quinta-feira, 14 de junho de 2007

FARC e conflito da Colômbia na TV Cultura

A TV Cultura inicia hoje no Jornal da Cultura das 10 da noite a exibição de uma série de boletins sobre a atuação das FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] e a situação do conflito de quase 50 anos na Colômbia.

Nos dias 20 e 27 deste mês, às 9 da noite, serão exibidos documentários, nos quais o conflito é apresentado a partir de uma abordagem panorâmica.

Inéditos de Frida Kahlo e Diego Rivera

Foram revelados no México vários trabalhos inéditos de Frida Kahlo e Diego Rivera – um rico acervo composto de pelo menos uma centena de desenhos e rascunhos de pinturas, além de correspondências, manuscritos e textos. O material estava armazenado num “quarto secreto” [banheiro que teve o acesso tapado] da Casa Azul, que foi a residência de Frida convertida em Museu após a morte da pintora, ocorrida em 1957.

Todo o material está sendo finalmente revelado, transcorridas mais de quatro décadas, em respeito à determinação dos próprios pintores, que fixaram tal prazo para sua revelação.

Frida e Diego foram dois pintores e artistas extraordinários do século XX, verdadeiros criadores com trajetórias marcadas pelo engajamento criativo e o ativismo político humanista. Que o inédito acervo deles circule em breve em muitas exposições em todas as partes do mundo.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Álvaro Linera Garcia: uma consciência latente na Bolívia

O jornal argentino Página12 publicou na edição de ontem 11/06 uma entrevista com Álvaro García Linera, o atual Vice-presidente da Bolívia.
Álvaro García é um intelectual de enorme solidez e preparo. O precursor na atualidade das teorias sobre o indigenismo. Nessa entrevista expõe de maneira clara a natureza do processo de transformações na Bolívia e as perspectivas do novo poder que lá se constrói.
Para ler a entrevista, clicar aqui.

Quando a foto imita a ficção

Os dois presidentes da foto deveriam estar doidos pra atirar nas brasas desse fogo os respectivos demônios do presente que os acompanham.

Confúncio será Ministro, mas não será SeALOPRA e sim SePlégico

Apesar das idas e vindas, Mangabeira Unger, o Confúncio do Planalto tomará posse mesmo no “cargo sagrado” - como o próprio define – de Ministro da Secretaria Especial de Planejamento Estratégico, novo batismo para o órgão mais afim ao personagem, que se chamava Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo, com a apropriada sigla SeALOPRA.

Desse modo, com a posse que ocorre amanhã 13 de junho, o Confúncio do Planalto, já portador de títulos imponentes como o de conspirador arrependido, “truster” da BrasilTelecom, consultor e amigo de Daniel Dantas, incorporará o título de Ministro SePlégico. Seja lá o que isso quer dizer, além de um nome feio.

BiruTaDoSuL já publicou outros comentários a respeito do filósofo, que podem ser relidos acessando aqui Confúncio no Planalto, Confúncio não quer perder boquinha e Confúncio pode ser preso na Itália.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Frei Betto fala sobre corrupção, PT e política

Na entrevista de 2ª na Folha de São Paulo, Frei Betto emite opiniões sobre combate à corrupção, o PT e outras questões da política e do Brasil.
BiruTaDoSuL destaca os seguintes trechos da entrevista, que assinantes UOL ou da FSP lêem na íntegra através desse linque:

FOLHA - Isso é suficiente?[o aperfeiçoamento da PF e a integração daquela com o MP]

FREI BETTO - Se amanhã vem outro governo e faz refluir essa ação da PF, esse governo ficará sob suspeita da opinião pública.

Há uma nova cultura sendo criada, de que não há intocáveis na sociedade brasileira. Não importa qual o nível social do criminoso. É claro, precisamos ter critérios, não podemos cair em uma caça às bruxas, isso seria extremamente perigoso. Por isso é importante não ideologizar nem partidarizar a atuação de qualquer polícia.

A PF está se qualificando muito do ponto de vista tecnológico e do preparo dos agentes. Eles estão ficando com a cara do FBI [escritório de investigação dos EUA]. A PF está virando uma referência mundial.


FOLHA - Pessoas próximas ao presidente se envolveram em dossiês contra adversários e, agora, um amigo é acusado de ser dono de bingo. O irmão do presidente é acusado de de ser lobista. O sr. conhece Lula faz tempo. Era possível imaginar que isso aconteceria?

FREI BETTO - Foi uma grande surpresa. Quanto ao Vavá, acho que é inocente. Ele tem bom coração, para ele todo mundo é bom, às vezes é ingênuo até demais. Quanto aos outros, foi surpresa, mas devo dizer que nunca fui próximo a essa turma. Não quero fazer prejulgamento, vamos esperar. Continuo aguardando que o PT cumpra a promessa de investigar e, se preciso, punir os envolvidos em todos os escândalos. Mas, até agora, não aconteceu nada.


FOLHA - Qual a principal característica desse governo?

FREI BETTO - O governo Lula fez uma grande reforma na pintura e na disposição da casa, mas não mexeu na estrutura da casa. A palavra mais forte do discurso de posse do primeiro mandato foi mudança. E as mudanças não ocorreram. Há iniciativas positivas na área social, no combate à corrupção, a Marina Silva no meio ambiente. Agora, vindo o outro governo, infelizmente a estrutura da casa permanecerá a mesma.

Nada garante que essas iniciativas passem a ser políticas de Estado. Hoje, elas são políticas de governo. Não tem reforma agrária, não tem reforma previdenciária que realmente onere os mais ricos.


FOLHA - O sr. se sente frustrado pelo tempo que passou no governo?

FREI BETTO - A vida inteira, não fiz outra coisa que não querer mudar. Já não creio que vou participar da colheita, mas faço questão de morrer semente.

Houve um tempo em que achei que meu tempo pessoal se confundiria com o tempo histórico.

Não vou dizer que as coisas andaram para trás. Têm melhorado. Depende também de toda uma conjuntura mundial.

Há maior insatisfação com esse processo de "globocolonização". A questão do ambiente criou um nó porque atinge indistintamente todas as classes sociais e todos os países.

Quem sabe o meio ambiente, para surpresa da velha esquerda, não será uma ferramenta de mudanças radicais no planeta?

O grande problema no Brasil é que a nossa democracia é meramente virtual, porque a sociedade fica vendo de baixo a ilha da fantasia sem ter mecanismos de interação com ela.


FOLHA - E o que aconteceu com o programa do PT? O Lula se "emancipou" do PT?

FREI BETTO - O PT virou sujeito oculto ou correia de transmissão, quando deveria ser justamente a voz da sociedade junto ao governo, é papel do partido, e não ser a voz do governo junto à sociedade. O lulismo superou o petismo.

Os religiosos e suas contradições

No 1º Congresso do PSOL, Heloísa Helena foi vaiada ao discursar pondo em dúvida a tragédia sofrida por mulheres obrigadas à prática do aborto clandestino, mantendo sua “convicção espiritual e científica” contra o aborto.

Enquanto isso, durante a 11ª edição da Parada Gay, o pastor evangélico Gelson Piber demonstrou visão nada arcaica, dizendo que “Deus aceita a gente como a gente é”.

domingo, 10 de junho de 2007

Um Brasil por ser entendido para ser transformado

Num intervalo de quatro dias, dois mega-eventos ocorridos em São Paulo dão muito o que pensar sobre a complexa realidade social brasileira e a inviabilidade das transformações no Brasil a partir da perspectiva que fenômenos sociais importantes ainda são considerados - de maneira tangencial, quando não com indigência - pela esquerda.

No 07/06, a 15ª Marcha para Jesus da Igreja Renascer [clicar para ler comentário] reuniu mais de 3 milhões de pessoas. Hoje, 10/06, a 11ª Parada Gay contra o racismo, a homofobia e a intolerância reuniu mais de 3 milhões e quinhentos mil pessoas.

Sucessão sem re-eleição no Uruguay

No Uruguay, o Presidente Tabaré Vázquez se declara contrário à instituição do dispositivo da re-eleição, e com isso se abrem as especulações no âmbito da Frente Ampla para saber quem poderá se apresentar eleitoralmente em 2009 como seu herdeiro e sucessor. Os nomes dos Ministros Danilo Astori [Economia] e José Mujica [Agricultura e Pecuária] já despontam no debate interno da Frente Ampla, mais aprofundando divergências do que construindo consensos.

Não se especula que a posição do Presidente seja alguma manobra diversionista para ser aclamado posteriormente como candidato. Por isso a disputa interna na Frente Ampla ganhará novo dinamismo nos próximos meses.

Biocombustíveis: problema ou solução?

A FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação tem realizado sistematicamente estudos a respeito do impacto da implementação em escala mundial de um programa energético baseado no desenvolvimento dos biocombustíveis.

No mais recente estudo, a FAO [clique para acessar FAO] detecta haver uma elevação de 9% dos gastos mundiais com importações alimentares em função não somente do aumento de consumo, como também do aumento dos preços dos comodities agrícolas, que pode estar associado ao pretenso uso energético.

A elevação destes custos, segundo a FAO, atinge de maneira mais severa os países mais vulneráveis economicamente, menos desenvolvidos e mais deficitários em termos de alimentos. Quer dizer: os pobres pagam a maior parte da conta.

De acordo com o economista da FAO Adam Prakash, “a importação de alimentos para os países menos desenvolvidos em 2007 custará de forma aproximada 90% mais do que custava em 2000, apesar de que o aumento do volume de alimentos importados ter sido de apenas 22% no mesmo período.

Os preços das sementes oleaginosas com potencial de aplicação energética continuam subindo, assim como os preços das matérias-primas agrícolas [soja, milho] para várias cadeias produtivas, como de alimentação, aves e suínos, gerando um aumento exponencial dos custos alimentares no mundo, principalmente das carnes e lácteos, que subiram 46% desde novembro de 2006.

A questão alimentar é apenas um dos muitos ângulos a serem considerados na adoção em larga escala de programas energéticos baseados em biocombustíveis. A essa problemática devem ser agregadas as preocupações de ordem agrária, tecnológica, ambiental e cultural, que não estão sendo adequadamente balanceadas na condução desta política.
Não se pensar globalmente esta questão pode criar no futuro situações kafkianas de famintos sem ter o que comer mas andando de carro.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Xeque-Mate na Navalha, ou Navalha no Xeque-Mate

Outra ação da mais-republicana-que-nunca Polícia Federal, a operação Xeque-Mate, que desbarata quadrilhas de caça-níqueis e suas ramificações nas instituições, pode resultar na preservação de liberdade para criminosos e contraventores.

Expira hoje o prazo da prisão temporária, e provavelmente todos os detidos na Xeque-Mate terão o mesmo destino que as pessoas implicadas na operação Navalha: a soltura. Mesmo com a eventualidade de renovação da prisão temporária, os bacanas em breve estarão livres para continuarem comandando seus negócios, pois o Judiciário se esmera na valorização de filigranas jurídicas e formalidades kafkianas para soltar criminosos abastados e poderosos, mas não se esmera da mesma forma para fazer com que outras filigranas sejam aplicadas em nome da boa e justa Justiça.


Infelizmente o trabalho excepcional feito pela Polícia Federal não encontra no Poder Judiciário um ambiente republicano e renovado que faça a justiça valer para todos, não só para as “Angélicas”. A propósito, pode-se conhecer a sina da pobre e justiçada Angélica nas seguintes publicações do BiruTaDoSul:

A fé que move o povo

Aproximadamente 3 milhões de pessoas tomaram parte da 15ª Marcha para Jesus da Igreja Renascer em Cristo, ocorrida ontem em São Paulo. Na ocasião, Estevam Hernandes, que é fundador e “guia espiritual” da Renascer se manifestou num telão diretamente dos Estados Unidos [onde está em prisão domiciliar acusado de contrabando, conspiração e falso testemunho] dizendo que “O Brasil será o maior país evangélico do mundo, porque Deus determinou”.


Para comparação: na Missa do Campo de Marte, que foi o principal e maior evento da Igreja Católica durante a visita do Papa Bento XVI, participaram 800 mil pessoas. Atente-se ao fato de que a Igreja Católica contou com formidável cobertura de toda a mídia nacional e ampla cobertura da Rede Globo, que editorializou a visita do Papa como um acontecimento supremo para a vida terrena.


Em tempos de dispersão cultural e política, de descrença na política, nos políticos e nas instituições, de sublimação da auto-ajuda e do egoísmo como modos de vidas, a demonstração da Marcha para Jesus dá muito o que pensar.

Ignorar tal fenômeno a partir de uma visão reducionista de que a religião é o ópio do povo equivale a comprometer seriamente qualquer projeto transformador do neoliberalismo e do capitalismo.


Alguns dados:

- A campanha das Diretas Já mobilizou 1,5 milhões de pessoas na manifestação em São Paulo e 200 mil pessoas na manifestação em Porto Alegre em abril de 1984.

- 100 mil manifestantes acompanharam a votação do impeachment do Collor em frente ao Congresso Nacional em 29 de setembro de 1992.

- A maior manifestação de massas durante o Fora Collor reuniu aproximadamente 800 mil pessoas em São Paulo em setembro de 1992.

- O Brasil é, hoje, o maior país evangélico pentecostal, com 24 milhões de adeptos de igrejas como a Universal do Reino de Deus e Renascer em Cristo. Esta corrente acredita que Deus interfere na vida por meio de milagres.

- A maioria de adeptos dessas igrejas são pessoas simples e humildes que encontraram amparo e “cura” para problemas de alcoolismo, drogadição e prostituição.

- O termo evangélico é amplo e inclui também as igrejas protestantes históricas, surgidas durante a Reforma Protestante [século 16], como calvinistas, luteranos e metodistas. Essas denominações, hoje, são mais próximas aos católicos e não participaram da marcha.

Lula e a histeria em torno da RCTV

É do Presidente Lula uma das posições mais lúcidas e sóbrias a respeito da não-renovação da concessão da RCTV na Venezuela. A opinião de Lula, extraída de entrevista dada à FSP, serviria para pôr fim à histeria da direita contra o ato soberano do governo venezuelano, não fosse tal histeria um recurso da guerra ideológica para atingir o Presidente Chávez:


O mesmo Estado que dá uma concessão é o Estado que pode não dar a concessão. O Chávez teria praticado uma violência se tivesse, após o fracasso do golpe, feito a intervenção na televisão. Não fez. ...

O fato de ele não renovar a concessão é tão democrático quanto dar [a concessão]. Não sei porque a diferença entre dois atos democráticos. A diferença com o Brasil é que conseguimos colocar na Constituição que isso passa pelo Congresso. Não é uma decisão unilateral do presidente. Lá é. Faz parte da democracia deles.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

G8 cabe num sofá, mas os pobres não entram

Até 1998 o G8 era G7, quando incorporou a Rússia, atendendo a reiteradas súplicas de Boris Yeltsin neste sentido. Como se percebe, o G7 [criado nos anos 1970] era mais uma das invenções do imperialismo estadudinense durante a guerra fria, e congregava as principais potências capitalistas do mundo para se opor à URSS e ao bloco socialista.

Com o ingresso da Rússia depois do desmonoramento da URSS, este clube de ricaços chamado G8 [Grupo dos 8] é composto desde então pelos Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália, Japão, Alemanha, Canadá e a própria Rússia.

Nesses dias, o G8 está reunido na Alemanha, encapsulado num fantástico sistema de segurança, para poder atentar contra os interesses toda a humanidade. No artigo “Somos mas de Ocho”, Jorge Gómez Barata analisa a reunião do G8, em Rostock, na Alemanha, em que “os ricos cabem em um sofá, porém os pobres, que são mais que oito, não estão convidados.”.

Diante da obsolescência do sistema das Nações e dos instrumentos de pasteurização neoliberal como o FMI, Banco Mundial, OMC, etc, o mundo necessita reinventar novos centros de poder e de relações horizontais entre povos e nações, ao invés de cultuar os encontros de poderosos cada vez mais acuados pela reação social.

Palestina: sob 40 anos de barbárie israelense

El 5 de junio de 1967, hace 40 años exactos, Israel inició una agresión militar contra sus vecinos árabes, lo que a la postre se conocería como la Guerra de los seis días - nombrada así porque en ese breve periodo las tropas israelíes derrotaron a la alianza árabe -, que derivó en la ocupación de la Franja de Gaza, las alturas del Golán, Cisjordania y Jerusalén oriental, así como el desierto del Sinaí, devuelto a Egipto en 1982, como parte de los acuerdos de paz de Campo David.


La ocupación de estos territorios, mantenida hasta nuestros días por Israel, es una circunstancia contraria a la legalidad internacional que se ha traducido en una barbarie contra cientos de miles de palestinos: las estrategias de limpieza étnica seguidas por Israel en Al Qods y en extensas zonas occidentales de Cisjordania evocan las prácticas de exterminio que, en su momento, realizó Slobodan Milosevic en Bosnia y Kosovo.


Trechos do editorial de 05/06/2007 de um jornal que honra a responsabilidade pública de bem informar e preservar a memória, o LaJornada, do México. Para ler o editorial de LaJornada na íntegra é só acessar aqui.

Bush terá de pôr as barbas de molho

Apesar da indisfarçável torcida pela morte de Fidel, Bush e os poderes ocultos dos Estados Unidos terão de pôr as barbas de molho.

Desde ontem circula na internet em muitos saites e blógues informativos uma entrevista de quase uma hora concedida pelo presidente cubano à emissora de TV de Cuba. Percebe-se um Fidel recuperado, com elevado senso de humor, entusiasmado com a recuperação e com a possibilidade de continuar se devotando ao seu país e ao seu povo e, de quebra, muito bem informado sobre os acontecimentos da geopolítica internacional.


Enquanto Fidel se recuperava, o governo dos Estados Unidos juntamente com a máfia cubana por ele apoiada e conspiradores habituais arquitetavam os planos da invasão dos cubanos de Miami à ilha e a transição que imporiam ao país desde o lado externo das fronteiras da Ilha.

Em quase 50 anos de violenta afronta à soberania de Cuba, vários governos que se sucederam nos Estados Unidos - dos dois partidos: democratas e republicanos - planejam golpes e ações conspirativas sem êxito. Outra vez erraram.

ZH e suas barbaridades

A capa da ZH de hoje 06/06 se supera na apelação. Dificilmente seria batida nos quesitos sensacionalismo e facciosismo. A isso se denomina “liberdade de imprensa”. Liberdade, ok. Porém “imprensa”, necas de pitibiribas.

A manchete da capa, aqui reproduzida em minúsculo, do tamanho do jornalismo praticado: “Lula tem irmão indiciado e compadre preso pela PF”.

Yeda quer um mínimo minúsculo

O governo Yeda CrusiusCredo ataca em todas as frentes: desinveste nas políticas públicas, degrada a saúde e a educação, paralisa todos os investimentos, prorroga pedágios, mantém favores fiscais, privatiza o Banrisul, converte o Rio Grande em capitania hereditária do doutor Gerdau e inicia um penoso ciclo de desvalorização do salário mínimo regional.

Com o aumento de 5,98%, o salário mínimo do Rio Grande do Sul passa a ser dos mais baixos de todas as unidades da federação da região sul e sudeste. Quando foi criado no governo Olívio Dutra em 2001, o salário mínimo instituído aqui nos pampas era o mais alto do país.

A decisão do governo Yeda CrusiusCredo de comprimir o salário mínimo representa um retrocesso em relação aos avanços conquistados no governo da Frente Popular e vai na contramão do esforço do governo federal em distribuir renda e melhorar a qualidade de vida do povo gaúcho e brasileiro.

ZH poderia ter melhor inspiração na escolha da manchete para o dia. Conteúdo sério não falta.

terça-feira, 5 de junho de 2007

“diZerEs de camInHão” na vida real

Vem de Jean Scharlau [conheça-o aqui] o espiritualíssimo comentário sobre a primeira frase da seção “diZerEs de camInHão”, recém inaugurada nesse BiruTaDoSuL:

Em Sapucaia temos, eleitos vereadores e prefeito, vários dos identificados primeiro na brilhante frase, e que estão loucos para chegar ao estágio dos segundos - mas aí deu um pobreminha por lá - vamos ver se conseguimos desempodeirá-los e desenricá-los, ao menos, pois que de desmuquiranizá-los e designorantá-los não há a mínima esperança..

Há quem diga, no anonimato, que não faltam engravatados ligados à vida e ao poder “das Brasília” na categoria dos “mucaempodeirados.

“Esta terra tem dono; ninguém no-la tira!”

Quase 350 anos depois, Sepé Tiarajú é postumamente vilipendiado.
A luta por ele travada contra os colonizadores espanhóis e portugueses terá sido inglória. Em pleno século 21 um novo colonizador passa a presidir a capitania hereditária da província de São Pedro desta feita, sem intermediários.

E, para grande desonra do desterrado Sepé, toda a transmissão de posse acontecendo no palácio de governo de sua ex-terra.

Esse é o sentido mais que simbólico da fotografia ao lado. Em solenidade pública de prestação de contas feita pela capatazia de sua intendência, são apresentados relatórios ao homem de aço que faz caridade com o Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade através do mago Falconi, remunerado a peso de ouro.

Todo trabalhinho filantrópico feito pelo caridoso presidente da província [ver Intendência Gerdau] de graça, sem nenhum custo para o erário. Nem mesmo a retribuição de benefícios fiscais, anistias, empréstimos privilegiados, leis de incentivo à cultura, etc etc e ... ... ...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

diZerEs de camInHão

Os caminhoneiros possuem uma singular noção acerca da vida, que eternizam em frases estampadas nos apara-barros dos seus possantes caminhões. Apara-barro, na concepção moderna de marketing, é uma espécie de “outdoor traseiro ambulante”.

BiruTaDoSuL inaugura, a partir de hoje e com a frase do dia, a seção “diZerEs de camInHão”, na qual serão postadas contribuições das oito assíduas leitoras desse blógue quando avistarem tiradas espirituosas nos caminhões que rodam as estradas da vida.

Da estrada que leva à bela serra gaúcha, a frase de estréia da seção “diZerEs de camInHão” foi captada ontem e é:

Pior que muquirana empodeirado só ignorantão que fica rico

Livro revela interesse da CIA e máfias nos assassinatos dos Kennedy

O presidente dos Estados Unidos John Kennedy foi morto em 22 de novembro de 1963 em circunstâncias ainda hoje não esclarecidas. Na época foi montada uma versão conspirativa de que Cuba e URSS teriam envolvimento com o atentado.

O irmão de John Kennedy, Senador e candidato à presidência dos Estados Unidos nas eleições de 1968, também foi assassinado depois de declarar, durante a campanha eleitoral naquele ano, que eleito presidente revelaria as conexões da CIA e das máfias italiana e cubana na morte do seu irmão.

Estas são revelações apresentadas no livro de David Talbot [The Hidden History of the Kennedy Years, ainda não traduzido para o português], em que o autor demonstra que Robert Kennedy investigava a CIA e as máfias, suspeitava das armações montadas e tinha convicção sobre o complô contra seu irmão. Na iminência de se tornar presidente do país, foi assassinado no hall de um hotel com dois tiros no peito, à queima-roupa.

Quando os governos estadudinenses e as estruturas de poder não estão envolvidas em golpes contra outros países como no apoio sistemático a ditaduras e regimes autoritários em todo o mundo, se envolvem internamente em tramas e assassinatos para remover qualquer um que atravesse seus interesses.

Na China e no Japão os bacanas se dariam mal

Concorde-se ou não – e BiruTaDoSuL discorda frontalmente das atitudes drásticas adiante apresentadas – o fato é que os juízes, políticos, advogados, empresários e todos os bacanas que fazem parte das máfias pegas pela Polícia Federal se dariam mal com o jeito asiático em encarar a corrupção.

Na China, um funcionário foi condenado à morte [podendo recorrer e ganhar prisão perpétua] por receber propinas cerca de R$ 1,6 mi de indústrias para liberar alimentos e remédios que, contaminados, causaram mortes de pessoas no país e fora dele.

No Japão, o Ministro da Agricultura se suicidou com um tiro depois de denunciado do recebimento de 107 mil dólares de propina recebida de construtoras com interesse em projetos públicos. Menos de uma semana depois, o diretor de uma Agência e subordinado do falecido Ministro também se suicidou, por também estar envolvido no escândalo.

Enquanto isso, felizmente a cultura tupiniquim não adota a pena de morte. Mas infelizmente a justiça continua branda pros bacanas. Já para as “Angélicas”, quanta diferença ...

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Conversa Afiada: Mangabeira, o Cunfúncio do Planalto, pode ser preso na Itália

Não é só com Daniel Dantas que o Ministro da SeAlopra [Secretaria de Ações de Longo Prazo], Mangabeira Unger, tinha [ou tem] relações perigosas.

O pensador fez parcerias com outro santo: o mega-especulador Naji Nahas, que quebrou a Bolsa brasileira nos anos 80.

Por conta das confusões que participou com essa turminha da pesada em relação à BrasilTelecom e Telecom Itália, o Confúncio do Planalto pode ser preso na Itália, como revela Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada.

Confúncio do Planalto não quer perder boquinha “sagrada”

Mangabeira Unger, “Confúncio brasileiro” e pensador que em 2005 acusou Lula de corrupto com grande virulência e foi o primeiro lacerdista a pedir o impeachment do Presidente, faz de tudo para permanecer Ministro da Secretaria de Ação de Longo Prazo.

A propósito I: a sigla da Pasta que dirigirá é SeAlopra.

Ele esteve ameaçado de perder o cargo que ainda nem tinha assumido em função de imbróglio judicial que tem com a Brasil Telecom por desentendimentos do período que trabalhou com Sua Santidade Daniel Dantas.

A propósito II: o Confúncio brasileiro, que não quer perder por nada a boquinha de realizar sua “Missão na Terra”, diz que o cargo de Ministro que ocupará é “sagrado” [tóing!!].

BiruTaDoSuL publicou tempos atrás outras “obras completas” sobre o Confúncio brasileiro, que valem ser lidas através de uma clicadinha aqui

Fórum Social de 2009 no Brasil. Mas muito longe de Porto Alegre

Em 2009 a etapa mundial do Fórum Social Mundial será novamente centralizada e ocorrerá em Belém do Pará. Esta foi a decisão do Conselho Internacional do FSM que está reunido na Alemanha por esses dias, e que atribui centralidade à encruzilhada ambiental em que se encontra o mundo diante do aquecimento global e suas graves conseqüências.

Fossem outras as condições políticas e “ambientais” de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul que não o retrocesso conservador que se verifica, seriam maiores as probabilidades do Fórum realizar novamente uma etapa mundial no seu berço. Em outros tempos, Porto Alegre conseguia debater todos os temas contemporâneos de interesse da humanidade, inclusive a problemática ambiental.

Assim, será a primeira vez que o Fórum Social Mundial ocorre no Brasil mas muito longe de Porto Alegre. É, sem dúvida, uma derrota para Porto Alegre.

Espera-se que as más línguas neoliberais que acusavam o PT pela ida da Ford para a Bahia agora expliquem porque mandaram o Fórum para o Pará.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

A revolta das “Angélicas”

Na Folha de São Paulo desta quinta-feira 31/05 Frei Betto assina o indignadíssimo artigo A Polícia Federal e “Os Intocáveis”, onde diz coisas como: “Com a Operação Navalha, afirmam que a PF está ‘exagerando’. Para estourar a boca de fumo, é chute na porta, barraco revirado”.

Desde que me entendo por gente, ouço dizer, sem poder discordar, que vivemos no país da impunidade. A polícia e a Justiça punem apenas os pobres passageiros atulhados nos porões deste imenso navio cargueiro chamado Brasil, que flutua nos mares do Sul. No convés, os camarotes vivem infestados de larápios, corruptos, estelionatários, sonegadores, contrabandistas, contratadores de trabalho escravo e toda sorte de bandidos, imunes e impunes.


Ou seja, a elite acha que quando se trata das Angélicas, vale tudo. Mas quando toca no seu, é um ai ai ai, ui ui ui ...

Assinantes da FSP ou UOL podem ler o conjunto dessa justamente irada ópera através desse link.

Populistas ou “mudancistas”?

O comportamento eleitoral da população no continente latino-americano vem revelando o descolamento social em relação aos partidos e caciques políticos tradicionais. As escolhas populares têm-se dado a partir do estabelecimento de bases identitárias entre o povo e as novas lideranças políticas vinculadas a blocos históricos contra-hegemônicos.

Os fenômenos eleitorais dos últimos dez anos na América Latina demonstram que a maioria pobre do povo é tocada e sensibilizada diretamente pelas políticas públicas de Estado e pela identificação com as lideranças que as desenvolvem ou que podem desenvolvê-las.

É neste contexto que se pode notar a perda relativa de influência da mídia, da “classe média” e dos “formadores de opinião” na escolha do voto feita pela maioria do povo. O cabresto, em última instância, já não é a mesma arma do poder oligárquico como antigamente.

Os governos que surgem na América Latina, em conseqüência, deflagram a transição do neoliberalismo para modelos nacionais de desenvolvimento com justiça social. Iniciam, com o atraso de séculos, a realização de mudanças emancipatórias.

A direita do continente esperneia diante dessa realidade. Não hesita em aludir ao nascimento de uma nova geração de “populistas, caudilhos e líderes totalitários” na região.

Um importante pensador argentino, Ernesto Laclau, autor do livro “La razón populista [Fondo de Cultura Econômica, 2005]”, em entrevista ao jornal Clarín de 19/05/07 sustenta que o atendimento a demandas sociais históricas não autoriza a adjetivação preconceituosa de governos ou líderes políticos que as realizam como “populistas”.

Laclau também acredita que “a ameaça para as democracias na América Latina não vem dos ‘populismos’, mas sim do neoliberalismo”.

A entrevista do Clarín, na íntegra:

El argentino Ernesto Laclau es uno de los más lúcidos filósofos de la política contemporáneos. Autor de varios ensayos —el último de ellos, La razón populista—, sus trabajos son referentes internacionales. Vive en Londres desde hace casi 40 años y dicta clases en diferentes universidades del mundo. Esta vez llegó a la Argentina invitado por Centro de Estudios sobre Democratización y Derechos Humanos de la Universidad de San Martín para participar de seminarios y coloquios y conversó con Clarín sobre la realidad política latinoamericana.

—A partir de sus trabajos el populismo dejó de ser una mala palabra para muchos. ¿Cómo hizo?

—Hice lo que los cristianos con la cruz, que era un signo de oprobio y ellos la transformaron en algo positivo. En el sentido que yo lo planteo, populismo son las demandas de los de abajo que todavía no están demasiado inscriptas en el discurso político, pero que empiezan a expresarse. Es en ese sentido que pienso que el populismo es un fenómeno positivo. Claro que esto puede ir en sentidos divergentes, porque hay populismos de derecha o de izquierda.

—Las críticas desde EE.UU. o Europa se concentran en Chávez como adalid del populismo de izquierda.

—He estado en Venezuela el año pasado y he visto cómo se va dando el proceso en esa sociedad. Antes del momento chavista esas demandas populares no se podían vehiculizar, hoy eso es posible. Antes de la llegada de Chávez lo que existía en Venezuela era un régimen superclientelístico de gestión de la cosa pública, como en la Argentina del '30. Cuando las demandas de las bases no encuentran inscripción en los modelos institucionales normales se da la identificación con un elemento trascendente que es la figura aglutinante del líder. Eso es un rasgo general de todos los regímenes populares, no sólo en América Latina. El gaullismo en Francia era un fenómeno similar.

—¿Y el exceso de personalismo de algunos gobernantes no puede amenazar a la democracia como sistema?

—No lo creo. La amenaza para las democracias en América latina no viene de los populismos sino del neoliberalismo. Los mayores atentados contra la democracia en la región han ocurrido en regímenes como el de Videla, con Martínez de Hoz o con Pinochet y los Chicago Boys, en Chile. Lo que ocurre es que en el populismo están los dos elementos, la movilización desde abajo y la identificación desde arriba. Y lo que los discursos de la derecha tratan de decir es que sólo es la identificación desde arriba con el líder lo que cuenta y no ven el proceso de la movilización desde abajo, pero los dos elementos están en tensión. Muchas veces la identificación con el líder se confunde con autoritarismo, pero puede haber identificación con el líder y movilización de masas al mismo tiempo que aumenta la participación democrática.

—¿Qué pasaría si sobreviene una crisis en los ingresos económicos de Venezuela. ¿Podría mantenerse la actual forma de gobierno?

—Yo no sé lo que pasaría, es difícil definirlo. Cuba está recibiendo de Venezuela tanto como recibía de la URSS, y eso es una buena cosa para Cuba, porque se va latinoamericanizando en la medida en que entra dentro de este proceso más global. En los años '40 Abelardo Ramos había escrito un libro, América Latina, un país, que hablaba de la posibilidad de la latinoamericanización de un proceso económico de carácter nacional y parecía una utopía absoluta. Ahora, con la conformación del Banco del Sur por ejemplo y la ruptura con el FMI y el Banco Mundial que impulsa Venezuela y también Kirchner, a su manera, estamos en una buena perspectiva.

—Kirchner también es acusado de populista...

—Yo al presidente Kirchner lo veo positivamente; no entiendo bien el sentido de esta transición a que Cristina sea presidenta, pero de todos modos no me parece mal, ella es una dirigente dura y buena y me parece que la Argentina se está orientando muy bien en las opciones latinoamericanas. La alianza de Kirchner con Chávez es perfectamente clara en esa dirección.

—¿Y cómo ve el presente del Mercosur?

—El Mercosur es la perspectiva real para América latina de avanzar hacia una alternativa respecto de la política de EE.UU. O bien se reafirma el proyecto del Mercosur y avanzamos en la dirección de una alternativa respecto de la política estadounidense o bien lo que va a ocurrir es una cooptación de los países latinoamericanos al proyecto norteamericano. Por eso es fundamental avanzar hacia un proyecto multilateralista y que la comunidad europea consiga constituirse como entidad autónoma. Si eso ocurre, proyectos como el Mercosur van a tener una forma de integración política. Pero si no se consigue y el unilateralismo de EE.UU. se impone yo creo que ...todo verdor perecerá.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Quando é no morro, ninguém grita que é abuso

O vice-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Nino Oliveira Toldo, acha que as denúncias de eventuais abusos dos juízes federais nas Operações da Polícia Federal - uma reclamação de advogados criminalistas - não é válida.
Leia a matéria no Terra Magazine.

Paraguay no roteiro da esquerda

Interessante entrevista com Fernando Lugo, a novidade na política paraguaia, pode ser lida no saite do Brasil de Fato. Lugo é um ex-bispo que abandonou a batina em janeiro deste ano sob a ira do Vaticano e foi lançado candidato à eleição presidencial do Paraguay de 2008 pela coalizão de esquerda Tekojoja - que na língua guarany significa igualdade.

Fernando Lugo poderá pôr fim a 60 anos de domínio do Partido Colorado do ex-ditador Strossner, e assim colocar o Paraguay no roteiro de governos pós-neoliberais do continente latino-americano.

Para ler Fernando Lugo por inteiro e conhecê-lo um pouco mais, bem como as idéias de mudanças que poderão soprar no Paraguay, acesse aqui o Brasil de Fato.

As idéias não se matam

Com os cem bilhões de dólares que, em apenas um ano, caem nas mãos de Bush para continuar cobrindo de luto os lares iraquianos e norte-americanos, poderiam ser formados 999.990 médicos, os quais poderiam atender dois bilhões de pessoas que não recebem atualmente atendimento médico nenhum no mundo. É pouco ou quer mais?!?!

Com esta nova reflexão, Fidel Castro aos poucos vai re-ocupando a cena pública e seu aguardado protagonismo na geopolítica mundial. O conjunto dessa nova ópera del Comandante pode ser lida no Granma Internacional, já traduzido para o português.

A respeito do estado de Fidel, Ricardo Alarcón [Presidente da Assembléia Popular] disse nessa terça-feira que “Fidel Castro tem se recuperado muito, está marchando muito bem em sua evolução, nas suas análises de muita atualidade, e está acompanhando o que acontece no mundo e em Cuba de perto.”.


Alarcón disse ainda que Fidel voltará a exercer suas tarefas como presidente de um modo que possa assegurar que esteja mais tempo à frente de suas responsabilidades com a ilha caribenha e com o mundo.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Zuleido e comparsas não são “Angélicas”

Zuleido Veras, dono da Gautama, a motogirl de propinas Maria de Fátima Palmeira e outros funcionários da gang conseguiram hábeas corpus expedido pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal na noite dessa terça-feira 29 de maio.

Como não são “Angélicas”, precisaram de um único pedido de hábeas corpus para conquistarem a liberdade depois de sete dias de cana numa cela da Polícia Federal em Brasília.

Angélica Aparecida de Souza Teodoro, jovem negra, pobre e desempregada, presa por furtar um pote de margarina de R$ 3,20 para alimentar o filho faminto, teve três hábeas corpus recusados no Tribunal de Justiça de SP e só foi libertada depois de puxar 128 dias de cana pesada no Cadeião Pinheiros.

Só foi libertada depois do quarto pedido de hábeas corpus, então no STF. A sina de Angélica pode ser lida aqui.

Férias necessárias

Marco Aurélio Garcia [MAG], de passada por Porto Alegre rumo a férias no exterior, saiu-se com a seguinte pérola sobre as últimas derrotas eleitorais do PT no Rio Grande do Sul: “Os dirigentes que têm a hegemonia aqui devem explicações. Há uma tendência simplificadora de descarregar tudo para fora. Há problemas nacionais, claro, mas é preciso uma reflexão, sobretudo em um Estado que foi um laboratório de experiências exitosas.” [Zero Hora, Página 10].

MAG precisa mesmo de férias. Sorte que as gozará bem longe daqueles simplificadores [expressão do próprio] que fornecem asneiras sem sentido pra ele proferir. Não seria nada mal se na volta das férias o Marco Aurélio, como dirigente nacional do PT, ajudasse a buscar as explicações [outra expressão dele] a muito aguardadas sobre a desfiguração causada ao PT pelo campo do qual faz parte. Para que assim todos os petistas deixem de ser confundidos com delúbios e silvinhos land-rovers da vida.

Os homens e seus provedores

Renan Calheiros vincou aspectos de ordem pessoal, da sua privacidade nas explicações feitas no Senado. O fez deliberadamente, para pousar de vítima e para não precisar falar de questões de ordem pública, que de fato importariam à República e ao povo.

Um monumental arreglo que foi feito provavelmente salvará Renan do expurgo, evitando que tenha o mesmo destino que seu conterrâneo e ex-chefe teve, que possuía o mesmo hábito de contar com provedores de suas contas e de todas suas necessidades. Isso se a sorte também tiver sido arreglada.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Nem imprensa, nem marrom

Porto Alegre tem sido chacoalhada por fatos sérios que escapam à blindagem garantida pela mídia nativa à Administração de José Fogaça. De tão significativos acontecimentos – greve de servidores, descalabro de hospitais e manipulação de audiência pública -, a imprensa se obriga a dar relativa repercussão.

Com a exceção, contudo, de determinado saite, que represa sua conhecida sanha envenenada. Bem, mas na verdade esse não é exatamente o caso de um veículo de imprensa, o que significaria rebaixar a “imprensa” a lixo puro.

Também não é o caso de designar tal saite como “imprensa marrom”, que seria profundamente ofensivo à imagem de Alcione, a Marrom, sobre quem não se tem o menor direito de confundi-la com o abjeto.

Só se sabe que tal saite recebe patrocínios da Administração de Porto Alegre e do Estado, e que além disso seu editor se auto-proclama “jornalista”, quando ontologicamente melhor seria classificado como um ser de incontrolável ofensividade cuja personalidade salienta uma mania megalomaníaca de se tornar fonte da “grande imprensa”.

O editor e o saite ostentam uma estranha performance de gerar cinco calúnias, difamações e torpezas a cada suposta “notícia” divulgada.

Polícia só pode atuar “contra preto, pobre e puta”. Ou seja, contra “Angélicas”.

Alberto Toron, advogado de um dos réus incriminados pela operação Navalha, considera um “escracho” o trabalho da Polícia Federal, pois segundo ele, “o que se fazia antes contra preto, pobre e puta”, agora é feito contra seus clientes: brancos, ricos e apaniguados do poder.

O jurista Dalmo Dallari, ao contrário, considera injustas as críticas à PF, e diz que quando a polícia ficava prendendo pobres, ninguém via ilegalidades. Veja essa ópera inteira no Terra Magazine.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Justiça só deveria valer para 130 milhões de “Angélicas”

Por Jeferson Miola
Para a elite brasileira, a justiça só deveria ser aplicada contra as 130 milhões de “Angélicas” do Brasil. E sempre com o intuito de punir, banir e sacrificar, jamais o de julgar com decência.

Angélica Aparecida de Souza Teodoro, jovem negra, moradora da periferia da metrópole, mãe precoce desde os 16 anos, desempregada, filha de pais pobres e negros, abandonada da escola, excluída da sociedade, indefesa, seqüestrada no direito de ter futuro e desamparada pela Justiça.

Em 16 de novembro de 2005, aos 18 anos, Angélica foi encarcerada numa cela fétida do Cadeião Pinheiros, na capital paulista, juntamente com outras mulheres acusadas de cometimento de variados tipos de crimes. O motivo do encarceramento foi a tentativa de furto de um pote de margarina de valor de R$ 3,20, ocorrida num mercadinho próximo à sua casa. Esse tenebroso crime, sofisticado com o ocultamento da margarina dentro do boné que usava, foi cometido num momento de desespero, pois, segundo suas próprias palavras, “não agüentava ver o filho de dois anos passar fome”.

Angélica sofreu um julgamento célere na 23ª Vara Criminal de São Paulo, sendo condenada a quatro anos de prisão em regime fechado. Teve três habeas corpus negados pelo Tribunal de Justiça de SP [observe-se que a palavra “negados”, neste preciso contexto, parece etimológica e racistamente significar “prôs nêgos”]. Por isso, ficou presa durante 128 dias, só sendo libertada em 23 de março de 2006 depois da obtenção de um habeas corpus junto ao STJ.

Entre o pedido e a concessão do habeas corpus a Angélica, transcorreram sete dias de árduos trabalhos do STJ. Bem diferente, portanto, da agilidade daquele Tribunal em conceder liberdade a juízes, empresários e políticos brancos, endinheirados, influentes, bem relacionados nas esferas do poder, assaltantes de dinheiro público e implicados pelas operações Anaconda, Furacão e Navalha da Polícia Federal.

De qualquer modo, Angélica “reconquistou a liberdade” em 23 de março de 2006, mas em função do grave crime cometido, passaria a cumprir prisão em regime semi-aberto, tendo o dia para trabalhar e a noite a ser dormida na prisão!
A história de Angélica é a história de 130 milhões de brasileiras e brasileiros desvalidos e desamparados por razões étnicas, sociais, econômicas, escolares, raciais, de gênero ou de gerações. É a história daqueles que, em modo perverso, constituem a verdadeira República sem privilégios, favorecimentos, jeitinhos e apadrinhamentos.

Faltaram, no caso de Angélica, manifestações loquazes e insurgentes de políticos, magistrados e doutos contra a injustiça cometida. Manifestações com a mesma contundência hoje feitas por políticos, magistrados e doutos combatendo o trabalho republicano da Polícia Federal. Não atacam a PF em vão. Sabem que fazem-no com segundas intenções de desmoralizar e interditar o trabalho da instituição, pois quem determina ou relaxa prisões é o Judiciário. A polícia cumpre o que a Constituição manda: investiga, produz provas e indícios e remete ao Judiciário para julgamento.

O Brasil arcaico e patrimonialista ainda tem uma elite privilegiada ocupando o miolo do poder de Estado e que esperneia contra o esforço de modernização e republicanização do país. Esta elite que reluta ferozmente contra toda e qualquer ameaça aos interesses e privilégios acumulados. Protege-se numa genuína solidariedade de classe e espírito de corpo. Para essa elite, a Justiça só pode ser aplicada nos da classe de baixo, quando for para criminalizar e condenar 130 milhões de Angélicas. Uma elite que se considera intocável, insuscetível à Lei de Todos.

O Ser e o Blog

As infinitas criações de formas e possibilidades de expressão atuais não são afeitas a mergulhadores de águas profundas. Os blogs que se proliferam feito baratas no lixo, por exemplo, ainda que anunciem uma possibilidade democrática maior, têm o poder de pulverizar, além de envelhecer, qualquer idéia em poucas horas.Para ler a crítica completa de José Pedro Goulart sobre o fenômeno da “blogsfera”, clicar aqui.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Uma Generala Libertadora nas Américas

Neste 24 de maio, o Presidente do Equador Rafael Correa promove póstumamente Manoela Sáenz ao cargo honorífico de Generala do Equador [Ler mais]. Esta mulher, uma lutadora anti-colonialista e anti-imperialista, em dezembro de 1824 recebera o grau de Coronel do Exército Colombiano em recomendação feita por Mariscal Sucre em carta dirigida ao Libertador Simón Bolívar:

Se ha destacado particularmente Doña Manuela Sáenz por su valentía; incorporándose desde el primer momento a la división de Húzares y luego a la de Vencedores, organizando y proporcionando avituallamiento de las tropas, atendiendo a los soldados heridos, batiéndose a tiro limpio bajo los fuegos enemigos; rescatando a los heridos. ... Doña Manuela merece un homenaje en particular por su conducta; por lo que ruego a S.E. le otorgue el grado de Coronel del Ejército Colombiano. Ayacucho. Frente de Batalla, diciembre 10 de 1824.

Nossos vizinhos e irmãos latino-americanos têm feito um esforço de reconstrução da própria memória e história. Além disso, a condecoração de Manoela Sáenz tem grande significação para luta pela emancipação das mulheres, e ajuda a revelar o protagonismo decisivo das mulheres nas lutas libertárias em todo o mundo e em todos os tempos.

A quem serve o atual modelo econômico?

Desde a adoção do Plano Real, bancos e corporações estão exaurindo a economia brasileira e obtendo ganhos fabulosos sob a forma de juros, lucros e dividendos. Ainda agora pagamos no cartão de crédito juros com taxa superior a 10% ao mês, taxa inaceitável em qualquer país civilizado. No entanto, aqui, o Banco Central, fiscal do setor bancário, omite-se sobre esse abuso em nome da liberdade de mercado. Leia o artigo de Ceci Juruá na íntegra clicando aqui; quando solicitado senha, digite ceci.

Resposta indígena ao Papa Bento XVI

Durante o périplo realizado no Brasil, o Papa Bento XVI revelou vários ângulos do reacionarismo anacrônico da Congregação da Fé [sucedânea da Inquisição]. Negou o genocídio praticado pela Santa Fé contra as populações indígenas e destacou que a “evangelização” foi “uma obra” difundida “sem imposição” aos índios nativos do continente latino-americano.

A resposta ao Papa, dada pela Confederação dos Povos de Nacionalidade Kichwa do Equador [a mais numerosa que faz parte da CONAE – Conselho de Nacionalidades Indígenas do Equador] foi contundente: “Ya no es la hora de nuevas y renovadas conquistas en nombre de nada. Rechazamos las coincidencias políticas, y religiosas que existen entre Bush y el Papa para criminalizar las luchas de los pueblos oprimidos.”. Ler na íntegra.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Submarino inglês

Em nova reflexão, que pode ser lida no Granma traduzida ao português, o Presidente Fidel Castro faz uma comparação entre a mais recente criação bélica inglesa e as exigências humanas contemporâneas que poderiam ser satisfeitas com os investimentos da indústria armamentista. Diz Fidel: “Para isso, ou para o holocausto da espécie, é para o único que serviria seu maravilhoso submarino”.

Quando o Judiciário não deixa fazer justiça

As operações da Polícia Federal podem dar com os burros n’água se os vigaristas endinheirados e engravatados continuarem se valendo de ardis legais para gozarem de privilégios.

De nada adianta o eficiente trabalho da PF de desbaratamento de quadrilhas que saqueiam recursos públicos se na ponta final dos processos - no Judiciário -, são valorizadas “tortuosidades” jurídicas que permitem aos réus presos em flagrante disporem de foro privilegiado, terem prisão revogada e gozarem de outras regalias.

O Judiciário, que valoriza tanto as filigranas técnicas e formais que acabam permitindo a soltura dos vigaristas endinheirados e engravatados deveria, ao contrário, se valer dos mínimos detalhes previstos na lei para aplicar com justiça e severidade as penas da lei, independentemente da condição social, econômica ou funcional da pessoa implicada.

A atuação das mais altas instâncias do Judiciário é decepcionante, a pretexto da alegação de seguirem a lei. Na verdade, o STF e o STJ atuam na proporção inversa ao sentimento estupefato e indignado da sociedade brasileira com os fatos revelados. A cada dia a injustiça marca ponto com a soltura em escala industrial dos quadrilheiros presos em flagrante.

O Brasil só se tornará uma república verdadeira quando o sonho de justiça for realizado. Este sonho não se realizará sem a profunda transformação do Sistema e do Poder Judiciário do país, principalmente quando se sabe que foi comprometido nos escândalos recentes e cuja atuação leniente produz uma cultura de impunidade, de favorecimento e de injustiça.

Ministro gaúcho do TCU é citado em diálogo de vigaristas

O Ministro gaúcho do TCU, Augusto Nardes, que frequentemente ocupa os principais veículos da mídia gaúcha papagaiando postura diligente e austera de fiscalização do governo Lula, é citado em diálogo entre os vigaristas Paulo Magalhães e Zuleido Veras.

Zuleido Veras é o empreiteiro quadrilheiro que manipulava licitações e superfaturava obras com o auxílio de governadores, agentes públicos, políticos e empresários, a quem retribuía com generosos presentes.

O deputado Paulo Magalhães recebeu 20 mil reais de propina do empreiteiro [o que foi divulgado até agora] , é um Demo e sobrinho de ACM, que considera “insignificante” seu sobrinho ter recebido a pequena quantia.

No diálogo, divulgado no dia de hoje, o empreiteiro revela a tática da quadrilha no TCU, pedindo vista para evitar que um processo desfavorável à empresa Gautama fosse julgado. Segundo o publicado, tudo aconteceu como premeditado pelo chefe da quadrilha, com um Ministro do TCU pedindo vistas e o processo sendo aprovado posteriormente.

O diálogo:

Zuleido: Tamos pedindo vista.

Paulo: Tá bom.

Zuleido: Quem deve pedir é Nardes ou coisa assim, tá? Ou então Guilherme. Tamos já na berlinda ... Mas vai ser resolvido, vai ser resolvido. Agora, é bom dar um pulinho lá... Olha meu amigo, não faça mais isso.

Paulo: Lógico, eu não vou dar atestado a ele.

Zuleido: É não faça mais isso com a gente não. Porque a empresa é minha.

Paulo: P...

Zuleido: Não faça mais isso com a gente não porque a empresa é minha, pode dizer assim...
*** ***
Adendo: será o folgoso Ministro Nardes entrevistado em conhecido programa vespertino de rádio para dar suas explicações?

terça-feira, 22 de maio de 2007

Justiça e Política Externa tornam crível a idéia de uma República

Em duas áreas em que o Estado tem monopólio de atuação vêm se processando reformas de caráter republicano e modernizador. São reformas que se concretizam sem estardalhaços, sem traumas e sobrevivendo aos habituais combates odiosos da oposição contra o governo. E que têm prescindido de mudanças no arcabouço jurídico-constitucional do país, pelo menos no estágio em que se encontram.

A forma de condução e a compreensão estratégica de longo prazo dos seus operadores são características que têm assegurado êxito na implementação dessas reformas, imprescindíveis para a nação e para a sociedade brasileira. É o que vem acontecendo em relação à Política Externa e aos assuntos da Justiça, vista sob a jurisdição do Poder Executivo. Para ler o artigo integralmente na Carta Maior, é só clicar.

Com a Navalha da PF, até o Silas rodou

segunda-feira, 21 de maio de 2007

No Império, crítica e divergências são crimes

Michael Moore, cineasta estadudinense que marca sua produção cinematográfica por uma crítica dura e sarcástica ao modo de vida nos Estados Unidos e ao “regime” de George W. Bush, reconhece que deverá enfrentar uma “tempestade” no retorno ao país após a viagem de apresentação do seu último filme, Sicko, no Festival de Cannes.

O motivo da “tempestade” é a alegação de que ele violou o embargo dos Estados Unidos a Cuba, pois viajou de lancha até Guantánamo [território dos EU em Cuba] e após para Havana [território livre], onde realizou filmagens com voluntários dos resgates à torres gêmeas de 11 de setembro de 2001 que, doentes, não recebem tratamento de saúde no seu país. Sicko, expõe as deficiências do sistema de saúde pública nos Estados Unidos.

Miseráveis – A estética da dor

Miseráveis – A estética da dor é a maravilhosa exposição de Arminda Lopes que acontece no MARGS até o dia 24 de junho.

Com qualidade técnica exuberante e própria de uma artista que aprendeu com Vasco Prado, Leila Sudbrack e outros mestres, a mostra é uma exibição do cotidiano urbano e suas paisagens compostas de humanos que são desumanizados por um sistema injusto e cruel.

Concebidas em linguagem direta e realista, as dez esculturas da artista são obra e denúncia. É uma exposição simplesmente imperdível.