quinta-feira, 31 de maio de 2007

Populistas ou “mudancistas”?

O comportamento eleitoral da população no continente latino-americano vem revelando o descolamento social em relação aos partidos e caciques políticos tradicionais. As escolhas populares têm-se dado a partir do estabelecimento de bases identitárias entre o povo e as novas lideranças políticas vinculadas a blocos históricos contra-hegemônicos.

Os fenômenos eleitorais dos últimos dez anos na América Latina demonstram que a maioria pobre do povo é tocada e sensibilizada diretamente pelas políticas públicas de Estado e pela identificação com as lideranças que as desenvolvem ou que podem desenvolvê-las.

É neste contexto que se pode notar a perda relativa de influência da mídia, da “classe média” e dos “formadores de opinião” na escolha do voto feita pela maioria do povo. O cabresto, em última instância, já não é a mesma arma do poder oligárquico como antigamente.

Os governos que surgem na América Latina, em conseqüência, deflagram a transição do neoliberalismo para modelos nacionais de desenvolvimento com justiça social. Iniciam, com o atraso de séculos, a realização de mudanças emancipatórias.

A direita do continente esperneia diante dessa realidade. Não hesita em aludir ao nascimento de uma nova geração de “populistas, caudilhos e líderes totalitários” na região.

Um importante pensador argentino, Ernesto Laclau, autor do livro “La razón populista [Fondo de Cultura Econômica, 2005]”, em entrevista ao jornal Clarín de 19/05/07 sustenta que o atendimento a demandas sociais históricas não autoriza a adjetivação preconceituosa de governos ou líderes políticos que as realizam como “populistas”.

Laclau também acredita que “a ameaça para as democracias na América Latina não vem dos ‘populismos’, mas sim do neoliberalismo”.

A entrevista do Clarín, na íntegra:

El argentino Ernesto Laclau es uno de los más lúcidos filósofos de la política contemporáneos. Autor de varios ensayos —el último de ellos, La razón populista—, sus trabajos son referentes internacionales. Vive en Londres desde hace casi 40 años y dicta clases en diferentes universidades del mundo. Esta vez llegó a la Argentina invitado por Centro de Estudios sobre Democratización y Derechos Humanos de la Universidad de San Martín para participar de seminarios y coloquios y conversó con Clarín sobre la realidad política latinoamericana.

—A partir de sus trabajos el populismo dejó de ser una mala palabra para muchos. ¿Cómo hizo?

—Hice lo que los cristianos con la cruz, que era un signo de oprobio y ellos la transformaron en algo positivo. En el sentido que yo lo planteo, populismo son las demandas de los de abajo que todavía no están demasiado inscriptas en el discurso político, pero que empiezan a expresarse. Es en ese sentido que pienso que el populismo es un fenómeno positivo. Claro que esto puede ir en sentidos divergentes, porque hay populismos de derecha o de izquierda.

—Las críticas desde EE.UU. o Europa se concentran en Chávez como adalid del populismo de izquierda.

—He estado en Venezuela el año pasado y he visto cómo se va dando el proceso en esa sociedad. Antes del momento chavista esas demandas populares no se podían vehiculizar, hoy eso es posible. Antes de la llegada de Chávez lo que existía en Venezuela era un régimen superclientelístico de gestión de la cosa pública, como en la Argentina del '30. Cuando las demandas de las bases no encuentran inscripción en los modelos institucionales normales se da la identificación con un elemento trascendente que es la figura aglutinante del líder. Eso es un rasgo general de todos los regímenes populares, no sólo en América Latina. El gaullismo en Francia era un fenómeno similar.

—¿Y el exceso de personalismo de algunos gobernantes no puede amenazar a la democracia como sistema?

—No lo creo. La amenaza para las democracias en América latina no viene de los populismos sino del neoliberalismo. Los mayores atentados contra la democracia en la región han ocurrido en regímenes como el de Videla, con Martínez de Hoz o con Pinochet y los Chicago Boys, en Chile. Lo que ocurre es que en el populismo están los dos elementos, la movilización desde abajo y la identificación desde arriba. Y lo que los discursos de la derecha tratan de decir es que sólo es la identificación desde arriba con el líder lo que cuenta y no ven el proceso de la movilización desde abajo, pero los dos elementos están en tensión. Muchas veces la identificación con el líder se confunde con autoritarismo, pero puede haber identificación con el líder y movilización de masas al mismo tiempo que aumenta la participación democrática.

—¿Qué pasaría si sobreviene una crisis en los ingresos económicos de Venezuela. ¿Podría mantenerse la actual forma de gobierno?

—Yo no sé lo que pasaría, es difícil definirlo. Cuba está recibiendo de Venezuela tanto como recibía de la URSS, y eso es una buena cosa para Cuba, porque se va latinoamericanizando en la medida en que entra dentro de este proceso más global. En los años '40 Abelardo Ramos había escrito un libro, América Latina, un país, que hablaba de la posibilidad de la latinoamericanización de un proceso económico de carácter nacional y parecía una utopía absoluta. Ahora, con la conformación del Banco del Sur por ejemplo y la ruptura con el FMI y el Banco Mundial que impulsa Venezuela y también Kirchner, a su manera, estamos en una buena perspectiva.

—Kirchner también es acusado de populista...

—Yo al presidente Kirchner lo veo positivamente; no entiendo bien el sentido de esta transición a que Cristina sea presidenta, pero de todos modos no me parece mal, ella es una dirigente dura y buena y me parece que la Argentina se está orientando muy bien en las opciones latinoamericanas. La alianza de Kirchner con Chávez es perfectamente clara en esa dirección.

—¿Y cómo ve el presente del Mercosur?

—El Mercosur es la perspectiva real para América latina de avanzar hacia una alternativa respecto de la política de EE.UU. O bien se reafirma el proyecto del Mercosur y avanzamos en la dirección de una alternativa respecto de la política estadounidense o bien lo que va a ocurrir es una cooptación de los países latinoamericanos al proyecto norteamericano. Por eso es fundamental avanzar hacia un proyecto multilateralista y que la comunidad europea consiga constituirse como entidad autónoma. Si eso ocurre, proyectos como el Mercosur van a tener una forma de integración política. Pero si no se consigue y el unilateralismo de EE.UU. se impone yo creo que ...todo verdor perecerá.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Quando é no morro, ninguém grita que é abuso

O vice-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Nino Oliveira Toldo, acha que as denúncias de eventuais abusos dos juízes federais nas Operações da Polícia Federal - uma reclamação de advogados criminalistas - não é válida.
Leia a matéria no Terra Magazine.

Paraguay no roteiro da esquerda

Interessante entrevista com Fernando Lugo, a novidade na política paraguaia, pode ser lida no saite do Brasil de Fato. Lugo é um ex-bispo que abandonou a batina em janeiro deste ano sob a ira do Vaticano e foi lançado candidato à eleição presidencial do Paraguay de 2008 pela coalizão de esquerda Tekojoja - que na língua guarany significa igualdade.

Fernando Lugo poderá pôr fim a 60 anos de domínio do Partido Colorado do ex-ditador Strossner, e assim colocar o Paraguay no roteiro de governos pós-neoliberais do continente latino-americano.

Para ler Fernando Lugo por inteiro e conhecê-lo um pouco mais, bem como as idéias de mudanças que poderão soprar no Paraguay, acesse aqui o Brasil de Fato.

As idéias não se matam

Com os cem bilhões de dólares que, em apenas um ano, caem nas mãos de Bush para continuar cobrindo de luto os lares iraquianos e norte-americanos, poderiam ser formados 999.990 médicos, os quais poderiam atender dois bilhões de pessoas que não recebem atualmente atendimento médico nenhum no mundo. É pouco ou quer mais?!?!

Com esta nova reflexão, Fidel Castro aos poucos vai re-ocupando a cena pública e seu aguardado protagonismo na geopolítica mundial. O conjunto dessa nova ópera del Comandante pode ser lida no Granma Internacional, já traduzido para o português.

A respeito do estado de Fidel, Ricardo Alarcón [Presidente da Assembléia Popular] disse nessa terça-feira que “Fidel Castro tem se recuperado muito, está marchando muito bem em sua evolução, nas suas análises de muita atualidade, e está acompanhando o que acontece no mundo e em Cuba de perto.”.


Alarcón disse ainda que Fidel voltará a exercer suas tarefas como presidente de um modo que possa assegurar que esteja mais tempo à frente de suas responsabilidades com a ilha caribenha e com o mundo.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Zuleido e comparsas não são “Angélicas”

Zuleido Veras, dono da Gautama, a motogirl de propinas Maria de Fátima Palmeira e outros funcionários da gang conseguiram hábeas corpus expedido pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal na noite dessa terça-feira 29 de maio.

Como não são “Angélicas”, precisaram de um único pedido de hábeas corpus para conquistarem a liberdade depois de sete dias de cana numa cela da Polícia Federal em Brasília.

Angélica Aparecida de Souza Teodoro, jovem negra, pobre e desempregada, presa por furtar um pote de margarina de R$ 3,20 para alimentar o filho faminto, teve três hábeas corpus recusados no Tribunal de Justiça de SP e só foi libertada depois de puxar 128 dias de cana pesada no Cadeião Pinheiros.

Só foi libertada depois do quarto pedido de hábeas corpus, então no STF. A sina de Angélica pode ser lida aqui.

Férias necessárias

Marco Aurélio Garcia [MAG], de passada por Porto Alegre rumo a férias no exterior, saiu-se com a seguinte pérola sobre as últimas derrotas eleitorais do PT no Rio Grande do Sul: “Os dirigentes que têm a hegemonia aqui devem explicações. Há uma tendência simplificadora de descarregar tudo para fora. Há problemas nacionais, claro, mas é preciso uma reflexão, sobretudo em um Estado que foi um laboratório de experiências exitosas.” [Zero Hora, Página 10].

MAG precisa mesmo de férias. Sorte que as gozará bem longe daqueles simplificadores [expressão do próprio] que fornecem asneiras sem sentido pra ele proferir. Não seria nada mal se na volta das férias o Marco Aurélio, como dirigente nacional do PT, ajudasse a buscar as explicações [outra expressão dele] a muito aguardadas sobre a desfiguração causada ao PT pelo campo do qual faz parte. Para que assim todos os petistas deixem de ser confundidos com delúbios e silvinhos land-rovers da vida.

Os homens e seus provedores

Renan Calheiros vincou aspectos de ordem pessoal, da sua privacidade nas explicações feitas no Senado. O fez deliberadamente, para pousar de vítima e para não precisar falar de questões de ordem pública, que de fato importariam à República e ao povo.

Um monumental arreglo que foi feito provavelmente salvará Renan do expurgo, evitando que tenha o mesmo destino que seu conterrâneo e ex-chefe teve, que possuía o mesmo hábito de contar com provedores de suas contas e de todas suas necessidades. Isso se a sorte também tiver sido arreglada.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Nem imprensa, nem marrom

Porto Alegre tem sido chacoalhada por fatos sérios que escapam à blindagem garantida pela mídia nativa à Administração de José Fogaça. De tão significativos acontecimentos – greve de servidores, descalabro de hospitais e manipulação de audiência pública -, a imprensa se obriga a dar relativa repercussão.

Com a exceção, contudo, de determinado saite, que represa sua conhecida sanha envenenada. Bem, mas na verdade esse não é exatamente o caso de um veículo de imprensa, o que significaria rebaixar a “imprensa” a lixo puro.

Também não é o caso de designar tal saite como “imprensa marrom”, que seria profundamente ofensivo à imagem de Alcione, a Marrom, sobre quem não se tem o menor direito de confundi-la com o abjeto.

Só se sabe que tal saite recebe patrocínios da Administração de Porto Alegre e do Estado, e que além disso seu editor se auto-proclama “jornalista”, quando ontologicamente melhor seria classificado como um ser de incontrolável ofensividade cuja personalidade salienta uma mania megalomaníaca de se tornar fonte da “grande imprensa”.

O editor e o saite ostentam uma estranha performance de gerar cinco calúnias, difamações e torpezas a cada suposta “notícia” divulgada.

Polícia só pode atuar “contra preto, pobre e puta”. Ou seja, contra “Angélicas”.

Alberto Toron, advogado de um dos réus incriminados pela operação Navalha, considera um “escracho” o trabalho da Polícia Federal, pois segundo ele, “o que se fazia antes contra preto, pobre e puta”, agora é feito contra seus clientes: brancos, ricos e apaniguados do poder.

O jurista Dalmo Dallari, ao contrário, considera injustas as críticas à PF, e diz que quando a polícia ficava prendendo pobres, ninguém via ilegalidades. Veja essa ópera inteira no Terra Magazine.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Justiça só deveria valer para 130 milhões de “Angélicas”

Por Jeferson Miola
Para a elite brasileira, a justiça só deveria ser aplicada contra as 130 milhões de “Angélicas” do Brasil. E sempre com o intuito de punir, banir e sacrificar, jamais o de julgar com decência.

Angélica Aparecida de Souza Teodoro, jovem negra, moradora da periferia da metrópole, mãe precoce desde os 16 anos, desempregada, filha de pais pobres e negros, abandonada da escola, excluída da sociedade, indefesa, seqüestrada no direito de ter futuro e desamparada pela Justiça.

Em 16 de novembro de 2005, aos 18 anos, Angélica foi encarcerada numa cela fétida do Cadeião Pinheiros, na capital paulista, juntamente com outras mulheres acusadas de cometimento de variados tipos de crimes. O motivo do encarceramento foi a tentativa de furto de um pote de margarina de valor de R$ 3,20, ocorrida num mercadinho próximo à sua casa. Esse tenebroso crime, sofisticado com o ocultamento da margarina dentro do boné que usava, foi cometido num momento de desespero, pois, segundo suas próprias palavras, “não agüentava ver o filho de dois anos passar fome”.

Angélica sofreu um julgamento célere na 23ª Vara Criminal de São Paulo, sendo condenada a quatro anos de prisão em regime fechado. Teve três habeas corpus negados pelo Tribunal de Justiça de SP [observe-se que a palavra “negados”, neste preciso contexto, parece etimológica e racistamente significar “prôs nêgos”]. Por isso, ficou presa durante 128 dias, só sendo libertada em 23 de março de 2006 depois da obtenção de um habeas corpus junto ao STJ.

Entre o pedido e a concessão do habeas corpus a Angélica, transcorreram sete dias de árduos trabalhos do STJ. Bem diferente, portanto, da agilidade daquele Tribunal em conceder liberdade a juízes, empresários e políticos brancos, endinheirados, influentes, bem relacionados nas esferas do poder, assaltantes de dinheiro público e implicados pelas operações Anaconda, Furacão e Navalha da Polícia Federal.

De qualquer modo, Angélica “reconquistou a liberdade” em 23 de março de 2006, mas em função do grave crime cometido, passaria a cumprir prisão em regime semi-aberto, tendo o dia para trabalhar e a noite a ser dormida na prisão!
A história de Angélica é a história de 130 milhões de brasileiras e brasileiros desvalidos e desamparados por razões étnicas, sociais, econômicas, escolares, raciais, de gênero ou de gerações. É a história daqueles que, em modo perverso, constituem a verdadeira República sem privilégios, favorecimentos, jeitinhos e apadrinhamentos.

Faltaram, no caso de Angélica, manifestações loquazes e insurgentes de políticos, magistrados e doutos contra a injustiça cometida. Manifestações com a mesma contundência hoje feitas por políticos, magistrados e doutos combatendo o trabalho republicano da Polícia Federal. Não atacam a PF em vão. Sabem que fazem-no com segundas intenções de desmoralizar e interditar o trabalho da instituição, pois quem determina ou relaxa prisões é o Judiciário. A polícia cumpre o que a Constituição manda: investiga, produz provas e indícios e remete ao Judiciário para julgamento.

O Brasil arcaico e patrimonialista ainda tem uma elite privilegiada ocupando o miolo do poder de Estado e que esperneia contra o esforço de modernização e republicanização do país. Esta elite que reluta ferozmente contra toda e qualquer ameaça aos interesses e privilégios acumulados. Protege-se numa genuína solidariedade de classe e espírito de corpo. Para essa elite, a Justiça só pode ser aplicada nos da classe de baixo, quando for para criminalizar e condenar 130 milhões de Angélicas. Uma elite que se considera intocável, insuscetível à Lei de Todos.

O Ser e o Blog

As infinitas criações de formas e possibilidades de expressão atuais não são afeitas a mergulhadores de águas profundas. Os blogs que se proliferam feito baratas no lixo, por exemplo, ainda que anunciem uma possibilidade democrática maior, têm o poder de pulverizar, além de envelhecer, qualquer idéia em poucas horas.Para ler a crítica completa de José Pedro Goulart sobre o fenômeno da “blogsfera”, clicar aqui.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Uma Generala Libertadora nas Américas

Neste 24 de maio, o Presidente do Equador Rafael Correa promove póstumamente Manoela Sáenz ao cargo honorífico de Generala do Equador [Ler mais]. Esta mulher, uma lutadora anti-colonialista e anti-imperialista, em dezembro de 1824 recebera o grau de Coronel do Exército Colombiano em recomendação feita por Mariscal Sucre em carta dirigida ao Libertador Simón Bolívar:

Se ha destacado particularmente Doña Manuela Sáenz por su valentía; incorporándose desde el primer momento a la división de Húzares y luego a la de Vencedores, organizando y proporcionando avituallamiento de las tropas, atendiendo a los soldados heridos, batiéndose a tiro limpio bajo los fuegos enemigos; rescatando a los heridos. ... Doña Manuela merece un homenaje en particular por su conducta; por lo que ruego a S.E. le otorgue el grado de Coronel del Ejército Colombiano. Ayacucho. Frente de Batalla, diciembre 10 de 1824.

Nossos vizinhos e irmãos latino-americanos têm feito um esforço de reconstrução da própria memória e história. Além disso, a condecoração de Manoela Sáenz tem grande significação para luta pela emancipação das mulheres, e ajuda a revelar o protagonismo decisivo das mulheres nas lutas libertárias em todo o mundo e em todos os tempos.

A quem serve o atual modelo econômico?

Desde a adoção do Plano Real, bancos e corporações estão exaurindo a economia brasileira e obtendo ganhos fabulosos sob a forma de juros, lucros e dividendos. Ainda agora pagamos no cartão de crédito juros com taxa superior a 10% ao mês, taxa inaceitável em qualquer país civilizado. No entanto, aqui, o Banco Central, fiscal do setor bancário, omite-se sobre esse abuso em nome da liberdade de mercado. Leia o artigo de Ceci Juruá na íntegra clicando aqui; quando solicitado senha, digite ceci.

Resposta indígena ao Papa Bento XVI

Durante o périplo realizado no Brasil, o Papa Bento XVI revelou vários ângulos do reacionarismo anacrônico da Congregação da Fé [sucedânea da Inquisição]. Negou o genocídio praticado pela Santa Fé contra as populações indígenas e destacou que a “evangelização” foi “uma obra” difundida “sem imposição” aos índios nativos do continente latino-americano.

A resposta ao Papa, dada pela Confederação dos Povos de Nacionalidade Kichwa do Equador [a mais numerosa que faz parte da CONAE – Conselho de Nacionalidades Indígenas do Equador] foi contundente: “Ya no es la hora de nuevas y renovadas conquistas en nombre de nada. Rechazamos las coincidencias políticas, y religiosas que existen entre Bush y el Papa para criminalizar las luchas de los pueblos oprimidos.”. Ler na íntegra.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Submarino inglês

Em nova reflexão, que pode ser lida no Granma traduzida ao português, o Presidente Fidel Castro faz uma comparação entre a mais recente criação bélica inglesa e as exigências humanas contemporâneas que poderiam ser satisfeitas com os investimentos da indústria armamentista. Diz Fidel: “Para isso, ou para o holocausto da espécie, é para o único que serviria seu maravilhoso submarino”.

Quando o Judiciário não deixa fazer justiça

As operações da Polícia Federal podem dar com os burros n’água se os vigaristas endinheirados e engravatados continuarem se valendo de ardis legais para gozarem de privilégios.

De nada adianta o eficiente trabalho da PF de desbaratamento de quadrilhas que saqueiam recursos públicos se na ponta final dos processos - no Judiciário -, são valorizadas “tortuosidades” jurídicas que permitem aos réus presos em flagrante disporem de foro privilegiado, terem prisão revogada e gozarem de outras regalias.

O Judiciário, que valoriza tanto as filigranas técnicas e formais que acabam permitindo a soltura dos vigaristas endinheirados e engravatados deveria, ao contrário, se valer dos mínimos detalhes previstos na lei para aplicar com justiça e severidade as penas da lei, independentemente da condição social, econômica ou funcional da pessoa implicada.

A atuação das mais altas instâncias do Judiciário é decepcionante, a pretexto da alegação de seguirem a lei. Na verdade, o STF e o STJ atuam na proporção inversa ao sentimento estupefato e indignado da sociedade brasileira com os fatos revelados. A cada dia a injustiça marca ponto com a soltura em escala industrial dos quadrilheiros presos em flagrante.

O Brasil só se tornará uma república verdadeira quando o sonho de justiça for realizado. Este sonho não se realizará sem a profunda transformação do Sistema e do Poder Judiciário do país, principalmente quando se sabe que foi comprometido nos escândalos recentes e cuja atuação leniente produz uma cultura de impunidade, de favorecimento e de injustiça.

Ministro gaúcho do TCU é citado em diálogo de vigaristas

O Ministro gaúcho do TCU, Augusto Nardes, que frequentemente ocupa os principais veículos da mídia gaúcha papagaiando postura diligente e austera de fiscalização do governo Lula, é citado em diálogo entre os vigaristas Paulo Magalhães e Zuleido Veras.

Zuleido Veras é o empreiteiro quadrilheiro que manipulava licitações e superfaturava obras com o auxílio de governadores, agentes públicos, políticos e empresários, a quem retribuía com generosos presentes.

O deputado Paulo Magalhães recebeu 20 mil reais de propina do empreiteiro [o que foi divulgado até agora] , é um Demo e sobrinho de ACM, que considera “insignificante” seu sobrinho ter recebido a pequena quantia.

No diálogo, divulgado no dia de hoje, o empreiteiro revela a tática da quadrilha no TCU, pedindo vista para evitar que um processo desfavorável à empresa Gautama fosse julgado. Segundo o publicado, tudo aconteceu como premeditado pelo chefe da quadrilha, com um Ministro do TCU pedindo vistas e o processo sendo aprovado posteriormente.

O diálogo:

Zuleido: Tamos pedindo vista.

Paulo: Tá bom.

Zuleido: Quem deve pedir é Nardes ou coisa assim, tá? Ou então Guilherme. Tamos já na berlinda ... Mas vai ser resolvido, vai ser resolvido. Agora, é bom dar um pulinho lá... Olha meu amigo, não faça mais isso.

Paulo: Lógico, eu não vou dar atestado a ele.

Zuleido: É não faça mais isso com a gente não. Porque a empresa é minha.

Paulo: P...

Zuleido: Não faça mais isso com a gente não porque a empresa é minha, pode dizer assim...
*** ***
Adendo: será o folgoso Ministro Nardes entrevistado em conhecido programa vespertino de rádio para dar suas explicações?

terça-feira, 22 de maio de 2007

Justiça e Política Externa tornam crível a idéia de uma República

Em duas áreas em que o Estado tem monopólio de atuação vêm se processando reformas de caráter republicano e modernizador. São reformas que se concretizam sem estardalhaços, sem traumas e sobrevivendo aos habituais combates odiosos da oposição contra o governo. E que têm prescindido de mudanças no arcabouço jurídico-constitucional do país, pelo menos no estágio em que se encontram.

A forma de condução e a compreensão estratégica de longo prazo dos seus operadores são características que têm assegurado êxito na implementação dessas reformas, imprescindíveis para a nação e para a sociedade brasileira. É o que vem acontecendo em relação à Política Externa e aos assuntos da Justiça, vista sob a jurisdição do Poder Executivo. Para ler o artigo integralmente na Carta Maior, é só clicar.

Com a Navalha da PF, até o Silas rodou

segunda-feira, 21 de maio de 2007

No Império, crítica e divergências são crimes

Michael Moore, cineasta estadudinense que marca sua produção cinematográfica por uma crítica dura e sarcástica ao modo de vida nos Estados Unidos e ao “regime” de George W. Bush, reconhece que deverá enfrentar uma “tempestade” no retorno ao país após a viagem de apresentação do seu último filme, Sicko, no Festival de Cannes.

O motivo da “tempestade” é a alegação de que ele violou o embargo dos Estados Unidos a Cuba, pois viajou de lancha até Guantánamo [território dos EU em Cuba] e após para Havana [território livre], onde realizou filmagens com voluntários dos resgates à torres gêmeas de 11 de setembro de 2001 que, doentes, não recebem tratamento de saúde no seu país. Sicko, expõe as deficiências do sistema de saúde pública nos Estados Unidos.

Miseráveis – A estética da dor

Miseráveis – A estética da dor é a maravilhosa exposição de Arminda Lopes que acontece no MARGS até o dia 24 de junho.

Com qualidade técnica exuberante e própria de uma artista que aprendeu com Vasco Prado, Leila Sudbrack e outros mestres, a mostra é uma exibição do cotidiano urbano e suas paisagens compostas de humanos que são desumanizados por um sistema injusto e cruel.

Concebidas em linguagem direta e realista, as dez esculturas da artista são obra e denúncia. É uma exposição simplesmente imperdível.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Privatização do Araújo Viana

Em conversa com BiruTaDoSuL sobre a entrega do auditório Araújo Viana para uma empresa explorar, o ex-Secretário de Cultura de Porto Alegre, Vitor Ortiz, fez as seguintes observações:

O governo municipal deveria solucionar diretamente o problema do Araújo Viana, pois é um equipamento público e, além disso, importantíssimo para a cidade. Se não tivesse orçamento próprio, deveria ter priorizado a recuperação do Araújo através da busca de mecanismos alternativos, como as leis de incentivo, linhas do BNDES e outros canais que poderiam ter sido utilizados.

A opção do governo atual não pode ser vista de outra forma senão a da privatização. Quem passará a programar e principalmente comandar a programação, o tipo de uso e o público freqüentador do ex-espaço público serão os interesses privados. Ninguém seria louco de fazer um investimento de aproximadamente 10 milhões de reais sem esperar um retorno ainda maior.

Esta decisão reflete com muita clareza o deliberado afastamento da PMPA de seus compromissos com o desenvolvimento cultural da cidade e com a inclusão dos portoalegrenses neste contexto. Essa tendência é absolutamente inversa à tradição construída por várias gerações anteriores.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Em Guantánamo é pior

Fotografia da AP registrando soldados do exército dos Estados Unidos no Iraque abordando “supostos” insurgentes.

terça-feira, 15 de maio de 2007

O Fórum Social na encruzilhada

Com um artigo reflexivo sobre o estado das artes do Fórum Social de Porto Alegre após as sete edições mundiais até aqui realizadas, o cientista político Walden Bello, que também é integrante do Conselho Internacional do FSM, abre de maneira muito positiva o debate sobre o papel do Fórum e as perspectivas de futuro para o movimento altermundista.

Esta análise destoa de algumas posturas patrimonialistas que vicejam nas instâncias brasileiras e internacionais do Fórum, que ao invés de se dedicarem ao esforço aberto e democrático de reflexão sobre o processo e seus desafios, andam em círculos com atestados genéticos de paternidade. Além de atuarem na retranca contra posições que possam balançar o “cartório”.

O atual estágio de desenvolvimento do Fórum é propício para a realização de retrospectivas sobre o processo e de projeção de estratégias, políticas e funcionamento ajustado aos complexos desafios mundiais. Para ler o artigo de Walden Bello, clique aqui. [quando solicitado, digite a senha "walden" para acessar o arquivo]

Depoimento à feição

Ao que parece, o governo finalmente aceitou fazer o depoimento do presidente do Banrisul na Assembléia Legislativa depois de garantir que fosse na Comissão de Finanças, sob presidência do tucano Marquezan Júnior e não na Comissão de Serviços Públicos onde, por coerência e pela oitiva já realizada com o vice-governador, deveria ocorrer.

Conflitos e atritos como constantes

O governo de Yeda CrusiusCredo se notabiliza como aquele que coleciona inúmeras crises desde antes mesmo de tomar posse. Nesta semana, ao realizar as rotineiras e periódicas substituições no secretariado, a governadora criou dois novos problemas, ao invés de acertar na solução.

A escolha do ex-deputado Coffy Rodrigues para a Secretaria de Obras acirra ainda mais os ânimos no PDT, porque sôa a provocação pura ao partido que saiu do governo após a demissão do Secretário de Segurança e devolveu os cargos à governadora.


Ao escolher o procurador do Ministério Público para a Secretaria do Meio Ambiente, o governo inevitavelmente permite que se aluda, desse fato, a tentativa de facilitar interesses governamentais - leia-se das plantadoras de eucaliptos e das corporações empresariais - junto aos órgãos ambientais e jurídicos do [e de] Estado.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Deputado Raul Pont é um elogio à corência política

O deputado Raul Pont, líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa gaúcha, se manifestou contrariamente ao aumento automático dos salários dos deputados estaduais em decorrência do aumento que concederam a si próprios as Suas Excelências federais [postagens anteriores].

O deputado Raul disse: “não temos condições éticas e nem morais para fazer este automatismo”. E defendeu a votação em plenário, ao invés do simples ato administrativo da incorporação automática de mais 29% nos próprios salários:

Do nosso ponto de vista, qualquer aumento salarial para os deputados estaduais terá de ser discutido e votado em plenário. Não há nenhuma condição de aceitarmos este reajuste, mesmo sabendo que o percentual é relativo a índices inflacionários dos últimos quatro anos. Este aumento contrasta com a proposta de reajuste de 3,3% no piso regional oferecida pelo governo estadual.”

O deputado Raul Pont [PT/RS] é um notável exemplo de coerência política contra os privilégios, as injustiças e as desigualdades. É um elogio a uma forma digna de fazer política. Não só hoje, mas em todo o seu longo percurso político.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Privilégios em cascata

A decisão de Suas Excelências federais tem efeito cascata para praticamente todos os legislativos do país, de Câmaras de Vereadores a Assembléias Estaduais, que têm os salários dos edis vinculados aos de deputados federais.

Os deputados estaduais gaúchos a algum tempo agem matreiramente, se precavendo do constrangimento e desgaste de terem de votar aumentos salariais, tendo seus ganhos fixados automaticamente em 75% do que recebem Suas Excelências federais. Com isso, passarão a ganhar 12.384,06 reais ao mês.

Com um detalhe: a aplicação do aumento é automática, a frio, num simples ato administrativo, sem discussão em plenário e sem as vistas da sociedade e da imprensa. Engana-se quem pensa que a vida de Suas Excelências de lá e de cá é fácil: engendrar jeitinhos para manter privilégios dá muito trabalho e consome tutano ...

Quando privilégio e impunidade se parecem a mesma coisa

Suas excelências, os deputados federais, aumentaram ontem em 28,5% os próprios salários, que passam para 16.512,09 reais. Na mesma sessão também aumentaram os salários do Presidente da República e dos Ministros de Estado, que passam respectivamente para 11.420,21 e 10.749,02 reais.

A medida tem vigência a partir de 1º de abril, portanto Suas Excelências receberão retroativamente as diferenças havidas. Com o aumento nos salários, suas excelências atenuam a condição de heróis sacrificados dos Ministros de Lula.

Suas Excelências na verdade se mobilizam forte desde o final do ano passado para aumentarem os próprios salários em 91% [abordado em dez 2006 por BiruTaDoSuL nos artigos “A deformidade dos salários” e “Deputação ou Depravação?”, clicar para lembrar] para passarem a receber o mesmo teto do Poder Judiciário, de 24.500 reais.

Ao invés de aumentarem os próprios salários para 16 mil reais, Suas Excelências deveriam propor seu congelamento e vincularem qualquer novo aumento a determinado número de salários mínimos.

Nos dias atuais, de descrédito e desgaste do Parlamento, do Poder Judiciário com membros implicados com a máfia da jogatina gozando de leis especiais, privilégio e impunidade passam a impressão de serem a mesma coisa.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Vitória de Sarkozy revela ocaso de certa “esquerda”

A França, a velha e exemplar França que desde séculos ilumina o mundo com as luzes da liberdade, da igualdade e da fraternidade, já não vem conseguindo emitir os mesmos sinais reluzentes do passado.

Aquele país da Revolução Francesa, da Marselhesa, da Resistência ao nazismo e, menos remotamente, a França do Maio de 68, parece confirmar seu ocaso diante da onda de direita que assoma também em outros países europeus.

A eleição do direitista Nicolas Sarkozy na França expõe de maneira ainda mais clara o atual contraste entre os contextos sócio-políticos da Europa e da América Latina. Enquanto no continente latino-americano fervilham experiências de governos progressistas e de esquerda, na Europa as tensões e insatisfações sociais não têm se traduzido automaticamente em avanços políticos e eleitorais para a esquerda partidária. Ao contrário e contraditoriamente, a crise no velho continente tem beneficiado as tradições ideológicas da direita – em alguns casos os setores mais xenófobos.

A situação eleitoral que se desenha na Inglaterra não se afasta desse marco geral, com a tendência de desfecho favorável ao conservadorismo mais duro em substituição a Tony Blair, em que pese as razões para o esgotamento da política pseudo-socialdemocrata serem de recorte crítico e progressista, como as questões sociais, de emprego e a forte crítica à participação inglesa na guerra do Iraque.

A terceira derrota presidencial sucessiva que sofre o Partido Socialista Francês [PSF] desde 1995 – quando não fez a sucessão ao governo Mitterrand -, produzirá profundas mudanças na agremiação. Sob outro ângulo, a derrota do PSF, assim como a iminente dos trabalhistas ingleses, acelera o enfraquecimento dos setores tidos na Europa como de esquerda [mais devido à nomenclatura adotada que aos programas: socialistas, trabalhistas, verdes, social-democratas, etc], que ao longo das experiências nos governos executaram essencialmente planos neoliberais.

De outra parte, o conjunto dos agrupamentos da verdadeira esquerda – na Europa designada como esquerda radical – alcançou ao redor de 10% nesta eleição na França. Este setor antineoliberal que se referencia no ideário do Fórum Social Mundial teve um crescimento de 30% em relação à última eleição francesa, tendo como grande revelação o jovem carteiro de 33 anos, Olivier Besancenot, que participou da segunda disputa presidencial pela trotskista Liga Comunista Revolucionária [LCR] e foi o mais votado dentre todos os candidatos da esquerda.

Mais além da legítima preocupação com o ascenso de um reacionário ao governo francês, é preciso enxergar o processo em curso sob outro ângulo que ajude a desvelar o fenômeno europeu da perda de influência dos partidos políticos centristas que convergem à direita para se transformarem em sócios bastardos do neoliberalismo. A esquerda francesa, herdeira legítima do Maio de 68, se souber atualizar seu programa e ampliar a audiência na sociedade sem perder a identidade, poderá acumular forças e energias para se tornar opção real de poder democrático e popular em médio prazo.

Na América Latina avançam projetos que poderão fazer avançar o processo de integração continental no rumo de importantes mudanças geopolíticas. Esse é o espírito de iniciativas como a Alternativa Bolivariana para as Américas – ALBA e o Banco do Sul, por exemplo. É com a radicalização de projetos democráticos e populares em cada país latino-americano e na consolidação de uma América integrada e livre que poderemos inflamar o velho continente com as melhores aspirações de mudanças pela esquerda.

A história tem mostrado que tanto lá como aqui o mimetismo neoliberal pode ser fatal para as aspirações estratégicas da esquerda.

terça-feira, 8 de maio de 2007

“toda idea siniestra debe ser sometida a críticas demoledoras sin concesión alguna”

E poder-se-ia agregar a esta frase do Fidel: "toda persona siniestra y arrogante también debe ser sometida a las mismas críticas demoledoras sin concesión alguna

La tragedia que amenaza a nuestra especie [reflexões de Fidel Castro, publicadas no Granma]

No puedo hablar como economista o como científico. Lo hago simplemente como político que desea desentrañar los argumentos de los economistas y los científicos en un sentido u otro. También trato de intuir las motivaciones de cada uno de los que se pronuncian sobre estos temas. Hace sólo 22 años sostuvimos en Ciudad de La Habana gran número de reuniones con líderes políticos, sindicales, campesinos, estudiantiles, invitados a nuestro país como representantes de los sectores mencionados. A juicio de todos, el problema más importante en aquel momento era la enorme deuda externa acumulada por los países de América Latina en 1985. Esa deuda ascendía a 350 mil millones de dólares. Entonces los dólares tenían un poder adquisitivo muy superior al dólar de hoy. Clique para continuar a leitura.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Novas dificuldades para o Império

As dificuldades militares dos Estados Unidos não são restritas ao Iraque, embora as atenções da mídia internacional mirem quase exclusivamente aquela área de conflito bélico em que está metido o império.

No Afeganistão, a situação de descontrole é cada vez maior, e crescem os movimentos de oposição tanto armada quanto política ao regime manietado pelo governo estadudinense com o o apoio da OTAN, como também as redes terroristas – Al Qaeda à frente – começam a reconstruir sua capacidade logística e operacional.

Na realidade, o governo Bush teve de “compartilhar” na marra o gerenciamento do conflito no Afeganistão com os países-membros da OTAN para se dedicar crescentemente à situação iraquiana, que a cada momento passa a etapas mais complexas e incontroláveis.

Immanuel Wallerstein, em artigo publicado no La Jornada, lança a hipótese de que dias ainda piores poderão advir para o império no Afeganistão. E lança a pergunta: ذEs Afganistán la siguiente derrota?” [clique para ler]

Confúncio no Planalto

Preparem-se todos para a viagem rumo ao idílio: em muito breve o filósofo Roberto Mangabeira Unger, o Confúncio americano-brasileiro, desembarcará no Planalto para ser Ministro da Secretaria de Ação de Longo Prazo.

Mangabeira Unger é o pensador - como gosta de se auto-definir - que em 2006 fez côro ao espírito golpista da direita escrevendo o artigo “Pôr fim ao governo Lula” [sic], no qual afirmou que “o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional” e que Lula seria “avesso ao estudo e ao trabalho”.

Hoje, porém, Mangabeira diz que aceita o convite de Lula para participar “dessa obra de transformação”. Ele deve ser referir, presumivelmente, ao governo Lula, que só será considerada uma “obra” de “transformação” a partir de agora, quando ele passará a integrar o mesmo governo que já foi, na própria opinião, “o mais corrupto de nossa história nacional”, capitaneado por aquele que é “avesso ao estudo e ao trabalho”.

A presença do filósofo na condução dos assuntos estratégicos e de longo prazo da República seria hilária [na parte que toca a ele] não fosse trágica - porque afetará a todos nós, os tementes da Planície. Em entrevista à Folha de hoje, revela-se admirador do “talento analítico de Daniel Dantas”, aposta no potencial da auto-ajuda da “classe média emergente” e revela a presunção de que desempenhará um papel messiânico na política brasileira.

A função de Messias
Definindo a si próprio como “pensador e cidadão” [nessa ordem], o filósofo profetiza que “temos de dar instrumentos à energia dispersa e frustrada do país” ..., “que transforme em flexibilidade preparada o espontaneísmo inculto do nosso povo”. Tóing!

O filósofo também divaga que “se nós olharmos embaixo, para essa classe média emergente, temos uma nova forma associativa e de auto-ajuda no Brasil, que o país não vê”. Só o olhar profundo do filósofo consegue enxergar “embaixo” uma “classe média emergente” altruísta e solidária e não o imenso e real pobrerio do país.

O oráculo da política
O filósofo, que fez parte em 2005/2006 da pior onda golpista desencadeada pelo udenismo que serviu para ao menos demonstrar a higidez institucional do país, defende a diminuição da “dependência das mudanças em relação às crises”, e ensina que “conseguiremos isso por meio de uma democracia de alta energia, mudancista”. Tóing! Tóing!

Tal democracia “de alta energia, mudancista”, contudo, não contempla plebiscitos e referendos. Sentencia o filósofo: “É um erro confundir democracia mais participativa com democracia plebiscitária. O plebiscito isoladamente e uma grande democratização da informação e da participação nos processos decisórios sempre trazem o risco do cesarismo.”. Democracia sim, do tipo que permite que se case com quem quiser, desde que seja com ... Maria ...

Um emissário do Norte
O espírito de doação do filósofo, que renunciará ao salário mensal de quase cinqüenta mil reais por mês [afora polpudas consultorias, como as que prestou ao Daniel Dantas] ganhos na Universidade de Harward, fica ainda mais evidenciado quando se sabe que aqui se tornará um “herói” [como Lula chama seus abnegados Ministros] que receberá somente oito mil reais por mês.

Mas ele virá, trazendo consigo o propósito de consertar o Brasil e conferir ao país um sentido de futuro, apesar de considerar que “as instituições políticas, econômicas e educacionais do Brasil são de uma rigidez mortífera.”.

Os colegas dele, segundo o próprio, estão exultantes com a empreitada que assumirá no país-laboratório chamado Brasil. O filósofo diz que “estão todos querendo que aconteça alguma coisa, querem uma alternativa.”. Decerto agora as coisas vão ...

Harward, a Universidade onde o filósofo ensina, é o centro moral e teórico dos badboys do neoliberalismo mundial. O candidato tucano-pefelista Alckmin, aliás, passa uma temporada de estudos por lá.

*** ***

Por todas essas, e apesar de todas essas, é necessário continuar acreditando que “a vida é bela”, como disse Trótski em seu testamento político, e “que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e possam gozá-la plenamente.”. Infelizmente a realidade, nem tão bela, insiste em revelar a tragédia do pragmatismo e do cretinismo.

sábado, 5 de maio de 2007

Hércules 56 acontece na bela e doce capital

Com o apoio do IDEA – Instituto de debates, estudos e alternativas de Porto Alegre e outras instituições e patrocinadores, acontece a pré-estréia do documentário Hércules 56 na bela e doce Porto Alegre na próxima sexta-feira, 11/05.

Após a sessão de exibição, que iniciará as 19 horas, haverá um debate-depoimento com a participação de Ricardo Vilas, Flávio Tavares e o diretor Sílvio Da-Rin.


O documentário reporta a passagem do seqüestro do embaixador estadudinense Charles Elbrinck, arquitetado e executado por ativistas do MR-8 e ALN em setembro de 1969, durante a ditadura militar no Brasil.


Para a soltura do embaixador, as organizações exigiam a publicação de um manifesto [cuja redação incumbiu ao Franklin Martins], a libertação de 14 militantes políticos e a garantia de saída dos mesmos do país rumo ao exílio.


Dentre os ativistas políticos trocados, figuravam personagens ainda vivos e que atuam na política, nas artes e na cultura no Brasil de hoje, como Vladimir Palmeira, Ricardo Vilas, Flávio Tavares, Franklin Martins, José Dirceu, Fernando Gabeira e outros.


Hércules 56, que inspira o nome do filme, é o modelo do avião da FAB que transportou os militantes que tiveram a nacionalidade cassada e iniciaram um longo exílio a partir do desembarque no México.


A possibilidade de estrear o Hércules 56 nesta data na capital gaúcha foi se concretizando à medida em que programávamos a agenda de Ricardo Vilas em Porto Alegre [clicar], visando justamente condensar atividades comuns entre si, como o cinema, a música, a história e a política.


Ricardo é um dos nove militantes remanescentes daquela experiência, e foi o mais jovem dentre todos. Ele prestou depoimento para o filme-documentário, que relata os lados complexos da existência desterrada, de resistência, no exílio, da luta, da tenacidade e da saudade.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

O que fazer com tanto dinheiro? Pode ser o Banco do Sul.

Em artigo, Theotônio dos Santos [clicar para acessar] demonstra o contexto favorável para a viabilização do projeto de Banco do Sul, em gestação entre os governos dos principais países da América do Sul. Além da situação geopolítica muito favorável no continente, as condições econômicas e financeiras também favoreceriam a implementação do projeto.
Dias atrás o economista Paulo Nogueira Batista Júnior, em outro artigo, também destacava estas condições.

Acontece na bela e doce Porto Alegre ...

O cantor e compositor Ricardo Vilas há vários anos divide sua carreira entre a França e o Brasil. Em maio deste ano, ele estará em Porto Alegre apresentando seu mais novo disco, Meu Caro Amigo. O CD, 24º álbum de sua carreira, traz participações e acompanhamentos de Wagner Tiso, Francis Hime, Lenine, Teca Calazans e outros músicos.
Ricardo Vilas fundou e integrou o Momento Quatro com Zé Rodrix, David Tygel e Maurício Maestro. O grupo defendeu com Edu Lobo a vitoriosa Ponteio no Festival da TV Record em 1967.

Após ser exilado em 1969, Ricardo percorreu um rico caminho como compositor e intérprete na Europa, ao lado de Teca Calazans e de outros grandes músicos. Na volta ao Brasil nos anos 80, ele dirigiu o Globo de Ouro, foi diretor musical do Sítio do Picapau Amarelo e produziu trilhas sonoras para várias novelas da TV Globo. Também teve músicas suas gravadas por intérpretes como Simone, Angela Maria, Nana Caymmi, Joyce, Sa & Guarrabira, Claude Nougaro.
Atualmente Ricardo faz mestrado em etnomusicologia na Universidade de Paris 8, onde estuda as conexões entre música e política no Brasil. Aliás, política é um assunto que sempre mobilizou o compositor. Militante desde a juventude nos anos 1960, fez parte do grupo de jovens ativistas que foram trocados pelo embaixador estadudinense Charles Elbrinck em 1969 e que tiveram como destino um longo exílio no exterior. Além de Ricardo, estavam no avião Hércules 56 da FAB que rumou ao México outros ativistas políticos como Fernando Gabeira, Flávio Tavares, Vladimir Palmeira, Franklin Martins e José Dirceu.
A presença de Ricardo Vilas em Porto Alegre recebe o apoio do
IDEA – Instituto de debates, estudos e alternativas de Porto Alegre
, da Adufrgs – Associação dos Docentes da UFRGS e do Sindbancários de Porto Alegre.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Aprendiz da truculência

O governo de Yeda CrusiusCredo se notabiliza por muitos ineditismos não só de maus feitos políticos como de hábitos políticos truculentos. Daria para fazer um rosário de considerações a respeito, o que não é o propósito na presente ocasião.
O Secretário Estadual de Planejamento, Ariosto Culau, fiel ao estilo “cirurgia a frio” da governadora, se saiu com essa sobre sua colega de secretariado Vera Calegaro, que está ameaçada de demissão:
Na área de meio ambiente, o governo espera muito mais, espera que se tenha uma visão de desenvolvimento sustentável e não só de defesa única e exclusiva dos recursos ambientais. A Vera é altamente qualificada, mas se esperava outro papel da secretaria.
- Não tem free-lancer no governo. Ou se compromete com o projeto, ou sai.
” [extraído da coluna de Rosane de Oliveira].
O Secretário, um jovenzinho tecnocrata afeiçoado ao estilo “mando e desmando” lá “das Brasília”, com sua atitude mais realista que a Rainha, cresce no conceito do governo estadual.
Com o ascenso da truculência, desce a civilidade política.

Rendida às chantagens

O assunto da demissão da Secretária do Meio-Ambiente do RS revelou pelo menos três aspectos graves:
i] a rendição de Yeda às chantagens feitas pelas mega-empresas do eucalipto, à revelia das normas, proteções legais e zoneamento ambiental, e

ii] o dano de Yeda à imagem do Ministério Público, pois o convite ao procurador de justiça para a titularidade da pasta do Meio-Ambiente, na forma e nas condições em que se deu, se assemelha a uma tentativa de adulação da instituição – outra vez para atender às chantagens das mega-empresas;
iii] o desprezo de Yeda pelas instituições de Estado, como a FEPAM, novamente para corresponder às chantagens das mega-empresas.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Biocombustiveis: relatório da FAO aponta riscos à segurança alimentar

Para que o debate estratégico sobre os biocombustíveis não se restrinja ao duelo entre os puro-ideológicos que são contra e os xiita-religiosos que são a favor, vale ler notícia sobre o relatório preocupado da FAO, entregue ao Presidente Lula quando da sua recente estada no Chile, final do mês passado.
A notícia pode ser lida no saite último segundo, clicando aqui.

Prestígio de palanque

Há quem aprecie, por muitas razões e dentre as importantes a vaidade e o exibicionismo, subir em palanques - sejam de comícios, manifestações públicas, assembléias ou shows artísticos. Em algumas bandas, estar no palanque é demonstração de prestígio. E, como se sage, goza de prestígio aquele que é prestigiado no seu habitat.
O sinistro - e não menos presitigiado - Delúbio Soares esteve lá, no palanque da CUT em comemoração ao 1º de Maio em São Paulo.
Logo ele, que não faz nenhuma falta, não faltou ao 1º de Maio ...

terça-feira, 1 de maio de 2007

Só falta você

Tá certo que os tempos são outros e que em lugar de discursos radicais, do rock e pop rebelde e de multidões empunhando bandeiras e reivindicações as celebrações do 1º de Maio tenham se transformado em chacretes animadas pelo pagode do Bráulio ou outros do gênero.
Mas bem que o Lula poderia ter participado das festividades em São Bernardo do Campo. Se tivesse dado uma esticadinha depois do enterro do Otávio Frias e permanecido em São Paulo desde a tardinha de segunda-feira [30/04], encontraria tempo para tanto.

É a primeira vez, desde 1979, que Lula deixa de participar da missa em São Bernardo alusiva ao dia internacional do trabalhador. Na verdade, em outra ocasião - em 1980, preso pela ditadura militar - também se ausentou da missa, porém sua família o representou.
Da primeira vez que participou da missa como Presidente da República, em 1º de Maio de 2003, Lula fez as seguintes declarações:
"Podem ficar certos de que a cada 1º de Maio eu estarei aqui, nesta igreja, neste mesmo horário, para, a cada ano, ir prestando contas das coisas que nós vamos fazer"
"Quero dizer a vocês, companheiros da Pastoral Operária, que podem ficar certos que todo 1º de Maio, às 9 horas da manhã, o presidente da República estará aqui para prestar contas do que estamos fazendo neste país".

Sinais de que os tempos são outros e de que o 1º de Maio no século XXI em nada lembra o passado.

Privilégio de Excelência

Se depender da vontade pessoal e da pressão da família, o ministro do Superior Tribunal de Justiça [STJ] Paulo Medina pede aposentadoria e assim passa a receber integralmente um dos salários mais altos do setor público no país - 23,2 mil reais.
O privilégio em questão é para alguém que, no cargo de Ministro do STJ, facilitou as coisas para a máfia do jogo dentro da instituição, concedendo sentenças judiciais favoráveis aos interesses do crime organizado.
Não bastassem os fartos indícios já existentes, foram publicadas hoje gravações em que Sua Excelência cometia outra irregularidade, de antecipar voto em julgamento e orientar advogado de réu a respeito de procedimento a ser adotado em julgamento de seu interesse na Côrte.
Se não houver nenhuma ação política e jurídica, é bem possível que tudo acabe da forma de sempre: o Brasil terá um novo Lalau endinheirado e bem aposentado às custas da Dona Maria e de todo o povo brasileiro.

Secretário se confunde sobre quem o chefia

O Secretário da Segurança do RS, José Francisco Mallmann, parece pensar que ainda trabalha na Polícia Federal - órgão vinculado administrativamente ao Ministério da Justiça.
Ao lado da governadora Yeda CrusiusCredo, Mallmann entregou ao Ministro Tarso Genro [que foi seu chefe até a cedência ao governo estadual] um pacote de sessenta e seis projetos. Num valor total de 262 milhões de reais, os recursos bancariam simplesmente todas as iniciativas da área de segurança estadual. A mordida feita equivale ao triplo do investimento do governo estadual na área da segurança!!

Não só o Secretário Mallmann parece se confundir sobre quem é seu chefe, como a governadora imagina que além da cedência do delegado Mallmann para a chefia da Secretaria de Segurança, o governo federal fará tudo o que ela é incapaz de fazer.
Como se vê, governar é mais complexo que fazer promessas mistificadoras na campanha eleitoral.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Instâncias comprometidas

Por mais que se infunda no senso comum a idéia de que [teoricamente] a justiça é isenta e imparcial, a cada dia abundam episódios que comprometem a presumível “inocência” do judiciário.
Novo exemplo – outra vez nada alvissareiro - ocorre nestes dias, em que juízes do trabalho e ministros do Tribunal Superior do Trabalho promovem feriadão de primeiro de maio e realizam congresso [sic] em luxuoso hotel de praia em Natal – RN.
Detalhe: com todas as despesas de viagem, de alimentação, dos lanchinhos, das mordomias e luxúrias bancadas pela FEBRABAN, a poderosa Federação Brasileira dos Bancos. Com isso, não fica muito difícil intuir-se o quão isentas devem ser as posições da magistratura do trabalho nos litígios entre bancários e banqueiros.
Definitivamente, o judiciário brasileiro – em todas as suas especialidades e jurisdições – dá reiteradas mostras de desmoralização e de distanciamento da realidade do país. E não só devido ao envolvimento de magistrados com a máfia do jogo e o crime organizado, mas também porque eles se auto-concedem salários nababescos, só querem habitar prédios faraônicos, se protegem com privilégios absurdos e códigos corporativos e não raro têm atitudes de déspotas perante o público usuário dos serviços judiciais.
Para o bem da democracia brasileira, urge uma reforma do judiciário que republicanize a justiça, tornando-a ágil, "justa", próxima aos anseios da sociedade e submetida ao controle público.

Não é aceitável situação como, por exemplo, de presidente da mais alta côrte eleitoral do país [TSE] se comportando como feroz líder partidário de oposição.
O Poder Judiciário não pode ter, dentre suas fileiras, aqueles que perdem a isenção e a razão tanto por se filiarem ao crime organizado como por se filiarem a movimentos partidários ou empresariais.

sábado, 31 de março de 2007

Henry Sobel ter gosto apurado

Henry Sobel assumiu ter sido ele mesmo - e não um sósia seu - o autor do furtivo episódio das gravatas em Nova York.
O alegado transtorno de humor que o acometeu, não tirou do rabino o senso estético e tampouco prejudicou seu apurado gosto. Só foram encontradas gravatas das chiques marcas Louis Vuitton, Gucci e Giorgio Armani.
Fosse um humilde personagem do povo acometido por depressão, seu destino provavelmente teria sido outro, mesmo que o objeto de furto fosse um saquinho de pipoca para saciar a fome.

quinta-feira, 29 de março de 2007

O sentido da coisa

Desde ontem, com a mudança de nome do PFL para DEMocratas [sic], o Brasil se divide entre aqueles e os não-democratas.
Como ensinou Michel Foucault, “as palavras dão sentido às coisas”. Mas não no caso dos neo-DEMocratas, cujo qualificativo [democrata] está para aquela caterva assim como o socialismo esteve para Adolfo, aquele do
Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores.

segunda-feira, 26 de março de 2007

LF Veríssimo e o tempo brasileiro

O tempo brasileiro, decididamente, parece ser convertido em qualquer coisa que não um processo histórico. Principalmente quando se trata de fenômenos políticos e sociais.
Também pudera. No Brasil, a máxima analogia histórica que alguns governantes conseguem fazer é com jogos de futebol. Ou melhor [ou pior], com jogos do Corinthians, dos anos 1980.
Luis Fernando Veríssimo, na coluna de hoje, interpreta o singular sentido do "tempo brasileiro".

sexta-feira, 23 de março de 2007

De volta

Biruta do Sul retorna, depois de um esticado tempo de uso e abuso das faculdades próprias da espécie: duas orelhas, dois olhos e uma única boca. Observar, ouvir e pouco falar. Para tentar entender, com muita dificuldade, o sentido tenebroso dos tempos atuais. E dos que virão.

E agora, qual o plano?

Durante muito tempo do primeiro mandato do presidente Lula, os petistas e o conjunto da esquerda brasileira confiavam, incrédulos, que por detrás das opções conservadoras adotadas pelo governo havia algum “plano secreto” de Lula e da então direção do PT. Plano esse que, decerto, levaria o país ao encontro com seu destino de justiça, igualdade, democracia e distribuição de renda.

Era crível se supor, à época, a existência de alguma estratégia inteligente que pudesse justificar tanto a busca desmedida por apoio congressual, como a coabitação das forças de centro-direita e direita num governo capitaneado pelo PT, eleito com mais de 52 milhões de votos. A realidade, contudo, demonstrou não só não haver nenhuma estratégia - menos ainda inteligente -, como também expôs a falta de um raciocínio sobre a contraditória realidade do Brasil e acerca da complexa dinâmica política, cultural e social do país e dos interesses fundamentais em disputa na sociedade brasileira.

Somente agora, decorridos três meses desde o início do segundo mandato, o presidente conclui a montagem do ministério, alicerçado numa amplíssima aliança partidária. A fotografia da esplanada dos ministérios exibe a heterodoxa constelação onde coexistem, lado a lado, o PT e seus históricos aliados juntamente com setores peemedebistas que até ontem integravam o raivoso bloco tucano-pefelista de oposição. Sem esquecer ex-ministros e integrantes dos governos Sarney, Collor e FHC e também os personagens que atuaram na linha de frente na ditadura militar, que hoje são “conselheiros do Planalto”.

A equação aliancista do governo tem o mérito de isolar política e institucionalmente o principal pólo reacionário do país, estruturado em torno do PFL e do PSDB. Também evitará, como se viu nesses dias, obstáculos e dificuldades no Congresso, eleito como o locus principal de apoio do governo em detrimento da sustentação social decorrente da democratização radical do Estado. A aliança governamental estará dificultando, também, a volta ao poder de Estado em 2010 daquele campo ideológico que produziu políticas destrutivas para o país. Lula busca, desse modo, assegurar sua sucessão em termos favoráveis para, quem sabe, poder conquistar um terceiro mandato em 2014 – um sonho pessoal de consumo de quem “surfa” no “lulismo”, um fenômeno acima e à parte dos partidos políticos, inclusive do próprio PT.

É notório que a formação da aliança se baseou em critérios distintos dos aplicados no primeiro mandato, e dessa vez o governo buscou o compromisso institucional e político dos partidos com o PAC. Isso é importante, mas ainda está longe de informar uma fisionomia programática e ideológica nítida do governo Lula II, pois o PAC nada mais é que uma espécie de glossário de obras do plano plurianual de investimentos que o governo constitucionalmente é obrigado a apresentar para definir metas e ações do próximo quadriênio.

Os petistas, a esquerda brasileira e a imensa maioria do povo que elegeram Lula aguardam atitudes e programas do governo que condensem uma idéia de nação e de futuro decente para o povo brasileiro, muito além da mística do PAC. Mesmo que o governo seja composto com tal amplitude partidária e ideológica, o mínimo que se espera é a apresentação de perspectivas estratégicas com reformas democráticas e realização de políticas voltadas ao social para a superação das indignas disparidades existentes no país.

Sem esse delineamento programático estratégico, corre-se o risco de que os petistas - tal como muitos dos demais integrantes da aliança governamental – tristemente conduzam ministérios como capitanias hereditárias: preservando empregos, cargos e fatias do poder.

Já não há mais incredulidade e estupefação. Os últimos anos de “irrelevância da política”, na expressão de Francisco de Oliveira, balançaram sonhos e esperanças muito antigos, que hão de ser renovados no futuro. Ninguém espera um “plano secreto”. Mas, diante da arquitetura de poder do governo Lula II, o desejável seria que ao menos fosse explicitado: e agora, qual o plano?

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Feliz governo velho

Jeferson Miola, integrante do IDEA - Instituto de debates, estudos e alternativas de Porto Alegre

No primeiro dia de 2007 toma posse no Rio Grande um governo que nasce findo. O denominado “novo jeito de governar” revelou ainda cedo o que muito fora dito sobre si nas eleições: que inova unicamente na arte de ludibriar a sociedade através de fantasias fabricadas com o auxílio do marketing eleitoral. Nas eleições passadas, foi abundante o uso de bordões e clichês para mistificar a realidade e fraudar a vontade popular. O exagero no uso de fórmulas mistificadoras ficou evidente na comparação ridícula que os apoiadores da então candidata Yeda faziam entre ela e as heroínas Ana Terra e Anita Garibaldi!! [sic]

A governadora, logo que eleita, também revelou uma singular predisposição em produzir conflito e desagregação no interior da própria aliança partidária que a elegeu. Inclui-se aí o isolamento imposto ao vice-governador, preço pago pela sinceridade com que ele expõe seus propósitos políticos e sua visão programática. Nos últimos dias, dois “futuros” Secretários de Estado “se demitiram” antes mesmo de serem nomeados. Um prodígio inédito na política gaúcha.

Com a apresentação do pacotaço contendo medidas radicalmente contrárias às promessas de campanha, Yeda removeu o véu que encobria a última nesga do disfarce eleitoral do “novo jeito de governar”. A governadora quer impor mais do mesmo veneno: aumento cavalar de impostos, remoção de estímulos à agricultura e às exportações, arrocho do funcionalismo, aperto do custeio da saúde, educação, segurança e ao mesmo tempo a preservação de bilionários benefícios fiscais para um punhado de mega-empresas. Ao invés de induzir os setores dinâmicos e tradicionais para retomar o crescimento da economia gaúcha e assim recompor as finanças estaduais, a proposta tem um viés puramente fiscalista.

O pacotaço – com ou sem remendos - poderá ser aprovado na Assembléia Legislativa, onde a governadora possui maioria. Será, parafraseando o vice-governador Paulo Feijó, “um desastre; um erro estratégico de médio e longo prazo e causa da debandada de empresas e empregos do Rio Grande”. Os partidários do governo que nasce findo se apressam em mistificar novamente a realidade, desta vez sustentando a “inevitabilidade” das medidas – como se no período eleitoral a situação fosse diferente – e enaltecendo a “coragem” da governadora em aplicá-las.

Ninguém, mesmo apoiado em maioria parlamentar, no marketing e na propaganda entorpecente consegue, contudo, mistificar para sempre a realidade, a política e a história. As fórmulas agora defendidas como “inevitáveis, corajosas e heróicas” foram aplicadas desde sempre pelos mesmos personagens que hoje compõe o governo Yeda, e estão na raiz da grave crise da economia e das finanças gaúchas. Melhor seria para o presente e para o futuro do Rio Grande se não precisássemos nos deparar com um governo já obsoleto antes mesmo de ser empossado. É uma lástima.

Novo jeito de comprar

A governadora Yeda e sua aliança conservadora não estão inovando só na arte de ludibriar o povo.
Agora no Rio Grande quem compra bombacha recebe pantalha.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Feijó avalia pacote do seu governo: desastre, erro estratégico, etc etc

O vice-governador eleito Paulo Feijó não economiza adjetivos para caracterizar o pacote encaminhado à Assembléia Legislativa a pedido da governadora eleita Yeda Crusius. Em entrevista à Rádio Gaúcha após a publicação do pacote [clique para acessar a página e selecionar a audição da entrevista], o vice-governador caracterizou o pacote como "desastre", "erro estratégico", "erro de médio e longo prazo", causa para a "debandada de empresas e empregos" do Rio Grande, proposta de burocratas que "nunca criaram um emprego e que não têm condições de dirigir o Estado", etc etc etc.
Só não comentou sobre a monumental fraude política que é a sua governadora e que foram as promessas feitas na eleição.