima de terror e pânico na sociedade para desestabilizar e derrubar governos. Nem Zé do Caixão faria tanto.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

A injustiça vale milhão de vezes a mais

Ubirajara Macalão, ex-integrante do PTB que como Diretor de Serviços Administrativos da Assembléia Legislativa gaúcha foi responsável pelo desfalque de R$ 3,3 milhões só com o desvio de selos, continua solto. Isso apesar de:
- terem contra si provas documentais e materiais do roubo praticado contra o erário;
- não gozar do instituto da delação premiada e de não colaborar com as investigações;
- continuar escondendo a destinação dada à dinheirama roubada;
- continuar escondendo os demais envolvidos dentro e fora do Parlamento;

- ter sido flagrado com quase 200 mil reais em selos enterrados ao lado da piscina da casa de praia.

A sorte de Macalão é não ter nascido mulher, negra, pobre e batizada Angélica Aparecida de Souza Teodoro [ler mais]. Vale lembrar: Angélica ficou encarcerada numa cela fétida do Cadeião Pinheiros, na capital paulista devido à tentativa de furto de um pote de margarina de valor de R$ 3,20. Pelo tenebroso crime, cometido num momento de desespero, pois, "não agüentava ver o filho de dois anos passar fome", ela ficou no xilindró por quatro meses, teve um hábeas corpus negado e só conquistou a liberdade com o segundo hábeas corpus impetrado no STF!

O azar de Angélica é não ter nascido macho, branca, filiada ao PTB, não ter emprego na Assembléia e não ter roubado R$ 3,3 milhões para locupletar a si mesmo e a integrantes de quadrilha, ao invés de se preocupar com a fome do filho.

A cruel matemática da divisão de classes sociais é exata: a tentativa de furto de uma margarina de R$ 3,20 para aplacar a fome do filho faminto valeu a condenação de quatro anos de xilindró para Angélica, enquanto o roubo de R$ 3.300.000,00 de dinheiro público garante a Macalão o mais amplo direito de defesa. Em liberdade. Essa situação cria uma nojenta sensação de que a Injustiça vale 1 milhão de vezes mais que a Justiça.

Mau presságio

Antonio Britto, necrológio que coleciona mortes e destruições na biografia, assumirá a presidência do Conselho de Administração do grupo Amazonas de Franca/SP, que produz componentes para calçados.

Por onde passou, Britto não deixou pedra sobre pedra.

Seria porta-voz de Tancredo após a eleição da raposa mineira no colégio eleitoral em 1985. Em lugar disso, noticiou a morte do homem.

Foi ministro da Previdência de Itamar. Milhares de velhinhos já morreram sem conhecer a cor do que ele prometeu mas nunca entregou.

Foi governador do Rio Grande e devastou a economia gaúcha, as estruturas estatais, as finanças públicas, o funcionalismo e as políticas sociais. Por algumas gerações os gaúchos pagarão o preço dos seus desatinos.

Foi presidente do Conselho de Administração da Azaléia, e a empresa fechou fábricas e destruiu mais de 6 mil empregos no rio Grande.

Tentou ser presidente da Copesul pelo consórcio Petrobrás/Brasken que adquiriu o Grupo Ipiranga. Não levou porque o governo federal vetou o nome dele.

Tentou ser pre$idente indicado do Grêmio, mas a chiadeira entre os gremistas foi tamanha que o presidente do Grêmio e patrono da idéia, o deputado Paulo Odone teve de desistir da indicação.

Mau presságio para o grupo Amazonas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A notícia órfã

Luis Nassif

Ontem o Ali Kamel publicou uma coluna na página de Opinião do "Globo", "A grande imprensa".
Sobre a cobertura do acidente da TAM, Kamel se defende: "A grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim".
"Testando hipóteses" é outro nome para falta de discernimento. Em qualquer cobertura competente, enquanto o quadro não está claro montam-se cenários de investigação, análise de probabilidade, linhas de investigação. Evitam-se afirmações peremptórias, e apela-se para a criatividade para produzir manchetes de impacto sem recorrer conclusões taxativas.
De cara, se poderiam alinhavar várias possibilidades para o acidente da TAM, que seriam o ponto de partida. Toda a cobertura seguiria esse roteiro, procurando checar a probabilidade de ocorrência de cada possibilidade ou delas combinadas. A partir daí, o Sr Fato se incumbiria de descartar algumas hipóteses e reforçar outras.
O "testando hipóteses" do Kamel consistia em bancar aposta total na Hipótese A. Dias depois, esquecer a Hipótese A e bancar toda a aposta na Hipótese B. Depois, na Hipótese C, até acertar Mas não houve acerto. A resposta final – a degravação dos diálogos na cabine – eliminou todas as hipóteses anteriores.
E aí se entra no modelo de gestão da notícia adotado pelas Organizações Globo. De alguns anos para cá resolveu-se homogeneizar o entendimentos dos jornalistas em relação aos temas de cobertura. Esse papel doutrinário coube a Kamel.
Não sei qual é a experiência de Kamel no front da reportagem. Mas foram dois os resultados. Primeiro, acabou-se com a diversidade de enfoques, marca de jornalismo plural. Segundo, perdeu-se o sentimento da rua, o sentido da reportagem. Os repórteres passaram a subordinar a cobertura aos desígnios do "aquário". Houve um divórcio dos pais – o "pai" "aquário" e a mãe reportagem – e o resultado deixou a notícia órfã.
Nem vale a pena comentar as acusações generalizantes e conspiratórias de Kamel, na seqüencia do artigo, contra os críticos da cobertura. Ele não está escrevendo para os leitores. Apenas se justificando para os donos da empresa.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Reforma política ou cosmética?

Frei Betto

Salvo honrosas exceções, eleger-se a uma função pública virou, neste país, meio de vida. Adquire-se status, posa-se de autoridade, reveste-se de imunidade, amplia-se o patrimônio pessoal, cerca-se de bajuladores...

Há quem procure escapar das malhas da Justiça elegendo-se deputado ou senador, que injustamente tem direito a foro privilegiado quando sob acusação. E não se conhece um único caso de condenação pelo Supremo Tribunal Federal.
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Macalão saiu barato

Fosse alguma pessoa com parentesco de décimo-oitavo grau com um petista que tivesse patrocinado as falcatruas que Ubirajara Macalão praticou na Assembléia Legislativa e a cobertura da mídia seria implacável contra o PT. Exauriria o PT numa hemorragia contínua.
Mas, como o ânimus moralizante da mídia anti-petista é seletivo, deu-se que Macalão saiu muito barato para o PTB. Custou quase nada. Ficou a preço de banana.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

A rebelião dos pobres: Lula e as pesquisas

Jeferson Miola

As pesquisas de opinião têm reiterado resultados muito positivos de avaliação do governo Lula mesmo após a exploração macabra de acontecimentos. Fosse o caso de governo sem autoridade política e carente de identificação no imaginário popular e estaria seriamente abalado com os ataques desencadeados.

Por mais que a mídia golpista e a oposição de direita se esforcem em manipular a interpretação dos resultados da pesquisa Datafolha do último 02/08, o fato é que nem a monumental orquestração golpista feita a partir da tragédia com o avião da TAM conseguiu abalar a popularidade do presidente Lula.

Com 48% de avaliação ótima/boa, 36% regular [portanto 84% favorável] e apenas 15% de ruim/péssima, Lula supera até mesmo a avaliação que tinha no início do primeiro mandato, quando as expectativas em torno do seu governo eram as melhores que qualquer presidente do país já tivera. Vale recordar que em abril de 2003, o mesmo Datafolha detectou 43% de ótimo/bom, 40% de regular e apenas 10% de ruim/péssimo.

Até mesmo no extrato de entrevistados que viajam de avião e que correspondem a 8% da amostra do Datafolha, o resultado pró-Lula é insofismável, apesar dos sofismas da mídia em sentido contrário: as opiniões positivas perfazem 67% [29% ótima/boa e 38% regular] contra 30% que consideram-no ruim/péssimo. Deve-se sublinhar que esses resultados parciais foram detectados junto a um segmento direta e persistentemente massacrado com uma cobertura manipulada e editorializada do acidente e que só visou culpabilizar o governo.

Apesar desses resultados, a mídia golpista insiste na tese do desgaste do governo. É aceitável ter havido algum dano na imagem do governo e do presidente Lula, porém não a ponto de apresentar fissuras na identidade e na relação de confiança mantidas com a ampla maioria da população que o apóia. A pesquisa tampouco demonstra haver quaisquer sinais de deslocamento de bases sociais de apoio do governo e do presidente Lula em benefício do bloco oposicionista de direita.

Visto por um ângulo menos factual dos acontecimentos, arriscaria dizer que o comportamento da maioria pobre e sem-mídia do Brasil produziu o "Lulismo", um fenômeno acima e à parte do próprio PT e dos demais partidos e que se orienta pela identificação direta e pessoal da figura do Lula com as amplas camadas sociais que emergiram à vida civil devido às políticas públicas postas em marcha no seu governo.

São as políticas públicas de inclusão social e de afirmação de direitos que politizam parcelas imensas da sociedade brasileira principalmente no nordeste e norte brasileiros a partir das ações de cidadania como o Bolsa-Família e outros. A retribuição popular a Lula se concretiza através do apoio entusiasmado e relativamente incondicional, insuscetível a manobras difamatórias e golpistas. A classe dominante sabe que já não manda na opinião da sua empregada doméstica, e isso a irrita profundamente. Os pobres do Brasil felizmente estão deixando de ser escravos de consciência dos seus exploradores.

O “Lulismo” está para o Brasil do século 21 como o “getulismo” esteve no século passado. Ou como o “peronismo” argentino. São fenômenos de liderança e de carisma que atravessam os tempos em que se desenrolam. São fenômenos que costumam durar muito mais que a própria época de existência de seus personagens, que acabam eternizados como mitos.

Só por isso podem-se entender as motivações odiosas e preconceituosas da direita brasileira e da sua mídia golpista. Aproveitam inclusive a dor oriunda da tragédia do acidente aéreo para atingir o presidente Lula, assim como aproveitarão qualquer questão vil para tentarem atingi-lo mortalmente. Não se conformam com a derrota eleitoral e reviram-se em tentativas de manter o país num clima permanente de terceiro, quarto, quinto turno eleitoral.

Lula confia na capacidade de estancar o golpismo da direita com o “Lulismo”. Só é uma pena Lula não governar com setores partidários historicamente identificados com a origem do “Lulismo”, deixando de integrar ao seu governo aqueles que, na primeira ocasião de conflito essencial de interesses, o abandonarão.

Como diz o ditado, “não devemos pedir água a quem quer beber nosso sangue”. A indistinção político-partidária, inclusive, é causa essencial da degeneração sofrida pelo PT e das limitações programáticas que impedem o governo de avançar mais do que conseguiu até agora.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Pergunta às professoras Yeda e Mariza

A governadora Yeda faz exatamente aquilo que se sabia que faria: o oposto ao prometido na campanha eleitoral. Jurava que não aumentaria impostos e antes mesmo da posse enviou o projeto de tarifaço para a Assembléia Legislativa. Desmentia neuroticamente o vice-governador Paulo Feijó quando ele declarava abertamente que privatizariam o Banrisul e agora, com a venda das ações na Bolsa de Valores, inicia a privatização do Banco Estadual.

Yeda também prometia a redenção nas áreas sociais com o atingimento do nirvana na educação, e agora faz exatamente o oposto aglomerando a gurizada em classes escolares que poderão ter até inaceitáveis cinquenta alunos. A isso a governadora Yeda, uma frasista de péssimo gosto, chama de "enturmação".

É de se perguntar à professora Yeda e à sua secretária de Educação, a também professora Mariza Abreu, se aceitariam aglomerar – ou na linguagem delas "enturmar" – seus filhos em lugares que se assemelham mais a depósitos humanos do que a escola.

Espetáculo de insensatez

Com a espetacularização do acidente do avião da TAM, a Câmara dos Deputados dá demonstrações lastimáveis de insensatez, de falta de ética e de absoluta falta de respeito com as vítimas, com os pilotos e com os familiares.

Não há explicação no mundo que justifique o que faz o que deveria ser um Parlamento. Com o devido perdão aos habitantes adremnenses, é de se supor que nem na nação adreM se cometeria tamanho desatino.

Liberdade de Macalão

As investigações da fraude dos selos na Assembléia Legislativa são claras a respeito do envolvimento do ex-Diretor de Serviços Administrativos Ubirajara Macalão nessas e em outras falcatruas que estão sendo investigadas.

É estranho que Macalão continue em liberdade, se não é beneficiado pelo instituto da delação premiada, dificulta as investigações, oculta demais integrantes da sua quadrilha e pode se esconder, assim como fez com os milhares de selos enterrados na beira da sua piscina da casa de praia.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Nunca nos cansamos

Jeferson Miola
A direita brasileira, lacerdista de cepa bem conhecida, continua golpista como ontem, como hoje e como sempre será. Considera seus privilégios algo sagrado, eterno e intocável. Por isso, rechaça como anti-natural a mínima ameaça a privilégios sacralizados.

Porém, essa direita revela não possuir criatividade alguma, embora vez que outra mude seus nomes de UDN para PSDB, de Integralismo para PFL para finalmente se chamar Demoscrata. Agora a direita golpista reedita uma campanha nos moldes da TFP – Tradição, Família e Propriedade, e a isso chama “movimento cívico pelo direito dos brasileiros”, resumida no eslogão “Cansei”.

A pretexto do acidente da TAM – que os promotores do “Cansei”, especialistas em aviação como são, consideram um assassinato promovido pelo governo Lula – lançam a campanha em sinal de fim de paciência e de tolerância com o que consideram o estado de “desordem, caos e corrupção” em que se encontra o Brasil.

Falam, obviamente, a respeito do Brasil deles, que não haverão de recuperar para tornar a destruir. Um Brasil patrimonializado privadamente e sorvido suculentamente por eles e seus ancestrais dominantes dessas plagas desde um tempinho imediatamente depois da descoberta, lá pelos 1500 dc.

A campanha “Cansei” carece inclusive de significado etimológico. Não é “cívica”, porque promovida por aqueles que sempre fizeram o jogo dos que nos colonizaram. Com os portugueses pilharam o país herdando riquezas e fazendo fortunas. Até a pouco tempo, quando governavam o país, foram fiéis serviçais dos interesses dos Estados Unidos, contrariando os interesses do Brasil e as necessidades do povo brasileiro.

Este movimento também não defende os “direitos dos brasileiros”, como alega. Ao contrário, tem uma composição social cujos interesses sempre são sobrepostos aos interesses e necessidades universais do conjunto dos brasileiros e brasileiras. Durante séculos sequestram direitos essenciais de vida digna e retiram quaisquer oportunidades de presente e de futuro para todos aqueles que não pertencem à sua classe. Aliás, eles pouco se importam pelos “direitos dos brasileiros”; menos ainda quando os brasileiros não optam eleitoralmente por eles.

Quando governavam o país, acobertavam toda espécie de maracutaia, impediam o trabalho independente e sério da Polícia Federal e protegiam os corruptos e os bacanas que assaltavam os cofres públicos.

Eles não se insurgiram, por exemplo, contra a inJustiça brasileira que condenou a jovem negra e favelada Angélica Aparecida de Souza a quatro anos de prisão por ter furtado um pote de margarina de R$ 3,20 para alimentar o filho faminto.

Não se tem notícias de indignação veemente de alguém deles dizendo que “cansou” com o comportamento dos seus filhos riquinhos que mataram incinerado o índio Galdino dos Santos em Brasília.

O que eles fizeram no mês retrasado quando seus filhinhos - construídos na subjetividade de que como ricos são sem-limites de poder e tudo podem - espancaram a digna empregada doméstica Sirlei Dias Pinto pela simples razão de presumirem que ela era uma puta e que por isso deveria ser banida da paisagem deles?

O negócio dessa gente que promove a campanha “Cansei” é outro. Eles não querem saber de nada “cívico” e menos ainda de “direitos dos brasileiros”, de justiça social e de democracia.

O negócio deles é negócio mesmo. Do tipo graúdo, de quem não se conforma em ter sido derrotado eleitoralmente e de ter perdido a possibilidade de continuar manietando o Estado e o orçamento trilardário para continuarem acumulando privativamente e em benefício próprio.

É por isso essa maquinação toda. Arquitetada pelos ricaços, pela Fiergs, por publicitários direitistas, mega-empresários, OAB/SP e o reacionarismo tucano-pefelento.

Eles são, na realidade, a antítese radical ao que dizem ser. Com cinismo declamam um estranho gosto pelo civismo, pelos direitos dos brasileiros, pela justiça e pela solidariedade. A começar pelo eslogão “Cansei”, egoísticamente na primeira pessoa do singular, que se contrapõe a toda a imensa maioria que nunca nos cansamos de lutar contra a opressão e injustiça existentes, até conseguirmos eliminá-las por completo.

Eles frequentam a DasLu, sonegam impostos, promovem festerês nababescos, se locupletam com os privilégios de uma acumulação privada indecente e se cercam nos seus condomínios luxuosos com medo do sábio povo que não faz quórum à sua campanha golpista.

São a exata contraposição simbólica à grande maioria humilde e digna do Brasil que frequentamos as DasPu, que nos inquietamos com a fome de quem está ao nosso lado e repartimos o pão e que acreditamos que apesar das limitações e contradições do governo que elegemos, ele é incomparavelmente melhor e faz muitíssimo mais que eles fizeram no país em todos os quinhentos anos que governaram.

Nunca nos cansaremos de lutar contra toda demagogia, toda vilania e toda a movimentação golpista que busca combater este governo eleito democraticamente, como eles já fizeram em 1964. Serão as centenas de milhões de incansáveis que garantirão a realização das mudanças ansiadas pelo povo brasileiro, e não aqueles que, mesmo provindos do serpentário da direita, hoje estão assentados na Esplanada de Brasília.

Inverno no Alto Uruguai gaúcho

terça-feira, 24 de julho de 2007

Coisas de energúmeno

A ida dos deputados Marco Maia e Efraim Filho da CPI da crise aérea aos Estados Unidos para acompanharem [sic sic sic] a apuração dos dados das caixas-pretas do avião da TAM, é no mínimo patética. Assim como também é a autorização de viagem concedida pela Câmara dos Deputados.

Os nobres deputados, fiéis exemplares de “excelências de Brasília”, não poderiam se furtar a falar tantas aberrações sobre as causas da tragédia. Com a proeza de apresentarem resultados antecipados em relação ao trabalho que foram acompanhar e sobre o qual só terão acesso depois de 24 horas de terem declarado as bobagens que declararam.

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O deputado Efraim Filho é filho do Senador Efraim Morais, aquele que presidiu a CPI golpista do fim do mundo. Os dois são DEMOS-cratas.

domingo, 22 de julho de 2007

Surreal

A condecoração da Aeronáutica à diretoria da ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil feita na sexta-feira passada é tão surreal quanto a atuação da mídia golpista e da direita brasileira em torno da tragédia com o avião da TAM.

Necrocombustíveis

Por Frei Betto

O prefixo grego bio significa vida; necro, morte. O combustível extraído de plantas traz vida? No meu tempo de escola primária, a história do Brasil se dividia em ciclos: pau-brasil, ouro, cana, café etc. A classificação não é de todo insensata. Agora estamos em pleno ciclo dos agrocombustíveis, incorretamente chamados de biocombustíveis.

Este novo ciclo provoca o aumento dos preços dos alimentos, já denunciado por Fidel Castro. Estudo da OCDE e da FAO, divulgado a 4 de julho, indica que “os biocombustíveis terão forte impacto na agricultura entre 2007 e 2016.” Os preços agrícolas ficarão acima da média dos últimos dez anos. Os grãos deverão custar de 20 a 50% mais. No Brasil, a população pagou três vezes mais pelos alimentos no primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2006.
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sábado, 21 de julho de 2007

Cumplicidade

Por Luis Fernando Veríssimo
Se esses dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros. Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.

Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta.
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quinta-feira, 19 de julho de 2007

Filmes em Cartaz

Thales sugere algumas opções de filmes para as férias da gurizada. Confira: Transformers, Ratatouillle e Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Harry, depois de suas férias, retorna à Escola de Magia de Hogrwords, onde luta contra o Lorde das Trevas Voldemort. Será que Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger conseguirão detê-lo? Assista ao filme e descubra... [escrito por Thales]

Sanha condenatória

A despeito da habitual parcimônia em casos de acidentes aéreos [no Brasil e em qualquer parte do mundo], e a despeito de sinais preliminares de que poderá ter havido falha humana e/ou de equipamento no trágico vôo 3054 da TAM, mesmo assim a imprensa golpista e a direita brasileira se esbaldaram em condenar o governo pela tragédia.

Agiram acusando diretamente na cobertura dos jornais, rádios e tevês, nos saites e blógues, com matérias mentirosas, parciais, ilusoriamente “científicas” e “especializadas” e com charges macabras e coisas do gênero.

Também agiram [e agem] subliminarmente. O melhor exemplar desse ramo da turma é o governador José Serra, que diferentemente da atuação no acidente da cratera da Linha 4 do Metrô de São Paulo, quando literalmente sumiu do mapa, agora atua com desenvoltura e busca colher todos os dividendos políticos com a tragédia. Serra atuou como comentarista, especialista, porta-voz, investigador, interventor, socorrista e, principalmente: fonte para a imprensa golpista.

É claro que a inação do governo em quase um ano de desarranjo do sistema aéreo brasileiro colabora para a fácil associação que a direita tenta fazer com o acidente. A presença do deputado Júlio Redecker do PSDB/RS dentre as vítimas, colaborará para a maior politização do assunto.

É de se perguntar se não será esta tragédia, explorada criminosamente pela mídia golpista e direita brasileira, o primeiro fator a contribuir com a erosão da imagem do Lula e do seu governo, que resistiu a muitos escândalos e adversidades. É uma reflexão que fica pr’outra ocasião.

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Algumas pérolas publicadas:

- Emergência, o refúgio dos covardes, blógue do Marcelo Tas, a respeito do gabinete de crise do governo federal.

- Tragédia anunciada, a forma pasteurizada mais comum, aplicada em vários veículos

- Quando vai ser o próximo, Eliane Cantanhêde, FSP

- Uma dúvida para a Infraero esclarecer: a obra da pista já foi integralmente paga?, Fernando Rodrigues, FSP [pergunta-se: qual a pertinência da questão??]

- Brasil produz uma nova causa mortis: incompetência, Josias de Souza

- Governo é culpado por acidente, acusa Jungmann, no Terra Magazine

- O governo é culpado até prova em contrário, deputado, neofilósofo e neojurista Raul Jungmann

- 'Faltou boa vontade' com pista, diz especialista, James Rojas Waterhouse, professor do Departamento de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo no Terra Magazine.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Quê diria Ratzinger?

A Igreja Católica em Los Angeles fez acordo com mais de 500 vítimas de abusos sexuais cometidos por padres daquela arquidiocese ao longo de pelo menos sete décadas. Dentre os indenizados têm até sessentões, que foram abusados lá pelos 1940.

Pelo acordo a Igreja Católica – a única verdadeiramente cristã, segundo o neomedieval Joseph Ratzinger – pagará uma indenização de mais de 1,2 bilhões de reais além dos 3 bilhões de reais já pagos recentemente na mesma rubrica.

O fato atiça uma curiosidade. É a seguinte: será que o neomedieval Ratzinger aceitaria o aborto caso uma jovem adolescente tivesse sido engravidada por um padre pedófilo? Ou, do contrário, aceitaria ele próprio batizar a criança na única verdadeiramente igreja de Cristo?

Lula e a sucessão

Jeferson Miola
As vaias compradas pelo reacionarismo carioca a preços substanciais – chegavam a valer R$ 200 para entrar no Maracanã – não atingem a popularidade de Lula que, segundo reiteradas pesquisas, segue forte como rochedo. Vaias compradas sequer medem popularidade, até porque no Rio Lula sempre ganhou do reacionarismo por goleada: nunca fez menos de 60% dos votos contra cerca de 30-40% dos tucanos e pefelentos [agora “os Demos”].

O que demonstra que o maior erro do estafe de Lula tenha sido o de desprezar este fato e induzi-lo a não fazer o pronunciamento de abertura oficial do Pan. Um erro que amplificou e superdimensionou o valor das vaias – compradas.

Bem, mas independente disso, as movimentações com vistas à sucessão do Lula prosseguem, tendo o próprio na testa da mesa de jogo. O projeto do Lula consiste no seguinte: fazer seu sucessor em 2010 – não necessariamente alguém do PT – que governaria por cinco anos sem direito à reeleição, o que viria como parte de um pacote político a ser aprovado no Congresso. E então Lula retornaria em 2015 para novo mandato até 2020. Se concluir o atual mandato nas condições de popularidade e identidade popular que ostenta hoje, se elegeria independentemente do desempenho do seu sucessor e teria um retorno épico ao estilo Getúlio Vargas e Juan Perón.

Ciro Gomes, que se mantém prudentemente reservado do ti-ti-ti político, sai da toca para os primeiros ensaios sobre a sucessão de Lula. Com consciência sobre o principal da disputa no Brasil, que é o aprofundamento da derrota do bloco reacionário tucano-pefelento [agora “os Demos”] e a interdição do projeto deles de retorno à Presidência da República, Ciro considera necessário “cimentar um projeto para o dia seguinte da saída do governo Lula”. Dizendo que “não aceita ser vetado” como eventual candidato presidencial da coalizão que sustenta o governo Lula, Ciro recomenda aos partidos da base de apoio “juízo político” nas escolhas que serão feitas. [Ler entrevista de Ciro ao Estadão]

Endossando as declarações de Ciro Gomes, o Ministro Luiz Dulci reconhece a naturalidade da postulação do Ciro e recusa a hipótese de veto: “Certamente não haverá veto, pelo contrário. Não é hora ainda de a coalizão escolher seu candidato. No momento oportuno, o nome de Ciro Gomes será considerado, com muito respeito e atenção, pela importância da liderança dele”. No melhor figurino mineiro, Dulci não perde a ocasião e elogia Ciro, dizendo que ele “é uma pessoa muito querida em todos os partidos da coalizão, inclusive dentro do PT”.

O certo é que Lula desde a vitória eleitoral do ano passado vem arquitetando a continuidade do projeto que inaugurou em 2003, situado acima e à parte do PT e da esquerda brasileira e que tem como centro de gravidade a imposição de uma derrota estratégica ao reacionarismo tucano-pefelento [agora “os Demos”].

Isso não é pouco, mas também não devia ser tudo. E tampouco é a única forma de se chegar aos mesmos fins. Mas em nome disso a esquerda – principalmente o PT - vem pagando um preço elevadíssimo, que poderá lhe custar uma derrota histórica e geracional – o que é outro papo proutra conversa.

Erosão do Império

É provavelmente no interior dos Estados Unidos que ressonam as vozes mais críticas à dominação imperial exercida pelo próprio país no mundo contemporâneo. Bem ilustram o fenômeno pessoas como Noam Chomsky, Danny Glover e Michel Moore.

O jornalista e escritor Cullen Murphy se integra a este time de celebridades com o livro “Are we Rome?” [Nós já somos Roma?], em que traça um paralelo entre os Impérios Romano e Estadunidense nas semelhanças e diferenças.

O autor destaca que certas características dos Estados Unidos - como a militarização excessiva, a expansão do domínio no mundo, a privatização de funções públicas, a “mentalidade que vê os EUA como o centro do sistema solar” e a arrogância – sinalizam o começo do fim da força imperial do país. Algo que não acontecerá, obviamente, depois de amanhã, mas que certamente acontecerá em tempos menores do que se imaginaria.

A Folha de São Paulo publicou entrevista com Cullen Murphy, na qual o autor expõe o conjunto de associações históricas e políticas que comprovam que os Estados Unidos se tornarão a Roma do século 21. Que seja em breve!

sábado, 14 de julho de 2007

Senado precisa de extremunção e não de umbanda

Unicameralismo Já! Fim do Senado Federal! [ler o que já foi escrito ...]

A cada dia emana do Senado Federal uma razão substancial para justificar o fim daquela instituição embolorada, carcomida e anacrônica.

Não bastassem as sucessivas chanchadas e episódios lamentáveis que ridicularizam cada vez mais aquela “Casa”, vem o Senador Romeu Tuma e produz essa notável asneira:

- “Com todo o respeito que tenho ao espiritismo, se trouxermos dez chefes de terreiro, sendo três da Bahia, ainda assim não se faz o descarrego desta Casa hoje, pelo peso da espiritualidade negativa que está tomando conta da Casa”.

Tuma, que é Corregedor do Senado, poderia ao menos poupar tamanha ofensa à umbanda e às religiões afro-descendentes. Mais apropriado seria se tivesse apelado ao neomedieval Joseph Ratzinger. O caso lá é de extremunção, não de encosto.

A cada dia abundam razões para a retomada da reforma política – por que não a convocação de Assembléia Constituinte? – para consumar a extinção do Senado e a instituição de sistema unicameral no Brasil.

Não faltará lugar no reino de Ratzinger para os santos que habitam a “Câmara Alta”.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Sexta 13

Sexta 13


Sexta 13

Dia enluarado

Noite ensolarada

Cidade esbranquiçada

Por gelo fino

Derretido com o calor

Da Bruxa que vaga nas nuvens

Com feitiço e frescor

Que ninguém d´Ela subtrai

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Autocrítica de Cuba

Por Fidel Castro
O trabalho físico não gera por si próprio uma consciência. Cada trabalhador é diferente. O seu temperamento, o seu organismo, os seus nervos, o tipo de trabalho que realiza, o rigor dele, as condições em que utiliza a sua força — sob o sol ardente ou em área climatizada— se for pago por serviço ou remunerado por um salário, se tem hábitos de disciplina ou não, se está em todas as suas capacidades mentais ou sofre dalguma deficiência, escolas onde estudou, professores que teve, se for profissional ou não a actividade a realizar, se o trabalhador é de origem camponesa ou urbana. Uma coisa muito importante: se maneja ou distribui bens ou serviços de qualquer tipo, quem são os seus chefes, qual a imagem que projectam, de que maneira falam, como olham. Poderia preencher páginas a falar das diferenças individuais de cada trabalhador. Portanto, o que mais precisa o cidadão do nosso país são os conhecimentos, se desejamos criar uma consciência.
Ler o artigo de Fidel ...

Estados Unidos financiam mídia conspirativa na Venezuela

Recentemente foram abertos os arquivos secretos da CIA – chamados de “Jóias da Família - relativos às ações ilegais e criminosas da agência de inteligência nos anos 1950 a 1970. Tais arquivos confirmam suspeitas agora comprovadas, como as tentativas de assassinato de Fidel, o apoio ao golpe militar no Brasil e outros países do continente e conspirações contra os alegados “inimigos” da democracia estadunidense.

Agora o governo dos Estados Unidos é acusado de financiar a mídia golpista na Venezuela patrocinando o influente jornalista William Echeverría da emissora Globovisión, além de financiar através do Departamento de Estado a criação de televisão “municipal” em cidade administrada pela oposição ao presidente Chávez. Para ver o vídeo com a acusação de que Echeverria recebeu dinheiro dos Estados Unidos.

Quando os arquivos atualizados das Jóias da Família forem publicados dentro de trinta anos, o mundo se perguntará como foi possível tal dominação imperial capitaneada por um fascínora como Bush em pleno século 21.

A tirania mundial

Por Fidel Castro
Aqueles que constituíram a nação norte-americana jamais imaginaram que aquilo que estavam proclamando nessa altura levava consigo, mesmo como qualquer outra sociedade histórica, os gérmenes de sua própria transformação.
Na atrativa Declaração de Independência de 1776, que na quarta-feira passada fez 231 anos, afirmava-se algo que de uma maneira ou outra cativou a muitos de nós.

Ler a análise de Fidel Castro na íntegra ...

Que feio: Lula e Chávez brigam e não se falam


Deu no Blog do Bob Fernandes que Lula e Chávez vêm colecionando conflitos e desentendimentos, com o comprometimento dos negócios entre Brasil e Venezuela.
Para ler no Blog do Bob Fernandes ...

Partido de Bush também quer fim da barbárie que exultou

No último final de semana o tradicional New York Times defendeu, em editorial, a imediata saída das tropas de soldados dos Estados Unidos do Iraque, conforme comentado em “NY Times hoje condena barbárie que exultou em 2003”.

Agora foram os senadores do Partido do Republicano de Bush que exigiram o mesmo. Eles, grandes entusiastas da guerra em 2003, agora não aceitam a proposta de Bush de aguardar até setembro para a discussão de um cronograma de retirada militar.

Existem senadores do Partido Republicano dispostos a apoiarem o projeto de lei do Partido Democrata que prevê o início da retirada em 120 dias e o fim da ocupação estadunidense no início de 2008, deixando o Iraque e o povo iraquiano nas condições em que deixarão – destruído, saqueado, dividido, órfão e em meio a guerra civil sangrenta.

Fujimori: outro neoliberal que se safa

Um juiz da Corte Suprema do Chile negou o pedido de extradição do ex-Presidente Alberto Fujimori, sob o pretexto de não haver provas do envolvimento dele com atos de corrupção e com esquadrões da morte durante o decênio que governou o Peru, de 1990 a 2000 [sic]. Para ser liberado da prisão domiciliar que cumpre numa mansão em Santiago, Fujimori aguarda a sentença final, que terá o mesmo rumo da decisão do juiz.

Fujimori, que pretendia retornar ao Peru para concorrer às eleições presidenciais do ano passado, ficou preso no Chile por motivos puramente formais/documentais. Como percebeu que as coisas não ficariam bem para ele no Peru, fugirá novamente para o exílio no Japão, onde pretende se candidatar ao Senado nas eleições do final desse mês. Como se vê, dupla nacionalidade sempre tem suas vantagens.

Fujimori, juntamente com Menem na Argentina, Collor e FHC no Brasil, Salinas no México, Andrés Pérez na Venezuela e quejandos, faz parte da marcante geração responsável pela destruição neoliberal do continente latino-americano. Foi destituído do governo por uma rebelião popular depois de serem revelados detalhes dos massacres e corrupção praticados pelo seu governo, sob o comando do principal assessor e ex-Ministro Montesinos.

Brasil - Indignados e envergonhados

Se na questão política há o ânimo de condenar, o acusado, mesmo inocente, será condenado. Se há ânimo de absolver, o acusado, mesmo corrupto, será absolvido.
Artigo de Leonardo Boff, no Correio da Cidadania ...

terça-feira, 10 de julho de 2007

SubCdte Marcos: duas políticas e uma ética


Trechos da conferência do Subcomandante Marcos feita no Auditório Che Guevara da Universidade Autônoma do México para estudantes no último mês de junho, sobre ética e política:
...

Quando e como foi que a ética e a política tomaram esses caminhos?
A ética, o caminho asséptico e medíocre da academia.
A política, o caminho do cinismo e da sem-vergonhice ‘realista’.

Quando foi que a intelectualidade progressista renunciou à análise crítica e se converteu em triste carpideira das derrotas e fracassos de uma classe política que já está morta a vários anos?

Quando se operou essa alquimia mágica que fez dos intelectuais progressistas os justificadores, e não poucas vezes os aduladores, da obrigação de uma ‘esquerda’ tão entre aspas e tão à direita, que têm de fazer malabarismos para tirar da sua posição real no espectro político?


...

E o que se fez da ‘esquerda’ [já levo tantas aspas para ‘esquerda’ que temo que acabem as do teclado], a esquerda que fez o caminho eleitoral [algo compreensível e válido] e ao seu passo foi deixando os princípios, quer dizer, a identidade, como se fosse não só um monte de escombros, mas também um peso afundado?

Para ler todo a conferência em castelhano, clicar aqui.
No final do documento, tem o áudio da conferência, com duração de aproximadamente 25 minutos.

Programa de Yeda prometia prorrogação dos pedágios

No programa de governo da então candidata Yeda Crusius, às páginas 15, aparecia eufemísticamente a proposta de Novos Equilíbrios para os Pedágios de Consórcios que diminuam o custo para o usuário de automóveis e ônibus. [Item 4 do Capítulo Transportes e Sistemas Logísticos].

Na tradução do tecnocratismo do programa de Yeda para o português real “novos equilíbrios” significa “prazos maiores”. O eufemismo escondia o objetivo real de Yeda, de prorrogar os pedágios de Britto e ampliar os custos que as opções neoliberais representam para o Rio Grande e para os gaúchos.


Durante as eleições, BiruTaDoSuL tratou pelo menos quatro vezes do assunto entre os dias 20 e 25 de outubro de 2006 nas postagens ESCÂNDALO: Yeda quer prorrogar contratos de pedágios, Resposta ao IOTTI, Mais pedágios com POLÃO de Yeda, Britto e Padilha e O “preço Yeda” do atraso.

Pena que este assunto, assim como a proposta de Yeda, Britto & Padilha do Polão da BR116 não tenham tido maior exposição no debate eleitoral do ano passado.

Prorrogação dos pedágios: o privado sempre acima do interesse público

A Construtora SULTEPA é uma das empresas proprietárias do Consórcio UNIVIAS, que administra as estradas concedidas do Rio Grande do Sul [estradas dos Pólos de Caxias do Sul, Lajeado e Região Metropolitana, transferidas à iniciativa privada e pedagiadas pelo governador Antonio Britto em 1997]. A SULTEPA vem negociando a venda do Consórcio [leia-se: a venda da concessão das estradas e da exploração dos pedágios] para os grupos paulistas EQUIPAV e BERTIN desde setembro de 2006.

A deputada Marisa Formolo [PT] divulgou na CPI dos Pedágios da Assembléia Legislativa que a empresa SULTEPA assumiu, como parte do Acordo de Investimentos para a venda do UNIVIAS a prorrogação dos prazos dos contratos dos atuais pedágios controlados pelo Consórcio. Tal informação foi descoberta no ofício do Diretor Administrativo da SULTEPA enviado em 23/03/2007 à Comissão de Valores Mobiliários, no qual é explicado:

O Acordo de Investimentos e Outros Pactos celebrado entre as partes em 27.09.2006, considera três etapas para definição e cumprimento total do Pacto (Acordo), sendo que até esta data, estão pendentes as duas etapas mais importantes; a saber:

a) aprovação pelo Órgão concedente DAER-RS; e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul de em quantos anos será prorrogado à Concessão das Rodovias; esta fase será analisada pelo atual Governo; já em tramitação no Legislativo e a expectativa é de conclusão ainda no primeiro semestre de 2007.

Essa correspondência traz pontos importantes à luz:

[1] o Diretor Administrativo da SULTEPA dava como favas contadas a prorrogação dos contratos pelo DAER e Governo do Estado, tendo dúvidas somente sobre quais seriam os novos prazos. Ou, como o próprio diz na carta, “de em quantos anos será prorrogado”.

[2] o Diretor Administrativo da SULTEPA se passou ao dizer que o Projeto de Lei autorizando a prorrogação dos contratos já tramitava na Assembléia Legislativa, o que não é verdadeiro.

[3] se a certeza do Diretor Administrativo da SULTEPA de que os contratos serão prorrogados provinha de informações privilegiadas junto ao DAER e ao Governo do Estado, existiriam aí algumas impropriedades. Poderia o Executivo, por exemplo, atuar em favor de negócios privados, fazer promessas condicionantes de negócios e antecipar resultado de votação dos parlamentares na Assembléia Legislativa?

Que llege la nieve en Porto Alegre


Oxalá ventos e massas polares tragam a neve caída em Buenos Aires ontem à bela e doce capital de todos os gaúchos.
Os presságios favorecem.
A última vez que nevou em Porto Alegre foi em agosto de 1984. Teria sido, então, a segunda vez em todo o século passado.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

NY Times hoje condena barbárie que exultou em 2003

Jeferson Miola

O influente New York Times, assim como o seleto punhado de jornais conservadores dos Estados Unidos, da Inglaterra e da Europa que produzem 90% das notícias que dominam o noticiário no mundo inteiro, em março de 2003 utilizou toda a sorte de ardis e mentiras para estimularem a guerra unilateral promovida por George W. Bush contra o Iraque. A despeito da ONU e de todos os demais países e governos contrários à invasao, à exceção da Inglaterra de Blair, da Itália de Berlusconi, da Espanha de Aznar e de Israel de Sharon.

O NY Times não poupou o tom macarthista na sua cruzada. Dividiu a humanidade em dois tipos, entre “os que são favoráveis aos Estados Unidos e sua estupidez” e os que são “aliados do terrorismo de Bin Laden e seu bando”. Chegaram a inventar, assim, uma nova modalidade de “patriotismo mundial”.

Com o fabuloso poder midiático mundial de pasteurizar e editorializar absolutamente todos os itens da vida moderna – da cultura aos hábitos de consumo, às preferências de educação e “até” os “prosaicos” assuntos de guerra -, este jornalismo conseguiu provisoriamente entorpecer mentes mundo afora com a falácia da “necessidade” da guerra.

Durou pouco: apesar da cegueira intencionalmente provocada, já a partir de abril de 2003, um mês depois do início da invasão anglo-estadudinense, começaram as gigantescas manifestações em todo o mundo contra a guerra.

Hoje, com mais de quatro anos de atraso, o NY Times se volta contra a estupidez que teve papel fundamental na promoção. Sem nenhuma crise de consciência e sem a mínima autocrítica, defende em editorial a imediata saída dos soldados dos Estados Unidos do Iraque.

Sustenta que a saída deve se dar “no prazo estritamente necessário para a remoção operacional e logística”, deixando o Iraque de pernas pro ar e ardendo em fogo. Assim, como se não tivessem mais nada a ver com o assunto. Decerto chamarão a “comunidade internacional” para administrar outra tragédia humanitária semeada pelo governo imperial que defendem.

O NY Times, dessa forma, segue sua sina de colonizadores bárbaros. Faz jus à condição de imprensa imperial. São os donos do mundo, e tirante os interesses dos Estados Unidos, o “resto” não interessa, ainda que sejam os destroços gerados por eles mesmos. Fazem terra arrasada do território e da vida dos outros, extraem todas as riquezas e benefícios almejados e simplesmente caem fora.

É o que fica explícito no texto do editorial de ontem do jornal – “O caminho para casa” -, que prova que quando o cinismo e a canalhice vencem, o futuro pode se transformar em miragem.

Está assustadoramente claro que o plano de Bush é levar a situação enquanto for presidente e depois despejar a confusão nas costas de seu sucessor. Seja qual fosse sua causa, ela está perdida.

Os líderes que Washington apoiou [sic] são incapazes de colocar os interesses nacionais acima do acerto de contas sectárias. As forças de segurança que Washington treinou se comportam como milícias sectárias [sic]. As forças militares adicionais enviadas à região de Bagdá não conseguiram mudar nada.

Continuar a sacrificar as vidas de soldados americanos é errado. A guerra está solapando a força das alianças e das forças militares do país. Ela é um perigoso desvio de atenção da luta de vida ou morte contra o terror. É um ônus sobre os contribuintes americanos e uma traição ao mundo, que precisa da aplicação sábia do poderio e dos princípios americanos. A maioria dos americanos chegou a essas conclusões meses atrás”.

Para ler todo o texto do editorial, que foi publicado pela FSP ...

Robert Fisk: jornalismo da justiça, da decência e posicionado

No final do último junho a Folha de São Paulo antecipava a vinda de Robert Fisk ao Brasil para participar da Feira Literária Internacional de Parati [FLIP] a fim de lançar seus dois novos livros – “Pobre Nação” e “A grande guerra pela civilização”.

O jornal realizou então uma entrevista muito interessante, na qual o correspondente britânico falou sobre a situação Palestina, a relação do mundo ocidental com o Oriente Médio, islamismo, governo Bush e, obviamente, sobre como exerce jornalismo.

Robert Fisk diz temer que George Bush invada o Irã em 2008: “Acordo todas as manhãs e penso: aonde esse homem nos levará hoje?”.

Refutando a imputação de que ao criticar Bush e a posição do governo dos Estados Unidos estaria assumindo posições favoráveis ao mundo oriental, Robert Fisk responde ao repórter e à hipocrisia da imparcialidade da mídia:
- “Veja o que escrevi sobre os Saddams e Arafats da vida. Sou bastante crítico a eles. Assim como à maioria dos regimes árabes. Como jornalista, você tem de estar do lado da justiça, do equilíbrio, da decência, tem de se posicionar. O Oriente Médio não é um jogo, onde você dá tempo equivalente para cada time. Não é um julgamento público, é uma imensa tragédia humana. Se estivéssemos cobrindo o tráfico de escravos no Brasil no século 17, nós daríamos o mesmo espaço ao escravo e ao traficante?

Ler toda a entrevista ...

Robert Fisk, jornalismo feito verdade

Robert Fisk é inglês, reside a mais de trinta anos no Oriente Médio e como o principal correspondente internacional do mundo naquela região conflagrada, acompanhou e acompanha de perto várias guerras e conflitos e as tragédias humanas que lá se desenrolam.

Fisk é jornalista do The Independent, tradicional jornal britânico, e revela não usar a internet e email, mas sim arquivos impressos sobre os assuntos dos quais trata. Em seu currículo, ostenta a rara [senão única] entrevista realizada por um ocidental com Osama Bin Laden. Diretamente na caverna em que o “co-pai dos terrores” vivia [o outro “pai dos terrores” atende por GW Bush].

Robert Fisk esteve nos últimos dias no Brasil participando da Feira Literária Internacional de Parati [FLIP]. É de lá da FLIP que foi feito o relato do blog de Marcelo Tas sobre o “encontro com Robert Fisk, o ‘animal furioso’”.

Um preâmbulo das opiniões lúcidas de Fisk:

Os jornais geralmente tratam os assuntos, especialmente a guerra, como um jogo de futebol. Concedem 50% do tempo para cada adversário. Mas a guerra não é um jogo de futebol. Se eu fosse contar a história do tráfico de escravos africanos para o Brasil deveria dar 50% de espaço para os traficantes de escravos expressar suas opiniões? E também outro tanto para os nazistas?

Uma guerra é pura dor. Já estive num corredor de hospital em Bagdá com o chão ‘inundado’ por três centímetros de sangue. Vi uma criança sem perna com sua mãe ao lado segurando seu braço decepado. Junto delas, um soldado iraquiano com o olho perfurado. Era um soldado do exército que defendia Saddam Hussein. A guerra é o fracasso da civilização.

Por isso não acredito em jornalismo de manchetes. Não se pode brincar com a guerra. A imprensa numa hora dessas pode ser uma arma letal. Como foi o The New York Times que apoiou a invasão do Iraque por George Bush. O mesmo jornal disse que no Independent cobrimos o Oriente Médio como animais furiosos. Fiquei muito feliz com essa condecoração (risos).

Continuar a leitura ...

domingo, 8 de julho de 2007

Por que os odiamos?

O judeu Gilad Atzmon nasceu em 1963 em Israel, serviu ao Exército Israelense e se radicou na Inglaterra em 1994, onde atua profissionalmente como músico saxofonista e clarinetista [clicando acima se acessa o saite dele e o ótimo jazz que rola ali]. Gilad parece ser, portanto, um insuspeito israelense que deseja paz no Oriente Médio e que luta pelo reconhecimento de um Estado Palestino livre, autônomo e soberano.

No artigo “Por que os odiamos?Gilad argumenta que Blair “é o homem que em apenas dez anos conseguiu destruir uma das sociedades mais harmoniosas do Ocidente. Tony Blair, a grande promessa do Partido Trabalhista, governou o país durante uma década, conseguiu arrastar este país para todos os conflitos possíveis e levar pequenos conflitos a níveis de crise. Ele conseguiu mentir repetidamente ao seu povo, parlamento e governo; e iniciou uma guerra ilegal que custou a vida de 700,000 civis inocentes. Obviamente ele não pensou no impacto que estas guerras poderiam ter na sua sociedade multiétnica”.

2 em 1: Chávez / Venezuela e Biocombustíveis

O Blog do Alon no texto “O embaixador do aumento do preço da comida” comenta sobre [i] a posição de senadores do PT a respeito dos ataques da direita “senatorial” brasileira à Venezuela e ao governo de Hugo Chávez e [ii] sobre o papel desempenhado pelo Brasil na produção de biocombustíveis.

Sobre [i] Chávez e a situação venezuelana, Alon diz que “nem o governo dos Estados Unidos, com quem o presidente venezuelano, Hugo Chávez, vive às turras, ousa dizer que as eleições na Venezuela não são democráticas. Mas o que nem a Casa Branca tem coragem de externar já é dito sem peias no Brasil. ... É triste que o nosso parlamento tenha se tornado um foco de agitação antivenezuelana. Sem que os senadores da esquerda oponham resistência significativa. Peço que me mostrem uma atitude ou ação do governo venezuelano que possa ser interpretada como ofensiva ao Brasil. O problema está no sentido oposto: as crescentes provocações políticas partidas daqui contra a Venezuela. Sem que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ou o PT reajam”.

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Sobre [ii] biocombustíveis Alon analisa que “O mesmo Lula que começou seu ciclo no poder vendendo-se como o embaixador do combate à fome, especialmente na África, transformou-se no embaixador da redução da dependência americana do petróleo. O que o faz acumular outro papel: embaixador mundial do aumento do preço da comida. O que vai prejudicar especialmente os mais pobres. Principalmente na África. E aumentar a fome. Claro, você sempre pode acreditar que as oportunidades de negócios criadas pelo novo ciclo monocultor vão representar a libertação dos povos explorados e oprimidos, principalmente na África e na América Central. Você e a Velhinha de Taubaté, se ela já não tivesse morrido”.

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Mais água no feijão
Sobre os dois assuntos, acrescem-se os seguintes comentários:

[i] O Secretário de Relações Internacionais do PT [Valter Pomar] publicou artigo a respeito da atitude acanhada dos senadores do PT quanto ao affair Venezuela. Atitude que desde o início do século passado atendia pelo nome de “cretinismo parlamentar”, e

[ii] Os biocombustíveis não podem ser tratados como o “nosso” pensamento único de alternativa energética e vendido com fanatismo como a salvação do mundo. Aliás, em termos de linguagem profética, vale ler a entrevista de Lester Brown na FSP, onde o ambientalista americano diz que o “uso do milho por usinas de álcool desencadeou uma disputa de proporções épicas entre os 800 milhões de donos de carros e os 2 bilhões de pessoas mais pobres do planeta”.