quarta-feira, 15 de outubro de 2008
O pior da crise “não passou, está por vir”, segundo Chesnais
Em exposição realizada em Buenos Aires em setembro último por ocasião de seminário promovido pela Revista Herramienta, Chesnais comentou sobre as razões para conclusões tão sombrias a respeito da crise. Diz ele: “Por isso, outro elemento a ter em conta é que esta crise tem como outra de suas dimensões a de marcar o fim da etapa em que os Estados Unidos podiam actuar como potência mundial sem comparação... Na minha opinião, saímos do momento que analisava Mészáros no seu livro de 2001, e os Estados Unidos vão ser submetidos a uma prova: num prazo muito curto, todas as suas relações mundiais modificaram- se e terão, no melhor dos casos, de renegociar e reordenar todas as suas relações com base no facto de que têm de partilhar o poder. E isto, evidentemente, é algo que nunca aconteceu de forma pacífica na história do capital... Então, primeiro elemento: um dos métodos escolhidos pelo capital para superar os seus limites transformou- se em fonte de novas tensões, conflitos e contradições, indicando que uma nova etapa histórica vai abrir caminho através desta crise”.
A íntegra da feita por François Chesnais pode ser acessada aqui.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Noam Chomsky sobre a crise do sistema bancário
Ler a entrevista completa, clicar.
sábado, 11 de outubro de 2008
“Tudo que é sólido desmancha no ar”
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Camarada Pilla, o mundo fica triste sem ti
Hoje o futuro, a esperança, a generosidade e os ideais de um mundo e de um homem novo perdem muito.Hoje o Pilla, o Luiz Paulo Pilla Vares, nos deixa porque encontrou a morte. Vai com ele aquela rara consciência revolucionária, de cepa proletária e socialista. Vai com ele o entusiasmo daquele guri sempre faceiro porque crente no porvir histórico de dias ensolarados para todo o povo e para toda a humanidade do mundo inteiro!
Na sua alma grandiosa, a camaradagem, a generosidade, o companheirismo, a paixão e o amor firmaram residência. Na sua consciência arguta e histórica, os ideais libertários, igualitários e humanistas moldaram a noção de esperança no futuro.
Ele foi um dos bravos e mais valiosos do que de melhor o PT produziu e sintetizou da tradição teórica socialista brasileira dos últimos cem anos. E agora o Pilla continua sendo uma estrela; daquelas estrelas mais resplandecentes. Uma estrela que irradia os corações de quem confia que a política só faz sentido, para a esquerda, se for algo para mudar o mundo – de verdade.
Tchau, meu querido camarada Pilla! Até logo, Pilla, nos veremos num futuro melhor!
Neste dia que escolhestes para encontrar a morte - o mesmo dia que tombaram o Che, a 41 anos – não é uma metáfora, mas a representação insofismável do belo exemplo militante, intelectual, socialista e humano que fostes. Por isso te digo, meu camarada Pilla, Hasta La vitória, siempre!! Por isso grito: Pilla Vares – presente!
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Che: símbolo dum mundo novo; exemplo humanista e socialista
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Dropes
No município de Teutônia, em que se apresentou um candidato único a prefeito, os resultados foram, no mínimo, desastrosos para o prefeito eleito. O novo prefeito de Teutônia, embora eleito com 49,73% dos votos, foi rejeitado pela maioria do povo teutonense, que votou nulo [47,90%] e em branco [2,36%], totalizarando 50,26% de votos contrários. A média de votos nulos, nas eleições municipais deste ano no RS, foi de 4,4%, mais de 11 vezes menos que os nulos observados em Teutônia!
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A vitória do PT no Rio Grande do Sul - 4
Os problemas internos do PT de Gravataí, evidenciados na ruptura entre o ex e o atual prefeito da cidade, também poderão ser benéficos para o PT. Não é demais lembrar que Gravataí, em épocas não muito distantes, pesou na balança das decisões partidárias com seus métodos que, em tempos pretéritos, seriam considerados inaceitavelmente “heterodoxos” do Rio Mampituba para baixo.
A vitória do PT no Rio Grande do Sul - 3
Os resultados eleitorais positivos do PT no Rio Grande do Sul demonstram que havia um ambiente e uma tendência potencial de vitórias para o partido em todo o estado. Por isso, o desempenho preocupante do PT em Porto Alegre exponencia o peso dos erros – ou, se se preferir - dos desacertos cometidos na condução política e eleitoral. Alguns aspectos para se refletir: A vitória do PT no Rio Grande do Sul - 2
Enquanto isso, na cidade “gaulesa” de Porto Alegre, a principal vitória do PT foi a confirmação da ida da Maria do Rosário ao segundo turno para enfrentar o atual prefeito Fogaça. O desempenho do PT na capital, porém, exigirá um brutal trabalho de superação para vencer Fogaça e o condomínio conservador que se aglutinará em torno dele no segundo turno.O PSOL, com os 9,22% de Luciana Genro e a eleição de duas vagas na Câmara de Vereadores, é um dos partidos que melhor se beneficiou na eleição em Porto Alegre. No contra-fluxo, o DEM e Ônix Lorenzoni diminuíram mais da metade dos votos que o candidato fez em 2004, despencando de mais de 80 mil votos na eleição para a prefeitura em 2004 para os 38 mil obtidos nesta eleição.
E para o PCdoB, a dureza foi grande: não só não se classificou para o segundo turno, como não elegeu nenhum vereador. Mas, devido à força de atração eleitoral da Manuela, o partido foi veículo para a eleição de 3 vereadores do PPS.
O PSDB da governadora Yeda, apesar de amargar o pior desempenho em eleições majoritárias em todas as eleições disputadas na capital, conseguiu eleger dois vereadores.
A vitória do PT no Rio Grande do Sul - 1
O PT é o partido que obtém a maior vitória eleitoral no RS nessas eleições municipais de 2008. Foi o partido que mais ampliou o número de municípios que governará, passando dos 43 conquistados em 2004 para 63 a partir de 1º de janeiro de 2009 – cerca de 50% de crescimento de titularidade de prefeituras municipais gaúchas. Foram vitórias importantes, que aumentam o ativo político do PT na política gaúcha e que ajudam a recompor a primazia do partido no debate público no RS.A geografia deste desempenho eleitoral do PT começa com a “varrição petista” na região metropolitana de Porto Alegre e em todo o eixo da BR-116: Viamão, Gravataí, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Esteio, Sapiranga, Sapucaia do Sul, Dois Irmãos. Abrange cidades-pólo e sub-pólo, como Erexim, Santa Rosa, Bagé, Bento Gonçalves. E se plasma em muitos municípios encravados bem no interior do Rio Grande.
Teve também outros 17 vice-prefeitos/as eleitos/as e, além disso, disputa em segundo turno a eleição em Canoas, Pelotas e Porto Alegre. Caxias do Sul, a quarta cidade gaúcha com mais de 200 mil eleitores, e palco de emocionantes disputas entre o PT e o PMDB, teve o resultado definido em primeiro turno em favor do candidato do PMDB, mas outra vez o PT polarizou o debate político.
Os partidos que sofreram as maiores baixas em relação à quantidade de municípios governados foram o DEM, que passará das 18 prefeituras conquistadas em 2004 para 13 nesta eleição; e o PDT, que perdeu 33 cidades administradas em relação a 2004 – passou de 97 municípios governados para 64.
A avaliação conclusiva do resultado eleitoral no RS, contudo, só depois do segundo turno em Canoas, Pelotas e Porto Alegre. E cotejada com um balanço final do resultado no plano nacional.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
As reparações na primavera
A primavera desse 2008 parece chegar plena de reparações. No primeiro domingo primaveril de 2008, no Gre-Nal que tem tudo para ser considerado histórico – seguramente o mais importante destes breves e iniciais anos do século 21 – não houve só uma goleada estrondosa do Inter sobre o rival. Houve o desabamento, a desmaterialização da geringonça paraguaia e enganosa presunção de time de futebol que é o Grêmio Football Portoalegrense. Com o mais profundo respeito ao Paraguai, país vitimado pela invasão de falsificações.Que foi ao templo do Gigante da Beira-Rio retornou extasiado para o início da primeira semana cheia da primavera desse 2008. E com o sentimento de que no futebol as coisas parecem estar sendo reparadas. Tudo, enfim, se encaminhando pro seu devido lugar. O alívio dos gremistas, que advinha do fato de não terem sido eles a amargarem os 8 a 1 infringidos pelo Inter no Juventude na decisão do Campeonato Gaúcho deste ano, foi agora vivido com um pesadelo pago ao menos pela metade do preço: os 4 a 1 sairam barato; 7 a 2 ficaria adequado.
Que seja um sinal de que na política e nas eleições será possível haver também alguma reparação. Mas pra isso tem-se de jogar com o espírito argentino dominante no Inter. Jogar com “argentinidade”. Com gana de vencer e com gana de atacar sabendo atacar com sabedoria e com senso estratégico.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Discurso de Allende no 11 de setembro de 1973
“Não vou renunciar! Colocado nesta encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que foi plantada na consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser ceifada definitivamente. Eles têm a força, poderão nos avassalar, porém não se detêm os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.Este são trechos do último discurso proferido pelo Presidente do Chile, Salvador Allende, por volta das 9:12 horas do dia 11 de setembro de 1973 na Rádio Magallanes, sob ruídos de aviões e disparos, diretamente do Palácio de La Moneda, que algumas horas depois seria pesadamente bombardeado, consumando o golpe militar dirigido por Pinochet com apoio dos EUA.
Para ouvir o último discurso de Salvador Allende, clicar aqui.
Na era 11 de setembro
Em 1973, num 11 de setembro trágico para os destinos do povo chileno e da nação latino-americana, se consumou o golpe de Estado do General Pinochet apoiado pela CIA e pelo governo dos Estados Unidos contra o governo socialista de Salvador Allende, que havia sido eleito democraticamente em 1970.Para a mídia conservadora internacional, apesar disso, o 11 de setembro alude exclusivamente às torres do World Trade Center. Para a consciência histórica, contudo, os 11 de setembro de 1973 e de 2001 são dois lados da mesma terrível condição de domínio imperial que terá fim.
As sanguinárias ditaduras implantadas na América do Sul pelos Estados Unidos nos anos 1960 e 1970 foram as filhas primogênitas dos governos de Washington. Saddam, Noriega, Bin Laden e os Talibãs são seus irmãos mais novos, nascidos nos anos 1980 e 1990 para os interesses de distinta geografia e geopolítica.
Na era pós-11 de setembro
O 11 de setembro será sempre lembrado como uma data delimitadora dos tempos modernos. A cronologia da história cristã contemporânea, que antes se definia como Antes de Cristo [AC] e Depois de Cristo [DC], desde 2001 passou a classificar temporalmente a existência moderna como Before-Eleven [i] e After-Eleven [ii]. Escrito e pronunciado assim mesmo, na “língua pátria” do planeta. Termos que, em tradução livre e não-literal, seriam sinônimos de Nos Tempos de torres no céu [i] e Nos Tempos de torres no chão [ii].Enquanto os Estados Unidos fazem da auto-vitimização o salvo-conduto para agirem como agem, o mundo fica cada vez pior, mais violento, menos democrático e mais unipolar. Os ataques horrorosos e estúpidos da Al Quaeda em 11 de setembro de 2001, que culminaram com a destruição das torres gêmeas e as mortes inaceitáveis de quase cinco mil civis dos Estados Unidos, foram o álibi que o governo imperial de George Bush ansiava para empreender a onda militarista e policialesca vigente no mundo.
Além de Bush, a lógica neoliberal se comprazia com a descoberta de um vetor [no caso, a guerra] que pudesse empinar a locomotiva da economia mundial em momento de crise e estagnação. Como declarava o Diretor Gerente do FMI, Horst Koehler nas semanas que antecediam o início das operações no Iraque à revelia da deliberação da ONU e do sentimento dos povos de todo o mundo, “uma guerra rápida contra o Iraque será benéfica para os mercados”.
A cruzada dos Estados Unidos nesta “missão” auto-proclamada a favor da civilização e da democracia, contra o “Eixo do Mal” e contra o terrorismo, empreendida a partir do After-Eleven, se ampara num doutrinarismo, obscurantismo e sectarismo próprios dos cinzentos tempos medievais. Que é consentâneo, porém, do retrocesso do conserto entre as Nações, do reacionarismo do Vaticano em fase Opus Dei, da xenofobia européia, do totalitarismo midiático, das guerras de dominação, das guerras de conquista e de mercados supremos e superiores às democracias nacionais.
O mundo só piorou depois de 11 de setembro de 2001. É mais violência, repressão, insegurança e guerras. Aí estão Palestina, Kosovo, Afeganistão, Paquistão, Iraque e todas as demais frentes de batalha – militar, comercial ou econômica – mantidas pelos governos estadudinenses. E, se depender das correntes reacionárias da política dominante naquele país, o mundo continuará piorando.
O 11 de setembro, a Al Quaeda, Saddam Hussein, Talibãs, Guantánamo, Abu Ghraib, mercenários, ditadores e outros gêneros da sordidez e do banditismo internacional são parte da cultura imperialista dos Estados Unidos, e não a sua oposição. São faces da mesma moeda. Estes gêneros todos são criações e conseqüências do Império. Exatamente nesta ordem: primeiro são criados e inventados para determinados fins e interesses; depois, se tornam incômodos, quando não conseqüências trágicas ao próprio Império.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Muitos Caminhos, uma estrela: Memórias de militantes do PT
Amanhã, 09/09, às 19 horas, em cerimônia da qual participam Flávio Koutzzi, Olívio Dutra e Raul Pont, acontece o lançamento no Rio Grande do Sul do livro “Muitos Caminhos, uma estrela: Memórias de Militantes do PT”. O livro, organizado pelos professores Alexandre Fortes (UFRRJ) e Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ e CPDOC/FGV), é o primeiro resultado público do Projeto de História Oral do Partido dos Trabalhadores, uma parceria do Centro Sérgio Buarque de Holanda – Documentação e Memória Política da Fundação Perseu Abramo com o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV).O evento acontece no Sindicato dos Bancários, na Rua da Ladeira, 324.
domingo, 7 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Cenário eleitoral em Porto Alegre
Seria a primeira vez em 20 anos, desde 1988, quando o PT conquistou Porto Alegre com Olívio Dutra, que o PT ficaria fora da polarização real na cidade que mais originalmente vincou a natureza moderna, democrática e popular das administrações do PT. E que lhe deram evidência nacional e internacional, e lhe premiaram como sede do Fórum Social Mundial e do emergente movimento internacional contra o neoliberalismo.
A posição de potencial favoritismo de Maria do Rosário, perceptível até maio-junho, hoje é contrastada com um sentimento perturbador de estabilização desfavorável da candidatura. Dois aspectos confirmam as evidências preocupantes. Um, que a hipótese de re-eleição, para Fogaça, nunca foi antes tão crível quanto o é agora, favorecido por uma dinâmica eleitoral geral que é despolitizadora e de um “afirmativismo” asséptico. E [2], num contexto de fetichização da política, a Manuela não só parece ser a maior beneficiária, como política e eleitoralmente tem sido poupada das contradições de ter-se vinculado ao que de pior já ocorreu na política gaúcha após o fim da ditadura militar: o brittismo de cepa pura.
Me interrogo, diante desta situação, se em lugar da idéia duma política de “cenário clean em fundo azul celeste” não seria apropriado o antagonismo fundado na crítica, nas contradições dos adversários e na confrontação de projetos – passados e futuros? Não pareceria razoável a candidatura Maria do Rosário - pela tradição de 16 anos de governos do PT na cidade – criar agenda eleitoral e ter a ambição de polarizar o debate sucessório? Seria presunçoso o PT reivindicar a autoria de conquistas fundamentais como o Orçamento Participativo e o Fórum Social Mundial e ser ele, o próprio PT através de Maria do Rosário, a anunciar em voz alta e altiva que pode sim retomar tais conquistas, ao invés de outras candidaturas se apropriarem, distorcerem e anunciarem ao povo de Porto Alegre?
É certo que os dirigentes da candidatura Maria do Rosário e a direção do PT em Porto Alegre, com a responsabilidade que conquistaram, devem fazer uma apreciação apurada e rigorosa quanto aos destinos da campanha. [E, tomara, seja tal apreciação de convicção e amparo na realidade oposta às percepções preocupadas aqui alinhavadas]. É de se confiar, também, que corrigirão os rumos que devem ser corrigidos e em tempo adequado para a reversão de tendências aparentemente desfavoráveis.
Seria o pior dos mundos para o PT e para a esquerda brasileira uma hipótese de ausência no segundo turno eleitoral nesta que foi a capital mundial dos sonhos de esquerda.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Laurie Anderson e sua arte libertária
Em termos musicais, sua arte é revolucionária, que faz um sincretismo harmonioso do eletrônico, das cordas e dos teclados. É ópera e rock. É ópera de rock progressivo, podendo ser também uma batida despretensiosa de sons primitivos. Consegue no violino os lamentos doídos e profundamente tocantes para a expressão de acordes mais dramáticos.
As letras das músicas - que são verdadeiros discursos musicados – são o hino duma melhor consciência política e anti-imperialista. E ela não é só contra Bush e seus partidários republicanos. Ela é ferozmente contra o sistema. Com uma consciência aguda do mal que os Estados Unidos faz ao mundo a partir da condição que se auto-imputa, de um protestantismo que o faz se definir como um país predestinado a civilizar o mundo e a humanidade. Ela expõe tudo isso com uma sutileza e inteligência diferenciada. A parábola e a metáfora são recursos usados em medida exata, e por isso concedem maior força argumentativa e fidúcia às suas convicções.
Laurie Anderson é um alento na arte e na política. Prova que a busca pela liberação não está fora de moda, de que se pode fazer arte com engajamento político e ambição libertária. Nestes tempos tenebrosos, com seus 61 anos ela é um saudável anúncio de que a história está longe do fim e de que os imperialismos, totalitarismos e capitalismos - esses sim - têm de ter fim.
Gilmar Mendes na Coréia. Clandestinamente?!?!
Assim, ao menos a Nação tomou conhecimento que o Presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil faria uma viagem oficial [?] à Coréia do Sul. Se não tivesse ocorrido o episódio da conversa gravada clandestinamente, a viagem de Gilmar Mendes passaria desapercebida, até mesmo “clandestina” para a sociedade que lhe paga o maior salário do País acrescido de mordomias diversas, como carro, motorista particular, casa funcional e sabe-se lá mais o quê.
Qual o motivo da visita que o Presidente do STF à Coréia do Sul nem o mais bem informado habitante de Seul deve saber informar. Devem haver motivos transcendentais que justifiquem uma viagem do Presidente da mais alta Côrte Judicial do Brasil à Coréia do Sul!
Bem faria Sua Excelência, o Ministro Gilmar Mendes, se revelasse à Nação o motivo, a agenda, a comitiva e os compromissos que teria na Coréia do Sul. O espírito público recomendaria também que os custos da viagem fossem divulgados. Tudo para que tal viagem oficial não passe como um ato clandestino e secreto do Presidente do STF.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Procuradores publicam Carta ao povo brasileiro
A decisão monocrática de Gilmar Mendes, em velocidade supersônica e sem paralelo com outras decisões normalmente aplicadas aos filhos modestos do povo, é revoltante.
Dizem os Procuradores na carta à sociedade:
Carta aberta à sociedade brasileira sobre a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4.
Dia de luto para as instituições democráticas brasileiras
1.Os Procuradores da República subscritos vêm manifestar seu pesar com a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4, em que são pacientes Daniel Valente Dantas e Outros. As instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal da 1ª instância, no Estado de São Paulo.
2.As instituições democráticas foram frontalmente atingidas pela falsa aparência de normalidade dada ao fato de que decisões proferidas por juízos de 1ª instância possam ser diretamente desconstituídas pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, suprimindo-se a participação do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Definitivamente não há normalidade na flagrante supressão de instâncias do Judiciário brasileiro, sendo, nesse sentido, inédita a absurda decisão proferida pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal.
3.Não se deve aceitar com normalidade o fato de que a possível participação em tentativa de suborno de Autoridade Policial não sirva de fundamento para o decreto de prisão provisória. Definitivamente não há normalidade na soltura, em tempo recorde, de investigado que pode ter atuado decisivamente para corromper e atrapalhar a legítima atuação de órgãos estatais.
4. O Regime Democrático foi frontalmente atingido pela decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal, proferida em tempo recorde, desconstituindo as 175 (cento e setenta e cinco) páginas da decisão que decretou a prisão temporária de conhecidas pessoas da alta sociedade brasileira, sob o argumento da necessidade de proteção ao mais fraco. Definitivamente não há normalidade em se considerar grandes banqueiros investigados por servirem de mandantes para a corrupção de servidores públicos o lado mais fraco da sociedade.
5.As decisões judiciais, em um Estado Democrático de Direito, devem ser cumpridas, como o foi a malsinada decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal. Contudo, os Procuradores da República subscritos não podem permanecer silentes frente à descarada afronta às instituições democráticas brasileiras, sob pena de assim também contribuírem para a falsa aparência de normalidade que se pretende instaurar.
Brasil, 11 de julho de 2008.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
O atrevimento criativo e a criatividade atrevida
Freqüento o Templo do Internacional, o Estádio do Beira-Rio, desde os anos 1976 quando vim morar Nos últimos dez anos, compareci no Templo sempre que pude, a não menos que em média 25-30 partidas lá jogadas a cada ano; a grande maioria delas na companhia dos meus filhos Iagê e Thales. Neste período, foram muitas as partidas decisivas, a mais importante delas a decisão com conquista da Taça Libertadores da América.
Tive a oportunidade, por isso, de ver, assistir e viver a disputas memoráveis, gols maravilhosos, jogadas espetaculares, comemorações inesquecíveis, choros cortantes e, principalmente, o desfile de vistosos craques.
Neste último domingo, contudo, saí do Templo do Beira-Rio como uma sensação diferente, de um privilegiado que pôde gravar na retina as jogadaças do novo craque surgido da Usina incubadora de jogadores futebol que é o Inter.
Me refiro ao jovem Taison, 20 anos. Um show de atrevimento criativo. E também uma criatividade atrevida. Um menino destemido, escorregadio, nada fominha, dono de um futebol tão vistoso e exuberante que mais se parece uma obra de arte.
Além de tudo, Taison tem uma humildade e senso auto-crítico digno dos que reúnem características para serem também craques morais: apesar de ter errado [ou deixado de acertar] apenas dois passes das duas dezenas de passes desconcertantes feitos com perfeição no primeiro tempo do jogo, no intervalo declarou que “tinha errado muitos passes”.
Como colorado, tenho já me acostumado à idéia da provisoriedade de permanência de craques revelados no Templo, por imposição da força mercantil e global que domina o futebol. Saem vários todos os anos, e quase todos eles ainda pré-adolescentes. O último e mais marcante dessa espécie, até então, tinha sido o Alexandre Pato.
Tenho consciência de que Taison, como toda revelação, é já a alegria de ter aqui existido e ao mesmo tempo a tristeza de daqui ter partido. Me dou por feliz e privilegiado, entretanto, por tê-lo retido eternamente em minha retina e ter usufruído uma alegria lúdica, vívida e infantil com suas jogadas.
Por certo este guri será vitimado pela sina que aplaca os melhores, que têm de mostrar seus predicados a todo o mundo, como em cumprimento à ode do hino gaúcho, que profetiza que nossas façanhas devam servir de modelo a toda a Terra.
Há um livro de poemas do poeta e escritor uruguaio Mário Benedetti que se chama Adioses y Bienvenidas. Este livro do Benedetti foi a primeira metáfora que me veio à mente na saída do estádio hoje depois da vitória estupenda por três a zero contra o Curitiba, enquanto eu tentava entender porquê Taison durará como um cometa no Gigante do Beira-Rio. Porque ele é uma Bienvenida, é também um Adiós. E assim “vâmo vâmo” Inter, entre Bienvenidas y Adioses; entre um novo Taison que se irá e o outro Taison que virá.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Deputado Troca trata povo gaúcho como palhaço
O Deputado do PSDB Adilson Troca, relator-abafador da CPI do DETRAN, em entrevista coletiva a pouco concluída, foi um show de atrapalhação, desfaçatez e falta de vergonha.O Deputado tucano, Troca, para variar um pouco se confundiu e trocou o auditório onde dava a entrevista pensando estar numa arena de circo: tratou o povo gaúcho como palhaço.
Com suas respostas pífias, incongruentes, da profundidade de um pires e da consistência de uma gelatina, o Deputado do PSDB mostrou sua fidelidade com o grande arreglo feito pelo conservadorismo gaúcho para proteger o governo e a governadora Yeda Crusius da responsabilidade no maior escândalo de corrupção da história do Rio Grande do Sul.
É triste e vergonhoso o arreglo feito da maioria parlamentar do governo estadual [PSDB, PMDB, PP, PTB e DEM] para livrar a cara do governo Yeda e dos seus aliados, implicados até o pescoço com toda a roubalheira. A sociedade se reencontrará na próxima crise, originada por dentro e a partir do próprio governo, apesar do delírio da governadora em se considerar alvo de golpismo da oposição.
ET: a categoria dos pescadores artesanais de Rio Grande sai ganhando tendo Adilson Troca mais Deputado e menos pescador.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
O bebê de Yeda “Rosemary”
A Governadora, que já foi alcunhada por Paulo Sant´Anna como “um ente ficto, um ectoplasma tecnocrático, uma utopia dirigencial, uma avacalhação mais completa do papel da mulher ” [clicar para ver ela por Paulo Sant´Anna e em outro comentário do Biruta], é merecedora de outras adjetivações - substantivadas pela conduta sempre surpreendente. A mais saliente é a de um ser delirante, esquizóide, de perfil fugidio à realidade.
A este perfil, a Governadora tenta, de forma completamente ridícula, fazer metáforas ou chistes que só ela entende e que são compreendidas tardiamente por um restrito grupo de pessoas que acessa o manual de instruções do cérebro dela ou que partilha de duvidosa predileção pela idiotice. Lastimável na política e na administração, a Governadora se notabiliza trágica no quesito senso de realidade.
A mais recente da Governadora foi a metáfora inapropriada e de péssimo gosto que relaciona a corrupção do Detran com bebês japoneses, dizendo que este bebê [corrupção] não é dela.A Governadora persiste no seu surto esquizofrênico e paranóico não tratado [ver Agonia e pânico de Yeda], de transferir a responsabilidade aos outros, de fazer de conta que não é com ela, apesar de todas as evidências materiais em contrário, que dizem que sim, o DNA da corrupção do Detran revela traços tucanos e dos seus aliados centrais e preferenciais.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
“Ah! Camões, se vivesses hoje em dia”
“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer”.
A interpretação:
“Ah! Camões, se vivesses hoje em dia, /
tomavas uns antipiréticos, /
uns quantos analgésicos / e Prozac para a depressão. /
Compravas um computador, consultavas a Internet /
e descobririas que essas dores que sentias, /
esses calores que te abrasavam/ essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo, /não eram feridas de amor, /
mas somente falta de sexo!”
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Geração rebelde e pulsante
Duas figuras se destacaram com sua luminosidade pessoal e política: Ariane Chagas e Joana Stédile. Duas jovens, combativas e ideológicas, que foram marcantes com seus discursos genuínos [nada senso-comum], estridentes e anti-sistema. Duas mulheres rebeldes, feministas, agudas e apreciavelmente antagonistas.
Sinais da geração de esquerda viva, pulsante e rebelde que desponta.
domingo, 22 de junho de 2008
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Eles têm medo de quê?
O que diria Comparato?
Diante das evidências, bases probatórias, provas e indícios colecionados pela CPI do Detran, uma curiosidade se aguça: o que diria o notável jurista Fábio Konder Camparato a respeito da responsabilização da governadora Yeda Crusius?
segunda-feira, 16 de junho de 2008
diZerEs de camInHão
A longa frase de hoje é:
“A diferença entre flanelinhas de rua e as concessionárias de pedágios é que as concessionárias conseguiram contratos indecentes com o Estado, que a Yeda quer prorrogar.”
Agonia e pânico de Yeda
O governo Yeda Crusius já é o maior empecilho ao aproveitamento das condições virtuosas presentes nos tempos atuais de PAC, de aumento do emprego formal, do clima favorável ao setor agropecuário, de expansão de todos os créditos e dos investimentos sociais.
É um governo que agoniza nos braços daqueles partidos políticos que, tendo dentre seus quadros alguns integrantes das quadrilhas que saquearam o Detran [e presumivelmente tenham também atuação na CEEE e Banrisul, a considerar-se as confissões do ex-Chefe da Casa Civil Cézar Buzatto -, se arreglam para salvar Yeda na ilusão de que assim estarão se salvando a si próprios.
Nestas circunstâncias, é compreensível que a Governadora esteja num quadro exarcebado de perturbação. Embora se possa considerar inaceitável uma governadora de um Estado como o Rio Grande perder o controle, o equilíbrio e a sensatez, se é obrigado a admitir que a Governadora padece de uma crise delirante. A expressão última de seu delírio é a crença paranóica de que é vítima de uma hipotética “República de Santa Maria” liderada pelo “conspirador” Tarso Genro, Ministro da Justiça que é natural da cidade onde os integrantes da quadrilha atuaram mais fortemente.
Estranha a atitude da Governadora, que em nenhum momento criticou cada um dos seus ex-Secretários e ex-dirigentes da CEEE e Detran demitidos por envolvimento direto ou tangencial com os escândalos. Em nenhuma ocasião a Governadora se dirigiu à sociedade repugnando os réus que a cada informação do inquérito se percebe terem agido asquerosamente saqueando mais de 44 milhões de reais dos cofres públicos.
Em lugar do combate à corrupção e aos corruptos, a Governadora sempre foi elogios aos réus ou a pessoas que tiveram conduta reprovável. E não foi só a minimização do sentido simbólico do chope sorvido pelo ex-Secretário com Lair Ferst.
O Governo Yeda aposentou o Procurador do Estado Flávio Vaz Neto com um dos mais altos salários do Poder Executivo quando deveria abrir procedimento administrativo por demissão a bem do serviço público – procedimento, aliás, que a Assembléia Legislativa adotou em relação a Ubirajara Macalão.
A Governadora elogiou a atitude do Representante do Escritório do Rio Grande do Sul em Brasília, que prevaricou ao receber a carta de Lair Ferst e que traficou interesses do lobistas em órgão público. Seu ex-Secretário-Geral de Governo, Delson Martini, que foi blindado durante 60 dias para finalmente ser desmascarado como intermediário das quadrilhas e porta-voz da Governadora junto às mesmas, não recebeu nenhuma repreensão ou censura pública dos seus atos.
Ela também condenou com veemência o Vice-Governador Feijó, porém não se explicou sobre as confissões do seu ex-Chefe da Casa Civil de que os desvios do Detran fazem parte de uma lógica da co-habitação conservadora, assim como a CEEE e o Banrisul podem ser nichos para a locupletação de outras “famílias políticas” que lhe dão sustentação.
A Governadora, enfim, sempre foi elogios e condescendências para com “os seus”, ficando devendo respostas claras e incontroversas para a sociedade. Ao invés, a Governadora atinge o mais alto nível de delírio [pra não dizer autismo, em respeito às pessoas portadoras de sofrimento psíquico] e, com a soberba e mentiras peculiares, alega conspiração contra seu governo. Busca desesperadamente nacionalizar o debate para trazer a conhecida histeria tucana se voltar contra Lula e assim desviar o foco de sua tragédia.
A Governadora Yeda Crusius, cuja ausência de condições políticas e morais compromete o futuro econômico e político do Rio Grande, com o pânico e despreparo de suas reações também revela incapacidade subjetiva e comportamental. A lástima com a situação do Estado só se faz aumentar.
80 anos del Comandante, el Che Guevara
Em artigo publicado no Página12, o intelectual argentino Atílio Borón acentua a dimensão teórica e histórica do Che para a atualização do marxista e do socialismo, ademais dos notórios predicados humanos e revolucionários que ele nos legou, exemplares até a eternidade.Atílio vem pondo acento nesta dimensão da trajetória do Che desde a muito tempo, destacando suas teorias e previsões, muitas das quais se confirmaram - para citar uma importante: a queda da URSS em razão dos equívocos cometidos internamente e no plano externo.
Muito se enaltece das qualidades deste que é um exemplo de homem, de revolucionário e de dedicação infatigável ao socialismo, o que é indiscutível. A análise de Atílio Borón, contudo, faz engrandecer a condição de personagem da história e da luta libertária que foi o Che.
Ler o artigo do Atílio ...
A ilustração é do cubano Orlando Hernández Yanes, membro da Asociacion Internacional de Artes Plásticas [AIAP] de Cuba.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Diante de uma questão cívica
Com as descobertas estarrecedoras, instrumentalizar a luta política entre governistas e oposicionistas para interditar as providências exigidas seria não só inaceitável, como perigoso. Iria contra o sentimento da sociedade, que exige o esclarecimento profundo e objetivo do ocorrido. E, ademais, comprometeria o futuro político e econômico do Rio Grande que, convivendo com tamanha obscuridade de escândalos não esclarecidos em profundidade, seria condenado a se arrastar nos próximos 30 meses com um governo desmoralizado e politicamente inviabilizado e deslegitimado, incapaz de conduzir o Estado ao futuro.
Idealmente falando, seria desejável conseguir-se poupar o Rio Grande de um processo traumático de responsabilização da Governadora. Mas infelizmente hoje isso se tornou uma imposição devido aos fatos até então impensáveis na nossa cultura e tradição políticas.
A semana, contudo, que passou foi repleta de situações entristecedoras e lastimáveis para o povo gaúcho, acostumado a escrever sua história de modo quase sempre épico. Foi uma semana em que os silêncios abusivos, as versões falaciosas, os falastrões e as mentiras das pessoas indiciadas no escândalo do Detran caíram por terra. A audição de conversas telefônicas revelou em pormenores quais eram e como agiam as quadrilhas.
Por esses dias ficou evidente a coadjuvação do Secretário-Geral de Governo no mínimo como vetor para transmissão de orientações emanadas pela Governadora. Foi também publicada a carta que Lair Ferst, lobista e chefe de uma das maltas, endereçava à Governadora por intermédio do Chefe da Representação do governo gaúcho em Brasília – o mesmo que foi flagrado auxiliando o lobista traficar interesses junto a órgão público e sobre quem a Governadora disse ter “agido corretamente”.
E, finalmente, foi revelado o conteúdo de audiência mantida entre o Vice-Governador e o Chefe da Casa Civil, onde o segundo confessa com naturalidade o entendimento de que a roubalheira do Detran possa ser entendida como fonte de financiamento de uma das “famílias políticas” que apóiam o governo, assim como desvios na CEEE e no Banrisul possam financiar demais grupos partidários.
A reação da Governadora a tudo isso, após longo e perturbador silêncio, foi desrespeitosa com a sociedade, porém indulgente com os integrantes de sua equipe que estão implicados nos escândalos. Isso tudo faz com que a crise avance gravemente. No outro lado da rua do Piratini, a CPI do Detran vai colecionando base probatória robusta que nos faz indagar se não é chegada a hora da abertura de processo de responsabilização da Governadora.
A consciência cívica e republicana que vai se constituindo em paralelo à comoção da sociedade com as notícias, não tolerará arreglos feitos para acobertar o que quer que seja.
É péssimo para o Rio Grande este lodaçal de corrupção e escândalos que a cada dia ganham novas proporções aterrorizadoras. Pior ainda será a subsistência de dúvidas escabrosas que, protegidas e não investigadas em virtude de arreglos duma maioria parlamentar circunstancialmente a favor da Governadora, obrigue o Rio Grande ao atraso, pois a Governadora Yeda Crusius e seu governo estão irremediavelmente descredenciados e desmoralizados para o diálogo público em direção ao futuro do Estado.
No es así
No Página12 de hoje, tem um importante artigo de opinião que analisa com equidistância e equilíbrio a crise na argentina. Vale ler na edição do Página12 …No es así
Por Alfredo Zaiat
Un grupo de empresarios del campo, de las zonas más privilegiadas y ricas de la actividad agropecuaria, protestan por la suba de las retenciones como si estuvieran al borde de la quiebra. No es así.
El Gobierno presenta el conflicto como si sólo una parte no tuviera vocación de diálogo. No es así. Continuar a leitura do artigo ...
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Buenos Aires
Buenos Aires à parte a noite interminável que-se-parece-dia com seus cafés, livrarias, shows, cinemas, teatros, música, jazz, blues, poprock, dinamismo humano, tem uma diversidade jornalística de causar inveja. São revistas e jornais diários que deixam a gente babando de vontade de ler tudo. Sempre que venho prá cá, compro as revistas Veintiytrés e Debate. E, por recomendação do Flávio, também passei a comprar a direitista Notícia; por aí se sabe as coisas pelo ângulo do ultra-conservadorismo argentino, que tem um peso político e cultural importante por aqui.
De jornais, compro sempre meu predileto Página12, eventualmente o Clarín e sempre o Barcelona, uma espécie de paródia diáraia da mídia, especialmente do conservador Clarín. Tem outros que também os leio, de cujos nomes não me recordo neste instante em que escrevo estas linhas em meio a um breve intervalo de trabalho.
Duas diferenças que se salientam, ademais da qualidade jornalística e editorial de jornais como o Página12: aqui as assinaturas são algo alienígena, porque faz parte da cultura sair-se de casa para comprar-se jornais nas bancas - os kioskos que estão em todas as quadras - e jornal é jornal, não é um encarte publicitário com 80% de seu tamanho tomado por anúncios e propagandas.
Resumo tudo pra destacar, por exemplo, a edição de ontem do Página12, que apresentava matérias completas sobre a crise entre o governo central de Cristina Kirchner e os agro-conservadores, sobre a criação de polêmico índice para medição de inflação, sobre a caída em desgraça do Charly Garcia, sobre um manifesto escrito por mais de 1.500 intelectuais e ativistas em defesa da democracia, e sobre a presença de Alberto Granado na Argentina para a celebração dos 80 anos del Che e outras matérias escritas com densidade e qualidade informativa.
Sempre é bom estar em Buenos Aires porque aqui, ademais de me fazer sentir em casa e no mundo, tenho a sensação de não estar sendo permanentemente enganado pela imprensa. O que se lê num veículo é o que se lê, e não o que está nas entrelinhas.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Repressão [da braba] nos protestos contra governadora
Além das constantes tropelias da Governadora e de sua base partirária de apoio [Jair Soares "caiu" antes de assumir no Gabinete de Transição], a repressão passou a fazer parte do lastimável cardápio de acontecimentos.
Tento acompanhar o que se passa através do RS Urgente, que comenta e ilustra tudo o que está acontecendo. É deplorável. Veja no RS Urgente ...
Atualizado no título em 12.06.2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
Gabinete de Transição: arreglo para evitar impeachment
A Governadora se tornaria então um espectro, enquanto o poder real passará a um condomínio formado pelos principais partidos políticos da direita gaúcha. Este condomínio deverá carregar o espólio dos 30 meses restantes deste que é o governo mais debilitado política e moralmente e sem legitimidade em toda a história gaúcha.
A decisão é também sinal claro de que o conservadorismo gaúcho busca o enquadramento da “sua classe” em torno de um projeto que possa representar a salvação do que resta. Uma coisa é certa: deixar se consumar a queda da Governadora poria muita água no moinho do PT e praticamente asseguraria a vitória eleitoral em 2010 por antecipação. Esse é um divisor de águas que parece ter sensibilizado até mesmo os setores partidários recalcitrantes, que nos últimos dias pendiam entre a posição de ruptura com o governo ou de continuidade crítica na base de apoio.
Da mesma forma que a conjuntura evoluiu aceleradamente e em favor da oposição na semana passada, os últimos dois dias serviram de ponto de partida para a reação dos setores de apoio e sustentação do governo. Nestes dois dias o governo recobrou a capacidade de iniciativa política e de articulação da sua base, mesmo que ao preço da renúncia ampla de poder.
Apesar do rescaldo dos acontecimentos da semana passada, a iniciativa de blindagem da Governadora – um gesto importante de obstrução do caminho do impeachment – altera qualitativamente a conjuntura, desta vez em favor do governo. A governadora ganha, assim, sobrevida na UTI do hospital político.
Mesmo que as condições materiais, documentais e objetivas sejam contundentes para a abertura de processo de responsabilização e impedimento da Governadora, o arreglo do “Gabinete de Transição” é o mais relevante obstáculo a ele transposto. Entretanto, os partidos que tomam parte deste arreglo poderão arcar com elevado custo político. Farão um péssimo inventário ao fim do governo que se arrastará melancolicamente até o fim. Ou então serão tragados politicamente caso a dinâmica política force a abertura do processo de impeachment.
A disputa pela abertura do impeachment não é partidária, porque deve ser uma luta cívica, que deve buscar o alinhamento da intelectualidade, do parlamento, dos movimentos sociais, da OAB, CNBB, Igrejas, ARI, dos Deputados Estaduais e de todos aquelas pessoas que querem recuperar um sentido de decência na política gaúcha. A tarefa primordial é produzir referências objetivas e subjetivas que animem o amplo movimento com tal amplitude e expressão social - única maneira de evitar que a mídia que vem atuando dignamente na repercussão deste episódio, capitule ao arreglo em curso.

