quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Aposta alta do Ministro “Rambo”

Nelson Jobim, o Ministro “Rambo” da Defesa, portador de gestual expressivo e que imprime uma marca teatral espetacularista à sua gestão, jogou todas as fichas na demissão do presidente da ANAC, a Agência Nacional de Aviação Civil que nunca deveria ter existido. A ANAC nasceu com o probleminha congênito de fazer parte de um modelo falido de regulação.

O Ministro Rambo fez da demissão de Milton Zuanazzi uma profissão de fé. Não faltaram demonstrações de desrespeito, deslealdade e desonra pessoal contra Zuanazzi, decerto aprovadas no Planalto, vez que nunca censuradas.
A aposta do Ministro Rambo é alta: a partir do instante da defenestração de Zuanazzi, passará a responder por todo e qualquer atraso de vôos, vendas indevidas de lugares em aviões, cancelamento de vôos, filas nos aeroportos, caos nos guichês das companhias, motim dos controladores e - rogando a deus nos livrar de novas tragédias – por acidentes aéreos.

Em caso de fracasso, já é de se prever que a mídia golpista e partidária não demonizará o Ministro Rambo, até porque ele é peça-chave do tabuleiro da disputa eleitoral de 2010. Com o carinho de Lula e tocando fundo meio-coração do tucanato.

Fica faltando a Milton Zuanazzi a exposição das “razões dos fatos” da crise aérea enfrentada no país, sob pena de entrar para a história como vilão duma história obscura não-contada [ou mal contada], e que foi caçado exitosamente pelo espetaculoso Ministro Rambo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Quatro avo

Quatro avo
De avó

Quantos ovos

Têm?

*
Quatro avo
De avó
Quantos ovos
São?

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

O que move a humanidade

Luis Fernando Veríssimo
Existem muitas teorias sobre o que fez o Homem dominar o planeta e construir civilizações - enquanto o joão-de-barro, por exemplo, só consegue construir conjugados - e levar grandes mulheres para a cama - enquanto o máximo que um gorila conseguiu foi segurar a mão da Sigourney Weaver. Dizem que o cavalo é mais bonito do que o Homem e que a barata é mais resistente, mas não há notícia de uma fuga a três vozes composta por um cavalo ou uma liga de aço inventada por uma barata.
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sábado, 20 de outubro de 2007

O Poder Global e a nova geopolítica das nações

O Poder Global e a nova geopolítica das nações”, livro de José Luís Fiori [Boitempo Editorial] estará disponível a partir do próximo 24 de outubro. Vale ler o depoimento de Fiori ao Le Monde Diplomatique, onde expõe os argumentos do livro e outras idéias originalíssimas deste que é um dos maiores pensadores do Brasil contemporâneo.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

O sorriso de Olívio

David Coimbra
....

Apesar do desgosto do fotógrafo, encantei-me com a autenticidade de Olívio Dutra, e tomei o episódio como um símbolo da maior qualidade do seu partido: a coerência. Foi fermentado por tal coerência que o PT cresceu. Era algo novo no Brasil, um partido que participava do jogo democrático sem fazer concessões iníquas em troca do poder. E o PT ensinou aos outros partidos que coerência e sucesso não são excludentes, na política.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Pino Solanas, um cidadão latino-americano

Um dos principais cineastas latino-americanos da atualidade, candidato pela segunda vez à Presidência da Argentina, Fernando “Pino” Solanas fala da Pátria Grande Latino-americana e dos seus projetos de cinema em entrevista ao Brasil de Fato.

Nossos povos têm que sair do esquema neoliberal.

E têm que mudar. Têm que mudar a essência do que tem sido a América Latina: um território colonial e neocolonial. Território de saque de mais valia e de recursos naturais. Temos de construir formas inovadoras.

Quando falamos de um socialismo latino-americano, falamos de um socialismo pensado a partir de nossas tradições históricas, a partir das nossas heranças. De Simón Rodrigues, Artigas, Mariano Moreno, Monteagudo... a Mariátegui. Todo esse imenso acervo cultural. Citaria 50 nomes, desde Tupac Amaru, Bolívar..., e assim por diante.”
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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Esquerda e direita

Luis Fernando Veríssimo

... E, aparentemente, o DNA não vai nos dizer se estamos condenados a ser contraditórios de uma maneira ou de outra, para sempre. Era só o que nos faltava, o DNA ser do centrão.


Feliz é a mosca, que tem mais ou menos a nossa estrutura genética mas absolutamente nenhum interesse nas suas implicações.

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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A crise tem data, nome e sobrenome

Miguel Rossetto

Os atuais problemas financeiros que o Rio Grande enfrenta não são resultado de opções tomadas há mais de 30 anos, mas sim de escolhas feitas entre 1995 e 1997, pelo governo Britto, pelo PMDB, pelo PSDB e seus aliados. Essas medidas retiraram receitas do Estado, desorganizaram a economia e comprometeram a capacidade de financiamento público.

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domingo, 7 de outubro de 2007

Che: símbolo del mundo

No Prensa Latina pode-se chegar a um importante acervo a respeito do Che, símbolo del mundo. Para acessar o sítio especial do Prensa Latina onde este tesouro está armazenado é só clicar na imagem.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Que dure, como Amauta

As razões materiais não estarão jamais acima das razões duma existência liberta, consciente e alegre. Mas as razões materiais eventualmente podem impor ritmos, potências e entregas aquém do desejo de dedicação de alma e corpo a empreendimentos que buscam o encontro da liberdade, da consciência e da alegria.

É devido a tal condição imposta à sua editoria que BiruTaDoSuL mergulha a partir de hoje no recolhimento, desculpando-se das pessoas amigas que acompanharam, estimularam e justificaram o pouco que até aqui foi concretizado.

Surgido quase “acidentalmente”, numa circunstância de insurgência civil em que os blógues - e a internet, de modo geral - se tornaram poderosas forças argumentativas diante do controle monstruoso da informação e da opinião no Brasil, nunca tive a presunção de que o BiruTaDoSuL viesse a se tornar “veículo” ou fonte de informação.

BiruTaDoSuL surgiu modestamente como um espaço autônomo para a publicação de opiniões, polêmicas e análises oferecendo ângulos variados de apreciação da realidade e dos fatos. Conforme dito na mensagem de lançamento em 05 de setembro de 2006, BiruTaDoSuL nascia como um blógue “Que se habilita como um espaço de reflexão, análise e manifestação de sentimentos e percepções acerca dos dias atuais e das direções dos ventos dos dias nossos de cada dia.”.

E nasceu desejando simplesmente “que a companhia seja profícua”. Como se vê, portanto, foram sempre singelos os propósitos desde seu nascimento naquela quase primavera de 2006.

Hoje, nesse 26 de setembro de 2007, 406 postagens depois, centenas de comentários recebidos às publicações feitas e do meu carinho indizível pela BiruTa dos ventos”, na pior das hipóteses consigo conceber a idéia de um recolhimento temporário – que até poderá ser prolongado -, mas não sua finitude.

Das muitas genialidades humanas, tenho lido e conhecido muito José Carlos Mariátegui, um peruano do início do século passado que se correspondia com Antonio Gramsci e cujo gênio criativo de esquerda adquire ainda maior saliência no contexto de uma existência brevíssima, interrompida precocemente, mas que condensou os melhores ensinamentos sobre política desde a perspectiva de esquerda.

De um texto de Mariátegui, por ocasião do terceiro aniversário da revista Amauta [sábio, em quíchua], que ele dirigia, busco as palavras para um até breve, que seja também um hasta la victória, siempre:

La primera obligación de toda obra, del género de la que Amauta se ha impuesto, es esta: durar. La historia es duración. No vale el grito aislado, por muy largo que sea su eco; vale la prédica constante, continua, persistente. No vale la idea perfecta, absoluta, abstracta, indiferente a los hechos, a la realidad cambiante y móvil; vale la idea germinal, concreta, dialéctica, operante, rica en potencia y capaz de movimiento. Amauta no es una diversión ni un juego de intelectuales puros: profesa una idea histórica, confiesa una fe activa y multitudinaria, obedece a un movimiento social contemporáneo. En la lucha entre dos sistemas, entre dos ideas, no se nos ocurre sentirnos espectadores ni inventar un tercer término. La originalidad a ultranza, es una preocupación literaria y anárquica. En nuestra bandera inscribimos esta sola, sencilla y grande palabra: Socialismo. [Con este lema afirmamos nuestra absoluta independencia frente a la idea de un Partido nacionalista, pequeño burgués y demagógico.]” José Carlos Mariátegui, Lima, setembro de 1928.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Vê, estão voltando as flores

Para recepcionar a primavera na bela e doce Porto Alegre, o samba-marchinha Estão voltando as flores”, do paranaguaense Paulo Soledade e uma maravilha pintada sobre óleo por Nélson Jungbluth, exposta num totem do Essa PoA é Boa, exposição paralela à Bienal, que acontece no DC Navegantes.
Vê, estão voltando as flores
Vê, nessa manhã tão linda

Vê, como é bonita a vida

Vê, há esperança ainda


Vê, as nuvens vão passando

Vê, um novo céu se abrindo


Vê, o sol iluminando

Por onde nós vamos indo
Por onde nós vamos indo

Inter teve título roubado em 2005

Deu no UOL on line: O ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, que renunciou ao cargo na última sexta-feira por conta das acusações que sofre de lavagem de dinheiro, insinuou que o título brasileiro, conquistado pelo time alvinegro em 2005, foi “roubado” e que deveria ter ficado com o Internacional.
Continuar leitura no UOL ...
Ler o que BiruTaDoSuL já denunciou sobre esta falcatrua ...

diZerEs de camInHão

“Pior que muquirana empodeirado, só ignorantão depois que vira rico”

BiruTaDoSuL republica, a pedido, o dito de caminhoneiro sobre os muquiranas empodeirados, que homenageia pessoas que ocupam carguinhos no governo e se acham um supra-sumo. Para recapitular, a seção “diZerEs de camInHão” foi criada a alguns meses e recebe escritos sábias citações flagradas em apara-barros dos caminhões andantes da vida.

Os caminhoneiros possuem uma singular noção acerca da vida, e a eternizam em inscrições estampadas nos apara-barros dos seus possantes caminhões. Apara-barro, na concepção moderna de marketing, é uma espécie de “outdoor traseiro ambulante”.

sábado, 22 de setembro de 2007

El Nombre Encontrado

Eduardo Galeano

En la sierra mexicana de Nayarit había una comunidad que no tenía nombre. Desde hacía siglos andaba buscando nombre esa comunidad de indios huicholes. Carlos González lo encontró, por pura casualidad.

Este indio huichol había venido a la ciudad de Tepic para comprar semillas y visitar parientes. Al atravesar un basural, recogió un libro tirado entre los desperdicios. Hacía años que Carlos había aprendido a leer la lengua de Castilla, y mal que bien podía. Sentado a la sombra de un alero, empezó a descifrar páginas. El libro hablaba de un país de nombre raro, que Carlos no sabía ubicar pero que debía estar bien lejos de México, y contaba una historia de hace pocos años.

En el camino de regreso, caminando sierra arriba, Carlos siguió leyendo. No podía desprenderse de esta historia de horror y de bravura. El personaje central del libro era un hombre que había sabido cumplir su palabra. Al llegar a la aldea, Carlos anunció, eufórico:

-¡Por fin tenemos nombre!

Y leyó el libro, en voz alta, para todos. La tropezada lectura le ocupó casi una semana. Después, las ciento cincuenta familias votaron. Todas por sí. Con bailares y cantares se selló el bautizo.

Ahora tienen cómo llamarse. Esta comunidad lleva el nombre de un hombre digno, que no dudó a la hora de elegir entre la traición y la muerte.

-Voy para Salvador Allende dicen, ahora, los caminantes.

Debate sobre Partido Socialista Venezuelano

O profesor Edgardo Lander, da Universidade Central da Venezuela, que é um destacado intelectual da esquerda venezuelana, faz chegar polêmica análise sobre o processo venezuelano. O artigo “El Tribunal Disciplinario del Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) y la construcción de la democracia” é um convite à reflexão e à discussão honesta e não sectária acerca dos dilemas do processo venezuelano.

Começa afirmando que “El estilo del debate y los mecanismos mediante los cuales se han venido procesando las diferencias políticas y de opinión en el Partido Socialista Unido de Venezuela(PSUV) son extraordinariamente graves. De no revertirse a corto plazo, este estilo de dirección, de procesamiento de diferencias y de toma de decisiones en la organización en formación, se estaría conformando una estructura partidista con concepciones y prácticas de naturaleza no democrática”.

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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A Pesquisadora e a Aranha

A Folha de São Paulo do último 17/09/2007 publicou reportagem com o título “45% da cúpula do governo é sindicalizada” [ler ...] dissertando sobre o perfil de sindicalização das pessoas que ocupavam o que o jornal considera “cargos de elite no poder” do governo federal.

A matéria repercute o resultado da pesquisa “Governo Lula: contornos sociais e políticos da elite do poder”, coordenada por Maria Celina D'Araújo, do CPDOC [Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil] da FGV. A pesquisa concluiu, dentro do óbvio mais que ululante, que “os cargos de confiança mais altos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva são ocupados por sindicalizados e filiados ao PT”.

A pesquisadora da FGV não necessitaria realizar tão brilhante pesquisa para concluir que os cargos mais elevados da Administração Federal no governo Lula [consequentemente, os de maior remuneração] não foram preenchidos por gestores e técnicos ligados ao PSDB, aos Demos ou ao conservadorismo neoliberal. Por mais que a pesquisadora e a FSP considerem anti-natural um operário governar o país e profissionais vinculados a tradições populares e sociais ocuparem postos de mando no Estado brasileiro, o povo brasileiro quis contrariá-los nas eleições passadas.

Na reportagem, a prestigiosa pesquisadora que coordenou nada relevante pesquisa realizada com recursos públicos, tece considerações curiosas acerca dos fabulosos “achados científicos”:

- “Você tem ainda uma superposição: parte dos petistas é também sindicalizada. É uma malha associativa muito forte

- “A população brasileira tem em torno de 14% de sindicalizados. Na nossa amostra, a gente tem 45%. É muito diferente da realidade brasileira

- “Nós pegamos os níveis 5 e 6, que são cargos de direção. Acho que, se olhar mais para baixo, a tendência é até ter mais militantes e sindicalizados. A nossa amostra é uma elite que requer especialização técnica

- “O que a gente observa é que a área econômica é a mais profissionalizada. Quando a gente vai ver as áreas onde há maior concentração de pessoas sem experiência, sem currículo anterior e com maior militância é na área de saúde e nas áreas sociais. É muito a cara do Brasil, uma cara que se repete.

- é “preciso olhar com cuidado a possibilidade de movimentos sociais serem controlados pelo Estado. Isso acontece em outros países, Venezuela, Bolívia. Tem sido um recurso bastante usado por governos de recorte popular e pode ter custo para a democracia também, porque você tira autonomia, independência desses movimentos.

A reportagem da Folha de SP ainda complementa com outras pérolas:

- “cerca de 25% tinham filiação partidária: 19,90% eram filiados ao PT, e 5%, a outros partidos. O estudo mostra que a maior parte dos filiados vem do serviço público

- “Os filiados são, em sua maior parte, ‘outsiders’ da esfera pública

- “os indicadores de ‘associativismo’ também impressionam. Um total de 46% declaram ter pertencido a algum movimento social, 31,8% declaram ter pertencido a conselhos gestores e 23,8%, a experiência de gestão local. Apenas 5% pertenceram a associação patronais.

- “nada disso permite conclusões retumbantes, apenas aferir que, de fato, a tese que insiste num forte vínculo sindical, social e partidário está correta

Os resultados da pesquisa permitem chegar-se às seguintes conclusões:

i] uma instituição respeitável como a FGV deveria ser mais criteriosa, em termos científicos, sociais e intelectuais na autorização de pesquisas e no direcionamento de energias, trabalhos e recursos de seus prestigiosos pesquisadores;

ii] a mistura de “ciência encomendada” ou “ciência sob medida” ou “ciência instrumental” com mídia golpista, gobbeliana e partidária, na melhor das hipóteses, é mãe fecunda de totalitarismos;

iii] quando uma mídia sem escrúpulos faz do cientificismo feito de “ciência encomendada” um argumento de convencimento público, ocorre uma perigosa sinergia que visa a justificação de preconceitos para minar a imagem e afetar a representação simbólica de determinados atores sociais no contexto da sociedade e do imaginário social;

iv] a pesquisa e a reportagem que lhe deu publicidade [estranhamente só a FSP] valem menos pelo revelado e mais pelo ocultado, onde processam subliminarmente preconceitos, ódio racial e intolerância com a inserção social e técnica das camadas subalternas.

Com esta pesquisa, a pesquisadora da FGV se assemelha ao anedótico pesquisador da aranha, celebrizado por chegar a conclusões absurdas nos seus experimentos. Vale lembrar a clássica constatação dele de que “aranhas sem patas são surdas”. O pesquisador chegou à estapafúrdia conclusão ao constatar que após extrair as seis patas de aranhas, elas ficavam imóveis ao seu comando em voz alta de “anda, aranha!, anda, aranha!”!

Mentiras deliberadas, mortes estranhas e agressão à economia mundial

Fidel Castro, habitual colunista de BiruTaDoSuL


Numa reflexão falei de barras de ouro depositadas nos sótãos das Torres Gêmeas. Nesta ocasião o tema é ainda mais complexo e difícil de crer. Há quase quatro décadas cientistas residentes nos Estados Unidos descobriram a Internet, da mesma maneira que Albert Einstein, nascido na Alemanha, descobriu em seu tempo a fórmula para medir a energia atômica.

... ...

Um exemplo claro do uso da ciência e da tecnologia com os mesmos fins hegemônicos é descrito num artigo do ex-oficial da Segurança Nacional dos Estados Unidos Gus W. Weiss, que apareceu pela primeira vez na revista Studies in Intellligence, em 1966, embora com real difusão no ano 2002, intitulado Enganando os soviéticos. Nele Weiss atribuísse a idéia de que a URSS recebesse os softwares que necessitava para sua indústria, mas já contaminados com objetivo de fazer com que colapsasse a economia daquele país.

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Retirada de tropas

Pela democracia, o Senado deve acabar

Rui Falcão, FSP 20/09/2007

A existência do Senado é um desserviço à democracia brasileira. É chegada a hora de discutir o fim do sistema bicameral do país

A absolvição do senador Renan Calheiros pode contribuir, paradoxalmente, para aperfeiçoar a democracia se a reflexão sobre o escândalo transpuser as considerações de caráter circunstancial.

Ler o artigo publicado na FSP ...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Grandes investidores compram terras no Brasil

Com a moda do etanol, grandes grupos econômicos internacionais estão investindo enormes quantias de dinheiro na aquisição de terras e de usinas de cana-de-açúcar.

Nos tempos em que os governos se preocupavam com a autonomia do nosso país, o problema da aquisição de terras por estrangeiros foi sempre objeto de preocupação. Até os militares, que cederam facilmente nossa indústria ao capital multinacional, fizeram leis rigorosas para impedir que empresas estrangeiras adquirissem porcentagens de terra superiores a certos limites em cada município brasileiro.

Ler todo editorial do Correio da Cidadania ...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Caiu outro avião: não demorará e Lula será o culpado

Do jeito que as coisas vão, não tardará o momento em que o conservadorismo tucano-pefelento [demos] e sua mídia golpista, gobbeliana e partidária culparão Lula por todas as mazelas e tragédias não só do Brasil, mas do mundo todo.

Diante do surrealismo da mídia nativa, não seria surpreendente se algum espaço mais fanático da mídia golpista, gobelliana e partidária começasse a circular a falseta de que a culpa pela tragédia aérea na Tailândia é do Lula ...

Sem-Mídia, mas Com-Decência e Com-Dignidade

No sábado 15/09 aconteceu uma manifestação em frente ao prédio do golpista, gobbeliano e partidário jornal Folha de São Paulo, na capital paulista. A manifestação é a primeira atividade de um movimento de insurgência à atuação da mídia golpista, gobbeliana e partidária do país.

Na ausência de canais de televisão, emissoras de rádio ou jornais de grande circulação, o epicentro de expressão desse movimento é a internet. Os “sem-mídia” se organizam num universo cada vez mais efervecente de blógues e saites de análises, opiniões e também de notícias publicadas com decência e dignidade. Esse BiruTaDoSuL faz parte muito modestamente desse “bando”.

Notícias sobre o movimento podem ser lidas no Cidadania.Com, no Conversa Afiada e no Vi o Mundo.

Ler o Manifesto dos Sem-Mídia, cuja íntegra foi protocolada e entregue à Folha de São Paulo.

Metade do dia

Metade do dia
Passa silenciosa e inexorável
Mais aproximando a lua da noite
Do que iluminando com o sol
A outra metade do dia ainda porvir
Deixando, assim, o sol do dia

No ocaso de outra lua que domina

sábado, 15 de setembro de 2007

Máfia russa para além do futebol

Deu na Terra Magazine na matéria “Corinthians é ponta de iceberg” [ler ...] que a parceria da MSI [empresa pertencente ao mafioso russo Boris Berezowski] com o Corinthians visava mais que a participação no futebol brasileiro. Foi um mecanismo de implantação da máfia russa – originária do processo de destruição da URSS em 1991 - no Brasil em outros negócios, muito além do futebol.

No futebol, a exigência de retorno financeiro foi tamanho que fizeram de tudo para seqüestrar o título de campeão brasileiro em 2005 do Sport Club Internacional de Porto Alegre em favor do Corinthians, conforme comentado em nota do BiruTaDoSuL de 11 de setembro passado [ler ...] e em artigo publicado na Carta Maior em novembro de 2005 [ler ...].

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

11 de septiembre de 1973

Frida Modak, Secretária de Imprensa do Presidente Salvador Allende

El 11 de septiembre de 1973 llegué a La Moneda alrededor de las ocho de la mañana. Una hora antes, una llamada telefónica en la que me preguntaban si el Presidente estaba en la casa de gobierno me indicó que había salido de la residencia presidencial de Tomás Moro, a la que me había comunicado por última vez con Augusto Olivares a las tres y media de la mañana. Mientras él y otros asesores trabajaban con el Presidente en el discurso con el que convocaría a un plebiscito para dirimir las diferencias con el parlamento, les iba entregando toda la información que recibía sobre el movimiento de camiones que transportaban militares hacia Santiago.

Este relato é feito por Frida Modak, que foi Secretária de Imprensa do Presidente Salvador Allende.

Ler o artigo ...

O Império e a mentira

Fidel Castro [contumaz colunista do BiruTaDoSul]

“REAGAN foi o criador da Fundação Nacional Cubano-Americana, cujo sinistro papel no bloqueio e no terrorismo contra Cuba se conheceria anos depois quando o governo dos Estados Unidos revelou documentos secretos, embora ainda cheios de desavergonhados riscos. Se os tivéssemos conhecido antes, nossa conduta não mudaria.”

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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Renan goleia mídia golpista, gobbeliana e partidária

A absolvição de Renan Calheiros, presidente moribundo do Senado Federal, tem como principal subproduto a monumental derrota da mídia golpista, gobbeliana e partidária. Mídia que editorializou o escândalo do Renan como editorializa todo e qualquer assunto que seja do seu interesse particularíssimo.

Por mais que a partir de agora se passe a ouvir a balela de que perdeu a chamada
“opinião pública” ou de que perderam os valores republicanos, éticos, morais, etc etc etc, a principal derrotada mesmo foi mesmo essa espécie de mídia corrosiva que viceja no país. E que lamentavelmente continua repartindo entre as poucas famílias que a monopolizam, as polpudas verbas publicitárias federais.

Desde o ponto de vista político, dos hábitos republicanos e da coisa pública, a absolvição do Renan é deplorável. E custará caro ao próprio PT um preço alto, que deploravelmente cultiva um passivo importante neste quesito. Outra prova de que o PT sangrará com este processo é a maquinação da oposição tucano-pefelenta e sua mídia golpista, gobbeliana e partidária de que o PT e o governo Lula seriam os responsáveis por eventual absolvição do Renan.

Disso tudo esse espaço do BirutaDoSul nunca teve dúvidas. Aqui nesse espaço se disse inclusive mais: que o escândalo do Renan seria um bom começo para a extinção do Senado e a realização de uma radical Reforma Política no país.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

11 de Setembro, de Alende a World Trade Center

Onde ocorrer um evento marcante, semiótico, serão notados os vestígios do império estadounidense. Duas patas do mesmo corpo chamado Estados Unidos unem num único sentido os acontecimentos de 11 de setembro de 1973 e de 11 de setembro de 2001.

Em 1973, os Estados Unidos apoiaram e atuaram diretamente na deposição do governo socialista e assassinato do presidente democraticamente eleito, Salvador Alende. Os estrondos de bombas e os sons dos aviões sobrevoando o Palácio de La Moneda ainda podem ser ouvidos. À frente da campanha sanguinária promovida pelos Estados Unidos, o fiel aliado Augusto Pinochet.

Em 2001, Bin Laden, antigo aliado e braço armado pelos Estados Unidos para consumar o governo Talibã, no Afeganistão, comanda o semiótico ataque às torres do edifício World Trade Center. As imagens dos aviões se chocando contra os edifícios e as chamas gigantescas de fogo e dor não sairão jamais da paisagem das pessoas que vivem neste século. Ainda não é totalmente esclarecido se a família Bush e/ou integrantes do governo de George Bush mantêm negócios petroleiros com a família de Bin Laden. O que seria até irrelevante, em função dos demais vínculos.

Estas duas barbáries ligam-se coerente e logicamente como parte de uma mesma atitude do império estadounidense no mundo contemporâneo. É certo que neste 11 de setembro a mídia global, controlada pelos Estados Unidos, de onde se originam quase 90% das “notícias” consumidas no mundo, relembrará o 11 de setembro do Norte, o de 2001.

O 11 de setembro de 1973, o do Sul, continuará como escrita e lembrança da página dos povos oprimidos e agredidos. Para que a memória dos povos produzam a consciência anti-imperialista e anti-capitalista.

No saite VioMundo, do jornalista Luis Carlos Azenha, tem uma boa cobertura sobre o 11 de setembro. Vale ver ...

Máfia russa no Corinthians e o verdadeiro campeão

As revelações sobre a atuação da máfia russa no Corinthians Paulista, com Boris Berezovski à frente dos negócios, pode ser o fio da meada sobre a “encomenda” do título de campeão brasileiro do clube em 2005.

Para lembrar: o Internacional de Porto Alegre, verdadeiro campeão daquele ano, teve o título surrupiado pela manobra de cancelamento sem critério de 11 jogos apitados pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho, que manipulou alguns resultados. Não bastasse isso, no confronto direto entre Inter e Corinthians, o time gaúcho, que deu um banho de bola, foi roubado com um pênalti não marcado e a expulsão injusta do jogador Tinga.

Tudo para garantir o retorno financeiro aos negócios milionários da máfia russa no futebol brasileiro. Até as pedras do Estádio Pacaembu sabem que o Corinthians tinha de ser campeão ...

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

E “la nave vá”

Se é verdade que o IIIº Congresso do PT frustrou muitas expectativas alimentadas quanto à mudança de orientação partidária, também não se pode afirmar que o encontro tenha sido um completo desastre.

O PT apenas perdeu uma chance importantíssima [mais uma] do próprio calendário partidário-institucional. O que pode significar muito na presente circunstância de sua história. É bem provável que em função dos sentimentos de desencanto e desilusão que assomam boa parte da militância petista e da base social do Partido, o resultado do Congresso, em prazo não maior que médio, cobrará um preço alto. Talvez o preço da própria subsistência do PT enquanto alternativa transformadora de esquerda capaz de empolgar vanguardas e multidões.

Se há uma verdade incontornável emanada do IIIº Congresso é quanto à correlação de forças, que conserva a maioria dirigente e o controle da máquina partidária em mãos do Campo Majoritário, que com suas políticas e práticas vem conduzindo o PT a um processo acelerado de degeneração. Esse dado não pode ser subestimado. E poderá dizer muito sobre o futuro reservado ao PT.

Neste sentido, é incompreensível a predileção da esquerda petista em atacar-se mutuamente ao invés de unir-se para enfrentar de maneira coesa o Campo Majoritário nas disputas subsequentes, a começar pelo Processo de Eleições Diretas [PED]. É difícil, neste contexto, compreender-se os textos de autorias de dirigentes da Democracia Socialista e da Articulação de Esquerda se engalfinhando gratuitamente e a partir de aspectos rigorosamente acessórios a respeito do Congresso do PT.

Fariam melhor se se empenhassem nas tarefas fundamentais que têm pela frente enquanto duas das principais forças de esquerda do PT. A começar pelo PED, marcado para dezembro próximo. Não há chance de retomada do PT pela esquerda sem uma unidade programática e de ação nucleada a partir dessas duas forças internas da esquerda do PT.

Persistir nessa prática demarcatória e sectária significa persistir contrariando os interesses não só da esquerda petista, mas do conjunto da esquerda brasileira. Enquanto isso continuar acontecendo, estarão contribuindo para que “la nave” – leia-se, o Campo Majoritário – “”.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Mais SUS: mais vida e menos crise

Jussara Cony

Há consenso, hoje, na discussão sobre o que se convencionou denominar “crise da saúde”, prevalecendo a visão de que o SUS é uma política essencial para a superação das dificuldades e não causa dos seus entraves. A realidade mostra que há crise onde o SUS não está adequadamente implantado, financiado e gerido.

As dificuldades do SUS advêm da própria magnitude e generosidade desse sistema que visa assegurar acesso gratuito e universal a mais de 170 milhões de pessoas, prestando desde assistência básica à medicina nuclear.
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quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A maquinação da mídia golpista, gobbeliana e partidária contra o PT

Bastou começar a entoada da oposição tucano-pefelenta de que a cassação ou absolvição do Renan Calheiros depende do PT que a mídia golpista – e gobbeliana, acrescente-se – editorializou a cobertura associando o PT com a eventual absolvição de Renan.

Basta ver a enorme "coincidência" entre os pronunciamentos de Arthur Virgílio [PSDB] e Agripino Maia [DEM] e as manchetes de jornais e matérias veiculadas em rádios e na televisão. Vão todos no mesmo embalo: "Futuro de Renan depende do PT"!

Moral da história: se Renan mantiver o mandato apesar de todas as denúncias, será por obra do PT – um partido que querem identificar inapelavelmente com corrupção e traquinagem.

A mídia golpista – que além de gobbeliana é partidária – consegue a proeza de tornar determinante e decisivo o peso de 12 senadores/as petistas num universo de 81 senadores/as do Senado Federal. Mistificação é o principal subproduto da aritmética forçada desse tipo de mídia.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Os super-revolucionários

Fidel Castro
Leio cuidadosamente todos os dias as opiniões sobre Cuba de agências tradicionais de imprensa, incluídas as dos povos que fizeram parte da URSS, as da República Popular China e outras. Chegam-me notícias de órgãos de imprensa escrita da América Latina, Espanha e do resto da Europa.
O quadro é cada vez mais incerto perante o temor de uma recessão prolongada como a dos anos posteriores a 1930. O governo dos Estados Unidos recebeu no dia 22 de julho de 1944 os privilégios outorgados em Bretton Woods à potência militar mais poderosa, emitir o dólar como moeda internacional de câmbio.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Privilégio

Privilégio é a manhãzinha em Porto Alegre de serração densa e esparramada com sol teimosamente tentando se impor e o Thales contando estórias do Radicci.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Indignação, rebeldia, irresignação e vida

Extrato do pensamento de Emil Cioran:

¡Cuando pienso que en mi juventud la anarquista me parecía el tipo de humanidad más lograda! ¿Es señal de progreso o de decadencia haber llegado a un estado de resignación que me hace contemplar todo acto de rebelión como una muestra de infantilismo?

Sin embargo, si bien ya no me rebelo, sigo en cambio indignándome (lo que quizás viene a ser lo mismo). Y es que vida e indignación son dos términos casi equivalentes. Nada de lo viviente es neutro. La neutralidad es un triunfo sobre la vida, no de la vida.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Lula, o “Lulista”, explica o “Lulismo”

O Lulismo é o principal fenômeno identitário já estabelecido entre uma liderança política e o povo brasileiro desde Getúlio Dornelles Vargas, expresso até meados do século passado.
É assim que Biruta do Sul vem analisando a algum tempo esse fenômeno [
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Nesse esquema todo, o que tem valor rigorosamente secundário nos raciocínios é o PT, o Petismo, a Frente Popular, uma idéia elaborada de esquerda e um programa democrático-popular.
À ver a conveniência de que tudo ocorra com mudança legal extinguindo o instituto da reeleição e fixando mandatos de cinco anos ao invés dos atuais quatro, razão do cronograma mencionado considerar 2015 ou 2014 e 2018 ou 2020.
Ainda que óbvio ululante, nunca é demais lembrar que o credor exclusivo do Lulismo chama-se Lula. Lula não só sabe disso como exerce na plenitude esta condição.
Sem emitir qualquer juízo de valor ou opinão sobre os conceitos expostos por Lula em entrevista ao Estadão de domingo [
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- Sobre os que eventualmente pleiteiam candidatura presidencial:
"Seria prudente que nós aprendêssemos algumas lições que a vida ensina. Muitas vezes, a disputa se dá por interesse pessoal de um indivíduo, que quer marcar posição sendo candidato a alguma coisa. Se ele tem sucesso, ótimo. Se ele não tem, todos ficam com o prejuízo de uma derrota eleitoral."

- Sobre qualquer candidatura da base, podendo até vir a ser do PT:
"Ser do PT ou não ser do PT é um problema que o partido vai ter de decidir. Eu acho improvável que um partido do tamanho do PT decida não ter candidato. Assim como é bastante provável que todos os outros partidos da base apresentem candidatos. Mas é importante que o PT esteja disposto a conversar, e que a gente construa a possibilidade de ter uma candidatura única da base."

- Sobre perfil e programa de candidatura da base:
"É aquele que dê continuidade à política que estamos plantando agora. .... Se continuar todo ano aumentando um pouquinho [investimentos], você consolida um país com uma classe média forte e uma classe média baixa, mas com poder de sobrevivência com dignidade. Essa combinação é que vai transformar o Brasil em um país definitivamente justo."

- Crítica [nem tão indireta] a Chávez, para mostrar-se diferente:
"Não acredito na palavra insubstituível. Não existe ninguém que não seja substituível, ou que seja imprescindível. Quando um dirigente político começa a pensar que é imprescindível, que ele é insubstituível, começa a nascer um ditadorzinho."
*** Nota: Lula inseriu "desnecessariamente" este conteúdo na resposta, que não tinha nenhuma relação direta com a pergunta dos entrevistadores: "Nesses 12 anos, até ganhar a eleição em 2002, qual foi a grande mudança? [do PT]"


- Sobre a permanente metamorfose:
"Você está lembrado de quantas vezes eu disse que era uma metamorfose ambulante. Mas, se o político não vai se adaptando ao mundo em que ele vive, ele vira um principista (ortodoxo). Na hora do discurso, à frente de um partido, você pode ser principista (ortodoxo), mas na hora de governar você precisa saber que tem um jogo que tem de ser jogado, muitas vezes em momentos graves de adversidade."

- Semelhanças entre o método de decisão partidária e o de chefe de jornal:
"Essa é a riqueza da democracia. O que é a riqueza de uma redação de um jornal? Pessoas juntas, mas que têm divergências sobre um ponto de vista - e dali o chefe consegue tirar uma linha editorial. Essa diversidade no PT é que permite que a gente nem vá para a ultra-esquerda nem para a direita. Que você fique em uma posição intermediária daquilo que é a política possível de ser colocada em prática, daquilo que é possível estar de acordo com a realidade."

- Sobre o programa que o elegeu [ou as mudanças programáticas que justificam alianças "heterogêneas"]:
"Primeiro, a grande mudança política aconteceu com a Carta ao Povo Brasileiro, na campanha de 2002. Ela balizou o tipo de compromisso que eu tinha assumido com o Brasil. Foi aquela carta que me deu a vitória em 2002. Eu sempre tinha 35% dos votos, e me faltavam 15% para ganhar as eleições. Aquela carta, a composição com José Alencar de vice, eram os ingredientes de que nós precisávamos para fazer com que a gente pudesse ter os outros 15%. Isso aconteceu, nós fomos a 61%. Portanto, não houve frustração de discurso porque o discurso foi o que me deu a vitória."

- Sobre políticas para pobres que podem contribuir para derrota eleitoral:
"Acho que uma das razões pelas quais a Marta Suplicy perdeu as eleições foi a opção de ela fazer aqueles CEUs para privilegiar as camadas mais pobres. Setores médios da sociedade, que moravam em bairros próximo aos CEUs, que não tinham uma escola de qualidade como aquela para colocar seus filhos, (reagiram) com um pouco de preconceito."

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Privilégio

Privilégio é o amanhecer de sol metalicamente dourado se esgueirando pela paisagem da bela e doce Porto Alegre, no dizer do Cheesta terra de belas e ardentes mulheres.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Não há direito quando causa a morte do outro

A greve de médicos na Paraíba ganhou contorno macabro e cruel com a morte da jovem de 28 anos Elisângela de Lurdes Nonato de Souza, ocorrida dois dias depois do criminoso cancelamento da cirurgia cardíaca que faria no SUS que estava agendada a três meses.
Não deve haver, para os humanistas, nenhum direito a greve que possa ter como resultante a morte de quem depende do cuidado do grevista e do serviço paralisado.
A greve da saúde na Paraíba, como em Alagoas, traz à mesa a exigência de realização de um debate público sobre uma questão que é mais que trabalhista; é ética. E que deve abranger também a discussão sobre outras áreas igualmente vitais, que não podem ficar sujeitas a uma visão deturpada de "realismo sindical". Greve não rima com morte!

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Elio Gaspari escreve sobre o assunto na FSP de hoje [ler o artigo "As greves de médicos beiram o crime" ...]

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Tortuosidades no caminho do PT em Porto Alegre

Nem são necessárias muitas pesquisas para constatar-se que a Administração Fogaça em Porto Alegre é um retumbante fracasso. Uma Administração fraca, que porém se ampara nos próprios mitos de manter mudanças com ampliação de conquistas. Um governo que rasgou a principal bandeira prometida na campanha eleitoral, a área de saúde - vide ratos no HPS, demissões das equipes de saúde de família, colapso da rede de atendimento, etc. E que vem espezinhando no funcionalismo, depois de ter prometido o nirvana, a despartidarização, a recomposição salarial e outras balelas demagógicas.

Diagnosticar a palidez do governo Fogaça e a partir disso intuir automaticamente que o PT tem as principais chances de retornar à prefeitura de Porto Alegre pode ser um veneno que o próprio PT estará se preparando. A faceirice de análise não produz vitória por antecipação, ainda que o entusiasmo com essa possibilidade seja equivalente à importância em se reconquistar Porto Alegre como parte do esforço de fortalecimento do que resta da esquerda do PT no país pós-Congresso que, ao que tudo indica, renovará o poder da velha maioria que causou o maior estrago da história do partido.

O caminho para o PT gaúcho atingir este objetivo é tortuoso e preocupante:

[i] terá de passar pelas prévias internas, um instituto que apesar de regimental, traz o temor de desgastar, dividir e sangrar o PT ao invés de fortalecê-lo e coesioná-lo para a luta eleitoral;

[ii] ao que tudo indica, o PCdoB terá mesmo a candidatura da Manuela com o apoio ao menos do PSB. Só em probabilidade estatística – seria quase como contrariar a lei da gravidade – a esquerda alçaria duas candidaturas ao segundo turno em Porto Alegre;

[iii] Manuela é a principal novidade política das eleições municipais, criando condições qualitativamente distintas na próxima disputa [que poderá acidentar as pretensões do PT];

[iv] o ilusionismo [ou camaleonismo e transformismo] da direita, que captura os elementos que constituem o programa do PT e mistifica a política é uma fórmula que vem dando certo do ponto de vista propagandístico e midiático;

[v] como as eleições municipais de 2004 nos principais centros urbanos gaúchos [Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas, Canoas] demonstraram, o PT deixou de ser o beneficiário automático das dificuldades, impasses e dilemas da classe dominante gaúcha. As eleições de Rigotto e Yeda também são expressão desse fenômeno. O PT deu motivos para isso, em grande medida devido aos descaminhos do partido nacionalmente;

[vi] no Rio Grande – e principalmente em Porto Alegre – o governo Lula e os erros cometidos pelo PT [que não fez o ajuste de contas internas e não fará no Congresso] repercutem com outra qualidade no imaginário social. O acidente do avião da TAM, cujos passageiros em sua maioria eram vinculados ao Estado e à capital, decodifica uma nova dimensão da repulsa ao PT. E potencializa um sentimento ainda mais odioso e irracional.

Mais que pesquisas, o PT precisa buscar novos referentes para construir a reconquista de Porto Alegre. Com força, renovação e sobretudo ouvidos e atenção.

Livre, leve, solto e bem aposentado

Ubirajara Macalão, diretor da Assembléia Legislativa gaúcha filiado ao PTB até ser recentemente expulso e que no cargo de Diretor de Serviços Administrativos desviou mais de 3,3 milhões de reais com a fraude dos selos [afora outras falcatruas com telefones, carros, serviços de limpeza, etc], foi solto da prisão temporária por determinação judicial.

Macalão, que não se chama Angélica Teodoro porque não é uma jovem mulher negra e pobre da periferia paulista e que não roubou um pote de margarina de valor de 3,2 reais, nem precisou de hábeas corpus para obter liberdade. Já a miserável Angélica só saiu do Cadeião Pinheiros depois de quatro meses de cana e de dois hábeas, sendo que o segundo impetrado no STF. [Ler sobre a sina da Angélica ...]

E, ao que tudo indica, Macalão terá outro privilégio: uma aposentadoria polpuda, calculada sobre o valor integral de 15 mil reais de salário de quem entrou no serviço público sem concurso, pela porta dos fundos, com salário merrequinho e que com “bons serviços”, regalias, privilégios e jeitinhos passou a receber salário nababesco.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Em busca da política

Cláudio Lembo
Aqui, as crises não merecem debates. Clama-se logo pela queda dos governantes. De pronto, soa a ordem de plantão permanente: Fora!
Um imediatismo pouco salutar. Pior ainda. Deforma as instituições. Fere a imagem dos mandatos eletivos. Nada constrói. Resulta apenas agressão aos princípios democráticos.
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A estratégia do sim, mas não

Atílio Boron
Sem dúvida o campeão desta estratégia do "sim, mas não", compartilhada pelos países do Mercosul, foi o governo Lula, o qual outrora foi a esperança de milhões dentro e fora do Brasil e hoje é mais uma decepção: sim ao Banco do Sul mas não à sua implementação; sim ao Gasoduto do Sul, mas não a sua construção; sim à Petrosul mas não ainda; sim à entrada da Venezuela no Mercosul mas aí temos um probleminha no Senado. Um Senado, convém recordar, que com ou sem as manobras não santas dos seus operadores políticos jamais foi obstáculo às decisões presidenciais.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

As muitas facetas macabras do golpismo

O golpismo macabro não se contenta com o absoluto descrédito em que caiu o malfadado movimento “Cansei!”. Além de comparações sarcásticas como a feita pelo nada lulista Cláudio Lembo, que disse se tratar de um “movimento de dondocas enfadadas da vida enfadonha que levam”, o “Cansei!” também tem sido denunciado como iniciativa golpista da direita e da mídia inconformadas com o fato de Lula ser presidente do Brasil.

Por isso os golpistas contorcem-se para inventarem novas e novas formas de conquistar a simpatia popular. Mas tem sido difícil.

Neste último final de semana, por exemplo, foi lançado em Porto Alegre, no tradicional Brique do Parque da Redenção, o “Movimento Luto Brasil”, a versão gaúcha do “Cansei!” da elite paulista. Tal movimento surge com a indelével torpeza da direita: apócrifo, sem identificação de autoria, mas escorado no envolvimento genérico de familiares das vítimas ou de pessoas condoídas com a tragédia.

Também sob o pretexto da tragédia do avião da TAM e da suposta solidariedade com os familiares das vítimas, o punhado de manifestantes alardeava a defesa da mesma pauta lacerdista do “Cansei!”.

O manifesto distribuído pelos “enlutados” começa com o seguinte absurdo: “Bombas explodem pelo mundo, aviões explodem no Brasil. A insegurança é crescente entre nós. Os cidadãos têm medo de sair de casa, pois a morte espreita a todos. Em vez de podermos trabalhar, passear e amar tranquilamente, estamos sempre a espreita de que algo ruim possa acontecer. Pais não dormem enquanto seus filhos não chegam. Será que tudo isto é normal? Será que a normalidade do medo tornou-se algo natural?

Só esqueceram de culpabilizar o Lula pela crise das bolsas de valores no mundo e pela queda da ponte ocorrida nos Estados Unidos alguns dias atrás.

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Ainda que seja uma iniciativa de credibilidade zero e de autoria desconhecida, o jornal Zero Hora não perdeu a ocasião de repercutir a manifestação na edição de hoje, 13/08/2007.

E o fez com um “jornalismo” de técnica e ética duvidosas. Na página 28 do jornal, no corpo do obituário comentado e biografado que faz a cada leva de vítimas identificadas e enterradas, Zero Hora menciona o lançamento do “Movimento Luto Brasil”.

E ilustra a página com a maior fotografia de todo o obituário comentado. Uma fotografia, ao que se percebe, tirada de aparelho celular e não de câmera fotográfica profissional ou mesmo amadora de boa qualidade, como se recomendaria à cobertura fática dos acontecimentos. Tudo para garantir a divulgação do faccioso e inexistente.

É impressionante como a direita e sua mídia golpista conseguem fabricar clima de terror e pânico na sociedade para desestabilizar e derrubar governos. Nem Zé do Caixão faria tanto.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

A injustiça vale milhão de vezes a mais

Ubirajara Macalão, ex-integrante do PTB que como Diretor de Serviços Administrativos da Assembléia Legislativa gaúcha foi responsável pelo desfalque de R$ 3,3 milhões só com o desvio de selos, continua solto. Isso apesar de:
- terem contra si provas documentais e materiais do roubo praticado contra o erário;
- não gozar do instituto da delação premiada e de não colaborar com as investigações;
- continuar escondendo a destinação dada à dinheirama roubada;
- continuar escondendo os demais envolvidos dentro e fora do Parlamento;

- ter sido flagrado com quase 200 mil reais em selos enterrados ao lado da piscina da casa de praia.

A sorte de Macalão é não ter nascido mulher, negra, pobre e batizada Angélica Aparecida de Souza Teodoro [ler mais]. Vale lembrar: Angélica ficou encarcerada numa cela fétida do Cadeião Pinheiros, na capital paulista devido à tentativa de furto de um pote de margarina de valor de R$ 3,20. Pelo tenebroso crime, cometido num momento de desespero, pois, "não agüentava ver o filho de dois anos passar fome", ela ficou no xilindró por quatro meses, teve um hábeas corpus negado e só conquistou a liberdade com o segundo hábeas corpus impetrado no STF!

O azar de Angélica é não ter nascido macho, branca, filiada ao PTB, não ter emprego na Assembléia e não ter roubado R$ 3,3 milhões para locupletar a si mesmo e a integrantes de quadrilha, ao invés de se preocupar com a fome do filho.

A cruel matemática da divisão de classes sociais é exata: a tentativa de furto de uma margarina de R$ 3,20 para aplacar a fome do filho faminto valeu a condenação de quatro anos de xilindró para Angélica, enquanto o roubo de R$ 3.300.000,00 de dinheiro público garante a Macalão o mais amplo direito de defesa. Em liberdade. Essa situação cria uma nojenta sensação de que a Injustiça vale 1 milhão de vezes mais que a Justiça.

Mau presságio

Antonio Britto, necrológio que coleciona mortes e destruições na biografia, assumirá a presidência do Conselho de Administração do grupo Amazonas de Franca/SP, que produz componentes para calçados.

Por onde passou, Britto não deixou pedra sobre pedra.

Seria porta-voz de Tancredo após a eleição da raposa mineira no colégio eleitoral em 1985. Em lugar disso, noticiou a morte do homem.

Foi ministro da Previdência de Itamar. Milhares de velhinhos já morreram sem conhecer a cor do que ele prometeu mas nunca entregou.

Foi governador do Rio Grande e devastou a economia gaúcha, as estruturas estatais, as finanças públicas, o funcionalismo e as políticas sociais. Por algumas gerações os gaúchos pagarão o preço dos seus desatinos.

Foi presidente do Conselho de Administração da Azaléia, e a empresa fechou fábricas e destruiu mais de 6 mil empregos no rio Grande.

Tentou ser presidente da Copesul pelo consórcio Petrobrás/Brasken que adquiriu o Grupo Ipiranga. Não levou porque o governo federal vetou o nome dele.

Tentou ser pre$idente indicado do Grêmio, mas a chiadeira entre os gremistas foi tamanha que o presidente do Grêmio e patrono da idéia, o deputado Paulo Odone teve de desistir da indicação.

Mau presságio para o grupo Amazonas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A notícia órfã

Luis Nassif

Ontem o Ali Kamel publicou uma coluna na página de Opinião do "Globo", "A grande imprensa".
Sobre a cobertura do acidente da TAM, Kamel se defende: "A grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim".
"Testando hipóteses" é outro nome para falta de discernimento. Em qualquer cobertura competente, enquanto o quadro não está claro montam-se cenários de investigação, análise de probabilidade, linhas de investigação. Evitam-se afirmações peremptórias, e apela-se para a criatividade para produzir manchetes de impacto sem recorrer conclusões taxativas.
De cara, se poderiam alinhavar várias possibilidades para o acidente da TAM, que seriam o ponto de partida. Toda a cobertura seguiria esse roteiro, procurando checar a probabilidade de ocorrência de cada possibilidade ou delas combinadas. A partir daí, o Sr Fato se incumbiria de descartar algumas hipóteses e reforçar outras.
O "testando hipóteses" do Kamel consistia em bancar aposta total na Hipótese A. Dias depois, esquecer a Hipótese A e bancar toda a aposta na Hipótese B. Depois, na Hipótese C, até acertar Mas não houve acerto. A resposta final – a degravação dos diálogos na cabine – eliminou todas as hipóteses anteriores.
E aí se entra no modelo de gestão da notícia adotado pelas Organizações Globo. De alguns anos para cá resolveu-se homogeneizar o entendimentos dos jornalistas em relação aos temas de cobertura. Esse papel doutrinário coube a Kamel.
Não sei qual é a experiência de Kamel no front da reportagem. Mas foram dois os resultados. Primeiro, acabou-se com a diversidade de enfoques, marca de jornalismo plural. Segundo, perdeu-se o sentimento da rua, o sentido da reportagem. Os repórteres passaram a subordinar a cobertura aos desígnios do "aquário". Houve um divórcio dos pais – o "pai" "aquário" e a mãe reportagem – e o resultado deixou a notícia órfã.
Nem vale a pena comentar as acusações generalizantes e conspiratórias de Kamel, na seqüencia do artigo, contra os críticos da cobertura. Ele não está escrevendo para os leitores. Apenas se justificando para os donos da empresa.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Reforma política ou cosmética?

Frei Betto

Salvo honrosas exceções, eleger-se a uma função pública virou, neste país, meio de vida. Adquire-se status, posa-se de autoridade, reveste-se de imunidade, amplia-se o patrimônio pessoal, cerca-se de bajuladores...

Há quem procure escapar das malhas da Justiça elegendo-se deputado ou senador, que injustamente tem direito a foro privilegiado quando sob acusação. E não se conhece um único caso de condenação pelo Supremo Tribunal Federal.
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Macalão saiu barato

Fosse alguma pessoa com parentesco de décimo-oitavo grau com um petista que tivesse patrocinado as falcatruas que Ubirajara Macalão praticou na Assembléia Legislativa e a cobertura da mídia seria implacável contra o PT. Exauriria o PT numa hemorragia contínua.
Mas, como o ânimus moralizante da mídia anti-petista é seletivo, deu-se que Macalão saiu muito barato para o PTB. Custou quase nada. Ficou a preço de banana.