segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Vê, estão voltando as flores

Para recepcionar a primavera na bela e doce Porto Alegre, o samba-marchinha Estão voltando as flores”, do paranaguaense Paulo Soledade e uma maravilha pintada sobre óleo por Nélson Jungbluth, exposta num totem do Essa PoA é Boa, exposição paralela à Bienal, que acontece no DC Navegantes.
Vê, estão voltando as flores
Vê, nessa manhã tão linda

Vê, como é bonita a vida

Vê, há esperança ainda


Vê, as nuvens vão passando

Vê, um novo céu se abrindo


Vê, o sol iluminando

Por onde nós vamos indo
Por onde nós vamos indo

Inter teve título roubado em 2005

Deu no UOL on line: O ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, que renunciou ao cargo na última sexta-feira por conta das acusações que sofre de lavagem de dinheiro, insinuou que o título brasileiro, conquistado pelo time alvinegro em 2005, foi “roubado” e que deveria ter ficado com o Internacional.
Continuar leitura no UOL ...
Ler o que BiruTaDoSuL já denunciou sobre esta falcatrua ...

diZerEs de camInHão

“Pior que muquirana empodeirado, só ignorantão depois que vira rico”

BiruTaDoSuL republica, a pedido, o dito de caminhoneiro sobre os muquiranas empodeirados, que homenageia pessoas que ocupam carguinhos no governo e se acham um supra-sumo. Para recapitular, a seção “diZerEs de camInHão” foi criada a alguns meses e recebe escritos sábias citações flagradas em apara-barros dos caminhões andantes da vida.

Os caminhoneiros possuem uma singular noção acerca da vida, e a eternizam em inscrições estampadas nos apara-barros dos seus possantes caminhões. Apara-barro, na concepção moderna de marketing, é uma espécie de “outdoor traseiro ambulante”.

sábado, 22 de setembro de 2007

El Nombre Encontrado

Eduardo Galeano

En la sierra mexicana de Nayarit había una comunidad que no tenía nombre. Desde hacía siglos andaba buscando nombre esa comunidad de indios huicholes. Carlos González lo encontró, por pura casualidad.

Este indio huichol había venido a la ciudad de Tepic para comprar semillas y visitar parientes. Al atravesar un basural, recogió un libro tirado entre los desperdicios. Hacía años que Carlos había aprendido a leer la lengua de Castilla, y mal que bien podía. Sentado a la sombra de un alero, empezó a descifrar páginas. El libro hablaba de un país de nombre raro, que Carlos no sabía ubicar pero que debía estar bien lejos de México, y contaba una historia de hace pocos años.

En el camino de regreso, caminando sierra arriba, Carlos siguió leyendo. No podía desprenderse de esta historia de horror y de bravura. El personaje central del libro era un hombre que había sabido cumplir su palabra. Al llegar a la aldea, Carlos anunció, eufórico:

-¡Por fin tenemos nombre!

Y leyó el libro, en voz alta, para todos. La tropezada lectura le ocupó casi una semana. Después, las ciento cincuenta familias votaron. Todas por sí. Con bailares y cantares se selló el bautizo.

Ahora tienen cómo llamarse. Esta comunidad lleva el nombre de un hombre digno, que no dudó a la hora de elegir entre la traición y la muerte.

-Voy para Salvador Allende dicen, ahora, los caminantes.

Debate sobre Partido Socialista Venezuelano

O profesor Edgardo Lander, da Universidade Central da Venezuela, que é um destacado intelectual da esquerda venezuelana, faz chegar polêmica análise sobre o processo venezuelano. O artigo “El Tribunal Disciplinario del Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) y la construcción de la democracia” é um convite à reflexão e à discussão honesta e não sectária acerca dos dilemas do processo venezuelano.

Começa afirmando que “El estilo del debate y los mecanismos mediante los cuales se han venido procesando las diferencias políticas y de opinión en el Partido Socialista Unido de Venezuela(PSUV) son extraordinariamente graves. De no revertirse a corto plazo, este estilo de dirección, de procesamiento de diferencias y de toma de decisiones en la organización en formación, se estaría conformando una estructura partidista con concepciones y prácticas de naturaleza no democrática”.

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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A Pesquisadora e a Aranha

A Folha de São Paulo do último 17/09/2007 publicou reportagem com o título “45% da cúpula do governo é sindicalizada” [ler ...] dissertando sobre o perfil de sindicalização das pessoas que ocupavam o que o jornal considera “cargos de elite no poder” do governo federal.

A matéria repercute o resultado da pesquisa “Governo Lula: contornos sociais e políticos da elite do poder”, coordenada por Maria Celina D'Araújo, do CPDOC [Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil] da FGV. A pesquisa concluiu, dentro do óbvio mais que ululante, que “os cargos de confiança mais altos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva são ocupados por sindicalizados e filiados ao PT”.

A pesquisadora da FGV não necessitaria realizar tão brilhante pesquisa para concluir que os cargos mais elevados da Administração Federal no governo Lula [consequentemente, os de maior remuneração] não foram preenchidos por gestores e técnicos ligados ao PSDB, aos Demos ou ao conservadorismo neoliberal. Por mais que a pesquisadora e a FSP considerem anti-natural um operário governar o país e profissionais vinculados a tradições populares e sociais ocuparem postos de mando no Estado brasileiro, o povo brasileiro quis contrariá-los nas eleições passadas.

Na reportagem, a prestigiosa pesquisadora que coordenou nada relevante pesquisa realizada com recursos públicos, tece considerações curiosas acerca dos fabulosos “achados científicos”:

- “Você tem ainda uma superposição: parte dos petistas é também sindicalizada. É uma malha associativa muito forte

- “A população brasileira tem em torno de 14% de sindicalizados. Na nossa amostra, a gente tem 45%. É muito diferente da realidade brasileira

- “Nós pegamos os níveis 5 e 6, que são cargos de direção. Acho que, se olhar mais para baixo, a tendência é até ter mais militantes e sindicalizados. A nossa amostra é uma elite que requer especialização técnica

- “O que a gente observa é que a área econômica é a mais profissionalizada. Quando a gente vai ver as áreas onde há maior concentração de pessoas sem experiência, sem currículo anterior e com maior militância é na área de saúde e nas áreas sociais. É muito a cara do Brasil, uma cara que se repete.

- é “preciso olhar com cuidado a possibilidade de movimentos sociais serem controlados pelo Estado. Isso acontece em outros países, Venezuela, Bolívia. Tem sido um recurso bastante usado por governos de recorte popular e pode ter custo para a democracia também, porque você tira autonomia, independência desses movimentos.

A reportagem da Folha de SP ainda complementa com outras pérolas:

- “cerca de 25% tinham filiação partidária: 19,90% eram filiados ao PT, e 5%, a outros partidos. O estudo mostra que a maior parte dos filiados vem do serviço público

- “Os filiados são, em sua maior parte, ‘outsiders’ da esfera pública

- “os indicadores de ‘associativismo’ também impressionam. Um total de 46% declaram ter pertencido a algum movimento social, 31,8% declaram ter pertencido a conselhos gestores e 23,8%, a experiência de gestão local. Apenas 5% pertenceram a associação patronais.

- “nada disso permite conclusões retumbantes, apenas aferir que, de fato, a tese que insiste num forte vínculo sindical, social e partidário está correta

Os resultados da pesquisa permitem chegar-se às seguintes conclusões:

i] uma instituição respeitável como a FGV deveria ser mais criteriosa, em termos científicos, sociais e intelectuais na autorização de pesquisas e no direcionamento de energias, trabalhos e recursos de seus prestigiosos pesquisadores;

ii] a mistura de “ciência encomendada” ou “ciência sob medida” ou “ciência instrumental” com mídia golpista, gobbeliana e partidária, na melhor das hipóteses, é mãe fecunda de totalitarismos;

iii] quando uma mídia sem escrúpulos faz do cientificismo feito de “ciência encomendada” um argumento de convencimento público, ocorre uma perigosa sinergia que visa a justificação de preconceitos para minar a imagem e afetar a representação simbólica de determinados atores sociais no contexto da sociedade e do imaginário social;

iv] a pesquisa e a reportagem que lhe deu publicidade [estranhamente só a FSP] valem menos pelo revelado e mais pelo ocultado, onde processam subliminarmente preconceitos, ódio racial e intolerância com a inserção social e técnica das camadas subalternas.

Com esta pesquisa, a pesquisadora da FGV se assemelha ao anedótico pesquisador da aranha, celebrizado por chegar a conclusões absurdas nos seus experimentos. Vale lembrar a clássica constatação dele de que “aranhas sem patas são surdas”. O pesquisador chegou à estapafúrdia conclusão ao constatar que após extrair as seis patas de aranhas, elas ficavam imóveis ao seu comando em voz alta de “anda, aranha!, anda, aranha!”!

Mentiras deliberadas, mortes estranhas e agressão à economia mundial

Fidel Castro, habitual colunista de BiruTaDoSuL


Numa reflexão falei de barras de ouro depositadas nos sótãos das Torres Gêmeas. Nesta ocasião o tema é ainda mais complexo e difícil de crer. Há quase quatro décadas cientistas residentes nos Estados Unidos descobriram a Internet, da mesma maneira que Albert Einstein, nascido na Alemanha, descobriu em seu tempo a fórmula para medir a energia atômica.

... ...

Um exemplo claro do uso da ciência e da tecnologia com os mesmos fins hegemônicos é descrito num artigo do ex-oficial da Segurança Nacional dos Estados Unidos Gus W. Weiss, que apareceu pela primeira vez na revista Studies in Intellligence, em 1966, embora com real difusão no ano 2002, intitulado Enganando os soviéticos. Nele Weiss atribuísse a idéia de que a URSS recebesse os softwares que necessitava para sua indústria, mas já contaminados com objetivo de fazer com que colapsasse a economia daquele país.

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Retirada de tropas

Pela democracia, o Senado deve acabar

Rui Falcão, FSP 20/09/2007

A existência do Senado é um desserviço à democracia brasileira. É chegada a hora de discutir o fim do sistema bicameral do país

A absolvição do senador Renan Calheiros pode contribuir, paradoxalmente, para aperfeiçoar a democracia se a reflexão sobre o escândalo transpuser as considerações de caráter circunstancial.

Ler o artigo publicado na FSP ...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Grandes investidores compram terras no Brasil

Com a moda do etanol, grandes grupos econômicos internacionais estão investindo enormes quantias de dinheiro na aquisição de terras e de usinas de cana-de-açúcar.

Nos tempos em que os governos se preocupavam com a autonomia do nosso país, o problema da aquisição de terras por estrangeiros foi sempre objeto de preocupação. Até os militares, que cederam facilmente nossa indústria ao capital multinacional, fizeram leis rigorosas para impedir que empresas estrangeiras adquirissem porcentagens de terra superiores a certos limites em cada município brasileiro.

Ler todo editorial do Correio da Cidadania ...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Caiu outro avião: não demorará e Lula será o culpado

Do jeito que as coisas vão, não tardará o momento em que o conservadorismo tucano-pefelento [demos] e sua mídia golpista, gobbeliana e partidária culparão Lula por todas as mazelas e tragédias não só do Brasil, mas do mundo todo.

Diante do surrealismo da mídia nativa, não seria surpreendente se algum espaço mais fanático da mídia golpista, gobelliana e partidária começasse a circular a falseta de que a culpa pela tragédia aérea na Tailândia é do Lula ...

Sem-Mídia, mas Com-Decência e Com-Dignidade

No sábado 15/09 aconteceu uma manifestação em frente ao prédio do golpista, gobbeliano e partidário jornal Folha de São Paulo, na capital paulista. A manifestação é a primeira atividade de um movimento de insurgência à atuação da mídia golpista, gobbeliana e partidária do país.

Na ausência de canais de televisão, emissoras de rádio ou jornais de grande circulação, o epicentro de expressão desse movimento é a internet. Os “sem-mídia” se organizam num universo cada vez mais efervecente de blógues e saites de análises, opiniões e também de notícias publicadas com decência e dignidade. Esse BiruTaDoSuL faz parte muito modestamente desse “bando”.

Notícias sobre o movimento podem ser lidas no Cidadania.Com, no Conversa Afiada e no Vi o Mundo.

Ler o Manifesto dos Sem-Mídia, cuja íntegra foi protocolada e entregue à Folha de São Paulo.

Metade do dia

Metade do dia
Passa silenciosa e inexorável
Mais aproximando a lua da noite
Do que iluminando com o sol
A outra metade do dia ainda porvir
Deixando, assim, o sol do dia

No ocaso de outra lua que domina

sábado, 15 de setembro de 2007

Máfia russa para além do futebol

Deu na Terra Magazine na matéria “Corinthians é ponta de iceberg” [ler ...] que a parceria da MSI [empresa pertencente ao mafioso russo Boris Berezowski] com o Corinthians visava mais que a participação no futebol brasileiro. Foi um mecanismo de implantação da máfia russa – originária do processo de destruição da URSS em 1991 - no Brasil em outros negócios, muito além do futebol.

No futebol, a exigência de retorno financeiro foi tamanho que fizeram de tudo para seqüestrar o título de campeão brasileiro em 2005 do Sport Club Internacional de Porto Alegre em favor do Corinthians, conforme comentado em nota do BiruTaDoSuL de 11 de setembro passado [ler ...] e em artigo publicado na Carta Maior em novembro de 2005 [ler ...].

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

11 de septiembre de 1973

Frida Modak, Secretária de Imprensa do Presidente Salvador Allende

El 11 de septiembre de 1973 llegué a La Moneda alrededor de las ocho de la mañana. Una hora antes, una llamada telefónica en la que me preguntaban si el Presidente estaba en la casa de gobierno me indicó que había salido de la residencia presidencial de Tomás Moro, a la que me había comunicado por última vez con Augusto Olivares a las tres y media de la mañana. Mientras él y otros asesores trabajaban con el Presidente en el discurso con el que convocaría a un plebiscito para dirimir las diferencias con el parlamento, les iba entregando toda la información que recibía sobre el movimiento de camiones que transportaban militares hacia Santiago.

Este relato é feito por Frida Modak, que foi Secretária de Imprensa do Presidente Salvador Allende.

Ler o artigo ...

O Império e a mentira

Fidel Castro [contumaz colunista do BiruTaDoSul]

“REAGAN foi o criador da Fundação Nacional Cubano-Americana, cujo sinistro papel no bloqueio e no terrorismo contra Cuba se conheceria anos depois quando o governo dos Estados Unidos revelou documentos secretos, embora ainda cheios de desavergonhados riscos. Se os tivéssemos conhecido antes, nossa conduta não mudaria.”

Ler o artigo ...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Renan goleia mídia golpista, gobbeliana e partidária

A absolvição de Renan Calheiros, presidente moribundo do Senado Federal, tem como principal subproduto a monumental derrota da mídia golpista, gobbeliana e partidária. Mídia que editorializou o escândalo do Renan como editorializa todo e qualquer assunto que seja do seu interesse particularíssimo.

Por mais que a partir de agora se passe a ouvir a balela de que perdeu a chamada
“opinião pública” ou de que perderam os valores republicanos, éticos, morais, etc etc etc, a principal derrotada mesmo foi mesmo essa espécie de mídia corrosiva que viceja no país. E que lamentavelmente continua repartindo entre as poucas famílias que a monopolizam, as polpudas verbas publicitárias federais.

Desde o ponto de vista político, dos hábitos republicanos e da coisa pública, a absolvição do Renan é deplorável. E custará caro ao próprio PT um preço alto, que deploravelmente cultiva um passivo importante neste quesito. Outra prova de que o PT sangrará com este processo é a maquinação da oposição tucano-pefelenta e sua mídia golpista, gobbeliana e partidária de que o PT e o governo Lula seriam os responsáveis por eventual absolvição do Renan.

Disso tudo esse espaço do BirutaDoSul nunca teve dúvidas. Aqui nesse espaço se disse inclusive mais: que o escândalo do Renan seria um bom começo para a extinção do Senado e a realização de uma radical Reforma Política no país.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

11 de Setembro, de Alende a World Trade Center

Onde ocorrer um evento marcante, semiótico, serão notados os vestígios do império estadounidense. Duas patas do mesmo corpo chamado Estados Unidos unem num único sentido os acontecimentos de 11 de setembro de 1973 e de 11 de setembro de 2001.

Em 1973, os Estados Unidos apoiaram e atuaram diretamente na deposição do governo socialista e assassinato do presidente democraticamente eleito, Salvador Alende. Os estrondos de bombas e os sons dos aviões sobrevoando o Palácio de La Moneda ainda podem ser ouvidos. À frente da campanha sanguinária promovida pelos Estados Unidos, o fiel aliado Augusto Pinochet.

Em 2001, Bin Laden, antigo aliado e braço armado pelos Estados Unidos para consumar o governo Talibã, no Afeganistão, comanda o semiótico ataque às torres do edifício World Trade Center. As imagens dos aviões se chocando contra os edifícios e as chamas gigantescas de fogo e dor não sairão jamais da paisagem das pessoas que vivem neste século. Ainda não é totalmente esclarecido se a família Bush e/ou integrantes do governo de George Bush mantêm negócios petroleiros com a família de Bin Laden. O que seria até irrelevante, em função dos demais vínculos.

Estas duas barbáries ligam-se coerente e logicamente como parte de uma mesma atitude do império estadounidense no mundo contemporâneo. É certo que neste 11 de setembro a mídia global, controlada pelos Estados Unidos, de onde se originam quase 90% das “notícias” consumidas no mundo, relembrará o 11 de setembro do Norte, o de 2001.

O 11 de setembro de 1973, o do Sul, continuará como escrita e lembrança da página dos povos oprimidos e agredidos. Para que a memória dos povos produzam a consciência anti-imperialista e anti-capitalista.

No saite VioMundo, do jornalista Luis Carlos Azenha, tem uma boa cobertura sobre o 11 de setembro. Vale ver ...

Máfia russa no Corinthians e o verdadeiro campeão

As revelações sobre a atuação da máfia russa no Corinthians Paulista, com Boris Berezovski à frente dos negócios, pode ser o fio da meada sobre a “encomenda” do título de campeão brasileiro do clube em 2005.

Para lembrar: o Internacional de Porto Alegre, verdadeiro campeão daquele ano, teve o título surrupiado pela manobra de cancelamento sem critério de 11 jogos apitados pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho, que manipulou alguns resultados. Não bastasse isso, no confronto direto entre Inter e Corinthians, o time gaúcho, que deu um banho de bola, foi roubado com um pênalti não marcado e a expulsão injusta do jogador Tinga.

Tudo para garantir o retorno financeiro aos negócios milionários da máfia russa no futebol brasileiro. Até as pedras do Estádio Pacaembu sabem que o Corinthians tinha de ser campeão ...

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

E “la nave vá”

Se é verdade que o IIIº Congresso do PT frustrou muitas expectativas alimentadas quanto à mudança de orientação partidária, também não se pode afirmar que o encontro tenha sido um completo desastre.

O PT apenas perdeu uma chance importantíssima [mais uma] do próprio calendário partidário-institucional. O que pode significar muito na presente circunstância de sua história. É bem provável que em função dos sentimentos de desencanto e desilusão que assomam boa parte da militância petista e da base social do Partido, o resultado do Congresso, em prazo não maior que médio, cobrará um preço alto. Talvez o preço da própria subsistência do PT enquanto alternativa transformadora de esquerda capaz de empolgar vanguardas e multidões.

Se há uma verdade incontornável emanada do IIIº Congresso é quanto à correlação de forças, que conserva a maioria dirigente e o controle da máquina partidária em mãos do Campo Majoritário, que com suas políticas e práticas vem conduzindo o PT a um processo acelerado de degeneração. Esse dado não pode ser subestimado. E poderá dizer muito sobre o futuro reservado ao PT.

Neste sentido, é incompreensível a predileção da esquerda petista em atacar-se mutuamente ao invés de unir-se para enfrentar de maneira coesa o Campo Majoritário nas disputas subsequentes, a começar pelo Processo de Eleições Diretas [PED]. É difícil, neste contexto, compreender-se os textos de autorias de dirigentes da Democracia Socialista e da Articulação de Esquerda se engalfinhando gratuitamente e a partir de aspectos rigorosamente acessórios a respeito do Congresso do PT.

Fariam melhor se se empenhassem nas tarefas fundamentais que têm pela frente enquanto duas das principais forças de esquerda do PT. A começar pelo PED, marcado para dezembro próximo. Não há chance de retomada do PT pela esquerda sem uma unidade programática e de ação nucleada a partir dessas duas forças internas da esquerda do PT.

Persistir nessa prática demarcatória e sectária significa persistir contrariando os interesses não só da esquerda petista, mas do conjunto da esquerda brasileira. Enquanto isso continuar acontecendo, estarão contribuindo para que “la nave” – leia-se, o Campo Majoritário – “”.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Mais SUS: mais vida e menos crise

Jussara Cony

Há consenso, hoje, na discussão sobre o que se convencionou denominar “crise da saúde”, prevalecendo a visão de que o SUS é uma política essencial para a superação das dificuldades e não causa dos seus entraves. A realidade mostra que há crise onde o SUS não está adequadamente implantado, financiado e gerido.

As dificuldades do SUS advêm da própria magnitude e generosidade desse sistema que visa assegurar acesso gratuito e universal a mais de 170 milhões de pessoas, prestando desde assistência básica à medicina nuclear.
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quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A maquinação da mídia golpista, gobbeliana e partidária contra o PT

Bastou começar a entoada da oposição tucano-pefelenta de que a cassação ou absolvição do Renan Calheiros depende do PT que a mídia golpista – e gobbeliana, acrescente-se – editorializou a cobertura associando o PT com a eventual absolvição de Renan.

Basta ver a enorme "coincidência" entre os pronunciamentos de Arthur Virgílio [PSDB] e Agripino Maia [DEM] e as manchetes de jornais e matérias veiculadas em rádios e na televisão. Vão todos no mesmo embalo: "Futuro de Renan depende do PT"!

Moral da história: se Renan mantiver o mandato apesar de todas as denúncias, será por obra do PT – um partido que querem identificar inapelavelmente com corrupção e traquinagem.

A mídia golpista – que além de gobbeliana é partidária – consegue a proeza de tornar determinante e decisivo o peso de 12 senadores/as petistas num universo de 81 senadores/as do Senado Federal. Mistificação é o principal subproduto da aritmética forçada desse tipo de mídia.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Os super-revolucionários

Fidel Castro
Leio cuidadosamente todos os dias as opiniões sobre Cuba de agências tradicionais de imprensa, incluídas as dos povos que fizeram parte da URSS, as da República Popular China e outras. Chegam-me notícias de órgãos de imprensa escrita da América Latina, Espanha e do resto da Europa.
O quadro é cada vez mais incerto perante o temor de uma recessão prolongada como a dos anos posteriores a 1930. O governo dos Estados Unidos recebeu no dia 22 de julho de 1944 os privilégios outorgados em Bretton Woods à potência militar mais poderosa, emitir o dólar como moeda internacional de câmbio.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Privilégio

Privilégio é a manhãzinha em Porto Alegre de serração densa e esparramada com sol teimosamente tentando se impor e o Thales contando estórias do Radicci.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Indignação, rebeldia, irresignação e vida

Extrato do pensamento de Emil Cioran:

¡Cuando pienso que en mi juventud la anarquista me parecía el tipo de humanidad más lograda! ¿Es señal de progreso o de decadencia haber llegado a un estado de resignación que me hace contemplar todo acto de rebelión como una muestra de infantilismo?

Sin embargo, si bien ya no me rebelo, sigo en cambio indignándome (lo que quizás viene a ser lo mismo). Y es que vida e indignación son dos términos casi equivalentes. Nada de lo viviente es neutro. La neutralidad es un triunfo sobre la vida, no de la vida.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Lula, o “Lulista”, explica o “Lulismo”

O Lulismo é o principal fenômeno identitário já estabelecido entre uma liderança política e o povo brasileiro desde Getúlio Dornelles Vargas, expresso até meados do século passado.
É assim que Biruta do Sul vem analisando a algum tempo esse fenômeno [
ler ...], que ao fim e ao cabo significará [1] o retorno de Lula à Presidência em 2015 [ou será 2014?] depois de [2] eleger em 2010 qualquer candidato de sua confiança para o exercício de uma espécie de "mandato-tampão" para então voltar a governar o país até 2018/2020 ou mais, a depender das regras de reeleição e extensão de mandato.
Nesse esquema todo, o que tem valor rigorosamente secundário nos raciocínios é o PT, o Petismo, a Frente Popular, uma idéia elaborada de esquerda e um programa democrático-popular.
À ver a conveniência de que tudo ocorra com mudança legal extinguindo o instituto da reeleição e fixando mandatos de cinco anos ao invés dos atuais quatro, razão do cronograma mencionado considerar 2015 ou 2014 e 2018 ou 2020.
Ainda que óbvio ululante, nunca é demais lembrar que o credor exclusivo do Lulismo chama-se Lula. Lula não só sabe disso como exerce na plenitude esta condição.
Sem emitir qualquer juízo de valor ou opinão sobre os conceitos expostos por Lula em entrevista ao Estadão de domingo [
ler ...], vale anotar alguns trechos com suas opiniões, por ilustrativos que possam ser para uma extensa e polêmica análise:

- Sobre os que eventualmente pleiteiam candidatura presidencial:
"Seria prudente que nós aprendêssemos algumas lições que a vida ensina. Muitas vezes, a disputa se dá por interesse pessoal de um indivíduo, que quer marcar posição sendo candidato a alguma coisa. Se ele tem sucesso, ótimo. Se ele não tem, todos ficam com o prejuízo de uma derrota eleitoral."

- Sobre qualquer candidatura da base, podendo até vir a ser do PT:
"Ser do PT ou não ser do PT é um problema que o partido vai ter de decidir. Eu acho improvável que um partido do tamanho do PT decida não ter candidato. Assim como é bastante provável que todos os outros partidos da base apresentem candidatos. Mas é importante que o PT esteja disposto a conversar, e que a gente construa a possibilidade de ter uma candidatura única da base."

- Sobre perfil e programa de candidatura da base:
"É aquele que dê continuidade à política que estamos plantando agora. .... Se continuar todo ano aumentando um pouquinho [investimentos], você consolida um país com uma classe média forte e uma classe média baixa, mas com poder de sobrevivência com dignidade. Essa combinação é que vai transformar o Brasil em um país definitivamente justo."

- Crítica [nem tão indireta] a Chávez, para mostrar-se diferente:
"Não acredito na palavra insubstituível. Não existe ninguém que não seja substituível, ou que seja imprescindível. Quando um dirigente político começa a pensar que é imprescindível, que ele é insubstituível, começa a nascer um ditadorzinho."
*** Nota: Lula inseriu "desnecessariamente" este conteúdo na resposta, que não tinha nenhuma relação direta com a pergunta dos entrevistadores: "Nesses 12 anos, até ganhar a eleição em 2002, qual foi a grande mudança? [do PT]"


- Sobre a permanente metamorfose:
"Você está lembrado de quantas vezes eu disse que era uma metamorfose ambulante. Mas, se o político não vai se adaptando ao mundo em que ele vive, ele vira um principista (ortodoxo). Na hora do discurso, à frente de um partido, você pode ser principista (ortodoxo), mas na hora de governar você precisa saber que tem um jogo que tem de ser jogado, muitas vezes em momentos graves de adversidade."

- Semelhanças entre o método de decisão partidária e o de chefe de jornal:
"Essa é a riqueza da democracia. O que é a riqueza de uma redação de um jornal? Pessoas juntas, mas que têm divergências sobre um ponto de vista - e dali o chefe consegue tirar uma linha editorial. Essa diversidade no PT é que permite que a gente nem vá para a ultra-esquerda nem para a direita. Que você fique em uma posição intermediária daquilo que é a política possível de ser colocada em prática, daquilo que é possível estar de acordo com a realidade."

- Sobre o programa que o elegeu [ou as mudanças programáticas que justificam alianças "heterogêneas"]:
"Primeiro, a grande mudança política aconteceu com a Carta ao Povo Brasileiro, na campanha de 2002. Ela balizou o tipo de compromisso que eu tinha assumido com o Brasil. Foi aquela carta que me deu a vitória em 2002. Eu sempre tinha 35% dos votos, e me faltavam 15% para ganhar as eleições. Aquela carta, a composição com José Alencar de vice, eram os ingredientes de que nós precisávamos para fazer com que a gente pudesse ter os outros 15%. Isso aconteceu, nós fomos a 61%. Portanto, não houve frustração de discurso porque o discurso foi o que me deu a vitória."

- Sobre políticas para pobres que podem contribuir para derrota eleitoral:
"Acho que uma das razões pelas quais a Marta Suplicy perdeu as eleições foi a opção de ela fazer aqueles CEUs para privilegiar as camadas mais pobres. Setores médios da sociedade, que moravam em bairros próximo aos CEUs, que não tinham uma escola de qualidade como aquela para colocar seus filhos, (reagiram) com um pouco de preconceito."

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Privilégio

Privilégio é o amanhecer de sol metalicamente dourado se esgueirando pela paisagem da bela e doce Porto Alegre, no dizer do Cheesta terra de belas e ardentes mulheres.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Não há direito quando causa a morte do outro

A greve de médicos na Paraíba ganhou contorno macabro e cruel com a morte da jovem de 28 anos Elisângela de Lurdes Nonato de Souza, ocorrida dois dias depois do criminoso cancelamento da cirurgia cardíaca que faria no SUS que estava agendada a três meses.
Não deve haver, para os humanistas, nenhum direito a greve que possa ter como resultante a morte de quem depende do cuidado do grevista e do serviço paralisado.
A greve da saúde na Paraíba, como em Alagoas, traz à mesa a exigência de realização de um debate público sobre uma questão que é mais que trabalhista; é ética. E que deve abranger também a discussão sobre outras áreas igualmente vitais, que não podem ficar sujeitas a uma visão deturpada de "realismo sindical". Greve não rima com morte!

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Elio Gaspari escreve sobre o assunto na FSP de hoje [ler o artigo "As greves de médicos beiram o crime" ...]

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Tortuosidades no caminho do PT em Porto Alegre

Nem são necessárias muitas pesquisas para constatar-se que a Administração Fogaça em Porto Alegre é um retumbante fracasso. Uma Administração fraca, que porém se ampara nos próprios mitos de manter mudanças com ampliação de conquistas. Um governo que rasgou a principal bandeira prometida na campanha eleitoral, a área de saúde - vide ratos no HPS, demissões das equipes de saúde de família, colapso da rede de atendimento, etc. E que vem espezinhando no funcionalismo, depois de ter prometido o nirvana, a despartidarização, a recomposição salarial e outras balelas demagógicas.

Diagnosticar a palidez do governo Fogaça e a partir disso intuir automaticamente que o PT tem as principais chances de retornar à prefeitura de Porto Alegre pode ser um veneno que o próprio PT estará se preparando. A faceirice de análise não produz vitória por antecipação, ainda que o entusiasmo com essa possibilidade seja equivalente à importância em se reconquistar Porto Alegre como parte do esforço de fortalecimento do que resta da esquerda do PT no país pós-Congresso que, ao que tudo indica, renovará o poder da velha maioria que causou o maior estrago da história do partido.

O caminho para o PT gaúcho atingir este objetivo é tortuoso e preocupante:

[i] terá de passar pelas prévias internas, um instituto que apesar de regimental, traz o temor de desgastar, dividir e sangrar o PT ao invés de fortalecê-lo e coesioná-lo para a luta eleitoral;

[ii] ao que tudo indica, o PCdoB terá mesmo a candidatura da Manuela com o apoio ao menos do PSB. Só em probabilidade estatística – seria quase como contrariar a lei da gravidade – a esquerda alçaria duas candidaturas ao segundo turno em Porto Alegre;

[iii] Manuela é a principal novidade política das eleições municipais, criando condições qualitativamente distintas na próxima disputa [que poderá acidentar as pretensões do PT];

[iv] o ilusionismo [ou camaleonismo e transformismo] da direita, que captura os elementos que constituem o programa do PT e mistifica a política é uma fórmula que vem dando certo do ponto de vista propagandístico e midiático;

[v] como as eleições municipais de 2004 nos principais centros urbanos gaúchos [Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas, Canoas] demonstraram, o PT deixou de ser o beneficiário automático das dificuldades, impasses e dilemas da classe dominante gaúcha. As eleições de Rigotto e Yeda também são expressão desse fenômeno. O PT deu motivos para isso, em grande medida devido aos descaminhos do partido nacionalmente;

[vi] no Rio Grande – e principalmente em Porto Alegre – o governo Lula e os erros cometidos pelo PT [que não fez o ajuste de contas internas e não fará no Congresso] repercutem com outra qualidade no imaginário social. O acidente do avião da TAM, cujos passageiros em sua maioria eram vinculados ao Estado e à capital, decodifica uma nova dimensão da repulsa ao PT. E potencializa um sentimento ainda mais odioso e irracional.

Mais que pesquisas, o PT precisa buscar novos referentes para construir a reconquista de Porto Alegre. Com força, renovação e sobretudo ouvidos e atenção.

Livre, leve, solto e bem aposentado

Ubirajara Macalão, diretor da Assembléia Legislativa gaúcha filiado ao PTB até ser recentemente expulso e que no cargo de Diretor de Serviços Administrativos desviou mais de 3,3 milhões de reais com a fraude dos selos [afora outras falcatruas com telefones, carros, serviços de limpeza, etc], foi solto da prisão temporária por determinação judicial.

Macalão, que não se chama Angélica Teodoro porque não é uma jovem mulher negra e pobre da periferia paulista e que não roubou um pote de margarina de valor de 3,2 reais, nem precisou de hábeas corpus para obter liberdade. Já a miserável Angélica só saiu do Cadeião Pinheiros depois de quatro meses de cana e de dois hábeas, sendo que o segundo impetrado no STF. [Ler sobre a sina da Angélica ...]

E, ao que tudo indica, Macalão terá outro privilégio: uma aposentadoria polpuda, calculada sobre o valor integral de 15 mil reais de salário de quem entrou no serviço público sem concurso, pela porta dos fundos, com salário merrequinho e que com “bons serviços”, regalias, privilégios e jeitinhos passou a receber salário nababesco.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Em busca da política

Cláudio Lembo
Aqui, as crises não merecem debates. Clama-se logo pela queda dos governantes. De pronto, soa a ordem de plantão permanente: Fora!
Um imediatismo pouco salutar. Pior ainda. Deforma as instituições. Fere a imagem dos mandatos eletivos. Nada constrói. Resulta apenas agressão aos princípios democráticos.
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A estratégia do sim, mas não

Atílio Boron
Sem dúvida o campeão desta estratégia do "sim, mas não", compartilhada pelos países do Mercosul, foi o governo Lula, o qual outrora foi a esperança de milhões dentro e fora do Brasil e hoje é mais uma decepção: sim ao Banco do Sul mas não à sua implementação; sim ao Gasoduto do Sul, mas não a sua construção; sim à Petrosul mas não ainda; sim à entrada da Venezuela no Mercosul mas aí temos um probleminha no Senado. Um Senado, convém recordar, que com ou sem as manobras não santas dos seus operadores políticos jamais foi obstáculo às decisões presidenciais.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

As muitas facetas macabras do golpismo

O golpismo macabro não se contenta com o absoluto descrédito em que caiu o malfadado movimento “Cansei!”. Além de comparações sarcásticas como a feita pelo nada lulista Cláudio Lembo, que disse se tratar de um “movimento de dondocas enfadadas da vida enfadonha que levam”, o “Cansei!” também tem sido denunciado como iniciativa golpista da direita e da mídia inconformadas com o fato de Lula ser presidente do Brasil.

Por isso os golpistas contorcem-se para inventarem novas e novas formas de conquistar a simpatia popular. Mas tem sido difícil.

Neste último final de semana, por exemplo, foi lançado em Porto Alegre, no tradicional Brique do Parque da Redenção, o “Movimento Luto Brasil”, a versão gaúcha do “Cansei!” da elite paulista. Tal movimento surge com a indelével torpeza da direita: apócrifo, sem identificação de autoria, mas escorado no envolvimento genérico de familiares das vítimas ou de pessoas condoídas com a tragédia.

Também sob o pretexto da tragédia do avião da TAM e da suposta solidariedade com os familiares das vítimas, o punhado de manifestantes alardeava a defesa da mesma pauta lacerdista do “Cansei!”.

O manifesto distribuído pelos “enlutados” começa com o seguinte absurdo: “Bombas explodem pelo mundo, aviões explodem no Brasil. A insegurança é crescente entre nós. Os cidadãos têm medo de sair de casa, pois a morte espreita a todos. Em vez de podermos trabalhar, passear e amar tranquilamente, estamos sempre a espreita de que algo ruim possa acontecer. Pais não dormem enquanto seus filhos não chegam. Será que tudo isto é normal? Será que a normalidade do medo tornou-se algo natural?

Só esqueceram de culpabilizar o Lula pela crise das bolsas de valores no mundo e pela queda da ponte ocorrida nos Estados Unidos alguns dias atrás.

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Ainda que seja uma iniciativa de credibilidade zero e de autoria desconhecida, o jornal Zero Hora não perdeu a ocasião de repercutir a manifestação na edição de hoje, 13/08/2007.

E o fez com um “jornalismo” de técnica e ética duvidosas. Na página 28 do jornal, no corpo do obituário comentado e biografado que faz a cada leva de vítimas identificadas e enterradas, Zero Hora menciona o lançamento do “Movimento Luto Brasil”.

E ilustra a página com a maior fotografia de todo o obituário comentado. Uma fotografia, ao que se percebe, tirada de aparelho celular e não de câmera fotográfica profissional ou mesmo amadora de boa qualidade, como se recomendaria à cobertura fática dos acontecimentos. Tudo para garantir a divulgação do faccioso e inexistente.

É impressionante como a direita e sua mídia golpista conseguem fabricar clima de terror e pânico na sociedade para desestabilizar e derrubar governos. Nem Zé do Caixão faria tanto.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

A injustiça vale milhão de vezes a mais

Ubirajara Macalão, ex-integrante do PTB que como Diretor de Serviços Administrativos da Assembléia Legislativa gaúcha foi responsável pelo desfalque de R$ 3,3 milhões só com o desvio de selos, continua solto. Isso apesar de:
- terem contra si provas documentais e materiais do roubo praticado contra o erário;
- não gozar do instituto da delação premiada e de não colaborar com as investigações;
- continuar escondendo a destinação dada à dinheirama roubada;
- continuar escondendo os demais envolvidos dentro e fora do Parlamento;

- ter sido flagrado com quase 200 mil reais em selos enterrados ao lado da piscina da casa de praia.

A sorte de Macalão é não ter nascido mulher, negra, pobre e batizada Angélica Aparecida de Souza Teodoro [ler mais]. Vale lembrar: Angélica ficou encarcerada numa cela fétida do Cadeião Pinheiros, na capital paulista devido à tentativa de furto de um pote de margarina de valor de R$ 3,20. Pelo tenebroso crime, cometido num momento de desespero, pois, "não agüentava ver o filho de dois anos passar fome", ela ficou no xilindró por quatro meses, teve um hábeas corpus negado e só conquistou a liberdade com o segundo hábeas corpus impetrado no STF!

O azar de Angélica é não ter nascido macho, branca, filiada ao PTB, não ter emprego na Assembléia e não ter roubado R$ 3,3 milhões para locupletar a si mesmo e a integrantes de quadrilha, ao invés de se preocupar com a fome do filho.

A cruel matemática da divisão de classes sociais é exata: a tentativa de furto de uma margarina de R$ 3,20 para aplacar a fome do filho faminto valeu a condenação de quatro anos de xilindró para Angélica, enquanto o roubo de R$ 3.300.000,00 de dinheiro público garante a Macalão o mais amplo direito de defesa. Em liberdade. Essa situação cria uma nojenta sensação de que a Injustiça vale 1 milhão de vezes mais que a Justiça.

Mau presságio

Antonio Britto, necrológio que coleciona mortes e destruições na biografia, assumirá a presidência do Conselho de Administração do grupo Amazonas de Franca/SP, que produz componentes para calçados.

Por onde passou, Britto não deixou pedra sobre pedra.

Seria porta-voz de Tancredo após a eleição da raposa mineira no colégio eleitoral em 1985. Em lugar disso, noticiou a morte do homem.

Foi ministro da Previdência de Itamar. Milhares de velhinhos já morreram sem conhecer a cor do que ele prometeu mas nunca entregou.

Foi governador do Rio Grande e devastou a economia gaúcha, as estruturas estatais, as finanças públicas, o funcionalismo e as políticas sociais. Por algumas gerações os gaúchos pagarão o preço dos seus desatinos.

Foi presidente do Conselho de Administração da Azaléia, e a empresa fechou fábricas e destruiu mais de 6 mil empregos no rio Grande.

Tentou ser presidente da Copesul pelo consórcio Petrobrás/Brasken que adquiriu o Grupo Ipiranga. Não levou porque o governo federal vetou o nome dele.

Tentou ser pre$idente indicado do Grêmio, mas a chiadeira entre os gremistas foi tamanha que o presidente do Grêmio e patrono da idéia, o deputado Paulo Odone teve de desistir da indicação.

Mau presságio para o grupo Amazonas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A notícia órfã

Luis Nassif

Ontem o Ali Kamel publicou uma coluna na página de Opinião do "Globo", "A grande imprensa".
Sobre a cobertura do acidente da TAM, Kamel se defende: "A grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim".
"Testando hipóteses" é outro nome para falta de discernimento. Em qualquer cobertura competente, enquanto o quadro não está claro montam-se cenários de investigação, análise de probabilidade, linhas de investigação. Evitam-se afirmações peremptórias, e apela-se para a criatividade para produzir manchetes de impacto sem recorrer conclusões taxativas.
De cara, se poderiam alinhavar várias possibilidades para o acidente da TAM, que seriam o ponto de partida. Toda a cobertura seguiria esse roteiro, procurando checar a probabilidade de ocorrência de cada possibilidade ou delas combinadas. A partir daí, o Sr Fato se incumbiria de descartar algumas hipóteses e reforçar outras.
O "testando hipóteses" do Kamel consistia em bancar aposta total na Hipótese A. Dias depois, esquecer a Hipótese A e bancar toda a aposta na Hipótese B. Depois, na Hipótese C, até acertar Mas não houve acerto. A resposta final – a degravação dos diálogos na cabine – eliminou todas as hipóteses anteriores.
E aí se entra no modelo de gestão da notícia adotado pelas Organizações Globo. De alguns anos para cá resolveu-se homogeneizar o entendimentos dos jornalistas em relação aos temas de cobertura. Esse papel doutrinário coube a Kamel.
Não sei qual é a experiência de Kamel no front da reportagem. Mas foram dois os resultados. Primeiro, acabou-se com a diversidade de enfoques, marca de jornalismo plural. Segundo, perdeu-se o sentimento da rua, o sentido da reportagem. Os repórteres passaram a subordinar a cobertura aos desígnios do "aquário". Houve um divórcio dos pais – o "pai" "aquário" e a mãe reportagem – e o resultado deixou a notícia órfã.
Nem vale a pena comentar as acusações generalizantes e conspiratórias de Kamel, na seqüencia do artigo, contra os críticos da cobertura. Ele não está escrevendo para os leitores. Apenas se justificando para os donos da empresa.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Reforma política ou cosmética?

Frei Betto

Salvo honrosas exceções, eleger-se a uma função pública virou, neste país, meio de vida. Adquire-se status, posa-se de autoridade, reveste-se de imunidade, amplia-se o patrimônio pessoal, cerca-se de bajuladores...

Há quem procure escapar das malhas da Justiça elegendo-se deputado ou senador, que injustamente tem direito a foro privilegiado quando sob acusação. E não se conhece um único caso de condenação pelo Supremo Tribunal Federal.
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Macalão saiu barato

Fosse alguma pessoa com parentesco de décimo-oitavo grau com um petista que tivesse patrocinado as falcatruas que Ubirajara Macalão praticou na Assembléia Legislativa e a cobertura da mídia seria implacável contra o PT. Exauriria o PT numa hemorragia contínua.
Mas, como o ânimus moralizante da mídia anti-petista é seletivo, deu-se que Macalão saiu muito barato para o PTB. Custou quase nada. Ficou a preço de banana.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

A rebelião dos pobres: Lula e as pesquisas

Jeferson Miola

As pesquisas de opinião têm reiterado resultados muito positivos de avaliação do governo Lula mesmo após a exploração macabra de acontecimentos. Fosse o caso de governo sem autoridade política e carente de identificação no imaginário popular e estaria seriamente abalado com os ataques desencadeados.

Por mais que a mídia golpista e a oposição de direita se esforcem em manipular a interpretação dos resultados da pesquisa Datafolha do último 02/08, o fato é que nem a monumental orquestração golpista feita a partir da tragédia com o avião da TAM conseguiu abalar a popularidade do presidente Lula.

Com 48% de avaliação ótima/boa, 36% regular [portanto 84% favorável] e apenas 15% de ruim/péssima, Lula supera até mesmo a avaliação que tinha no início do primeiro mandato, quando as expectativas em torno do seu governo eram as melhores que qualquer presidente do país já tivera. Vale recordar que em abril de 2003, o mesmo Datafolha detectou 43% de ótimo/bom, 40% de regular e apenas 10% de ruim/péssimo.

Até mesmo no extrato de entrevistados que viajam de avião e que correspondem a 8% da amostra do Datafolha, o resultado pró-Lula é insofismável, apesar dos sofismas da mídia em sentido contrário: as opiniões positivas perfazem 67% [29% ótima/boa e 38% regular] contra 30% que consideram-no ruim/péssimo. Deve-se sublinhar que esses resultados parciais foram detectados junto a um segmento direta e persistentemente massacrado com uma cobertura manipulada e editorializada do acidente e que só visou culpabilizar o governo.

Apesar desses resultados, a mídia golpista insiste na tese do desgaste do governo. É aceitável ter havido algum dano na imagem do governo e do presidente Lula, porém não a ponto de apresentar fissuras na identidade e na relação de confiança mantidas com a ampla maioria da população que o apóia. A pesquisa tampouco demonstra haver quaisquer sinais de deslocamento de bases sociais de apoio do governo e do presidente Lula em benefício do bloco oposicionista de direita.

Visto por um ângulo menos factual dos acontecimentos, arriscaria dizer que o comportamento da maioria pobre e sem-mídia do Brasil produziu o "Lulismo", um fenômeno acima e à parte do próprio PT e dos demais partidos e que se orienta pela identificação direta e pessoal da figura do Lula com as amplas camadas sociais que emergiram à vida civil devido às políticas públicas postas em marcha no seu governo.

São as políticas públicas de inclusão social e de afirmação de direitos que politizam parcelas imensas da sociedade brasileira principalmente no nordeste e norte brasileiros a partir das ações de cidadania como o Bolsa-Família e outros. A retribuição popular a Lula se concretiza através do apoio entusiasmado e relativamente incondicional, insuscetível a manobras difamatórias e golpistas. A classe dominante sabe que já não manda na opinião da sua empregada doméstica, e isso a irrita profundamente. Os pobres do Brasil felizmente estão deixando de ser escravos de consciência dos seus exploradores.

O “Lulismo” está para o Brasil do século 21 como o “getulismo” esteve no século passado. Ou como o “peronismo” argentino. São fenômenos de liderança e de carisma que atravessam os tempos em que se desenrolam. São fenômenos que costumam durar muito mais que a própria época de existência de seus personagens, que acabam eternizados como mitos.

Só por isso podem-se entender as motivações odiosas e preconceituosas da direita brasileira e da sua mídia golpista. Aproveitam inclusive a dor oriunda da tragédia do acidente aéreo para atingir o presidente Lula, assim como aproveitarão qualquer questão vil para tentarem atingi-lo mortalmente. Não se conformam com a derrota eleitoral e reviram-se em tentativas de manter o país num clima permanente de terceiro, quarto, quinto turno eleitoral.

Lula confia na capacidade de estancar o golpismo da direita com o “Lulismo”. Só é uma pena Lula não governar com setores partidários historicamente identificados com a origem do “Lulismo”, deixando de integrar ao seu governo aqueles que, na primeira ocasião de conflito essencial de interesses, o abandonarão.

Como diz o ditado, “não devemos pedir água a quem quer beber nosso sangue”. A indistinção político-partidária, inclusive, é causa essencial da degeneração sofrida pelo PT e das limitações programáticas que impedem o governo de avançar mais do que conseguiu até agora.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Pergunta às professoras Yeda e Mariza

A governadora Yeda faz exatamente aquilo que se sabia que faria: o oposto ao prometido na campanha eleitoral. Jurava que não aumentaria impostos e antes mesmo da posse enviou o projeto de tarifaço para a Assembléia Legislativa. Desmentia neuroticamente o vice-governador Paulo Feijó quando ele declarava abertamente que privatizariam o Banrisul e agora, com a venda das ações na Bolsa de Valores, inicia a privatização do Banco Estadual.

Yeda também prometia a redenção nas áreas sociais com o atingimento do nirvana na educação, e agora faz exatamente o oposto aglomerando a gurizada em classes escolares que poderão ter até inaceitáveis cinquenta alunos. A isso a governadora Yeda, uma frasista de péssimo gosto, chama de "enturmação".

É de se perguntar à professora Yeda e à sua secretária de Educação, a também professora Mariza Abreu, se aceitariam aglomerar – ou na linguagem delas "enturmar" – seus filhos em lugares que se assemelham mais a depósitos humanos do que a escola.

Espetáculo de insensatez

Com a espetacularização do acidente do avião da TAM, a Câmara dos Deputados dá demonstrações lastimáveis de insensatez, de falta de ética e de absoluta falta de respeito com as vítimas, com os pilotos e com os familiares.

Não há explicação no mundo que justifique o que faz o que deveria ser um Parlamento. Com o devido perdão aos habitantes adremnenses, é de se supor que nem na nação adreM se cometeria tamanho desatino.

Liberdade de Macalão

As investigações da fraude dos selos na Assembléia Legislativa são claras a respeito do envolvimento do ex-Diretor de Serviços Administrativos Ubirajara Macalão nessas e em outras falcatruas que estão sendo investigadas.

É estranho que Macalão continue em liberdade, se não é beneficiado pelo instituto da delação premiada, dificulta as investigações, oculta demais integrantes da sua quadrilha e pode se esconder, assim como fez com os milhares de selos enterrados na beira da sua piscina da casa de praia.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Nunca nos cansamos

Jeferson Miola
A direita brasileira, lacerdista de cepa bem conhecida, continua golpista como ontem, como hoje e como sempre será. Considera seus privilégios algo sagrado, eterno e intocável. Por isso, rechaça como anti-natural a mínima ameaça a privilégios sacralizados.

Porém, essa direita revela não possuir criatividade alguma, embora vez que outra mude seus nomes de UDN para PSDB, de Integralismo para PFL para finalmente se chamar Demoscrata. Agora a direita golpista reedita uma campanha nos moldes da TFP – Tradição, Família e Propriedade, e a isso chama “movimento cívico pelo direito dos brasileiros”, resumida no eslogão “Cansei”.

A pretexto do acidente da TAM – que os promotores do “Cansei”, especialistas em aviação como são, consideram um assassinato promovido pelo governo Lula – lançam a campanha em sinal de fim de paciência e de tolerância com o que consideram o estado de “desordem, caos e corrupção” em que se encontra o Brasil.

Falam, obviamente, a respeito do Brasil deles, que não haverão de recuperar para tornar a destruir. Um Brasil patrimonializado privadamente e sorvido suculentamente por eles e seus ancestrais dominantes dessas plagas desde um tempinho imediatamente depois da descoberta, lá pelos 1500 dc.

A campanha “Cansei” carece inclusive de significado etimológico. Não é “cívica”, porque promovida por aqueles que sempre fizeram o jogo dos que nos colonizaram. Com os portugueses pilharam o país herdando riquezas e fazendo fortunas. Até a pouco tempo, quando governavam o país, foram fiéis serviçais dos interesses dos Estados Unidos, contrariando os interesses do Brasil e as necessidades do povo brasileiro.

Este movimento também não defende os “direitos dos brasileiros”, como alega. Ao contrário, tem uma composição social cujos interesses sempre são sobrepostos aos interesses e necessidades universais do conjunto dos brasileiros e brasileiras. Durante séculos sequestram direitos essenciais de vida digna e retiram quaisquer oportunidades de presente e de futuro para todos aqueles que não pertencem à sua classe. Aliás, eles pouco se importam pelos “direitos dos brasileiros”; menos ainda quando os brasileiros não optam eleitoralmente por eles.

Quando governavam o país, acobertavam toda espécie de maracutaia, impediam o trabalho independente e sério da Polícia Federal e protegiam os corruptos e os bacanas que assaltavam os cofres públicos.

Eles não se insurgiram, por exemplo, contra a inJustiça brasileira que condenou a jovem negra e favelada Angélica Aparecida de Souza a quatro anos de prisão por ter furtado um pote de margarina de R$ 3,20 para alimentar o filho faminto.

Não se tem notícias de indignação veemente de alguém deles dizendo que “cansou” com o comportamento dos seus filhos riquinhos que mataram incinerado o índio Galdino dos Santos em Brasília.

O que eles fizeram no mês retrasado quando seus filhinhos - construídos na subjetividade de que como ricos são sem-limites de poder e tudo podem - espancaram a digna empregada doméstica Sirlei Dias Pinto pela simples razão de presumirem que ela era uma puta e que por isso deveria ser banida da paisagem deles?

O negócio dessa gente que promove a campanha “Cansei” é outro. Eles não querem saber de nada “cívico” e menos ainda de “direitos dos brasileiros”, de justiça social e de democracia.

O negócio deles é negócio mesmo. Do tipo graúdo, de quem não se conforma em ter sido derrotado eleitoralmente e de ter perdido a possibilidade de continuar manietando o Estado e o orçamento trilardário para continuarem acumulando privativamente e em benefício próprio.

É por isso essa maquinação toda. Arquitetada pelos ricaços, pela Fiergs, por publicitários direitistas, mega-empresários, OAB/SP e o reacionarismo tucano-pefelento.

Eles são, na realidade, a antítese radical ao que dizem ser. Com cinismo declamam um estranho gosto pelo civismo, pelos direitos dos brasileiros, pela justiça e pela solidariedade. A começar pelo eslogão “Cansei”, egoísticamente na primeira pessoa do singular, que se contrapõe a toda a imensa maioria que nunca nos cansamos de lutar contra a opressão e injustiça existentes, até conseguirmos eliminá-las por completo.

Eles frequentam a DasLu, sonegam impostos, promovem festerês nababescos, se locupletam com os privilégios de uma acumulação privada indecente e se cercam nos seus condomínios luxuosos com medo do sábio povo que não faz quórum à sua campanha golpista.

São a exata contraposição simbólica à grande maioria humilde e digna do Brasil que frequentamos as DasPu, que nos inquietamos com a fome de quem está ao nosso lado e repartimos o pão e que acreditamos que apesar das limitações e contradições do governo que elegemos, ele é incomparavelmente melhor e faz muitíssimo mais que eles fizeram no país em todos os quinhentos anos que governaram.

Nunca nos cansaremos de lutar contra toda demagogia, toda vilania e toda a movimentação golpista que busca combater este governo eleito democraticamente, como eles já fizeram em 1964. Serão as centenas de milhões de incansáveis que garantirão a realização das mudanças ansiadas pelo povo brasileiro, e não aqueles que, mesmo provindos do serpentário da direita, hoje estão assentados na Esplanada de Brasília.

Inverno no Alto Uruguai gaúcho

terça-feira, 24 de julho de 2007

Coisas de energúmeno

A ida dos deputados Marco Maia e Efraim Filho da CPI da crise aérea aos Estados Unidos para acompanharem [sic sic sic] a apuração dos dados das caixas-pretas do avião da TAM, é no mínimo patética. Assim como também é a autorização de viagem concedida pela Câmara dos Deputados.

Os nobres deputados, fiéis exemplares de “excelências de Brasília”, não poderiam se furtar a falar tantas aberrações sobre as causas da tragédia. Com a proeza de apresentarem resultados antecipados em relação ao trabalho que foram acompanhar e sobre o qual só terão acesso depois de 24 horas de terem declarado as bobagens que declararam.

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O deputado Efraim Filho é filho do Senador Efraim Morais, aquele que presidiu a CPI golpista do fim do mundo. Os dois são DEMOS-cratas.

domingo, 22 de julho de 2007

Surreal

A condecoração da Aeronáutica à diretoria da ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil feita na sexta-feira passada é tão surreal quanto a atuação da mídia golpista e da direita brasileira em torno da tragédia com o avião da TAM.

Necrocombustíveis

Por Frei Betto

O prefixo grego bio significa vida; necro, morte. O combustível extraído de plantas traz vida? No meu tempo de escola primária, a história do Brasil se dividia em ciclos: pau-brasil, ouro, cana, café etc. A classificação não é de todo insensata. Agora estamos em pleno ciclo dos agrocombustíveis, incorretamente chamados de biocombustíveis.

Este novo ciclo provoca o aumento dos preços dos alimentos, já denunciado por Fidel Castro. Estudo da OCDE e da FAO, divulgado a 4 de julho, indica que “os biocombustíveis terão forte impacto na agricultura entre 2007 e 2016.” Os preços agrícolas ficarão acima da média dos últimos dez anos. Os grãos deverão custar de 20 a 50% mais. No Brasil, a população pagou três vezes mais pelos alimentos no primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2006.
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