quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Na era 11 de setembro

Em 1973, num 11 de setembro trágico para os destinos do povo chileno e da nação latino-americana, se consumou o golpe de Estado do General Pinochet apoiado pela CIA e pelo governo dos Estados Unidos contra o governo socialista de Salvador Allende, que havia sido eleito democraticamente em 1970.

Para a mídia conservadora internacional, apesar disso, o 11 de setembro alude exclusivamente às torres do World Trade Center. Para a consciência histórica, contudo, os 11 de setembro de 1973 e de 2001 são dois lados da mesma terrível condição de domínio imperial que terá fim.

As sanguinárias ditaduras implantadas na América do Sul pelos Estados Unidos nos anos 1960 e 1970 foram as filhas primogênitas dos governos de Washington. Saddam, Noriega, Bin Laden e os Talibãs são seus irmãos mais novos, nascidos nos anos 1980 e 1990 para os interesses de distinta geografia e geopolítica.


Na era pós-11 de setembro

O 11 de setembro será sempre lembrado como uma data delimitadora dos tempos modernos. A cronologia da história cristã contemporânea, que antes se definia como Antes de Cristo [AC] e Depois de Cristo [DC], desde 2001 passou a classificar temporalmente a existência moderna como Before-Eleven [i] e After-Eleven [ii]. Escrito e pronunciado assim mesmo, na “língua pátria” do planeta. Termos que, em tradução livre e não-literal, seriam sinônimos de Nos Tempos de torres no céu [i] e Nos Tempos de torres no chão [ii].

Enquanto os Estados Unidos fazem da auto-vitimização o salvo-conduto para agirem como agem, o mundo fica cada vez pior, mais violento, menos democrático e mais unipolar. Os ataques horrorosos e estúpidos da Al Quaeda em 11 de setembro de 2001, que culminaram com a destruição das torres gêmeas e as mortes inaceitáveis de quase cinco mil civis dos Estados Unidos, foram o álibi que o governo imperial de George Bush ansiava para empreender a onda militarista e policialesca vigente no mundo.


Além de Bush, a lógica neoliberal se comprazia com a descoberta de um vetor [no caso, a guerra] que pudesse empinar a locomotiva da economia mundial em momento de crise e estagnação. Como declarava o Diretor Gerente do FMI, Horst Koehler nas semanas que antecediam o início das operações no Iraque à revelia da deliberação da ONU e do sentimento dos povos de todo o mundo, “uma guerra rápida contra o Iraque será benéfica para os mercados”.


A cruzada dos Estados Unidos nesta “missão” auto-proclamada a favor da civilização e da democracia, contra o “Eixo do Mal” e contra o terrorismo, empreendida a partir do After-Eleven, se ampara num doutrinarismo, obscurantismo e sectarismo próprios dos cinzentos tempos medievais. Que é consentâneo, porém, do retrocesso do conserto entre as Nações, do reacionarismo do Vaticano em fase Opus Dei, da xenofobia européia, do totalitarismo midiático, das guerras de dominação, das guerras de conquista e de mercados supremos e superiores às democracias nacionais.


O mundo só piorou depois de 11 de setembro de 2001. É mais violência, repressão, insegurança e guerras. Aí estão Palestina, Kosovo, Afeganistão, Paquistão, Iraque e todas as demais frentes de batalha – militar, comercial ou econômica – mantidas pelos governos estadudinenses. E, se depender das correntes reacionárias da política dominante naquele país, o mundo continuará piorando.


O 11 de setembro, a Al Quaeda, Saddam Hussein, Talibãs, Guantánamo, Abu Ghraib, mercenários, ditadores e outros gêneros da sordidez e do banditismo internacional são parte da cultura imperialista dos Estados Unidos, e não a sua oposição. São faces da mesma moeda. Estes gêneros todos são criações e conseqüências do Império. Exatamente nesta ordem: primeiro são criados e inventados para determinados fins e interesses; depois, se tornam incômodos, quando não conseqüências trágicas ao próprio Império.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Muitos Caminhos, uma estrela: Memórias de militantes do PT

Amanhã, 09/09, às 19 horas, em cerimônia da qual participam Flávio Koutzzi, Olívio Dutra e Raul Pont, acontece o lançamento no Rio Grande do Sul do livro “Muitos Caminhos, uma estrela: Memórias de Militantes do PT”. O livro, organizado pelos professores Alexandre Fortes (UFRRJ) e Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ e CPDOC/FGV), é o primeiro resultado público do Projeto de História Oral do Partido dos Trabalhadores, uma parceria do Centro Sérgio Buarque de Holanda – Documentação e Memória Política da Fundação Perseu Abramo com o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV).
O evento acontece no Sindicato dos Bancários, na Rua da Ladeira, 324.

domingo, 7 de setembro de 2008

Las malas palabras

Las malas palabras, por Roberto Fontanarrosa, “El Negro”:

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Cenário eleitoral em Porto Alegre

Jeferson Miola
O cenário eleitoral de Porto Alegre parece estar em franca alteração. O que meses atrás pareceria estapafúrdio em análises de cenário eleitoral - como a ausência do PT no segundo turno -, poderá ser uma possibilidade realista, se persistirem as tendências e indicações vigentes.

Seria a primeira vez em 20 anos, desde 1988, quando o PT conquistou Porto Alegre com Olívio Dutra, que o PT ficaria fora da polarização real na cidade que mais originalmente vincou a natureza moderna, democrática e popular das administrações do PT. E que lhe deram evidência nacional e internacional, e lhe premiaram como sede do Fórum Social Mundial e do emergente movimento internacional contra o neoliberalismo.

A posição de potencial favoritismo de Maria do Rosário, perceptível até maio-junho, hoje é contrastada com um sentimento perturbador de estabilização desfavorável da candidatura. Dois aspectos confirmam as evidências preocupantes. Um, que a hipótese de re-eleição, para Fogaça, nunca foi antes tão crível quanto o é agora, favorecido por uma dinâmica eleitoral geral que é despolitizadora e de um “afirmativismo” asséptico. E [2], num contexto de fetichização da política, a Manuela não só parece ser a maior beneficiária, como política e eleitoralmente tem sido poupada das contradições de ter-se vinculado ao que de pior já ocorreu na política gaúcha após o fim da ditadura militar: o brittismo de cepa pura.

Me interrogo, diante desta situação, se em lugar da idéia duma política de “cenário clean em fundo azul celeste” não seria apropriado o antagonismo fundado na crítica, nas contradições dos adversários e na confrontação de projetos – passados e futuros? Não pareceria razoável a candidatura Maria do Rosário - pela tradição de 16 anos de governos do PT na cidade – criar agenda eleitoral e ter a ambição de polarizar o debate sucessório? Seria presunçoso o PT reivindicar a autoria de conquistas fundamentais como o Orçamento Participativo e o Fórum Social Mundial e ser ele, o próprio PT através de Maria do Rosário, a anunciar em voz alta e altiva que pode sim retomar tais conquistas, ao invés de outras candidaturas se apropriarem, distorcerem e anunciarem ao povo de Porto Alegre?

É certo que os dirigentes da candidatura Maria do Rosário e a direção do PT em Porto Alegre, com a responsabilidade que conquistaram, devem fazer uma apreciação apurada e rigorosa quanto aos destinos da campanha. [E, tomara, seja tal apreciação de convicção e amparo na realidade oposta às percepções preocupadas aqui alinhavadas]. É de se confiar, também, que corrigirão os rumos que devem ser corrigidos e em tempo adequado para a reversão de tendências aparentemente desfavoráveis.
Seria o pior dos mundos para o PT e para a esquerda brasileira uma hipótese de ausência no segundo turno eleitoral nesta que foi a capital mundial dos sonhos de esquerda.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Laurie Anderson e sua arte libertária

Para quem imagina que no mundo artístico nos Estados Unidos a voz mais ácida é a de Michael Moore, Laurie Anderson é um notável desmentido. Ela se apresenta em Porto Alegre, dentro da programação do 15º Porto Alegre em Cena, com um show que é uma criação complexa, instigante e politicamente forte.

Em termos musicais, sua arte é revolucionária, que faz um sincretismo harmonioso do eletrônico, das cordas e dos teclados. É ópera e rock. É ópera de rock progressivo, podendo ser também uma batida despretensiosa de sons primitivos. Consegue no violino os lamentos doídos e profundamente tocantes para a expressão de acordes mais dramáticos.

As letras das músicas - que são verdadeiros discursos musicados – são o hino duma melhor consciência política e anti-imperialista. E ela não é só contra Bush e seus partidários republicanos. Ela é ferozmente contra o sistema. Com uma consciência aguda do mal que os Estados Unidos faz ao mundo a partir da condição que se auto-imputa, de um protestantismo que o faz se definir como um país predestinado a civilizar o mundo e a humanidade. Ela expõe tudo isso com uma sutileza e inteligência diferenciada. A parábola e a metáfora são recursos usados em medida exata, e por isso concedem maior força argumentativa e fidúcia às suas convicções.

Laurie Anderson é um alento na arte e na política. Prova que a busca pela liberação não está fora de moda, de que se pode fazer arte com engajamento político e ambição libertária. Nestes tempos tenebrosos, com seus 61 anos ela é um saudável anúncio de que a história está longe do fim e de que os imperialismos, totalitarismos e capitalismos - esses sim - têm de ter fim.

Gilmar Mendes na Coréia. Clandestinamente?!?!

Mesmo que, por força de Lei se ignore o teor [ainda que muito revelador da suposta “independência” da Justiça – sic!] da conversa gravada que foi mantida por Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, com o Senador Demostenes Torres, é inevitável concluir que ao menos o episódio da gravação teve um mérito: obrigou Gilmar Mendes a divulgar sua agenda institucional ao cancelar uma viagem declarada como oficial.

Assim, ao menos a Nação tomou conhecimento que o Presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil faria uma viagem oficial [?] à Coréia do Sul. Se não tivesse ocorrido o episódio da conversa gravada clandestinamente, a viagem de Gilmar Mendes passaria desapercebida, até mesmo “clandestina” para a sociedade que lhe paga o maior salário do País acrescido de mordomias diversas, como carro, motorista particular, casa funcional e sabe-se lá mais o quê.


Qual o motivo da visita que o Presidente do STF à Coréia do Sul nem o mais bem informado habitante de Seul deve saber informar. Devem haver motivos transcendentais que justifiquem uma viagem do Presidente da mais alta Côrte Judicial do Brasil à Coréia do Sul!


Bem faria Sua Excelência, o Ministro Gilmar Mendes, se revelasse à Nação o motivo, a agenda, a comitiva e os compromissos que teria na Coréia do Sul. O espírito público recomendaria também que os custos da viagem fossem divulgados. Tudo para que tal viagem oficial não passe como um ato clandestino e secreto do Presidente do STF.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Procuradores publicam Carta ao povo brasileiro

Procuradores da República de todo o país publicam carta à sociedade brasileira repudiando as decisões do Ministro Gilmar Mendes, Presidente do STF – Supremo Tribunal Federal, que liberou da prisão Daniel Dantas, Naji Nahas, Celso Pitta e outros pilantras que fazem parte da quadrilha recentemente desbaratada pela Polícia Federal.

A decisão monocrática de Gilmar Mendes, em velocidade supersônica e sem paralelo com outras decisões normalmente aplicadas aos filhos modestos do povo, é revoltante.

Dizem os Procuradores na carta à sociedade:

Carta aberta à sociedade brasileira sobre a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4.
Dia de luto para as instituições democráticas brasileiras
1.Os Procuradores da República subscritos vêm manifestar seu pesar com a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4, em que são pacientes Daniel Valente Dantas e Outros. As instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal da 1ª instância, no Estado de São Paulo.
2.As instituições democráticas foram frontalmente atingidas pela falsa aparência de normalidade dada ao fato de que decisões proferidas por juízos de 1ª instância possam ser diretamente desconstituídas pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, suprimindo-se a participação do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Definitivamente não há normalidade na flagrante supressão de instâncias do Judiciário brasileiro, sendo, nesse sentido, inédita a absurda decisão proferida pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal.
3.Não se deve aceitar com normalidade o fato de que a possível participação em tentativa de suborno de Autoridade Policial não sirva de fundamento para o decreto de prisão provisória. Definitivamente não há normalidade na soltura, em tempo recorde, de investigado que pode ter atuado decisivamente para corromper e atrapalhar a legítima atuação de órgãos estatais.
4. O Regime Democrático foi frontalmente atingido pela decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal, proferida em tempo recorde, desconstituindo as 175 (cento e setenta e cinco) páginas da decisão que decretou a prisão temporária de conhecidas pessoas da alta sociedade brasileira, sob o argumento da necessidade de proteção ao mais fraco. Definitivamente não há normalidade em se considerar grandes banqueiros investigados por servirem de mandantes para a corrupção de servidores públicos o lado mais fraco da sociedade.
5.As decisões judiciais, em um Estado Democrático de Direito, devem ser cumpridas, como o foi a malsinada decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal. Contudo, os Procuradores da República subscritos não podem permanecer silentes frente à descarada afronta às instituições democráticas brasileiras, sob pena de assim também contribuírem para a falsa aparência de normalidade que se pretende instaurar.
Brasil, 11 de julho de 2008.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O atrevimento criativo e a criatividade atrevida

Freqüento o Templo do Internacional, o Estádio do Beira-Rio, desde os anos 1976 quando vim morar em Porto Alegre. É a época em que atuavam no Beira-Rio Falcão, Figueroa, Carpeggiani, Manga, Escurinho, Valdomiro, Batista, Caçapava, Marinho Perez, Lula, Jair [Príncipe Jajá], Dario [Dadá Maravilha], Flávio Minuano e outros craques eternamente venerados pela maior e melhor torcida do Rio Grande do Sul.

Nos últimos dez anos, compareci no Templo sempre que pude, a não menos que em média 25-30 partidas lá jogadas a cada ano; a grande maioria delas na companhia dos meus filhos Iagê e Thales. Neste período, foram muitas as partidas decisivas, a mais importante delas a decisão com conquista da Taça Libertadores da América.

Tive a oportunidade, por isso, de ver, assistir e viver a disputas memoráveis, gols maravilhosos, jogadas espetaculares, comemorações inesquecíveis, choros cortantes e, principalmente, o desfile de vistosos craques.

Neste último domingo, contudo, saí do Templo do Beira-Rio como uma sensação diferente, de um privilegiado que pôde gravar na retina as jogadaças do novo craque surgido da Usina incubadora de jogadores futebol que é o Inter.

Me refiro ao jovem Taison, 20 anos. Um show de atrevimento criativo. E também uma criatividade atrevida. Um menino destemido, escorregadio, nada fominha, dono de um futebol tão vistoso e exuberante que mais se parece uma obra de arte.

Além de tudo, Taison tem uma humildade e senso auto-crítico digno dos que reúnem características para serem também craques morais: apesar de ter errado [ou deixado de acertar] apenas dois passes das duas dezenas de passes desconcertantes feitos com perfeição no primeiro tempo do jogo, no intervalo declarou que “tinha errado muitos passes”.

Como colorado, tenho já me acostumado à idéia da provisoriedade de permanência de craques revelados no Templo, por imposição da força mercantil e global que domina o futebol. Saem vários todos os anos, e quase todos eles ainda pré-adolescentes. O último e mais marcante dessa espécie, até então, tinha sido o Alexandre Pato.

Tenho consciência de que Taison, como toda revelação, é já a alegria de ter aqui existido e ao mesmo tempo a tristeza de daqui ter partido. Me dou por feliz e privilegiado, entretanto, por tê-lo retido eternamente em minha retina e ter usufruído uma alegria lúdica, vívida e infantil com suas jogadas.

Por certo este guri será vitimado pela sina que aplaca os melhores, que têm de mostrar seus predicados a todo o mundo, como em cumprimento à ode do hino gaúcho, que profetiza que nossas façanhas devam servir de modelo a toda a Terra.

Há um livro de poemas do poeta e escritor uruguaio Mário Benedetti que se chama Adioses y Bienvenidas. Este livro do Benedetti foi a primeira metáfora que me veio à mente na saída do estádio hoje depois da vitória estupenda por três a zero contra o Curitiba, enquanto eu tentava entender porquê Taison durará como um cometa no Gigante do Beira-Rio. Porque ele é uma Bienvenida, é também um Adiós. E assim “vâmo vâmo” Inter, entre Bienvenidas y Adioses; entre um novo Taison que se irá e o outro Taison que virá.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Deputado Troca trata povo gaúcho como palhaço

O Deputado do PSDB Adilson Troca, relator-abafador da CPI do DETRAN, em entrevista coletiva a pouco concluída, foi um show de atrapalhação, desfaçatez e falta de vergonha.

O Deputado tucano, Troca, para variar um pouco se confundiu e trocou o auditório onde dava a entrevista pensando estar numa arena de circo: tratou o povo gaúcho como palhaço.

Com suas respostas pífias, incongruentes, da profundidade de um pires e da consistência de uma gelatina, o Deputado do PSDB mostrou sua fidelidade com o grande arreglo feito pelo conservadorismo gaúcho para proteger o governo e a governadora Yeda Crusius da responsabilidade no maior escândalo de corrupção da história do Rio Grande do Sul.

É triste e vergonhoso o arreglo feito da maioria parlamentar do governo estadual [PSDB, PMDB, PP, PTB e DEM] para livrar a cara do governo Yeda e dos seus aliados, implicados até o pescoço com toda a roubalheira. A sociedade se reencontrará na próxima crise, originada por dentro e a partir do próprio governo, apesar do delírio da governadora em se considerar alvo de golpismo da oposição.

ET: a categoria dos pescadores artesanais de Rio Grande sai ganhando tendo Adilson Troca mais Deputado e menos pescador.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O bebê de Yeda “Rosemary”

A Governadora Yeda Crusius é um ser humano que congrega muitas características, e muitas delas sui generis.
A Governadora, que já foi alcunhada por Paulo Sant´Anna como “um ente ficto, um ectoplasma tecnocrático, uma utopia dirigencial, uma avacalhação mais completa do papel da mulher ” [
clicar para ver ela por Paulo Sant´Anna e em outro comentário do Biruta], é merecedora de outras adjetivações - substantivadas pela conduta sempre surpreendente. A mais saliente é a de um ser delirante, esquizóide, de perfil fugidio à realidade.
A este perfil, a Governadora tenta, de forma completamente ridícula, fazer metáforas ou chistes que só ela entende e que são compreendidas tardiamente por um restrito grupo de pessoas que acessa o manual de instruções do cérebro dela ou que partilha de duvidosa predileção pela idiotice. Lastimável na política e na administração, a Governadora se notabiliza trágica no quesito senso de realidade.
A mais recente da Governadora foi a metáfora inapropriada e de péssimo gosto que relaciona a corrupção do Detran com bebês japoneses, dizendo que este bebê [corrupção] não é dela.A Governadora persiste no seu surto esquizofrênico e paranóico não tratado [
ver Agonia e pânico de Yeda], de transferir a responsabilidade aos outros, de fazer de conta que não é com ela, apesar de todas as evidências materiais em contrário, que dizem que sim, o DNA da corrupção do Detran revela traços tucanos e dos seus aliados centrais e preferenciais.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

“Ah! Camões, se vivesses hoje em dia”

Rola na internet e foi publicado na Carta Capital que uma jovem de 16 anos, prestando vestibular na Bahia interpretou conforme segue o seguinte trecho dum poema de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer
”.

A interpretação:

Ah! Camões, se vivesses hoje em dia, /
tomavas uns antipiréticos, /
uns quantos analgésicos / e Prozac para a depressão. /
Compravas um computador, consultavas a Internet /
e descobririas que essas dores que sentias, /
esses calores que te abrasavam/ essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo, /não eram feridas de amor, /
mas somente falta de sexo!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Geração rebelde e pulsante

A manifestação “Fora Yeda”, realizada na quinta-feira passada [19/06] em frente ao Palácio Piratini teve o script de sempre destas ocasiões. Mas foi também uma ocasião alvissareira.

Duas figuras se destacaram com sua luminosidade pessoal e política: Ariane Chagas e Joana Stédile. Duas jovens, combativas e ideológicas, que foram marcantes com seus discursos genuínos [nada senso-comum], estridentes e anti-sistema. Duas mulheres rebeldes, feministas, agudas e apreciavelmente antagonistas.

Sinais da geração de esquerda viva, pulsante e rebelde que desponta.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Eles têm medo de quê?

Jeferson Miola
A cambiante conjuntura política gaúcha deu uma reviravolta de 180 graus nas últimas duas semanas. O Governo Yeda foi tirado do canto do ringue.
A base parlamentar se reagrupou monoliticamente, sem deserções. O Vice-Governador, que conhece em detalhes e tem documentadas muitas falcatruas - do financiamento eleitoral de Yeda a obscenidades do governo – perdeu o “furor ético” e silenciou. As classes empresariais - intendentes da “capitania hereditária” – colocaram todas as fichas no governo moribundo que subsistiu da crise. A mídia gaúcha passou a repercutir a crise em medida inversamente proporcional à proximidade do escabroso escândalo com a Governadora.
O conservadorismo político, econômico e midiático gaúcho conseguiu, a partir de um grande arreglo, recompor seu bloco. Em breve saberemos, entretando, ao “preço” [expressão utilizada pelo ex-Chefe da Casa Civil que denota a precificação das coisas e das pessoas] de quantos Detrans, Banrisuls, CEEEs, anistias e favores fiscais, empréstimos facilitados, isenções tributárias, concessões públicas, publicidades pagas e etc.
Esta é parte conhecida e abominável do jogo político praticado pelo reacionarismo da província. É a lógica do vale tudo desde que seja para prejudicar o PT ou para não permitir que circunstâncias possam favorecê-lo. É a velha política feita com ódio e de maneira odiosa. A mesma maneira que, aliás, obrigou o Rio Grande a esta tragédia que é o Governo Yeda, em nome da obstrução do retorno do PT ao Piratini.
Eles não querem o melhor para o Rio Grande, mas sim conservar os seus melhores interesses e privilégios. Eles não pensam no que poderia melhorar a vida de todos, mas naquilo que não atrapalhe os seus objetivos. Eles não fazem política a favor de alguma coisa, mas contra o PT. Eles sempre optam por planos para derrotar o PT, e nunca por projetos para governar o Estado ou as cidades - mesmo que os planos contra o PT sejam prejudiciais ao povo e ao futuro, e mesmo que os projetos do PT sejam o melhor para a sociedade.
Muitos deles fazem política com ódio e preconceito contra o PT, e têm medo daquele PT autêntico e programático que operou importantes transformações em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul. Foi assim que elegeram Yeda, com a idéia fantasiosa, mítica e vazia do “novo jeito de governar”; a reedição estadual da fraude “nirvanesca” que aplicaram com Fogaça em Porto Alegre para derrotar o PT. O Rio Grande e Porto Alegre ficaram pior com eles, mas como o que lhes interessa é “tirar” o PT e não deixá-lo voltar, então para eles a coisa está boa e deve continuar, mesmo que a população os repugne.
No fundo, isso ajudará o PT nas eleições deste ano. Eles estão todos empulerados no mesmo galho. A opção pela corrupção, ódio e desfaçatez lhes cobrará um alto “preço” [para usar novamente a expressão ao gosto de um dos “guias” deles]. Parafraseando o poeta Mário Quintana, eles passarão, nós passarinho ...

O que diria Comparato?

A tese de impeachment é sempre polêmica. E a polêmica só existe porque o assunto é passível de interpretações distintas dependendo do ângulo e da consciência jurídica que analisa o conteúdo incriminador.

Diante das evidências, bases probatórias, provas e indícios colecionados pela CPI do Detran, uma curiosidade se aguça: o que diria o notável jurista Fábio Konder Camparato a respeito da responsabilização da governadora Yeda Crusius?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

diZerEs de camInHão

Na inconstante e ocasional seção “diZerEs de camInHão” de BiruTaDoSuL são postadas frases estampadas nos apara-barros dos caminhões que rodam as estradas da vida. Apara-barro, na concepção moderna de marketing, é uma espécie de “outdoor traseiro ambulante”.

A longa frase de hoje é:

A diferença entre flanelinhas de rua e as concessionárias de pedágios é que as concessionárias conseguiram contratos indecentes com o Estado, que a Yeda quer prorrogar.

Agonia e pânico de Yeda

A corrosão moral e política do governo de Yeda Crusius se aprofunda de maneira cada vez mais irreversível. Mesmo que eventual arreglo para salvá-la seja exitoso, a Governadora estará definitivamente debilitada para liderar uma dinâmica econômica, social e política requerida para o desenvolvimento do Rio Grande. Yeda não reúne as condições morais, éticas e políticas para tanto.

O governo Yeda Crusius já é o maior empecilho ao aproveitamento das condições virtuosas presentes nos tempos atuais de PAC, de aumento do emprego formal, do clima favorável ao setor agropecuário, de expansão de todos os créditos e dos investimentos sociais.
É um governo que agoniza nos braços daqueles partidos políticos que, tendo dentre seus quadros alguns integrantes das quadrilhas que saquearam o Detran [e presumivelmente tenham também atuação na CEEE e Banrisul, a considerar-se as confissões do ex-Chefe da Casa Civil Cézar Buzatto -, se arreglam para salvar Yeda na ilusão de que assim estarão se salvando a si próprios.

Nestas circunstâncias, é compreensível que a Governadora esteja num quadro exarcebado de perturbação. Embora se possa considerar inaceitável uma governadora de um Estado como o Rio Grande perder o controle, o equilíbrio e a sensatez, se é obrigado a admitir que a Governadora padece de uma crise delirante. A expressão última de seu delírio é a crença paranóica de que é vítima de uma hipotética “República de Santa Maria” liderada pelo “conspirador” Tarso Genro, Ministro da Justiça que é natural da cidade onde os integrantes da quadrilha atuaram mais fortemente.

Estranha a atitude da Governadora, que em nenhum momento criticou cada um dos seus ex-Secretários e ex-dirigentes da CEEE e Detran demitidos por envolvimento direto ou tangencial com os escândalos. Em nenhuma ocasião a Governadora se dirigiu à sociedade repugnando os réus que a cada informação do inquérito se percebe terem agido asquerosamente saqueando mais de 44 milhões de reais dos cofres públicos.

Em lugar do combate à corrupção e aos corruptos, a Governadora sempre foi elogios aos réus ou a pessoas que tiveram conduta reprovável. E não foi só a minimização do sentido simbólico do chope sorvido pelo ex-Secretário com Lair Ferst.
O Governo Yeda aposentou o Procurador do Estado Flávio Vaz Neto com um dos mais altos salários do Poder Executivo quando deveria abrir procedimento administrativo por demissão a bem do serviço público – procedimento, aliás, que a Assembléia Legislativa adotou em relação a Ubirajara Macalão.

A Governadora elogiou a atitude do Representante do Escritório do Rio Grande do Sul em Brasília, que prevaricou ao receber a carta de Lair Ferst e que traficou interesses do lobistas em órgão público. Seu ex-Secretário-Geral de Governo, Delson Martini, que foi blindado durante 60 dias para finalmente ser desmascarado como intermediário das quadrilhas e porta-voz da Governadora junto às mesmas, não recebeu nenhuma repreensão ou censura pública dos seus atos.

Ela também condenou com veemência o Vice-Governador Feijó, porém não se explicou sobre as confissões do seu ex-Chefe da Casa Civil de que os desvios do Detran fazem parte de uma lógica da co-habitação conservadora, assim como a CEEE e o Banrisul podem ser nichos para a locupletação de outras “famílias políticas” que lhe dão sustentação.

A Governadora, enfim, sempre foi elogios e condescendências para com “os seus”, ficando devendo respostas claras e incontroversas para a sociedade. Ao invés, a Governadora atinge o mais alto nível de delírio [pra não dizer autismo, em respeito às pessoas portadoras de sofrimento psíquico] e, com a soberba e mentiras peculiares, alega conspiração contra seu governo. Busca desesperadamente nacionalizar o debate para trazer a conhecida histeria tucana se voltar contra Lula e assim desviar o foco de sua tragédia.

A Governadora Yeda Crusius, cuja ausência de condições políticas e morais compromete o futuro econômico e político do Rio Grande, com o pânico e despreparo de suas reações também revela incapacidade subjetiva e comportamental. A lástima com a situação do Estado só se faz aumentar.

80 anos del Comandante, el Che Guevara

Em artigo publicado no Página12, o intelectual argentino Atílio Borón acentua a dimensão teórica e histórica do Che para a atualização do marxista e do socialismo, ademais dos notórios predicados humanos e revolucionários que ele nos legou, exemplares até a eternidade.

Atílio vem pondo acento nesta dimensão da trajetória do Che desde a muito tempo, destacando suas teorias e previsões, muitas das quais se confirmaram - para citar uma importante: a queda da URSS em razão dos equívocos cometidos internamente e no plano externo.

Muito se enaltece das qualidades deste que é um exemplo de homem, de revolucionário e de dedicação infatigável ao socialismo, o que é indiscutível. A análise de Atílio Borón, contudo, faz engrandecer a condição de personagem da história e da luta libertária que foi o Che.

Ler o artigo do Atílio ...

A ilustração é do cubano Orlando Hernández Yanes, membro da Asociacion Internacional de Artes Plásticas [AIAP] de Cuba.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Diante de uma questão cívica

Jeferson Miola
A conjuntura política gaúcha adquiriu um ritmo impressionante de câmbios e revelações na semana passada. A situação evoluiu dramaticamente, e a crise já não pode ser tratada como uma simples contenda binária do tipo oposição versus situação, porque os episódios revelados colocam toda a sociedade gaúcha diante de uma questão que é, acima de tudo, cívica.

Com as descobertas estarrecedoras, instrumentalizar a luta política entre governistas e oposicionistas para interditar as providências exigidas seria não só inaceitável, como perigoso. Iria contra o sentimento da sociedade, que exige o esclarecimento profundo e objetivo do ocorrido. E, ademais, comprometeria o futuro político e econômico do Rio Grande que, convivendo com tamanha obscuridade de escândalos não esclarecidos em profundidade, seria condenado a se arrastar nos próximos 30 meses com um governo desmoralizado e politicamente inviabilizado e deslegitimado, incapaz de conduzir o Estado ao futuro.

Idealmente falando, seria desejável conseguir-se poupar o Rio Grande de um processo traumático de responsabilização da Governadora. Mas infelizmente hoje isso se tornou uma imposição devido aos fatos até então impensáveis na nossa cultura e tradição políticas.

A semana, contudo, que passou foi repleta de situações entristecedoras e lastimáveis para o povo gaúcho, acostumado a escrever sua história de modo quase sempre épico. Foi uma semana em que os silêncios abusivos, as versões falaciosas, os falastrões e as mentiras das pessoas indiciadas no escândalo do Detran caíram por terra. A audição de conversas telefônicas revelou em pormenores quais eram e como agiam as quadrilhas.

Por esses dias ficou evidente a coadjuvação do Secretário-Geral de Governo no mínimo como vetor para transmissão de orientações emanadas pela Governadora. Foi também publicada a carta que Lair Ferst, lobista e chefe de uma das maltas, endereçava à Governadora por intermédio do Chefe da Representação do governo gaúcho em Brasília – o mesmo que foi flagrado auxiliando o lobista traficar interesses junto a órgão público e sobre quem a Governadora disse ter “agido corretamente”.

E, finalmente, foi revelado o conteúdo de audiência mantida entre o Vice-Governador e o Chefe da Casa Civil, onde o segundo confessa com naturalidade o entendimento de que a roubalheira do Detran possa ser entendida como fonte de financiamento de uma das “famílias políticas” que apóiam o governo, assim como desvios na CEEE e no Banrisul possam financiar demais grupos partidários.

A reação da Governadora a tudo isso, após longo e perturbador silêncio, foi desrespeitosa com a sociedade, porém indulgente com os integrantes de sua equipe que estão implicados nos escândalos. Isso tudo faz com que a crise avance gravemente. No outro lado da rua do Piratini, a CPI do Detran vai colecionando base probatória robusta que nos faz indagar se não é chegada a hora da abertura de processo de responsabilização da Governadora.

A consciência cívica e republicana que vai se constituindo em paralelo à comoção da sociedade com as notícias, não tolerará arreglos feitos para acobertar o que quer que seja.
É péssimo para o Rio Grande este lodaçal de corrupção e escândalos que a cada dia ganham novas proporções aterrorizadoras. Pior ainda será a subsistência de dúvidas escabrosas que, protegidas e não investigadas em virtude de arreglos duma maioria parlamentar circunstancialmente a favor da Governadora, obrigue o Rio Grande ao atraso, pois a Governadora Yeda Crusius e seu governo estão irremediavelmente descredenciados e desmoralizados para o diálogo público em direção ao futuro do Estado.

No es así

No Página12 de hoje, tem um importante artigo de opinião que analisa com equidistância e equilíbrio a crise na argentina. Vale ler na edição do Página12 …


No es así
Por Alfredo Zaiat
Ya resulta por demás extraño el lockout más violento de la historia del país que se acerca a cumplir 100 días.
Un grupo de empresarios del campo, de las zonas más privilegiadas y ricas de la actividad agropecuaria, protestan por la suba de las retenciones como si estuvieran al borde de la quiebra. No es así.
El Gobierno presenta el conflicto como si sólo una parte no tuviera vocación de diálogo. No es así.
Continuar a leitura do artigo ...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Buenos Aires

Estar em Buenos Aires sempre é algo gracioso e especial. Sempre que estou aqui tenho a sensação de estar na minha própria casa - na bela e doce capital, Porto Alegre. E, assim, tenho ao mesmo tempo a sensação de estar no mundo. Um lugar adorável, cosmopolita e acolhedor - pra não peder a oportunidade de uma piada provocadora mantendo a ótima amizade com los hermanos, diria que o único ruim são os portenhos.

Buenos Aires à parte a noite interminável que-se-parece-dia com seus cafés, livrarias, shows, cinemas, teatros, música, jazz, blues, poprock, dinamismo humano, tem uma diversidade jornalística de causar inveja. São revistas e jornais diários que deixam a gente babando de vontade de ler tudo. Sempre que venho prá cá, compro as revistas Veintiytrés e Debate. E, por recomendação do Flávio, também passei a comprar a direitista Notícia; por aí se sabe as coisas pelo ângulo do ultra-conservadorismo argentino, que tem um peso político e cultural importante por aqui.

De jornais, compro sempre meu predileto Página12, eventualmente o Clarín e sempre o Barcelona, uma espécie de paródia diáraia da mídia, especialmente do conservador Clarín. Tem outros que também os leio, de cujos nomes não me recordo neste instante em que escrevo estas linhas em meio a um breve intervalo de trabalho.

Duas diferenças que se salientam, ademais da qualidade jornalística e editorial de jornais como o Página12: aqui as assinaturas são algo alienígena, porque faz parte da cultura sair-se de casa para comprar-se jornais nas bancas - os kioskos que estão em todas as quadras - e jornal é jornal, não é um encarte publicitário com 80% de seu tamanho tomado por anúncios e propagandas.

Resumo tudo pra destacar, por exemplo, a edição de ontem do Página12, que apresentava matérias completas sobre a crise entre o governo central de Cristina Kirchner e os agro-conservadores, sobre a criação de polêmico índice para medição de inflação, sobre a caída em desgraça do Charly Garcia, sobre um manifesto escrito por mais de 1.500 intelectuais e ativistas em defesa da democracia, e sobre a presença de Alberto Granado na Argentina para a celebração dos 80 anos del Che e outras matérias escritas com densidade e qualidade informativa.
Sempre é bom estar em Buenos Aires porque aqui, ademais de me fazer sentir em casa e no mundo, tenho a sensação de não estar sendo permanentemente enganado pela imprensa. O que se lê num veículo é o que se lê, e não o que está nas entrelinhas.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Repressão [da braba] nos protestos contra governadora

Desde Buenos Aires, capital dum país onde a crise também é uma tônica - porém nem de perto dramática e comprometedora como a vivida pela Governadora Yeda Crusius - acompanho atentamente os acontecimentos do Rio Grande.

Além das constantes tropelias da Governadora e de sua base partirária de apoio [Jair Soares "caiu" antes de assumir no Gabinete de Transição], a repressão passou a fazer parte do lastimável cardápio de acontecimentos.
Tento acompanhar o que se passa através do
RS Urgente, que comenta e ilustra tudo o que está acontecendo. É deplorável. Veja no RS Urgente ...

Atualizado no título em 12.06.2008

terça-feira, 10 de junho de 2008

Gabinete de Transição: arreglo para evitar impeachment

Jeferson Miola
A idéia da Governadora Yeda Crusius de criar o “Gabinete de Transição” até que se consiga formar um “Gabinete de Governo” de tipo “parlamentarista” com personalidades “acima de qualquer suspeita”, é uma evidência clara de que a situação da Governadora e do governo ficou insustentável.

A Governadora se tornaria então um espectro, enquanto o poder real passará a um condomínio formado pelos principais partidos políticos da direita gaúcha. Este condomínio deverá carregar o espólio dos 30 meses restantes deste que é o governo mais debilitado política e moralmente e sem legitimidade em toda a história gaúcha.

A decisão é também sinal claro de que o conservadorismo gaúcho busca o enquadramento da “sua classe” em torno de um projeto que possa representar a salvação do que resta. Uma coisa é certa: deixar se consumar a queda da Governadora poria muita água no moinho do PT e praticamente asseguraria a vitória eleitoral em 2010 por antecipação. Esse é um divisor de águas que parece ter sensibilizado até mesmo os setores partidários recalcitrantes, que nos últimos dias pendiam entre a posição de ruptura com o governo ou de continuidade crítica na base de apoio.

Da mesma forma que a conjuntura evoluiu aceleradamente e em favor da oposição na semana passada, os últimos dois dias serviram de ponto de partida para a reação dos setores de apoio e sustentação do governo. Nestes dois dias o governo recobrou a capacidade de iniciativa política e de articulação da sua base, mesmo que ao preço da renúncia ampla de poder.

Apesar do rescaldo dos acontecimentos da semana passada, a iniciativa de blindagem da Governadora – um gesto importante de obstrução do caminho do impeachment – altera qualitativamente a conjuntura, desta vez em favor do governo. A governadora ganha, assim, sobrevida na UTI do hospital político.

Mesmo que as condições materiais, documentais e objetivas sejam contundentes para a abertura de processo de responsabilização e impedimento da Governadora, o arreglo do “Gabinete de Transição” é o mais relevante obstáculo a ele transposto. Entretanto, os partidos que tomam parte deste arreglo poderão arcar com elevado custo político. Farão um péssimo inventário ao fim do governo que se arrastará melancolicamente até o fim. Ou então serão tragados politicamente caso a dinâmica política force a abertura do processo de impeachment.

A disputa pela abertura do impeachment não é partidária, porque deve ser uma luta cívica, que deve buscar o alinhamento da intelectualidade, do parlamento, dos movimentos sociais, da OAB, CNBB, Igrejas, ARI, dos Deputados Estaduais e de todos aquelas pessoas que querem recuperar um sentido de decência na política gaúcha. A tarefa primordial é produzir referências objetivas e subjetivas que animem o amplo movimento com tal amplitude e expressão social - única maneira de evitar que a mídia que vem atuando dignamente na repercussão deste episódio, capitule ao arreglo em curso.

sábado, 7 de junho de 2008

Com Olívio não era assim

Nas suas confissões, Busatto generalizou a idéia de que em todos os governos passados “se fazia assim”, numa alusão ao loteamento das estruturas para partilhar esquemas de corrupção entre as “famílias políticas” gulosas.

Não é verdade o que confessou Busatto. No governo Olívio não foi assim.

A falta de maioria parlamentar na Assembléia sempre foi contrapesada com a sustentação social principalmente através do Orçamento Participativo. O governo Olívio nunca proclamou uma fatalidade da maioria parlamentar para cair na gandaia e fazer um governo amorfo programaticamente.

E mesmo com minoria parlamentar – mas com capacidade de construção de maioria social e política – o governo Olívio aprovou todas as matérias de interesse público e da sociedade gaúcha e, sobretudo, soube superar uma CPI – aquela sim golpista – que teve item por item desmontado na Justiça e no Ministério Público posteriormente.

Política da séria, programa democrático e popular e retidão na condução da coisa pública. São marcas do governo Olívio que as confissões do Busatto não conseguirão macular para misturar com o lodo em que charfunda Yeda.

Impeachment, uma agenda realista

As confissões de Cézar Busatto na conversa gravada pelo [Vice-]Governador Paulo Feijó formam uma tese e condensam várias práticas e lógicas.

A tese é: há intencionalidade e consciência do governo e da governadora Yeda Crusius na conversão do Estado em “capitanias hereditárias” divisíveis entre as “famílias políticas”, que o dominam de maneira corrupta.

As práticas e lógicas derivadas de tal tese são o que acontece no Detran, na CEEE, no Banrisul, no loteamento de cargos públicos, no tráfico de influências, na promiscuidade com empresas, etc.

As confissões de Cézar Busatto, que é o Chefe da Casa Civil, estocam definitivamente a crise no andar mais alto do governo estadual. São confissões que confirmam que o modus operandi [dos “elementos”] do governo se fundamenta na corrupção compartilhada. É assim que garantem o modus vivendi - citação latim do Busatto nas conversas com Feijó – entre as diferentes “famílias políticas”.

A situação da governadora é irremediavelmente grave. Além dos aspectos materiais, documentais e objetivos que permitem responsabilizar Yeda, subjetivamente a imagem que se consolida é de debilitamento político e fragilização que lhe retira crescentemente a capacidade de continuar governando. O impeachement passa a ser uma agenda hiper-realista.

Antes faziam com o DAER, Busatto?
Dentre as confissões, Busatto ilustrou ao [Vice-]Governador Paulo Feijó que antes do Detran e do Banrisul, o DAER era o alvo das pilantrices.

Busatto supostamente se refere ao modus operandi que adotavam no DAER durante o governo Britto.

Isso tudo – a lambança e colapso geral da política gaúcha – trazem a desafiadora curiosidade de saber o quê esta turma que ocupa o noticiário policial hoje não deve ter feito durante o famigerado governo Britto. A turma [os “elementos”] é a mesma, com a diferença que naquela época a Polícia Federal era amordaçada e partidarizada pelo governo tucano-pefelento de FHC.

Esquizofrenia
O governo estadual, governadora Yeda à frente, quando não enfia a cabeça num buraco em profunda depressão e entra em coma silenciosa, se manifesta e revela uma esquizofrenia primária. Age como a pessoa desesperada que, diante da notícia dada pelo médico de que possui câncer, quer matar o médico ao invés de combater a doença: atacam a imprensa, a CPI, a oposição e todos que se escandalizam com as barbaridades cometidas pelos “elementos” do governo.

Respingos municipais da crise estadual
A conjuntura eleitoral, em princípio, fica alterada em favor do PT na eleição de Porto Alegre. As candidaturas de Fogaça e da Manuela ficam abaladas com as confissões de Busatto.

O ex-Secretário de Governança Solidária de Fogaça poderá ter de explanar o modus operandi que aplicava para garantir o modus vivendi de um partido chiquitito [PPS] com o condomínio partidário conservador que fatiou a prefeitura em muitos interesses.

Busatto, apesar de ser favorável à coligação do PPS com o Fogaça, é correligionário de Berfran Rosado, o neo-socialista candidato a vice de Manuela que com Busatto compartilhava do modus operandi no DAER na época do Britto.

De todos os modus, faltou modos
De todos os modusoperandi ou vivendi -, a verdade é que o habitus da turma revelou uma total falta de modos com a coisa pública. É uma indecência.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

“Cumprir o que Ela mandar cumprir”

A revelação hoje, na CPI do Detran, do áudio das gravações de conversas mantidas entre os integrantes da quadrilha que sangrou o Detran, provocou uma alteração de qualidade da conjuntura política gaúcha.
Primeiro, porque pôs por terra abaixo a tese dos indiciados pela Justiça que, ou abusando do direito de não falar ocultavam os fatos e a verdade, ou dos falastrões do bando que, falando, demonstraram uma crença onipotente de que poderiam engambelar o mundo com lorotas de quinta categoria. Tudo ruiu: versão por versão, mentira por mentira, silêncio por silêncio.
As gravações também revelaram que o esquema não só era operado pelos personagens que hoje são réus ou investigados, como também era do conhecimento de esferas mais altas do poder do Governo do Estado. O dirigente do PSDB e Secretário-Geral de Governo, Delson Martini, por exemplo, era recorrentemente citado nas tratativas. Figurava nas conversas aparentemente como alguém vocacionado a transmitir “vontades superiores”.
É tristemente reveladora a citação feita por Antônio Dorneu Maciel numa das conversas entabuladas com Flávio Vaz Neto, que alude à governadora Yeda Crusius. Em meio ao relato que fazia ao Flávio a respeito de um encontro com um representante de outro bando do esquema, Maciel afirma:

Ela que diga o que o Flávio tem que fazer, porque o Flávio vai cumprir o que Ela mandar cumprir. Disso não tenha dúvida.

O negócio é o seguinte: o Flávio é um homem disciplinado e faz o que Ela mandar. Se Ela disser que é pra fazer isso ele vai fazer, senão ele não vai fazer. Quero que tu entenda isso. Aí ele já deu um pau nela, que Ela é meio sacana mesmo, que costuma botar umas pessoas contra as outras ...
[Esta e outras 34 gravações podem ser acessada no saite da
Zero Hora].

A reação do governo foi uma patética entrevista coletiva do Secretário-Geral de Governo, Delson Martini, que depois de quatro meses se esquivando, finalmente se colocou à disposição da CPI para depor. Como de costume, o governo desorientado agiu tarde e outra vez erradamente.

Mesmo que deponha, a estas alturas Delson Martini é, contudo, apenas o anel. O dedo e o corpo todo – leia-se, a governadora e seu governo – estão irremediavelmente condenados e com os dias contados. Política e moralmente foi alvejado com flechadas no coração. Ao que parecem, mortais.

terça-feira, 3 de junho de 2008

“Chutzpah”, ousadia descarada

O depoimento de Antonio Dorneu Maciel ontem na CPI do Detran foi uma enciclopédia simbólica. O depoente não economizou nos símbolos que poderiam confundi-lo como uma das Suas Excelências, os Nobres Deputados. O cume da síndrome dual do depoente foi quando alertou o Presidente da CPI de que o “diálogo” deveria se dar exclusivamente entre “Ele e os senhores deputados” [sic].

No que toca às tramóias do Detran, assunto que lhe levou à prisão, ao indiciamento judicial e ao depoimento na CPI, Antônio Dorneu Maciel se posicionou olimpicamente alheio ao assunto, apesar do oceano de evidências e materialidades em contrário. Antônio Dorneu Maciel levou mais de 7 meses para apresentar à CPI um álibi ridiculamente sui generis: a maleta levada ao seu flat recheada de propina era, na realidade, um computador portátil recheado de projetos de boas ações! Um deboche.

Do jeito que as coisas andam na CPI, com a sucessão de anjinhos negando toda e qualquer responsabilidade [isso quando se dispõe a falar], não tardará muito e seremos obrigados a concluir que a tramóia do Detran foi obra dos motoristas do RS!

Como em outra aparição pública [numa entrevista à Zero Hora de 16/11/2007], ontem na CPI Antônio Dorneu Maciel abusou calculadamente de duas personalidades: a da autoridade equiparável às Suas Excelências, um gigante partidário do PP [que porém desconhece a tramóia do Detran]; e a do humano clemente, que pedia aos deputados que olhassem no fundo de seus olhos para verem a pureza de sua vida.

Esta atitude última, de alguém friamente preparado, me faz lembrar a expressão iídiche Chutzpah, desenvolvida por Irvin D. Yalom, em A cura de Schopenhauer [pág.76]:

Ousadia descarada, que em iídiche era ‘Chutzpah’, palavra sem uma correspondência exata em outras línguas, mas bem definida na história do menino que matou os pais e depois pediu clemência aos jurados por ser órfão”.

[Esta percepção está presente em Biruta do Sul de 18/11/2007; clicar para rever].

sábado, 10 de maio de 2008

Pedido de prorrogação da CPI do Detran

O primeiro prazo para a CPI do Detran concluir seus trabalhos termina no próximo dia 06 de junho. Com o emaranhado da falcatrua montada e o silêncio dos depoentes [a maioria já indiciados pela Polícia Federal], a CPI precisa mais tempo pra conseguir chegar a resultados concretos.

Tá rolando uma petição via web para que a CPI seja prorrogada pelos deputados, para permitir a conclusão eficiente do trabalho investigativo da Assembléia Legislativa. A petição pode ser assinada por qualquer pessoa no endereço
http://www.petitiononline.com/qw13579/petition.html.

Diz o texto final da petição:
Para bem esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o desvio de mais de R$ 40 milhões das contas públicas, bem como apontar os culpados, solicitamos aos deputados que compõem a CPI, em especial aos deputados da base governista, que ASSINEM O REQUERIMENTO PELA PRORROGACÃO DA CPI DO DETRAN!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A desfiliação de João do PT [e o carimbo]

Meu amigo e camarada João R. saiu do PT. Em abril passado se desfiliou na sede do PT de Porto Alegre.

Chamou-lhe atenção o carimbo virado feito acidentalmente no documento de desfiliação pelo funcionário que o atendeu. Segundo João, pareceu-lhe uma metáfora com a situação do PT de hoje: tudo se encerrou num carimbo; um carimbo tão de cabeça pra baixo, tão invertido. Um carimbo tão fora de lugar que, porém, sequer incomodou o funcionário, à vontade com o “descuido”. A metáfora, enfim, serviu-lhe como uma espécie de analgésico a amainar a dor da decisão tomada.

João fez parte do memorável esforço que foi o movimento pró-PT, a partir de 1979. Em 1980, foi um dos filiados fundadores do PT. Ali no PT, ficou nestes quase 30 anos pela paixão e confiança nas políticas e nas idéias de esquerda. Nestes anos todos, nunca pleiteou pra si cargos ou favores partidários, assim como nunca dependeu de arreglos ou aritméticas para sobreviver politicamente ou materialmente. Sempre fez política e militou sem contrapartidas.

João é daqueles “exóticos” – ou alguns prefeririam ortodoxos - que preferem mil vezes a “demora histórica” da construção hegemônica de esquerda e socialista do que a rapidez volátil do pragmatismo que concebe até a coabitação do PP com o PT como fruto da “nova inteligência programática” ou da “exigência dos tempos” eleitorais.

João não faria – como não fez – nenhum alarde com sua decisão; apenas compareceu na sede do PT. A desfiliação dele, ao invés de despertar a ira generosa contra as perdas que se sucedem, só aprofunda o silêncio dum PT que parece querer renegar seu passado e sua história.

Na sua saída amistosa e respeitosa do PT, João mereceria ter recebido mais do que um simples carimbo de cabeça para baixo e o destino dos trâmites burocráticos no TRE. Resignemo-nos à realidade, contudo: o PT se dará conta da sua desfiliação na véspera da próxima ocasião eleitoral interna do Partido, quando então lhe telefonariam para “participar” do PT e da decisão sobre seus destinos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O ciclone, o Fogaça e a Yeda

A desestruturação dos serviços públicos ficou super evidente neste final de semana diante do ciclone [não o colorado, mas o climático] que atingiu o Rio Grande do Sul e sua bela e doce capital Porto Alegre.
Apesar de todas as previsões de que o ciclone chegaria, de que seria forte e que adquiriria ventos de mais de 100 Km/h [imagine-se uma colisão de carros nesta velocidade para saber-se o quão sérias seriam as conseqüências], tanto o governo municipal [Fogaça] quanto estadual [Yeda] demonstraram não só incompetência e despreparo, mas também o desdobramento de suas opções governamentais de desestruturar serviços essenciais para a população.
Os órgãos da defesa civil municipal e estadual passaram o final de semana batendo cabeça e deixaram bairros a descoberto e milhares de pessoas sem energia elétrica e ameaçadas com a destruição e queda de árvores nas residências e vias públicas. Faltou coordenação e planejamento prévio entre SMAN, Corpo de Bombeiros, Brigada Militar, CEEE, SMOV, DEP, Defesa Civil e outros órgãos. Ficaram faltando os técnicos e equipes de emergência que não são repostos no serviço público.
Os ciclone [não o colorado, mas o climático], por isso, mais que um problema factual, é a revelação do fracasso dos governos Yeda e Fogaça que desestruturam os serviços públicos no Estado e na capital, mas que em tempos pré-eleitoriais abundam na propaganda e publicidade falaciosas.

ET: vale a consideração de que, no caso da CEEE, é até compreensível o descalabro da companhia, pois sabe-se hoje que seus ex-dirigentes Delson Martini e Antonio Dorneu Maciel, ao invés de dirigirem-na, estavam firmemente envolvidos com o Detran e a gestão dos negócios de mais de quarenta milhões.

sábado, 26 de abril de 2008

Só restou a várzea

Na várzea, o Grêmio Football enfrentará na tarde deste sábado 26 de abril o glorioso Ivoti, time composto por industriários, bancários, estudantes, desempregados, comerciários, sapateiros, agricultores e garis da cidade de mesmo nome.
A população ivotiense se revolta com a exposição de seus trabalhadores e pessoas humildes às drogas.
Com a nova fase do futebol gremista, a direção do Achanironga, time do distrito de Xavilândia, no interior do Acre, desafia o Grêmio para um confronto ainda no próximo mês de maio.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Os Deputados Federais e os próprios salários

Jeferson Miola

O aumento de verbas de gabinete que se autoconcederam os Deputados Federais não tem um lado só escandaloso. Pode ser útil ao avanço democrático, se se expuser ao exame público as decisões que tomam Suas Excelências.

Infelizmente, para boa parcela de políticos, a política se tornou sinônimo de negócio e oportunidade. Também pudera: o salário de R$ 16,5 mil, com mais R$ 3 mil de auxílio moradia e R$ 4,2 mil de quota telefônica, é apenas parte da remuneração do Deputado Federal. E mesmo assim já é bem maior do que recebe o Presidente da República e quase 60 vezes o salário mínimo nacional.

A este salário, são acrescidos ao caixa do mandato parlamentar outros R$ 107,7 mil para custear escritório nos Estados, passagens aéreas e contratações de funcionários. Não bastasse, o Deputado ainda recebe, além do 13º, mais 14º e 15º salários.

Daí que cada mandato parlamentar federal gira ao ano com a cifra aproximada de 1,5 milhões de reais, e pode contratar até 25 funcionários com salários fixados entre 710 e 9.500 reais. Os encargos sociais, previdenciários e trabalhistas saem no orçamento geral da Câmara dos Deputados, desonerando os próprios mandatos.

Fosse a estrutura de um Deputado Federal, com tal “renda”, logística e staff considerada um “empreendimento”, levaria notável vantagem comparativa sobre a grande maioria das micro e pequenas empresas brasileiras, que têm faturamento anual, segundo o IBGE, de até 1,1 milhão de reais. Elas, que empregam em média 7 trabalhadores, os remuneram com entre 2 e 3,1 salários mínimos – salários eloqüentemente inferiores aos ganhos pelos funcionários de gabinetes.

O esforço da sociedade brasileira para garantir o funcionamento do Congresso e da representação popular poderia ao menos ser correspondido com padrões razoáveis e plebeus, mais a ver com a vida. Numa democracia, é inaceitável tamanha discrepância e dessemelhança entre o representante [Deputado] e o representado [povo].

Autoridades não podem continuar promovendo regalias para si como se o Brasil fosse sua capitania hereditária. A bonança que se garantem no Congresso Nacional - procedimento igualmente observável no Poder Judiciário – não só aprofunda os contrastes com a situação de todo o funcionalismo público, como exprime desprezo com a triste realidade da população brasileira.

A sedução material é irmã gêmea do que Marx e Lênin chamaram de “cretinismo parlamentar”; enfermidade “que mantém os elementos contagiados [no caso, os parlamentares] firmemente presos a um mundo imaginário, privando-os de todo senso comum, de qualquer recordação, de toda compreensão do grosseiro mundo exterior”. Um mal que faz com que parlamentares se ensimesmem na sua onipotência e onisciência e descolem da realidade.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Mino Carta: “Falta peito, falta coragem” [ao Lula].

Revista do Brasil: Há quem diga que se Lula não tivesse cumprido os compromissos assumidos na Carta aos Brasileiros teria caído.

Mino Carta: Eu duvido. Quem dá o golpe se o povo elegeu e reelegeu esse cara da forma como o elegeu e, sobretudo, como o reelegeu? A mídia compactamente contra ele, todo dia soltando informações sobre corrupção, envolvimentos terríveis com o que há de pior etc. etc., e assim mesmo ele foi reeleito. Quer dizer, a estratégia da minoria branca, que normalmente dá certo, desta vez falhou. Não acho que havia condições para nenhum tipo de golpe. Os grandes estadistas têm coragem. Claro, se ele me ouvisse dizer essas coisas, diria: “Ah, o Mino é um iludido, um anárquico”. Conheço o Lula há 30 anos, sei o que ele pensa. Em inúmeras vezes percebi que ele me achava incômodo. Sou amigo dele e gosto muito dele, o acho um sujeito extremamente dotado, além de tudo tem um QI muito bom. Mas falta peito, falta coragem.


Ler entrevista completa de Mino Carta na Revista do Brasil ...

domingo, 13 de abril de 2008

Emergencia en Haití

El pueblo de Haití ha salido a las calles: sus calles, y lo ha hecho para defender su vida.
Ha salido a protestar porque los alimentos básicos han triplicado su precio desde noviembre de 2007 aumentando dramáticamente los problemas de hambre, desnutrición y satisfacción de las necesidades elementales de la población, sin que el gobierno tome ninguna medida para evitarlo o contrarrestarlo.
Las políticas neoliberales impuestas por Washington y los organismos internacionales han llevado a Haití a una situación dramática caracterizada por la pérdida de su soberanía alimentaria, por la destrucción de la economía campesina y del potencial agrícola del país, a la desnutrición del 45 % de los niños menores de 5 años y causaron pérdidas masivas de empleo estimadas en 800 mil trabajadores del campo. Son estas políticas las que han conducido a la actual situación de emergencia.
Pero el pueblo de Haití ha salido también a protestar por la presencia y atropellos de la llamada Misión de Paz (MINUSTAH), que desde junio de 2004 ocupa su territorio. A exigir la salida de los 7 080 cascos azules que la conforman (1211 de Brasil, 1147 de Uruguay, 562 de Argentina, 502 de Chile, 114 de Guatemala en diciembre 2007), y que violan los derechos humanos con total y escandalosa impunidad, en flagrante contradicción con el mandato definido por el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas que le atribuye la tarea de impulsar el respeto a los derechos humanos y reforzar el sistema judicial.
La propia MINUSTAH ha tenido que repatriar recientemente a 114 soldados de Sri Lanka por encontrarlos culpables de abuso sexual y violaciones de mujeres y niñas en varias regiones del país.
Paradójicamente, el presupuesto anual de esta Misión asciende a 535 millones de dólares, el 9 % del PIB del país, mientras la población carece de lo más elemental.
Pra ler o artigo na íntegra e assinar manifesto, clicar aqui.

terça-feira, 8 de abril de 2008

SOS TVE

A TVE - Rádio e TV Educativa do Rio Grande do Sul poderá sofrer um duríssimo golpe na sua autonomia, independência e seriedade jornalística caso a Assembléia Legislativa gaúcha aprove o Projeto de Lei da governadora Yeda Crusius, que transfere a Fundação TVE da Secretaria de Cultura para a Secretaria-Geral de Governo.
Funcionários/as da TVE alertam para este sério risco e solicitam que todo mundo se manifeste para os deputados estaduais, que votarão o Projeto de Lei amanhã, 09/04/2008. Abaixo segue o texto sugerido, que deve ser destinado a todos/as os/as 55 deputados/as. Os emails deles/as podem ser obtidos no saite da Alergs - www.al.rs.gov.br:

Senhores Deputados

Venho, por meio desta, manifestar minha inconformidade com a transferência da Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão - TVE e FM Cultura - do âmbito da Secretaria de Estado da Cultura para a Secretaria-Geral de Governo, diretamente ligada ao gabinete da governadora.
Por se tratar de um retrocesso, solicito sua compreensão e o voto contrário ao artigo 11 do Projeto de Lei 42/2008, que trata da transferência acima citada.
Peço seu empenho pessoal pela manutenção da TVE e da FM Cultura como emissoras públicas, com autonomia diante dos governos, e estrutura compatível às suas funções legais - promoção de atividades artísticas, culturais, educativas e informativas - e contra sua saída do morro Santa Tereza, prédio histórico onde funcionou a primeira TV do Rio Grande do Sul.
Certo de sua sensibilidade para com as instituições de promoção da diversidade cultural gaúcha e dos valores democráticos, subscrevo-me