quinta-feira, 3 de julho de 2008

Deputado Troca trata povo gaúcho como palhaço

O Deputado do PSDB Adilson Troca, relator-abafador da CPI do DETRAN, em entrevista coletiva a pouco concluída, foi um show de atrapalhação, desfaçatez e falta de vergonha.

O Deputado tucano, Troca, para variar um pouco se confundiu e trocou o auditório onde dava a entrevista pensando estar numa arena de circo: tratou o povo gaúcho como palhaço.

Com suas respostas pífias, incongruentes, da profundidade de um pires e da consistência de uma gelatina, o Deputado do PSDB mostrou sua fidelidade com o grande arreglo feito pelo conservadorismo gaúcho para proteger o governo e a governadora Yeda Crusius da responsabilidade no maior escândalo de corrupção da história do Rio Grande do Sul.

É triste e vergonhoso o arreglo feito da maioria parlamentar do governo estadual [PSDB, PMDB, PP, PTB e DEM] para livrar a cara do governo Yeda e dos seus aliados, implicados até o pescoço com toda a roubalheira. A sociedade se reencontrará na próxima crise, originada por dentro e a partir do próprio governo, apesar do delírio da governadora em se considerar alvo de golpismo da oposição.

ET: a categoria dos pescadores artesanais de Rio Grande sai ganhando tendo Adilson Troca mais Deputado e menos pescador.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O bebê de Yeda “Rosemary”

A Governadora Yeda Crusius é um ser humano que congrega muitas características, e muitas delas sui generis.
A Governadora, que já foi alcunhada por Paulo Sant´Anna como “um ente ficto, um ectoplasma tecnocrático, uma utopia dirigencial, uma avacalhação mais completa do papel da mulher ” [
clicar para ver ela por Paulo Sant´Anna e em outro comentário do Biruta], é merecedora de outras adjetivações - substantivadas pela conduta sempre surpreendente. A mais saliente é a de um ser delirante, esquizóide, de perfil fugidio à realidade.
A este perfil, a Governadora tenta, de forma completamente ridícula, fazer metáforas ou chistes que só ela entende e que são compreendidas tardiamente por um restrito grupo de pessoas que acessa o manual de instruções do cérebro dela ou que partilha de duvidosa predileção pela idiotice. Lastimável na política e na administração, a Governadora se notabiliza trágica no quesito senso de realidade.
A mais recente da Governadora foi a metáfora inapropriada e de péssimo gosto que relaciona a corrupção do Detran com bebês japoneses, dizendo que este bebê [corrupção] não é dela.A Governadora persiste no seu surto esquizofrênico e paranóico não tratado [
ver Agonia e pânico de Yeda], de transferir a responsabilidade aos outros, de fazer de conta que não é com ela, apesar de todas as evidências materiais em contrário, que dizem que sim, o DNA da corrupção do Detran revela traços tucanos e dos seus aliados centrais e preferenciais.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

“Ah! Camões, se vivesses hoje em dia”

Rola na internet e foi publicado na Carta Capital que uma jovem de 16 anos, prestando vestibular na Bahia interpretou conforme segue o seguinte trecho dum poema de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer
”.

A interpretação:

Ah! Camões, se vivesses hoje em dia, /
tomavas uns antipiréticos, /
uns quantos analgésicos / e Prozac para a depressão. /
Compravas um computador, consultavas a Internet /
e descobririas que essas dores que sentias, /
esses calores que te abrasavam/ essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo, /não eram feridas de amor, /
mas somente falta de sexo!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Geração rebelde e pulsante

A manifestação “Fora Yeda”, realizada na quinta-feira passada [19/06] em frente ao Palácio Piratini teve o script de sempre destas ocasiões. Mas foi também uma ocasião alvissareira.

Duas figuras se destacaram com sua luminosidade pessoal e política: Ariane Chagas e Joana Stédile. Duas jovens, combativas e ideológicas, que foram marcantes com seus discursos genuínos [nada senso-comum], estridentes e anti-sistema. Duas mulheres rebeldes, feministas, agudas e apreciavelmente antagonistas.

Sinais da geração de esquerda viva, pulsante e rebelde que desponta.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Eles têm medo de quê?

Jeferson Miola
A cambiante conjuntura política gaúcha deu uma reviravolta de 180 graus nas últimas duas semanas. O Governo Yeda foi tirado do canto do ringue.
A base parlamentar se reagrupou monoliticamente, sem deserções. O Vice-Governador, que conhece em detalhes e tem documentadas muitas falcatruas - do financiamento eleitoral de Yeda a obscenidades do governo – perdeu o “furor ético” e silenciou. As classes empresariais - intendentes da “capitania hereditária” – colocaram todas as fichas no governo moribundo que subsistiu da crise. A mídia gaúcha passou a repercutir a crise em medida inversamente proporcional à proximidade do escabroso escândalo com a Governadora.
O conservadorismo político, econômico e midiático gaúcho conseguiu, a partir de um grande arreglo, recompor seu bloco. Em breve saberemos, entretando, ao “preço” [expressão utilizada pelo ex-Chefe da Casa Civil que denota a precificação das coisas e das pessoas] de quantos Detrans, Banrisuls, CEEEs, anistias e favores fiscais, empréstimos facilitados, isenções tributárias, concessões públicas, publicidades pagas e etc.
Esta é parte conhecida e abominável do jogo político praticado pelo reacionarismo da província. É a lógica do vale tudo desde que seja para prejudicar o PT ou para não permitir que circunstâncias possam favorecê-lo. É a velha política feita com ódio e de maneira odiosa. A mesma maneira que, aliás, obrigou o Rio Grande a esta tragédia que é o Governo Yeda, em nome da obstrução do retorno do PT ao Piratini.
Eles não querem o melhor para o Rio Grande, mas sim conservar os seus melhores interesses e privilégios. Eles não pensam no que poderia melhorar a vida de todos, mas naquilo que não atrapalhe os seus objetivos. Eles não fazem política a favor de alguma coisa, mas contra o PT. Eles sempre optam por planos para derrotar o PT, e nunca por projetos para governar o Estado ou as cidades - mesmo que os planos contra o PT sejam prejudiciais ao povo e ao futuro, e mesmo que os projetos do PT sejam o melhor para a sociedade.
Muitos deles fazem política com ódio e preconceito contra o PT, e têm medo daquele PT autêntico e programático que operou importantes transformações em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul. Foi assim que elegeram Yeda, com a idéia fantasiosa, mítica e vazia do “novo jeito de governar”; a reedição estadual da fraude “nirvanesca” que aplicaram com Fogaça em Porto Alegre para derrotar o PT. O Rio Grande e Porto Alegre ficaram pior com eles, mas como o que lhes interessa é “tirar” o PT e não deixá-lo voltar, então para eles a coisa está boa e deve continuar, mesmo que a população os repugne.
No fundo, isso ajudará o PT nas eleições deste ano. Eles estão todos empulerados no mesmo galho. A opção pela corrupção, ódio e desfaçatez lhes cobrará um alto “preço” [para usar novamente a expressão ao gosto de um dos “guias” deles]. Parafraseando o poeta Mário Quintana, eles passarão, nós passarinho ...

O que diria Comparato?

A tese de impeachment é sempre polêmica. E a polêmica só existe porque o assunto é passível de interpretações distintas dependendo do ângulo e da consciência jurídica que analisa o conteúdo incriminador.

Diante das evidências, bases probatórias, provas e indícios colecionados pela CPI do Detran, uma curiosidade se aguça: o que diria o notável jurista Fábio Konder Camparato a respeito da responsabilização da governadora Yeda Crusius?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

diZerEs de camInHão

Na inconstante e ocasional seção “diZerEs de camInHão” de BiruTaDoSuL são postadas frases estampadas nos apara-barros dos caminhões que rodam as estradas da vida. Apara-barro, na concepção moderna de marketing, é uma espécie de “outdoor traseiro ambulante”.

A longa frase de hoje é:

A diferença entre flanelinhas de rua e as concessionárias de pedágios é que as concessionárias conseguiram contratos indecentes com o Estado, que a Yeda quer prorrogar.

Agonia e pânico de Yeda

A corrosão moral e política do governo de Yeda Crusius se aprofunda de maneira cada vez mais irreversível. Mesmo que eventual arreglo para salvá-la seja exitoso, a Governadora estará definitivamente debilitada para liderar uma dinâmica econômica, social e política requerida para o desenvolvimento do Rio Grande. Yeda não reúne as condições morais, éticas e políticas para tanto.

O governo Yeda Crusius já é o maior empecilho ao aproveitamento das condições virtuosas presentes nos tempos atuais de PAC, de aumento do emprego formal, do clima favorável ao setor agropecuário, de expansão de todos os créditos e dos investimentos sociais.
É um governo que agoniza nos braços daqueles partidos políticos que, tendo dentre seus quadros alguns integrantes das quadrilhas que saquearam o Detran [e presumivelmente tenham também atuação na CEEE e Banrisul, a considerar-se as confissões do ex-Chefe da Casa Civil Cézar Buzatto -, se arreglam para salvar Yeda na ilusão de que assim estarão se salvando a si próprios.

Nestas circunstâncias, é compreensível que a Governadora esteja num quadro exarcebado de perturbação. Embora se possa considerar inaceitável uma governadora de um Estado como o Rio Grande perder o controle, o equilíbrio e a sensatez, se é obrigado a admitir que a Governadora padece de uma crise delirante. A expressão última de seu delírio é a crença paranóica de que é vítima de uma hipotética “República de Santa Maria” liderada pelo “conspirador” Tarso Genro, Ministro da Justiça que é natural da cidade onde os integrantes da quadrilha atuaram mais fortemente.

Estranha a atitude da Governadora, que em nenhum momento criticou cada um dos seus ex-Secretários e ex-dirigentes da CEEE e Detran demitidos por envolvimento direto ou tangencial com os escândalos. Em nenhuma ocasião a Governadora se dirigiu à sociedade repugnando os réus que a cada informação do inquérito se percebe terem agido asquerosamente saqueando mais de 44 milhões de reais dos cofres públicos.

Em lugar do combate à corrupção e aos corruptos, a Governadora sempre foi elogios aos réus ou a pessoas que tiveram conduta reprovável. E não foi só a minimização do sentido simbólico do chope sorvido pelo ex-Secretário com Lair Ferst.
O Governo Yeda aposentou o Procurador do Estado Flávio Vaz Neto com um dos mais altos salários do Poder Executivo quando deveria abrir procedimento administrativo por demissão a bem do serviço público – procedimento, aliás, que a Assembléia Legislativa adotou em relação a Ubirajara Macalão.

A Governadora elogiou a atitude do Representante do Escritório do Rio Grande do Sul em Brasília, que prevaricou ao receber a carta de Lair Ferst e que traficou interesses do lobistas em órgão público. Seu ex-Secretário-Geral de Governo, Delson Martini, que foi blindado durante 60 dias para finalmente ser desmascarado como intermediário das quadrilhas e porta-voz da Governadora junto às mesmas, não recebeu nenhuma repreensão ou censura pública dos seus atos.

Ela também condenou com veemência o Vice-Governador Feijó, porém não se explicou sobre as confissões do seu ex-Chefe da Casa Civil de que os desvios do Detran fazem parte de uma lógica da co-habitação conservadora, assim como a CEEE e o Banrisul podem ser nichos para a locupletação de outras “famílias políticas” que lhe dão sustentação.

A Governadora, enfim, sempre foi elogios e condescendências para com “os seus”, ficando devendo respostas claras e incontroversas para a sociedade. Ao invés, a Governadora atinge o mais alto nível de delírio [pra não dizer autismo, em respeito às pessoas portadoras de sofrimento psíquico] e, com a soberba e mentiras peculiares, alega conspiração contra seu governo. Busca desesperadamente nacionalizar o debate para trazer a conhecida histeria tucana se voltar contra Lula e assim desviar o foco de sua tragédia.

A Governadora Yeda Crusius, cuja ausência de condições políticas e morais compromete o futuro econômico e político do Rio Grande, com o pânico e despreparo de suas reações também revela incapacidade subjetiva e comportamental. A lástima com a situação do Estado só se faz aumentar.

80 anos del Comandante, el Che Guevara

Em artigo publicado no Página12, o intelectual argentino Atílio Borón acentua a dimensão teórica e histórica do Che para a atualização do marxista e do socialismo, ademais dos notórios predicados humanos e revolucionários que ele nos legou, exemplares até a eternidade.

Atílio vem pondo acento nesta dimensão da trajetória do Che desde a muito tempo, destacando suas teorias e previsões, muitas das quais se confirmaram - para citar uma importante: a queda da URSS em razão dos equívocos cometidos internamente e no plano externo.

Muito se enaltece das qualidades deste que é um exemplo de homem, de revolucionário e de dedicação infatigável ao socialismo, o que é indiscutível. A análise de Atílio Borón, contudo, faz engrandecer a condição de personagem da história e da luta libertária que foi o Che.

Ler o artigo do Atílio ...

A ilustração é do cubano Orlando Hernández Yanes, membro da Asociacion Internacional de Artes Plásticas [AIAP] de Cuba.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Diante de uma questão cívica

Jeferson Miola
A conjuntura política gaúcha adquiriu um ritmo impressionante de câmbios e revelações na semana passada. A situação evoluiu dramaticamente, e a crise já não pode ser tratada como uma simples contenda binária do tipo oposição versus situação, porque os episódios revelados colocam toda a sociedade gaúcha diante de uma questão que é, acima de tudo, cívica.

Com as descobertas estarrecedoras, instrumentalizar a luta política entre governistas e oposicionistas para interditar as providências exigidas seria não só inaceitável, como perigoso. Iria contra o sentimento da sociedade, que exige o esclarecimento profundo e objetivo do ocorrido. E, ademais, comprometeria o futuro político e econômico do Rio Grande que, convivendo com tamanha obscuridade de escândalos não esclarecidos em profundidade, seria condenado a se arrastar nos próximos 30 meses com um governo desmoralizado e politicamente inviabilizado e deslegitimado, incapaz de conduzir o Estado ao futuro.

Idealmente falando, seria desejável conseguir-se poupar o Rio Grande de um processo traumático de responsabilização da Governadora. Mas infelizmente hoje isso se tornou uma imposição devido aos fatos até então impensáveis na nossa cultura e tradição políticas.

A semana, contudo, que passou foi repleta de situações entristecedoras e lastimáveis para o povo gaúcho, acostumado a escrever sua história de modo quase sempre épico. Foi uma semana em que os silêncios abusivos, as versões falaciosas, os falastrões e as mentiras das pessoas indiciadas no escândalo do Detran caíram por terra. A audição de conversas telefônicas revelou em pormenores quais eram e como agiam as quadrilhas.

Por esses dias ficou evidente a coadjuvação do Secretário-Geral de Governo no mínimo como vetor para transmissão de orientações emanadas pela Governadora. Foi também publicada a carta que Lair Ferst, lobista e chefe de uma das maltas, endereçava à Governadora por intermédio do Chefe da Representação do governo gaúcho em Brasília – o mesmo que foi flagrado auxiliando o lobista traficar interesses junto a órgão público e sobre quem a Governadora disse ter “agido corretamente”.

E, finalmente, foi revelado o conteúdo de audiência mantida entre o Vice-Governador e o Chefe da Casa Civil, onde o segundo confessa com naturalidade o entendimento de que a roubalheira do Detran possa ser entendida como fonte de financiamento de uma das “famílias políticas” que apóiam o governo, assim como desvios na CEEE e no Banrisul possam financiar demais grupos partidários.

A reação da Governadora a tudo isso, após longo e perturbador silêncio, foi desrespeitosa com a sociedade, porém indulgente com os integrantes de sua equipe que estão implicados nos escândalos. Isso tudo faz com que a crise avance gravemente. No outro lado da rua do Piratini, a CPI do Detran vai colecionando base probatória robusta que nos faz indagar se não é chegada a hora da abertura de processo de responsabilização da Governadora.

A consciência cívica e republicana que vai se constituindo em paralelo à comoção da sociedade com as notícias, não tolerará arreglos feitos para acobertar o que quer que seja.
É péssimo para o Rio Grande este lodaçal de corrupção e escândalos que a cada dia ganham novas proporções aterrorizadoras. Pior ainda será a subsistência de dúvidas escabrosas que, protegidas e não investigadas em virtude de arreglos duma maioria parlamentar circunstancialmente a favor da Governadora, obrigue o Rio Grande ao atraso, pois a Governadora Yeda Crusius e seu governo estão irremediavelmente descredenciados e desmoralizados para o diálogo público em direção ao futuro do Estado.

No es así

No Página12 de hoje, tem um importante artigo de opinião que analisa com equidistância e equilíbrio a crise na argentina. Vale ler na edição do Página12 …


No es así
Por Alfredo Zaiat
Ya resulta por demás extraño el lockout más violento de la historia del país que se acerca a cumplir 100 días.
Un grupo de empresarios del campo, de las zonas más privilegiadas y ricas de la actividad agropecuaria, protestan por la suba de las retenciones como si estuvieran al borde de la quiebra. No es así.
El Gobierno presenta el conflicto como si sólo una parte no tuviera vocación de diálogo. No es así.
Continuar a leitura do artigo ...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Buenos Aires

Estar em Buenos Aires sempre é algo gracioso e especial. Sempre que estou aqui tenho a sensação de estar na minha própria casa - na bela e doce capital, Porto Alegre. E, assim, tenho ao mesmo tempo a sensação de estar no mundo. Um lugar adorável, cosmopolita e acolhedor - pra não peder a oportunidade de uma piada provocadora mantendo a ótima amizade com los hermanos, diria que o único ruim são os portenhos.

Buenos Aires à parte a noite interminável que-se-parece-dia com seus cafés, livrarias, shows, cinemas, teatros, música, jazz, blues, poprock, dinamismo humano, tem uma diversidade jornalística de causar inveja. São revistas e jornais diários que deixam a gente babando de vontade de ler tudo. Sempre que venho prá cá, compro as revistas Veintiytrés e Debate. E, por recomendação do Flávio, também passei a comprar a direitista Notícia; por aí se sabe as coisas pelo ângulo do ultra-conservadorismo argentino, que tem um peso político e cultural importante por aqui.

De jornais, compro sempre meu predileto Página12, eventualmente o Clarín e sempre o Barcelona, uma espécie de paródia diáraia da mídia, especialmente do conservador Clarín. Tem outros que também os leio, de cujos nomes não me recordo neste instante em que escrevo estas linhas em meio a um breve intervalo de trabalho.

Duas diferenças que se salientam, ademais da qualidade jornalística e editorial de jornais como o Página12: aqui as assinaturas são algo alienígena, porque faz parte da cultura sair-se de casa para comprar-se jornais nas bancas - os kioskos que estão em todas as quadras - e jornal é jornal, não é um encarte publicitário com 80% de seu tamanho tomado por anúncios e propagandas.

Resumo tudo pra destacar, por exemplo, a edição de ontem do Página12, que apresentava matérias completas sobre a crise entre o governo central de Cristina Kirchner e os agro-conservadores, sobre a criação de polêmico índice para medição de inflação, sobre a caída em desgraça do Charly Garcia, sobre um manifesto escrito por mais de 1.500 intelectuais e ativistas em defesa da democracia, e sobre a presença de Alberto Granado na Argentina para a celebração dos 80 anos del Che e outras matérias escritas com densidade e qualidade informativa.
Sempre é bom estar em Buenos Aires porque aqui, ademais de me fazer sentir em casa e no mundo, tenho a sensação de não estar sendo permanentemente enganado pela imprensa. O que se lê num veículo é o que se lê, e não o que está nas entrelinhas.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Repressão [da braba] nos protestos contra governadora

Desde Buenos Aires, capital dum país onde a crise também é uma tônica - porém nem de perto dramática e comprometedora como a vivida pela Governadora Yeda Crusius - acompanho atentamente os acontecimentos do Rio Grande.

Além das constantes tropelias da Governadora e de sua base partirária de apoio [Jair Soares "caiu" antes de assumir no Gabinete de Transição], a repressão passou a fazer parte do lastimável cardápio de acontecimentos.
Tento acompanhar o que se passa através do
RS Urgente, que comenta e ilustra tudo o que está acontecendo. É deplorável. Veja no RS Urgente ...

Atualizado no título em 12.06.2008

terça-feira, 10 de junho de 2008

Gabinete de Transição: arreglo para evitar impeachment

Jeferson Miola
A idéia da Governadora Yeda Crusius de criar o “Gabinete de Transição” até que se consiga formar um “Gabinete de Governo” de tipo “parlamentarista” com personalidades “acima de qualquer suspeita”, é uma evidência clara de que a situação da Governadora e do governo ficou insustentável.

A Governadora se tornaria então um espectro, enquanto o poder real passará a um condomínio formado pelos principais partidos políticos da direita gaúcha. Este condomínio deverá carregar o espólio dos 30 meses restantes deste que é o governo mais debilitado política e moralmente e sem legitimidade em toda a história gaúcha.

A decisão é também sinal claro de que o conservadorismo gaúcho busca o enquadramento da “sua classe” em torno de um projeto que possa representar a salvação do que resta. Uma coisa é certa: deixar se consumar a queda da Governadora poria muita água no moinho do PT e praticamente asseguraria a vitória eleitoral em 2010 por antecipação. Esse é um divisor de águas que parece ter sensibilizado até mesmo os setores partidários recalcitrantes, que nos últimos dias pendiam entre a posição de ruptura com o governo ou de continuidade crítica na base de apoio.

Da mesma forma que a conjuntura evoluiu aceleradamente e em favor da oposição na semana passada, os últimos dois dias serviram de ponto de partida para a reação dos setores de apoio e sustentação do governo. Nestes dois dias o governo recobrou a capacidade de iniciativa política e de articulação da sua base, mesmo que ao preço da renúncia ampla de poder.

Apesar do rescaldo dos acontecimentos da semana passada, a iniciativa de blindagem da Governadora – um gesto importante de obstrução do caminho do impeachment – altera qualitativamente a conjuntura, desta vez em favor do governo. A governadora ganha, assim, sobrevida na UTI do hospital político.

Mesmo que as condições materiais, documentais e objetivas sejam contundentes para a abertura de processo de responsabilização e impedimento da Governadora, o arreglo do “Gabinete de Transição” é o mais relevante obstáculo a ele transposto. Entretanto, os partidos que tomam parte deste arreglo poderão arcar com elevado custo político. Farão um péssimo inventário ao fim do governo que se arrastará melancolicamente até o fim. Ou então serão tragados politicamente caso a dinâmica política force a abertura do processo de impeachment.

A disputa pela abertura do impeachment não é partidária, porque deve ser uma luta cívica, que deve buscar o alinhamento da intelectualidade, do parlamento, dos movimentos sociais, da OAB, CNBB, Igrejas, ARI, dos Deputados Estaduais e de todos aquelas pessoas que querem recuperar um sentido de decência na política gaúcha. A tarefa primordial é produzir referências objetivas e subjetivas que animem o amplo movimento com tal amplitude e expressão social - única maneira de evitar que a mídia que vem atuando dignamente na repercussão deste episódio, capitule ao arreglo em curso.

sábado, 7 de junho de 2008

Com Olívio não era assim

Nas suas confissões, Busatto generalizou a idéia de que em todos os governos passados “se fazia assim”, numa alusão ao loteamento das estruturas para partilhar esquemas de corrupção entre as “famílias políticas” gulosas.

Não é verdade o que confessou Busatto. No governo Olívio não foi assim.

A falta de maioria parlamentar na Assembléia sempre foi contrapesada com a sustentação social principalmente através do Orçamento Participativo. O governo Olívio nunca proclamou uma fatalidade da maioria parlamentar para cair na gandaia e fazer um governo amorfo programaticamente.

E mesmo com minoria parlamentar – mas com capacidade de construção de maioria social e política – o governo Olívio aprovou todas as matérias de interesse público e da sociedade gaúcha e, sobretudo, soube superar uma CPI – aquela sim golpista – que teve item por item desmontado na Justiça e no Ministério Público posteriormente.

Política da séria, programa democrático e popular e retidão na condução da coisa pública. São marcas do governo Olívio que as confissões do Busatto não conseguirão macular para misturar com o lodo em que charfunda Yeda.

Impeachment, uma agenda realista

As confissões de Cézar Busatto na conversa gravada pelo [Vice-]Governador Paulo Feijó formam uma tese e condensam várias práticas e lógicas.

A tese é: há intencionalidade e consciência do governo e da governadora Yeda Crusius na conversão do Estado em “capitanias hereditárias” divisíveis entre as “famílias políticas”, que o dominam de maneira corrupta.

As práticas e lógicas derivadas de tal tese são o que acontece no Detran, na CEEE, no Banrisul, no loteamento de cargos públicos, no tráfico de influências, na promiscuidade com empresas, etc.

As confissões de Cézar Busatto, que é o Chefe da Casa Civil, estocam definitivamente a crise no andar mais alto do governo estadual. São confissões que confirmam que o modus operandi [dos “elementos”] do governo se fundamenta na corrupção compartilhada. É assim que garantem o modus vivendi - citação latim do Busatto nas conversas com Feijó – entre as diferentes “famílias políticas”.

A situação da governadora é irremediavelmente grave. Além dos aspectos materiais, documentais e objetivos que permitem responsabilizar Yeda, subjetivamente a imagem que se consolida é de debilitamento político e fragilização que lhe retira crescentemente a capacidade de continuar governando. O impeachement passa a ser uma agenda hiper-realista.

Antes faziam com o DAER, Busatto?
Dentre as confissões, Busatto ilustrou ao [Vice-]Governador Paulo Feijó que antes do Detran e do Banrisul, o DAER era o alvo das pilantrices.

Busatto supostamente se refere ao modus operandi que adotavam no DAER durante o governo Britto.

Isso tudo – a lambança e colapso geral da política gaúcha – trazem a desafiadora curiosidade de saber o quê esta turma que ocupa o noticiário policial hoje não deve ter feito durante o famigerado governo Britto. A turma [os “elementos”] é a mesma, com a diferença que naquela época a Polícia Federal era amordaçada e partidarizada pelo governo tucano-pefelento de FHC.

Esquizofrenia
O governo estadual, governadora Yeda à frente, quando não enfia a cabeça num buraco em profunda depressão e entra em coma silenciosa, se manifesta e revela uma esquizofrenia primária. Age como a pessoa desesperada que, diante da notícia dada pelo médico de que possui câncer, quer matar o médico ao invés de combater a doença: atacam a imprensa, a CPI, a oposição e todos que se escandalizam com as barbaridades cometidas pelos “elementos” do governo.

Respingos municipais da crise estadual
A conjuntura eleitoral, em princípio, fica alterada em favor do PT na eleição de Porto Alegre. As candidaturas de Fogaça e da Manuela ficam abaladas com as confissões de Busatto.

O ex-Secretário de Governança Solidária de Fogaça poderá ter de explanar o modus operandi que aplicava para garantir o modus vivendi de um partido chiquitito [PPS] com o condomínio partidário conservador que fatiou a prefeitura em muitos interesses.

Busatto, apesar de ser favorável à coligação do PPS com o Fogaça, é correligionário de Berfran Rosado, o neo-socialista candidato a vice de Manuela que com Busatto compartilhava do modus operandi no DAER na época do Britto.

De todos os modus, faltou modos
De todos os modusoperandi ou vivendi -, a verdade é que o habitus da turma revelou uma total falta de modos com a coisa pública. É uma indecência.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

“Cumprir o que Ela mandar cumprir”

A revelação hoje, na CPI do Detran, do áudio das gravações de conversas mantidas entre os integrantes da quadrilha que sangrou o Detran, provocou uma alteração de qualidade da conjuntura política gaúcha.
Primeiro, porque pôs por terra abaixo a tese dos indiciados pela Justiça que, ou abusando do direito de não falar ocultavam os fatos e a verdade, ou dos falastrões do bando que, falando, demonstraram uma crença onipotente de que poderiam engambelar o mundo com lorotas de quinta categoria. Tudo ruiu: versão por versão, mentira por mentira, silêncio por silêncio.
As gravações também revelaram que o esquema não só era operado pelos personagens que hoje são réus ou investigados, como também era do conhecimento de esferas mais altas do poder do Governo do Estado. O dirigente do PSDB e Secretário-Geral de Governo, Delson Martini, por exemplo, era recorrentemente citado nas tratativas. Figurava nas conversas aparentemente como alguém vocacionado a transmitir “vontades superiores”.
É tristemente reveladora a citação feita por Antônio Dorneu Maciel numa das conversas entabuladas com Flávio Vaz Neto, que alude à governadora Yeda Crusius. Em meio ao relato que fazia ao Flávio a respeito de um encontro com um representante de outro bando do esquema, Maciel afirma:

Ela que diga o que o Flávio tem que fazer, porque o Flávio vai cumprir o que Ela mandar cumprir. Disso não tenha dúvida.

O negócio é o seguinte: o Flávio é um homem disciplinado e faz o que Ela mandar. Se Ela disser que é pra fazer isso ele vai fazer, senão ele não vai fazer. Quero que tu entenda isso. Aí ele já deu um pau nela, que Ela é meio sacana mesmo, que costuma botar umas pessoas contra as outras ...
[Esta e outras 34 gravações podem ser acessada no saite da
Zero Hora].

A reação do governo foi uma patética entrevista coletiva do Secretário-Geral de Governo, Delson Martini, que depois de quatro meses se esquivando, finalmente se colocou à disposição da CPI para depor. Como de costume, o governo desorientado agiu tarde e outra vez erradamente.

Mesmo que deponha, a estas alturas Delson Martini é, contudo, apenas o anel. O dedo e o corpo todo – leia-se, a governadora e seu governo – estão irremediavelmente condenados e com os dias contados. Política e moralmente foi alvejado com flechadas no coração. Ao que parecem, mortais.

terça-feira, 3 de junho de 2008

“Chutzpah”, ousadia descarada

O depoimento de Antonio Dorneu Maciel ontem na CPI do Detran foi uma enciclopédia simbólica. O depoente não economizou nos símbolos que poderiam confundi-lo como uma das Suas Excelências, os Nobres Deputados. O cume da síndrome dual do depoente foi quando alertou o Presidente da CPI de que o “diálogo” deveria se dar exclusivamente entre “Ele e os senhores deputados” [sic].

No que toca às tramóias do Detran, assunto que lhe levou à prisão, ao indiciamento judicial e ao depoimento na CPI, Antônio Dorneu Maciel se posicionou olimpicamente alheio ao assunto, apesar do oceano de evidências e materialidades em contrário. Antônio Dorneu Maciel levou mais de 7 meses para apresentar à CPI um álibi ridiculamente sui generis: a maleta levada ao seu flat recheada de propina era, na realidade, um computador portátil recheado de projetos de boas ações! Um deboche.

Do jeito que as coisas andam na CPI, com a sucessão de anjinhos negando toda e qualquer responsabilidade [isso quando se dispõe a falar], não tardará muito e seremos obrigados a concluir que a tramóia do Detran foi obra dos motoristas do RS!

Como em outra aparição pública [numa entrevista à Zero Hora de 16/11/2007], ontem na CPI Antônio Dorneu Maciel abusou calculadamente de duas personalidades: a da autoridade equiparável às Suas Excelências, um gigante partidário do PP [que porém desconhece a tramóia do Detran]; e a do humano clemente, que pedia aos deputados que olhassem no fundo de seus olhos para verem a pureza de sua vida.

Esta atitude última, de alguém friamente preparado, me faz lembrar a expressão iídiche Chutzpah, desenvolvida por Irvin D. Yalom, em A cura de Schopenhauer [pág.76]:

Ousadia descarada, que em iídiche era ‘Chutzpah’, palavra sem uma correspondência exata em outras línguas, mas bem definida na história do menino que matou os pais e depois pediu clemência aos jurados por ser órfão”.

[Esta percepção está presente em Biruta do Sul de 18/11/2007; clicar para rever].

sábado, 10 de maio de 2008

Pedido de prorrogação da CPI do Detran

O primeiro prazo para a CPI do Detran concluir seus trabalhos termina no próximo dia 06 de junho. Com o emaranhado da falcatrua montada e o silêncio dos depoentes [a maioria já indiciados pela Polícia Federal], a CPI precisa mais tempo pra conseguir chegar a resultados concretos.

Tá rolando uma petição via web para que a CPI seja prorrogada pelos deputados, para permitir a conclusão eficiente do trabalho investigativo da Assembléia Legislativa. A petição pode ser assinada por qualquer pessoa no endereço
http://www.petitiononline.com/qw13579/petition.html.

Diz o texto final da petição:
Para bem esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o desvio de mais de R$ 40 milhões das contas públicas, bem como apontar os culpados, solicitamos aos deputados que compõem a CPI, em especial aos deputados da base governista, que ASSINEM O REQUERIMENTO PELA PRORROGACÃO DA CPI DO DETRAN!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A desfiliação de João do PT [e o carimbo]

Meu amigo e camarada João R. saiu do PT. Em abril passado se desfiliou na sede do PT de Porto Alegre.

Chamou-lhe atenção o carimbo virado feito acidentalmente no documento de desfiliação pelo funcionário que o atendeu. Segundo João, pareceu-lhe uma metáfora com a situação do PT de hoje: tudo se encerrou num carimbo; um carimbo tão de cabeça pra baixo, tão invertido. Um carimbo tão fora de lugar que, porém, sequer incomodou o funcionário, à vontade com o “descuido”. A metáfora, enfim, serviu-lhe como uma espécie de analgésico a amainar a dor da decisão tomada.

João fez parte do memorável esforço que foi o movimento pró-PT, a partir de 1979. Em 1980, foi um dos filiados fundadores do PT. Ali no PT, ficou nestes quase 30 anos pela paixão e confiança nas políticas e nas idéias de esquerda. Nestes anos todos, nunca pleiteou pra si cargos ou favores partidários, assim como nunca dependeu de arreglos ou aritméticas para sobreviver politicamente ou materialmente. Sempre fez política e militou sem contrapartidas.

João é daqueles “exóticos” – ou alguns prefeririam ortodoxos - que preferem mil vezes a “demora histórica” da construção hegemônica de esquerda e socialista do que a rapidez volátil do pragmatismo que concebe até a coabitação do PP com o PT como fruto da “nova inteligência programática” ou da “exigência dos tempos” eleitorais.

João não faria – como não fez – nenhum alarde com sua decisão; apenas compareceu na sede do PT. A desfiliação dele, ao invés de despertar a ira generosa contra as perdas que se sucedem, só aprofunda o silêncio dum PT que parece querer renegar seu passado e sua história.

Na sua saída amistosa e respeitosa do PT, João mereceria ter recebido mais do que um simples carimbo de cabeça para baixo e o destino dos trâmites burocráticos no TRE. Resignemo-nos à realidade, contudo: o PT se dará conta da sua desfiliação na véspera da próxima ocasião eleitoral interna do Partido, quando então lhe telefonariam para “participar” do PT e da decisão sobre seus destinos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O ciclone, o Fogaça e a Yeda

A desestruturação dos serviços públicos ficou super evidente neste final de semana diante do ciclone [não o colorado, mas o climático] que atingiu o Rio Grande do Sul e sua bela e doce capital Porto Alegre.
Apesar de todas as previsões de que o ciclone chegaria, de que seria forte e que adquiriria ventos de mais de 100 Km/h [imagine-se uma colisão de carros nesta velocidade para saber-se o quão sérias seriam as conseqüências], tanto o governo municipal [Fogaça] quanto estadual [Yeda] demonstraram não só incompetência e despreparo, mas também o desdobramento de suas opções governamentais de desestruturar serviços essenciais para a população.
Os órgãos da defesa civil municipal e estadual passaram o final de semana batendo cabeça e deixaram bairros a descoberto e milhares de pessoas sem energia elétrica e ameaçadas com a destruição e queda de árvores nas residências e vias públicas. Faltou coordenação e planejamento prévio entre SMAN, Corpo de Bombeiros, Brigada Militar, CEEE, SMOV, DEP, Defesa Civil e outros órgãos. Ficaram faltando os técnicos e equipes de emergência que não são repostos no serviço público.
Os ciclone [não o colorado, mas o climático], por isso, mais que um problema factual, é a revelação do fracasso dos governos Yeda e Fogaça que desestruturam os serviços públicos no Estado e na capital, mas que em tempos pré-eleitoriais abundam na propaganda e publicidade falaciosas.

ET: vale a consideração de que, no caso da CEEE, é até compreensível o descalabro da companhia, pois sabe-se hoje que seus ex-dirigentes Delson Martini e Antonio Dorneu Maciel, ao invés de dirigirem-na, estavam firmemente envolvidos com o Detran e a gestão dos negócios de mais de quarenta milhões.

sábado, 26 de abril de 2008

Só restou a várzea

Na várzea, o Grêmio Football enfrentará na tarde deste sábado 26 de abril o glorioso Ivoti, time composto por industriários, bancários, estudantes, desempregados, comerciários, sapateiros, agricultores e garis da cidade de mesmo nome.
A população ivotiense se revolta com a exposição de seus trabalhadores e pessoas humildes às drogas.
Com a nova fase do futebol gremista, a direção do Achanironga, time do distrito de Xavilândia, no interior do Acre, desafia o Grêmio para um confronto ainda no próximo mês de maio.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Os Deputados Federais e os próprios salários

Jeferson Miola

O aumento de verbas de gabinete que se autoconcederam os Deputados Federais não tem um lado só escandaloso. Pode ser útil ao avanço democrático, se se expuser ao exame público as decisões que tomam Suas Excelências.

Infelizmente, para boa parcela de políticos, a política se tornou sinônimo de negócio e oportunidade. Também pudera: o salário de R$ 16,5 mil, com mais R$ 3 mil de auxílio moradia e R$ 4,2 mil de quota telefônica, é apenas parte da remuneração do Deputado Federal. E mesmo assim já é bem maior do que recebe o Presidente da República e quase 60 vezes o salário mínimo nacional.

A este salário, são acrescidos ao caixa do mandato parlamentar outros R$ 107,7 mil para custear escritório nos Estados, passagens aéreas e contratações de funcionários. Não bastasse, o Deputado ainda recebe, além do 13º, mais 14º e 15º salários.

Daí que cada mandato parlamentar federal gira ao ano com a cifra aproximada de 1,5 milhões de reais, e pode contratar até 25 funcionários com salários fixados entre 710 e 9.500 reais. Os encargos sociais, previdenciários e trabalhistas saem no orçamento geral da Câmara dos Deputados, desonerando os próprios mandatos.

Fosse a estrutura de um Deputado Federal, com tal “renda”, logística e staff considerada um “empreendimento”, levaria notável vantagem comparativa sobre a grande maioria das micro e pequenas empresas brasileiras, que têm faturamento anual, segundo o IBGE, de até 1,1 milhão de reais. Elas, que empregam em média 7 trabalhadores, os remuneram com entre 2 e 3,1 salários mínimos – salários eloqüentemente inferiores aos ganhos pelos funcionários de gabinetes.

O esforço da sociedade brasileira para garantir o funcionamento do Congresso e da representação popular poderia ao menos ser correspondido com padrões razoáveis e plebeus, mais a ver com a vida. Numa democracia, é inaceitável tamanha discrepância e dessemelhança entre o representante [Deputado] e o representado [povo].

Autoridades não podem continuar promovendo regalias para si como se o Brasil fosse sua capitania hereditária. A bonança que se garantem no Congresso Nacional - procedimento igualmente observável no Poder Judiciário – não só aprofunda os contrastes com a situação de todo o funcionalismo público, como exprime desprezo com a triste realidade da população brasileira.

A sedução material é irmã gêmea do que Marx e Lênin chamaram de “cretinismo parlamentar”; enfermidade “que mantém os elementos contagiados [no caso, os parlamentares] firmemente presos a um mundo imaginário, privando-os de todo senso comum, de qualquer recordação, de toda compreensão do grosseiro mundo exterior”. Um mal que faz com que parlamentares se ensimesmem na sua onipotência e onisciência e descolem da realidade.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Mino Carta: “Falta peito, falta coragem” [ao Lula].

Revista do Brasil: Há quem diga que se Lula não tivesse cumprido os compromissos assumidos na Carta aos Brasileiros teria caído.

Mino Carta: Eu duvido. Quem dá o golpe se o povo elegeu e reelegeu esse cara da forma como o elegeu e, sobretudo, como o reelegeu? A mídia compactamente contra ele, todo dia soltando informações sobre corrupção, envolvimentos terríveis com o que há de pior etc. etc., e assim mesmo ele foi reeleito. Quer dizer, a estratégia da minoria branca, que normalmente dá certo, desta vez falhou. Não acho que havia condições para nenhum tipo de golpe. Os grandes estadistas têm coragem. Claro, se ele me ouvisse dizer essas coisas, diria: “Ah, o Mino é um iludido, um anárquico”. Conheço o Lula há 30 anos, sei o que ele pensa. Em inúmeras vezes percebi que ele me achava incômodo. Sou amigo dele e gosto muito dele, o acho um sujeito extremamente dotado, além de tudo tem um QI muito bom. Mas falta peito, falta coragem.


Ler entrevista completa de Mino Carta na Revista do Brasil ...

domingo, 13 de abril de 2008

Emergencia en Haití

El pueblo de Haití ha salido a las calles: sus calles, y lo ha hecho para defender su vida.
Ha salido a protestar porque los alimentos básicos han triplicado su precio desde noviembre de 2007 aumentando dramáticamente los problemas de hambre, desnutrición y satisfacción de las necesidades elementales de la población, sin que el gobierno tome ninguna medida para evitarlo o contrarrestarlo.
Las políticas neoliberales impuestas por Washington y los organismos internacionales han llevado a Haití a una situación dramática caracterizada por la pérdida de su soberanía alimentaria, por la destrucción de la economía campesina y del potencial agrícola del país, a la desnutrición del 45 % de los niños menores de 5 años y causaron pérdidas masivas de empleo estimadas en 800 mil trabajadores del campo. Son estas políticas las que han conducido a la actual situación de emergencia.
Pero el pueblo de Haití ha salido también a protestar por la presencia y atropellos de la llamada Misión de Paz (MINUSTAH), que desde junio de 2004 ocupa su territorio. A exigir la salida de los 7 080 cascos azules que la conforman (1211 de Brasil, 1147 de Uruguay, 562 de Argentina, 502 de Chile, 114 de Guatemala en diciembre 2007), y que violan los derechos humanos con total y escandalosa impunidad, en flagrante contradicción con el mandato definido por el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas que le atribuye la tarea de impulsar el respeto a los derechos humanos y reforzar el sistema judicial.
La propia MINUSTAH ha tenido que repatriar recientemente a 114 soldados de Sri Lanka por encontrarlos culpables de abuso sexual y violaciones de mujeres y niñas en varias regiones del país.
Paradójicamente, el presupuesto anual de esta Misión asciende a 535 millones de dólares, el 9 % del PIB del país, mientras la población carece de lo más elemental.
Pra ler o artigo na íntegra e assinar manifesto, clicar aqui.

terça-feira, 8 de abril de 2008

SOS TVE

A TVE - Rádio e TV Educativa do Rio Grande do Sul poderá sofrer um duríssimo golpe na sua autonomia, independência e seriedade jornalística caso a Assembléia Legislativa gaúcha aprove o Projeto de Lei da governadora Yeda Crusius, que transfere a Fundação TVE da Secretaria de Cultura para a Secretaria-Geral de Governo.
Funcionários/as da TVE alertam para este sério risco e solicitam que todo mundo se manifeste para os deputados estaduais, que votarão o Projeto de Lei amanhã, 09/04/2008. Abaixo segue o texto sugerido, que deve ser destinado a todos/as os/as 55 deputados/as. Os emails deles/as podem ser obtidos no saite da Alergs - www.al.rs.gov.br:

Senhores Deputados

Venho, por meio desta, manifestar minha inconformidade com a transferência da Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão - TVE e FM Cultura - do âmbito da Secretaria de Estado da Cultura para a Secretaria-Geral de Governo, diretamente ligada ao gabinete da governadora.
Por se tratar de um retrocesso, solicito sua compreensão e o voto contrário ao artigo 11 do Projeto de Lei 42/2008, que trata da transferência acima citada.
Peço seu empenho pessoal pela manutenção da TVE e da FM Cultura como emissoras públicas, com autonomia diante dos governos, e estrutura compatível às suas funções legais - promoção de atividades artísticas, culturais, educativas e informativas - e contra sua saída do morro Santa Tereza, prédio histórico onde funcionou a primeira TV do Rio Grande do Sul.
Certo de sua sensibilidade para com as instituições de promoção da diversidade cultural gaúcha e dos valores democráticos, subscrevo-me

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mayo del 68: ¿Adónde ha ido a parar toda la rabia?

Tariq Alí

Una tormenta barrió el mundo en 1968. Empezó en Vietnam, recorrió Asia y cruzó el mar y las montañas hacia Europa y más allá. Cada noche se veía en televisión cómo los Estados Unidos llevaban a cabo una guerra brutal contra un país pobre del sudeste asiático. El impacto creciente que causó ver las bombas cayendo, las aldeas arder en llamas y todo un país arrasado con Napalm y Agente Naranja hizo estallar una ola mundial de revueltas sin igual antes o desde entonces.
Si los vietnamitas estaban derrotando al estado más poderoso del mundo, nosotros también podríamos, seguramente, derrotar a nuestros propios gobernantes: ése era el sentir general entre los más radicales de la generación de los sesenta.
Ler o artigo de Tariq Alí na íntegra ...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Desvendar as “ruas escuras” da internet

Entrevista do psicanalista Mário Corso expõe os labirintos indecifráveis da internet, as “ruas escuras”, as “trevas” que podem seduzir para a morte jovens como Vinícius, de 16 anos. Mário Corso era psicanalista do Vinícius, que em julho de 2006 se suicidou em contacto com o lado cruel, sádico e sórdido da existência humana. Via internet.

Ler a entrevista ...

quarta-feira, 12 de março de 2008

“Partido RBS” que deveria ser televisionado

Não é nenhuma novidade que o Grupo RBS é mais que um monopólio de comunicação do Sul do Brasil; o Grupo é o mais poderoso partido político da direita do Rio Grande do Sul; a expressão orgânica e militante do ideário conservador. E a RBS não só age enquanto verdadeira potência, como tem consciência do próprio poderio, sabendo tirar sempre o máximo proveito de tal condição.

Se é verdade que para a esquerda do PT e para a esquerda em geral é fundamental e estratégico reconquistar Porto Alegre com Miguel Rossetto para recuperar uma capacidade de audiência hegemônica a partir dos valores fundantes e radicais do PT, também é verdade que para o “Partido RBS” o empenho estratégico consiste justamente em interditar esta rota.

Não são fortuitas as matérias e colunas publicadas no jornal Zero Hora de hoje desafiando o PT a realizar debates televisivos ou radiofônicos entre as duas pré-candidaturas que disputam a prévia partidária.

A “sugestão” é um total despropósito. O PT é um partido político, e, enquanto tal, uma associação civil de direito privado que congrega pessoas que voluntariamente se associam a ele em razão de identidades teóricas, políticas, programáticas e ideológicas.

O PT, como um partido político, tem suas próprias regras democráticas e mecanismos internos de deliberação. Suas decisões, políticas e opções são adotadas exclusivamente pela sua comunidade interna que esteja regimentalmente em dia para participar das deliberações partidárias.

Já o “Partido da RBS”, ainda que um monopólio privado, é uma concessão pública que deveria observar minimamente o direito à diversidade no jornalismo que pratica, o que sonega absolutamente.

O “Partido da RBS”, que subitamente aparenta compromisso com a democracia e com a irradiação dos debates do PT, deveria demonstrar gestualmente e concretamente uma mudança de atitude, deixando de blindar os governos Yeda e Fogaça e deixando de sonegar espaço jornalístico para a expressão política da oposição a estes governos.

O “Partido da RBS” poderia ir além e radicalizar sua condição de concessão pública transmitindo, por exemplo, todas as reuniões do seu Conselho de Administração e Diretoria pela Rádio Gaúcha, TVCom e RBSTV. Ou então transmitindo as reuniões do Conselho Editorial da Zero Hora, principalmente as que decidem as pautas e definem linha editorial para as eleições, por exemplo.

Ao invés de ficarem atentando contra a organização partidária e principalmente contra o PT, caso o Grupo RBS agisse assim estaria prestando um verdadeiro serviço à democracia e à transparência.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Soldado de las ideas

Mensaje del Comandante en Jefe Fidel Castro

Queridos compatriotas:

Les prometí el pasado viernes 15 de febrero que en la próxima reflexión abordaría un tema de interés para muchos compatriotas. La misma adquiere esta vez forma de mensaje.

Ha llegado el momento de postular y elegir al Consejo de Estado, su Presidente, Vicepresidentes y Secretario.

Desempeñé el honroso cargo de Presidente a lo largo de muchos años. El 15 de febrero de 1976 se aprobó la Constitución Socialista por voto libre, directo y secreto de más del 95% de los ciudadanos con derecho a votar. La primera Asamblea Nacional se constituyó el 2 de diciembre de ese año y eligió el Consejo de Estado y su Presidencia. Antes había ejercido el cargo de Primer Ministro durante casi 18 años. Siempre dispuse de las prerrogativas necesarias para llevar adelante la obra revolucionaria con el apoyo de la inmensa mayoría del pueblo.

Conociendo mi estado crítico de salud, muchos en el exterior pensaban que la renuncia provisional al cargo de Presidente del Consejo de Estado el 31 de julio de 2006, que dejé en manos del Primer Vicepresidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. El propio Raúl, quien adicionalmente ocupa el cargo de Ministro de las F.A.R. por méritos personales, y los demás compañeros de la dirección del Partido y el Estado, fueron renuentes a considerarme apartado de mis cargos a pesar de mi estado precario de salud.

Era incómoda mi posición frente a un adversario que hizo todo lo imaginable por deshacerse de mí y en nada me agradaba complacerlo.

Más adelante pude alcanzar de nuevo el dominio total de mi mente, la posibilidad de leer y meditar mucho, obligado por el reposo. Me acompañaban las fuerzas físicas suficientes para escribir largas horas, las que compartía con la rehabilitación y los programas pertinentes de recuperación. Un elemental sentido común me indicaba que esa actividad estaba a mi alcance. Por otro lado me preocupó siempre, al hablar de mi salud, evitar ilusiones que en el caso de un desenlace adverso, traerían noticias traumáticas a nuestro pueblo en medio de la batalla. Prepararlo para mi ausencia, sicológica y políticamente, era mi primera obligación después de tantos años de lucha. Nunca dejé de señalar que se trataba de una recuperación "no exenta de riesgos".

Mi deseo fue siempre cumplir el deber hasta el último aliento. Es lo que puedo ofrecer.

A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré- repito- no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe.

En breves cartas dirigidas a Randy Alonso, Director del programa Mesa Redonda de la Televisión Nacional, que a solicitud mía fueron divulgadas, se incluían discretamente elementos de este mensaje que hoy escribo, y ni siquiera el destinatario de las misivas conocía mi propósito. Tenía confianza en Randy porque lo conocí bien cuando era estudiante universitario de Periodismo, y me reunía casi todas las semanas con los representantes principales de los estudiantes universitarios, de lo que ya era conocido como el interior del país, en la biblioteca de la amplia casa de Kohly, donde se albergaban. Hoy todo el país es una inmensa Universidad.

Párrafos seleccionados de la carta enviada a Randy el 17 de diciembre de 2007:

"Mi más profunda convicción es que las respuestas a los problemas actuales de la sociedad cubana, que posee un promedio educacional cercano a 12 grados, casi un millón de graduados universitarios y la posibilidad real de estudio para sus ciudadanos sin discriminación alguna, requieren más variantes de respuesta para cada problema concreto que las contenidas en un tablero de ajedrez. Ni un solo detalle se puede ignorar, y no se trata de un camino fácil, si es que la inteligencia del ser humano en una sociedad revolucionaria ha de prevalecer sobre sus instintos.

"Mi deber elemental no es aferrarme a cargos, ni mucho menos obstruir el paso a personas más jóvenes, sino aportar experiencias e ideas cuyo modesto valor proviene de la época excepcional que me tocó vivir.

"Pienso como Niemeyer que hay que ser consecuente hasta el final."

Carta del 8 de enero de 2008:

"...Soy decidido partidario del voto unido (un principio que preserva el mérito ignorado). Fue lo que nos permitió evitar las tendencias a copiar lo que venía de los países del antiguo campo socialista, entre ellas el retrato de un candidato único, tan solitario como a la vez tan solidario con Cuba. Respeto mucho aquel primer intento de construir el socialismo, gracias al cual pudimos continuar el camino escogido."

"Tenía muy presente que toda la gloria del mundo cabe en un grano de maíz", reiteraba en aquella carta.

Traicionaría por tanto mi conciencia ocupar una responsabilidad que requiere movilidad y entrega total que no estoy en condiciones físicas de ofrecer. Lo explico sin dramatismo.

Afortunadamente nuestro proceso cuenta todavía con cuadros de la vieja guardia, junto a otros que eran muy jóvenes cuando se inició la primera etapa de la Revolución. Algunos casi niños se incorporaron a los combatientes de las montañas y después, con su heroísmo y sus misiones internacionalistas, llenaron de gloria al país. Cuentan con la autoridad y la experiencia para garantizar el reemplazo. Dispone igualmente nuestro proceso de la generación intermedia que aprendió junto a nosotros los elementos del complejo y casi inaccesible arte de organizar y dirigir una revolución.

El camino siempre será difícil y requerirá el esfuerzo inteligente de todos. Desconfío de las sendas aparentemente fáciles de la apologética, o la autoflagelación como antítesis. Prepararse siempre para la peor de las variantes. Ser tan prudentes en el éxito como firmes en la adversidad es un principio que no puede olvidarse. El adversario a derrotar es sumamente fuerte, pero lo hemos mantenido a raya durante medio siglo.

No me despido de ustedes. Deseo solo combatir como un soldado de las ideas. Seguiré escribiendo bajo el título "Reflexiones del compañero Fidel" Será un arma más del arsenal con la cual se podrá contar. Tal vez mi voz se escuche. Seré cuidadoso.

Gracias

Fidel Castro Ruz

18 de febrero de 2008

5 y 30 p.m.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Entrevista: Maria da Conceição Tavares

Tomara eu ter o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos como Banco Central. Eles tratam direitinho das duas metas que eles têm, que são crescimento e inflação. Eles não acham que só têm que atacar a inflação. Eles acham que também não podem mergulhar a economia na depressão”, diz a professora Maria da Conceição Tavares na segunda de uma série de entrevistas da revista Desafios do Desenvolvimento com os membros do novo Conselho de Orientação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Quanto à possibilidade de o Brasil se tornar exportador de petróleo, diz esperar “que não seja tão cedo, porque seria um disparate entrar nessa agora”.

A entrevista, na íntegra ...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O consultor

Jeferson Miola
A personalização da política e a responsabilização individual nos processos políticos não são recursos úteis para a compreensão histórica dos acontecimentos. Acabam produzindo a demonização dos sujeitos políticos e operando a mistificação estalinista dos personagens.

É comum a tentação de personalizar em José Dirceu a responsabilidade exclusiva pelos erros cometidos pela antiga direção do PT, porque ele personifica em si a crise enfrentada pelo PT. José Dirceu se tornou uma espécie de caricatura da crise, a fisionomia mais identificável da corrosão ética e ideológica de alguns integrantes do PT. E o próprio José Dirceu alimenta tal fantasia personalizadora com indisfarçável satisfação: se gaba sempre que assinalada sua influência, seu prestígio, luxo e poder.


Ler o artigo na íntegra em Zero Hora ...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Exército de um homem só

O Lulismo vai bem, obrigado.

Já a horda de lulistas ... ah, essa vai muito mal.

Lula goza de uma popularidade e identidade no imaginário social nunca antes alcançado por uma liderança política brasileira. Isso lhe credita como o grande chefe político do Brasil contemporâneo. Para o bem e para o mal.

2008, 2010, 2014 e sabe-se lá quantas eleições dependerão do ânimus pessoal do Lula, acima e à parte do quadro partidário, inclusive e principalmente do PT. A política brasileira, em suma, se organiza a partir dos movimentos políticos, iniciativas, interesses e objetivos do Lulismo.

Mas se o Lulismo vai bem, o mesmo não se pode dizer dos diletos Lulistas. Exemplo notório foi a performance tragicômica dos Ministros da Fazenda e Planejamento no anúncio das medidas compensatórias à extinção da CPMF pelo Senado Federal.

Principalmente Guido Mantega se superou nos despropósitos. Foi patético! A começar pela máxima bobagem de que prometera não aumentar impostos só para a última semana de 2007! Comeram mosca diante de uma mídia partidária e golpista interessada em inocular-los com o vocabulário tucano-pefelento. Aceitaram a pauta do “pacote”, da “traição”, do aumento da carga tributária, e outras balelas.

Foram incapazes de desdizer a pauta tucano-pefelenta da mídia. Foram incapazes de desmistificar a tese de “pacote de impostos”. Não demonstraram a mínima inteligência para salientar aspectos virtuosos de medidas que afetam o setor financeiro e de concessão de crédito, o que só é possível graças ao intenso dinamismo da economia brasileira, coisa aliás que os tucanos e demos jamais foram capazes de fazer.

O Lulismo é forte e vai bem, mas é como o exército de um homem só.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A casa do Oscar

Chico Buarque, publicado no Terra Magazine*

A casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.

Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.

Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar.

* Texto escrito para os 90 anos do arquiteto Oscar Niemeyer, em 1998.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

“Aliados” derrotaram governo na CPMF

A derrota estrondosa do governo federal na votação da CPMF não foi causada pela previsível articulação contrária do reacionarismo demos-tucano, tendo FHC à frente das manobras estratégicas. Os Demos e o PSDB votaram centralizadamente, como um bloco monolítico - contra a prorrogação da CPMF.

A derrota do governo no plenário do Senado [sem se analisar os equívocos do governo ao longo dos últimos meses] foi determinada pelos votos contrários dos senadores “aliados” do governo – faltaram quatro para a aprovação. Três deles são do PMDB, que controla importantes ministérios, inclusive o da Saúde: Geraldo Mesquita (AC), Jarbas Vasconcellos (PE) e Mão Santa (PI). Dois são do PR, o mesmo partido do Vice-Presidente: César Borges (BA) e Expedito Junior (RO). E outros dois são do PTB, que tem muitos cargos na Esplanada: Mozarildo Cavalcanti (RR), que se ausentou, e Romeu Tuma (SP), cujo filho não-eleito na última eleição tem carguinho [9 – 10 mil] de Secretário no Ministério da Justiça.
Garibaldi Alves, o Presidente que é a cara do Senado, não votou, por ser voto minerva.

A elástica e pragmática aliança do governo Lula, causa de tantas metaformoses pessoais, ideológicas, programáticas e políticas de alguns, foi montada para garantir a vitória do governo em votações com exigência de maioria de 3/5 no Congresso.
Só reformas constitucionais [inclusive as de recorte conservador que tramitam] e restritas matérias legislativas necessitam de tal maioria. Na única necessidade nestes cinco anos em que o governo Lula precisou de maioria qualificada para aprovar medida de interesse social [a CPMF financia saúde, bolsa-família, etc], foi derrotado com a falta de votos dos “aliados” que fazem parte da aliança tão cantada em verso e prosa.

Venceu o reacionarismo nucleado em torno do PSDB e do Demos - FHC à frente das operações de guerra -, que defendem o endurecimento do combate ao governo Lula. É ilusão pueril imaginar que a oposição reacionária será responsabilizada pela eventual falta de investimentos sociais do governo. Se houver impacto nas políticas públicas e investimentos governamentais, quem paga a conta do desgaste será o próprio governo.