sábado, 25 de novembro de 2006

Fórum na Bahia: efeitos colaterais do neoliberalismo

A guerra faz muitas vítimas. Diz-se que a primeira vítima de uma guerra é a verdade. Na última guerra eleitoral, a verdade foi alvejada por uma propaganda eleitoral que mistificou a figura e a trajetória da governadora eleita e que tratou o passado da candidata de forma mítica, comparando-a a Anita Garibaldi e Ana Terra [sic]. Biruta do Sul tratou disso em artigo divulgado em 26 de outubro passado – disponível aqui para leitura.

A guerra também produz muitos efeitos colaterais, cujas marcas ficam para sempre. A última guerra eleitoral gaúcha teve como efeito colateral imediato a transferência do Fórum Social Mundial para a Bahia. Em 2009, quando se reunirá novamente de maneira centralizada numa única edição mundial, o evento poderá ser realizado no Brasil - mas não mais em Porto Alegre, conforme antecipado por Biruta do Sul nas postagens “Fórum Social Mundial de 2009 na Bahia” e “Neoliberalismo espanta Fórum de Porto Alegre”.

Quando todas as verdades escondidas nas eleições forem reveladas, e quando se evidenciarem todos os efeitos colaterais do neoliberalismo de Yeda-Feijó, os sinais então já serão de dias muito difíceis no Rio Grande do Sul.

Charge escrita

Tom Zé já disse que não faz música, mas "jornalismo [e de vanguarda, acrescentamos] cantado". Poderia ser dito que Gilberto Maringoni, um cartunista de nascença e jornalista de ofício, não desenha charges, as escreve. Esta é a sensação que se fica ao ler o excelente artigo dele na Carta Maior - Não se sabe como presidente passará faixa ao sucessor - cheio de metáforas, paródias e insinuações. Coisas do grande Maringa.

Deixa o hôme falá!



sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Fim da lei de caducidade no Uruguay

O vizinho-irmão Uruguay deu um passo decisivo na semana que se encerra: concluiu o julgamento e determinou a prisão do ex-ditador Juan María Bordaberry, o primeiro a comandar o regime militar daquele país.
No semanário Brecha, pode ser lida a matéria de Samuel Blixen, Presente y futuro de los victimarios - Un pueblo agradecido:
"Juan María Bordaberry es el primer mandatario civil latinoamericano castigado con prisión por su responsabilidad en delitos de lesa humanidad como consecuencia de la imposición de una dictadura. Otros dictadores, como el argentino Jorge Videla y sus colegas de las juntas, marcharon a la cárcel, pero eran militares, exponentes de esos “profesionales del orden” que quebraron las instituciones haciendo el trabajo sucio de poderosos intereses. ...."

Os significados da ação declaratória contra Brilhante Ustra

A ação declaratória impetrada pela família Teles junto com Maria Criméia contra o coronel da reserva Brilhante Ustra [postagem anterior] tem a dupla importância de i] produzir no Brasil um novo paradigma para o julgamento dos crimes cometidos durante a repressão em alternativa ao silêncio imposto pela Lei de Anistia de 1979; e ii] de colocar o Brasil no roteiro de punição aos torturadores, como vem acontecendo em vários países latino-americanos que buscam uma reparação histórica.
A este respeito, vale ler a entrevista de Flávia Piovesan a Paulo Henrique Amorim, no blógue Conversa Afiada, que pode ser lida clicando aqui. No Estadão de ontem, a mesma professora de direito da PUC-SP concedeu entrevista no mesmo sentido.

Julgar torturadores e reescrever a verdadeira história

Jeferson Miola, integrante do IDEA – Instituto de debates, estudos e alternativas de Porto Alegre - jmiola@uol.com.br

A historiografia de um povo e de um país não pode obscurecer os elementos factuais que dela fizeram parte, mesmo que causem vergonha e exponham as mais profundas dores, feridas e traumas.

Para o povo alemão, por exemplo, o compromisso com o completo esclarecimento das atrocidades nazistas cometidas contra a humanidade há mais de 60 anos, é uma questão de Estado e de educação cívica e ética. Cada descoberta e cada nova verdade sobre as práticas nazistas ampliam a consciência alemã - e internacional - sobre a liberdade, os direitos e a tolerância e, principalmente, ajudam a catalogar a barbárie nazista como parte do inventário de um passado trágico que não mais se repetirá.

Na América do Sul, nos anos 1980-1990, as transições liberais-conservadoras das ditaduras militares para regimes democráticos contemplaram a concessão de anistias para os agentes de Estado que praticaram ações terroristas contra ativistas de esquerda e contra a população em geral. Essas democracias já nasceram, por isso, em dívida com a verdade, com a justiça e com a história – impuseram ilegitimamente um ponto final sobre o passado cruel e sangrento.

Com processos e tempos distintos o Chile, a Argentina e o Uruguay reabriram esse capítulo tenebroso das respectivas ditaduras militares e dos bárbaros crimes cometidos pelos agentes de Estado contra os militantes políticos. De acordo com a realidade de cada país, os torturadores – ex-ditadores, policiais, colaboradores civis e militares - estão sendo legalmente julgados e condenados pelos atos praticados no passado.

No Brasil, uma inédita ação cível impetrada pela família Maria Amélia e César Teles junto com Maria Criméia – todos ex-presos políticos – contra o torturador e hoje coronel aposentado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, quebra o silêncio imposto e pode representar um novo paradigma para o julgamento dos crimes da repressão no Brasil.

A ação judicial tem caráter declaratório e busca o reconhecimento dos danos sofridos à integridade física, moral e psicológica, e também quer reconhecer Brilhante Ustra como torturador. Adotando o codinome de Doutor Tibiriçá, Brilhante Ustra foi um dos piores algozes do regime e comandou o DOI-CODI em São Paulo durante o mais duro período do governo Médici.

A reabertura da discussão sobre os crimes da ditadura é componente essencial do reencontro do povo brasileiro com seu passado e com a projeção de um destino livre de arbítrios e violências contra a liberdade e a justiça.

Acusar a esquerda de vingativa e revanchista por defender a condenação legal dos crimes e dos criminosos, é tão infame quanto apagar a memória sobre a barbárie cometida. Continuar impondo ao Brasil o silêncio sobre os acontecimentos do passado equivale a amputar o direito do povo brasileiro à história e à verdade.

As gerações presentes não têm o direito de apagar da memória a crueldade praticada contra gerações passadas, deixando impunes aqueles que cometeram tantas atrocidades. Filmes honestos como Crônicas de uma fuga [2006], Kamkatcha [2003] e Zuzu Angel [2005] ilustram dolorosamente a crueldade dos torturadores, e não deixam nossa consciência em paz com um silêncio que também pode ser criminoso.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

A verdade sem disfarces

O vice-governador de Yeda, o assumido neoliberal Paulo Feijó, na eleição se diferenciava da então candidata na sinceridade com que se posicionava em relação aos temas de interesse no debate eleitoral, como das privatizações, desmonte do Estado e desfinanciamento de programas sociais.

Na primeira aparição pública depois de eleito, durante um envento ocorrido ontem numa universidade, Paulo Feijó revelou que foi obrigado pelos marqueteiros da campanha de Yeda a esconder os reais propósitos de privatizarem o BANRISUL, a FEE, a PROCERGS.

Agora, já dispensando os disfarces e truques aplicados nas eleições, começa a cair a máscara da governadora eleita e fica bem nítida a real feição que seu desastrado governo terá. Até pantalha a gauchada vai trajar.

Outubro sangrento

A Zero Hora de hoje faz reportagem sobre o morticínio do Iraque, que alcançou o auge de 3.709 mortes de civis inocentes no mês de outubro passado, segundo levantamento da ONU.

Com o sugestivo título “Outubro vermelho no Iraque”, a matéria tergiversa sobre as causas do agravamento do conflito, que seriam devido à guerra de gangs, fundamentalismo religioso, delinqüência social, disputas étnicas e outros desvarios. A matéria não dedica uma linha sequer ao desastre da ação imperialista norte-americana e inglesa no Iraque - causa, inclusive, da derrota eleitoral de Bush e do desgaste crescente de Blair na Inglaterra e em toda a Europa.

Não há nenhuma razão para que a reportagem seja intitulada “outubro vermelho”, salvo se o objetivo do veículo seja o de associar os resultados sangrentos da intervenção imperial no Iraque ao outubro russo de 1917 - aquele sim vermelho.

Ricardo Villas e Tom Zé acontecem na bela e doce capital

Hoje, 23/11, se apresenta pela primeira vez em Porto Alegre o músico e compositor Ricardo Vilas, que tem uma extensa produção musical de MPB que, porém, é mais conhecida na França, país onde reside desde 1990 e onde esteve exilado após o golpe militar de 1964.

Além da excelente música, a conversa agradável com Ricardo Vilas nos aproxima de uma parte crítica da história do Brasil que foi o golpe militar, a repressão política e o exílio. Ricardo fez parte, juntamente com Zé Dirceu, Flávio Tavares, Wladimir Palmeira, Fernando Gabeira, Franklin Martins e outros ativistas políticos, do grupo de militantes do MR-8 e da ALN que foi trocado pelo embaixador norte-americano Charles Elbrinck em 1969.

Ricardo é um dos nove militantes remanescentes daquela experiência, e nesta condição prestou depoimento para o filme-documentário Hércules 56, dirigido pelo cineasta Sílvio Da-Rin, que relata o episódio do seqüestro do embaixador norte-americano e a troca pelos militantes políticos presos que rumaram em direção ao prolongado exílio. O filme, aliás, será lançado no 39º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro sendo exibido na seção de encerramento do festival, no próximo dia 28/11 – aqui se acessa a resenha do filme.

O show do Ricardo Villas, que terá acompanhamento de excelentes músicos gaúchos como Cláudio Sander e Leonardo Ribeiro, acontece hoje às 20h no Café Concerto da Casa de Cultura Mário Quintana.

***

Tom Zé também é outra apresentação destacadíssima que acontece na bela e doce capital de todos os gaúchos e gaúchas. O show, que segundo o próprio Tom “não é música, é jornalismo cantado”, é mais uma exuberante performance deste revolucionário artista brasileiro.

A apresentação do Tom Zé será no Salão de Atos da Ufrgs às 20h, e segundo consta, não há mais ingressos à disposição.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Intelectuais e vida pública

Nas sociedades contemporâneas a mídia formata, enquadra, delimita e restringe a expressão do pensamento crítico, podendo criar um divórcio entre a idéia e a verdade. Sobre esse assunto tormentoso, vale a leitura de Intelectuais e vida pública, no Blog DO Emir - clique para ler.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Neoliberalismo espanta Fórum de Porto Alegre

Se for confirmada a escolha da Bahia como sede do encontro mundial do Fórum Social de 2009, será o mais duro golpe para o Estado do Rio Grande e para todo o povo gaúcho nestes anos iniciais do século XXI. O Fórum, para muito além da contribuição dada à divulgação de Porto Alegre e do Rio Grande em todo o mundo, foi um acontecimento que se confundiu com a identidade e a cultura do povo gaúcho.

Lamentavelmente Porto Alegre e o Rio Grande perderam a condição de sede permanente das etapas mundiais do Fórum no Brasil. E isso é conseqüência dos governos e políticas neoliberais surgidas no Estado e na capital.

Os neoliberais gaúchos que em 1999 tramaram contra os interesses do Rio Grande, se aliaram a FHC e ACM e mandaram a FORD para a Bahia, agora poderão espantar definitivamente o Fórum de Porto Alegre, e serão os responsáveis políticos também pela transferência do Fórum para a Bahia.

Fórum Social Mundial de 2009 na Bahia

O Governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, já manifestou oficialmente a disposição em apoiar a realização da etapa mundial do Fórum Social Mundial [FSM] de 2009 na Bahia. O compromisso foi expressado pelo próprio Jaques Wagner a integrantes de organizações brasileiras e internacionais que fazem parte do Conselho Internacional do FSM que lhe sondaram sobre esta possibilidade.

A partir desta importante sinalização do futuro governo baiano, as organizações que idealizam o retorno do Fórum ao Brasil em 2009 começam a mobilizar outras entidades para amadurecerem a idéia durante a próxima reunião do Conselho Internacional do FSM que ocorrerá em Nairóbi, no Quênia, em janeiro do próximo ano, por ocasião do VIIº Fórum Social Mundial.

Após a quinta edição do Fórum, realizada em janeiro de 2005 em Porto Alegre, o processo do Fórum continua se reunindo anualmente, porém alternando edições policêntricas [descentralizadas e simultâneas em todos os continentes] com edições centralizadas. É por isso que o VIº FSM ocorreu em 2006 na forma de edições policêntricas, sendo das Américas na Venezuela [Caracas], da Ásia no Paquistão [Karachi] e da África em Mali [Bamako]. O VIIº Fórum acontecerá novamente na forma de um encontro mundial centralizado na cidade de Nairóbi, no Quênia, de 20 a 25 de janeiro de 2007.

Na última reunião do Conselho Internacional do Fórum [outubro, Itália] foi decidido que em 2008 ocorrerão encontros espalhados por todos os cantos do planeta, uma “jornada de mobilização mundial” do FSM em data próxima a do Fórum Econômico de Davos. Na mesma reunião, o Conselho Internacional também abriu a reflexão acerca da etapa mundial do Fórum em 2009. Daí a razão para que alguns setores tenham consultado o governo Jaques Wagner com o objetivo de garantir o IXº FSM no Brasil, mais precisamente na Bahia, “com axé, trio elétrico, muito amor e na véspera do carnaval”, nas palavras animadas de uma amiga do Biruta do Sul.

Mas ainda há muito trabalho a ser feito para que a etapa mundial de 2009 do Fórum ocorra no Brasil. Curiosamente, os principais oponentes à realização do encontro no Brasil são setores brasileiros que compõe o Comitê Brasileiro e que ainda exercem relativo peso de opinião no Conselho Internacional. Nos próximos meses, a “geopolítica do Fórum” será sacudida com as tensões sobre a continuidade do processo e a respeito da melhor opção estratégica para a etapa mundial de 2009. É preciso que os setores brasileiros que se opõe à idéia de retorno ao Brasil – na maioria “ongueiros” –, se conscientizem da importância que joga o Brasil na alteração da correlação mundial de forças contra o neoliberalismo.

sábado, 11 de novembro de 2006

Manuela em alta - Ministra da Juventude de Lula!?

A cada dia sobe mais a cotação da jovem combativa Manuela D´Ávila, recém eleita a deputada federal mais votada do país pelo legendário PCdoB. Manuela encantou tanto o presidente Lula que é cogitada para conduzir a Secretaria Nacional da Juventude, órgão que seria criado no segundo mandato com status de Ministério.

Manuela, que participou intensamente na propaganda eleitoral de televisão da campanha de Lula [teria sido ótimo se tivesse tido a mesma presença na campanha de Olívio], já tinha se tornado atração em função da montanha de votos obtidos. Agora, poderá assumir um papel importantíssimo na construção de políticas e estratégias públicas para a juventude – com impacto imediato e para a constituição de novas gerações dirigentes do país. Bom para ela, bom para o PCdoB, bom para a esquerda, bom para o governo Lula e melhor ainda para a juventude brasileira.

Caso assuma esta tarefa, o primeiro suplente de deputado federal, Fernando Marroni de Pelotas, ocupa a cadeira na Câmara dos Deputados, o que também é positivo para o PT da região sul do Rio Grande, que ficou sem representação no legislativo federal devido aos equívocos eleitorais cometidos.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Para que nunca mais aconteça [reprodução de post do Biruta 10 setembro 2006]

A família de Maria Amélia e César Teles ingressou com uma ação civil contra o torturador e hoje coronel aposentado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, que durante a ditadura militar no Brasil foi um dos piores algozes dos presos políticos, dos seus familiares e de muitas pessoas inocentes.

É de se elogiar que a ação dessa família não busca indenização pecuniária ou a aplicação de pena ao torturador, protegido pela Lei da Anistia, mas a declaração de danos à integridade física, moral e psicológica sofrida.

A ação é mais uma homenagem à memória dos que tombaram na luta contra a ditadura, aos seus familiares, aos que sobreviveram e à luta pela libertação, contra as injustiças e as desigualdades.

Lembrar é fundamental, para que nunca mais aconteçam barbáries totalitárias contra o povo brasileiro e contra qualquer povo de qualquer parte do mundo inteiro.

Belíssima a coincidência de divulgação da medida da família Teles, que ocorre no mesmo momento em que está em exibição o imperdível filme Zuzu Angel, de Sérgio Rezende. Assinantes do UOL ou da Folha poderão ler a matéria na íntegra na FSP de hoje [10/09/06]:

***

O julgamento do Coronel Brilhante Ustra começou ontem [08/11/06] em São Paulo. Ao ingressar no Foro para a seção de julgamento, César Telles disse que “Ele é um monstro e deve ser condenado para o bem da História do Brasil”.

Intendência Gerdau

Jorge Gerdau Johannpeter não é o que é por acaso. Tem faro, tirocínio e uma visão que muitos considerariam premonitória. Nos últimos dias, vinha dizendo que aceitaria ser Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio de Lula desde que desfrutando de “ampla autonomia para ditar os rumos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”!

O homem do aço sabe do que fala: controlar os instrumentos do Estado e direcioná-los para interesses particulares é a alma do negócio: só no atual governo estadual gaúcho, abocanhou R$ 1 bilhão em benefícios fiscais através do Fundopem. Ele já havia abocanhado, no início dos anos 1990, a estatal Aços Finos Piratini, que deu o impulso inicial para a formação do império de Gerdau.

Deu na Folha de SP de hoje que o Grupo Gerdau realizou 11 operações de financiamento junto ao BNDES no valor de R$ 1,752 bilhão desde 1999 até este ano [assinantes UOL ou FSP podem ler a notícia na íntegra clicando aqui].

Por mais de tenha divulgado nota pública voltando atrás nas manifestações anteriores de participar do governo Lula, é improvável que tenha desautorizado os movimentos nesse sentido. Gerdau é o típico neoliberal brasileiro: preconiza o Estado Mínimo para todo o povo e favorecimento máximo dos conglomerados econômicos através do Estado.
Foi assim que ele se fez na vida. Essa seria sua receita para o “sucesso” do governo Lula.

Ministro João Pedro Stédile?!

Há quem defenda, internamente no PT, que o critério de "notabilidade", "notoriedade" e "mega-representatividade setorial" que o presidente Lula adota para cogitar Jorge Gerdau Johannpeter no seu Ministério, poderia perfeitamente ser aplicado para a escolha de João Pedro Stédile no time de ministros de Lula.

O assunto corre animado em lista de discussão de importante tendência interna do PT. Quem poderia imaginar Jorge Gerdau Johannpeter e João Pedro Stédile colegas de repartição no Governo Lula. Os tempos são, decididamente, os profetizados por Nostradamus ...

Bush go home


Foi amarga a derrota sofrida por Bush nas eleições legislativas norte-americanas. Tem gosto de Vietnã, que foi outra malograda incursão do império nos anos 60/70 contra o direito dos povos à auto-determinação e à própria soberania. O Partido Republicano de Bush [que de republicano não tem nada] perdeu o controle da Câmara de Representantes [Câmara Federal deles] e também perdeu a maioria no Senado para o Partido Democrata [que é mais liberal que qualquer coisa] de Hilary e Bill Clinton.

Com o resultado, caiu o Secretário de Estado da Defesa, Donald Rumsfeld. Rumsfeld é o mesmo senhor que flertava com Saddam e fazia negócios escusos com o regime iraquiano nos anos 1980 durante o regime Reagan / Bush-pai e que na era do Bush-filho [apelidado de Mister Danger pelo presidente venezuelano Hugo Chávez] falsificou provas e fatos para justificar a guerra unilateral contra o Iraque.

A fotografia acima dispensa legenda, fala por si. Como bem escreveu no New York Times Paul Krugman, “Bush é um tirano inseguro que acredita que admitir um erro questionaria sua virilidade. É o tipo de homem que nunca deveria exercer um poder livre de barreiras e contrapontos, como o que recebeu de presente depois do 11 de setembro. Mas, infelizmente, a ele foi dado esse tipo de poder, assim como um salvo-conduto de boa parte da imprensa.”.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Barbárie contra os palestinos

Ariel Sharon padece moribundo na UTI, mas seu espírito belicoso vive. A resposta do exército israelense a manifestantes palestinos que usam pedras e bombas caseiras, é a descarga absurda de mísseis em alvos civis. Novo ataque hoje na Faixa de Gaza – território palestino ainda tutelado por Israel – causou a morte de 18 civis inocentes, das quais sete crianças.

A seqüência de atentados israelenses ao povo e ao Estado Palestino se enquadra na categoria de crime de guerra e crime contra a humanidade. Por onde anda a ONU, que não intercede na região e não instala o Tribunal Penal Internacional para julgamento justo dos criminosos dessa guerra estúpida? Por que Bush é tão condescendente com o terrorismo do governo israelense se o mesmo não difere, nos efeitos desumanos que produz, do terrorismo de Bin Laden?

A indiferença do mundo em relação ao conflito no Oriente Médio pode trazer conseqüências gravíssimas para o já instável sistema político internacional. Com o contínuo agravamento da situação no Iraque e a hostilidade quanto ao papel do governo norte-americano na região, a amplificação dos conflitos entre Israel e Palestina põe mais combustível na crítica situação internacional.

Começa cair a máscara de Yeda

A governadora eleita do Rio Grande, Yeda Crusius Credo [YCC], cometeu uma série de deslizes e gafes no programa do Jô Soares na TV Globo. Tentando aparentar familiaridade com o linguajar gauchesco e parecer simpática à cultura gaúcha, YCC errou feio ao fazer piada de mau gosto com a morte da mãe do cantor tradicionalista e também finado Teixeirinha. Dentre outras asneiras, disse que “pantalha” é uma indumentária típica dos gaúchos – talvez de gaúchos ligados na tomada ....

Mas as mancadas da governadora eleita valem menos pelo conteúdo do que por simbolizarem a desconstituição precoce da artificialidade e da trucagem apresentada nas eleições. Ou, dito claramente: está caindo a máscara eleitoral e a fantasia ilusionista para ganhar votos.

Nas negociações para montagem do governo, YCC reagrupa a velha turma que dilapidou o Estado, ressuscita personagens manjados na cena pública e portadores de um jeito antigo e fracassado de governar. Não tardará a hora em que a governadora eleita tentará impor seu verdadeiro programa, aquele que foi sistematicamente escondido nas eleições. Ela dá indícios de que poderá transferir antecipadamente ao governo Lula a culpa pelas dificuldades, ao considerar como pauta prioritária a redução para 9% do percentual da dívida. Nas eleições, sempre dizia que a renegociação da dívida, feita pelo Britto e FHC, foram como "um bombom maior que a festa da Páscoa na Serra".

Gerdau quer estender sua intendência para o resto do país

Continua replicando a notícia de que o mega-empresário mundial do aço, Jorge Gerdau Johannpeter, poderá compor o Ministério do segundo governo Lula. O empresário avança as pedras no tabuleiro e não só diz ter sido sondado por Lula, como confirma interesse de comandar o Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio desde que tenha “ampla autonomia para ditar os rumos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”! [sic]

Gerdau sabe o que quer, escancara seu desejo e sabe perfeitamente qual é a fonte capaz de saciar seus interesses. Na sua intendência no Rio Grande, o seu atual preposto no Palácio do Piratini presenteou o mega-empresário com benefícios fiscais de R$ 1 bilhão.

Caso venha efetivamente tomar parte no governo federal, haveria um grave conflito de interesses entre os negócios do Grupo Gerdau com o Estado brasileiro e a presença do patrono Gerdau gerindo os instrumentos estatais e as políticas públicas.

Porto Alegre no atoleiro

O afundamento de um ônibus de linha num buraco no asfalto, ocorrido na segunda-feira [06/11] no cruzamento da Rua Coronel Bordini com a Avenida Cristóvão Colombo, em Porto Alegre, é a mais apropriada metáfora do atoleiro de Porto Alegre na atual administração municipal.

O episódio decorreu de vários fatores combinados que sintetizam o descalabro dos serviços públicos da capital sob a administração do prefeito Fogaça e seu condomínio partidário de sustentação. Foi a conjugação de chuva intensa com obra sem planejamento, duvidosa qualidade técnica do trabalho executado e desconexão entre os órgãos municipais envolvidos na mesma ação.

Isto tem sido a regra do governo municipal em relação às obras e serviços públicos. Basta se observar atentamente a forma como os serviços públicos vêm sendo executados em Porto Alegre para se comprovar a incompetência e descalabro administrativo.

Obras simples e rotineiras de manutenção de ruas, por exemplo, são executadas em horários inadequados, sem planejamento e causam transtorno ao trânsito de regiões inteiras, não só dos pequenos trechos em reparos.

Outras obras mais estruturantes de esgotamento sanitário ou de telecomunicações comprometem regiões amplas simultaneamente, não têm cronograma confiável e demoram meses seguidos até a conclusão, depois de terem os mesmos serviços feitos e refeitos diversas vezes.

A coleta de lixo também segue o mesmo padrão de desordem: é realizada em horários de movimentos intensos, não há regularidade diária e a qualidade é deplorável – vide a sujeira em que se encontra a cidade.

Na época da Administração Popular, assuntos de muito menor relevância mereciam denúncias espalhafatosas em telejornais, capas de jornais, comentários diuturnos nos programas de rádio e debates a fio.

Mas os tempos são outros e Porto Alegre é governada pelo cavalo do comissário. Por isso Zero Hora não repercutiu o ônibus atolado no buraco do desgoverno municipal, assim como não publica os inúmeros problemas cotidianos que denotam a queda impressionante da qualidade dos serviços municipais.

Na Porto Alegre deste governo blindado pela mídia, ônibus ficam emborcados em buracos no asfalto, a cidade é deixada imunda e pacientes caem de ambulâncias pela porta traseira. Mas tudo parece natural. É de se supor, entretanto, o tratamento que seria dispensado pela imprensa a um prefeito do PT se ocorresse a cena dantesca de queda de uma paciente grávida da porta traseira de uma ambulância do SAMU!

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Solidariedade com Oaxaca em Porto Alegre

Acontece as 17 horas deste 07/11 em Porto Alegre um ato de solidariedade à luta do povo mexicano da província de Oaxaca. O conflito iniciou em agosto passado depois que uma manifestação de mais de 70 mil professores foi duramente reprimida pelas forças policiais da província de Oaxaca.

Em reação à repressão sofrida, os professores e outras representações civis formaram a APPO [Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca], iniciaram um movimento de desobediência civil e de luta pela deposição do governador Ulises Ruiz Ortiz.

Desde então, um clima de conflito aberto tomou conta da situação, com muitos feridos e sete pessoas mortas, dentre as quais um repórter norte-americano. Órgãos do governo central mexicano – Exército e Polícia Federal – se juntaram às forças policiais regionais para reprimir e dissolver o movimento, como parte de acordo existente entre o PRI do governador de Oaxaca e o PAN do presidente Fox. Informações atualizadas sobre a situação em Oaxaca podem ser lidas no jornal La jornada, do México.

O ato de solidariedade porto-alegrense acontece a partir das 17 horas de hoje [07/11] na Praça Montevidéo, em frente ao prédio da Prefeitura Municipal.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Dupla derrota imperial

Tendências das eleições legislativas norte-americanas indicam que Bush Júnior poderá perder a maioria legislativa para o Partido Democrata.
Noutro front, Bush amargará outra derrota: Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional da Nicarágua desponta como presidente eleito no primeiro turno, pois atingirá mais de 35% dos votos totais e terá vantagem superior a 5% em relação ao segundo colocado, conforme determina a constituição nicaraguense. Ortega derrota o candidato declarado de Washington, o banqueiro Eduardo Montealegre.

A ver a chiadeira dos EUA contestando a legalidade da vitória da FSLN e as manobras que poderão reabrir a guerra civil naquele país, já gravemente enfernizado pelo governo Reagan/Bush pai em todo o período da Revolução Sandinista nos anos 80.

A tentação fatal da maioria no Congresso

Lula obteve uma estrondosa vitória no segundo turno das eleições. Quase 60 milhões de brasileiras e brasileiros confirmaram o novo mandato do presidente Lula numa das maiores votações nominais já recebida por um governante em toda a história política mundial.

Com isso, Lula espantou o fantasma golpista dos tucanos e pefelistas que pretendiam fazer do segundo turno um componente de deslegetimação e desestabilização permanente do segundo governo. Este é, portanto, um paradoxo positivo do segundo turno, apesar da sensação inicial corrente nas hostes governistas, após os resultados no primeiro turno, de uma derrota política.

E, no terreno das contradições que ficaram ampliadas com o segundo turno, a principal diz respeito à natureza das alianças de governo e o sentido programático do próximo governo. No primeiro mandato, o centro político do governo e a direção do PT hiper-valorizaram a constituição de maioria absoluta no Congresso Nacional sem identidade programática - deu no que deu.

Parece que os entendimentos novamente se balizam pela convicção de que é essencial constituir-se maioria congressual absoluta na base de alianças com velhos caciques regionais de acordo com os quinhões de parlamentares que eventualmente possuam – a reedição da lógica das capitanias hereditárias. Tem tudo para dar errado de novo.

A busca de maioria absoluta a qualquer custo – ou no caso atual, ao custo da regressão programática – carece de razões superiores. No primeiro mandato, pouquíssimas foram as matérias de interesse do governo que exigiam maioria qualificada de 2/3 no Congresso. Quando, todavia, o governo necessitou de maioria para impedir a verdadeira chanchada da oposição que criou cinco CPIs para funcionarem simultaneamente, o governo perdeu.

Um governo progressista ou de esquerda não pode se iludir com alianças ocasionais que se formam não no interesse nacional, público e popular, mas unicamente para o desfrute de vantagens particularistas na ocupação de espaços no aparelho de Estado brasileiro. Se o governo tem matérias de relevante interesse público ou projetos de reformas democratizadoras e modernizadoras do país e diminuidoras das desigualdades e injustiças sociais, sempre encontrará nas forças sociais organizadas – movimentos sociais, setores empresariais, eclesiásticos, prefeitos municipais e vereadores, no povo simples, etc – a verdadeira aliança para realizar as transformações represadas que o povo brasileiro exigiu nas eleições.

O governo não pode perder a noção da enorme autoridade conquistada eleitoralmente. Realizar alianças não significa renunciar aos próprios compromissos assumidos nas eleições, mas sim buscar constituir condições mais favoráveis para a concretização de objetivos traçados. É fundamental a combinação da maioria social articulada, ativa e participante nas decisões de governo através, por exemplo, do Orçamento Participativo, com a construção de uma maioria de apoio ao governo também no parlamento. A força e pressão do povo organizado e participativo é o melhor antídoto contra as investidas que a direita faz em oposição às reformas e transformações que restituirão ao povo brasileiro a dignidade que lhe foi subtraída ao longo da história.

Raça mobilizada e unida

A raça, a teimosa raça que não se rende à maldição de Bornhausen, está mobilizada e unida na solidariedade racial a Emir Sader. São mais de cinco mil assinaturas colhidas nos dois últimos dias, e que serão somadas a milhares de outras que se seguirão.

As pessoas que integram esta estranha raça de Emir e de outros pensadores, ativistas e militantes por uma sociedade livre e justa, podem se somar ao Manifesto clicando aqui.
Em breve ocorrerão novas manifestações e atos políticos em solidariedade ao Emir e de repúdio à sentença judicial. Aguardemos, pois.

domingo, 5 de novembro de 2006

Pela condenação de Saddam e de todos seus cúmplices criminosos

A Folha Online publica com destaque desde o início da manhã deste 05/11 a notícia de que “Saddam Hussein é condenado à forca por crimes de guerra”.
A sentença do Tribunal Iraquiano se refere unicamente ao crime de morte de 148 xiitas no povoado de Dujail, em 1982, pois Saddam ainda responde por vários crimes praticados desde que ocupou o poder no Iraque em 1979. Dentre os crimes que pendem de julgamento, constam vários genocídios promovidos contra a população curda, massacres de opositores ao regime, genocídio de populações civis na guerra contra o Irã com uso de armas químicas e outras proibidas e de crimes contra a humanidade.
Todos estes crimes foram praticados entre 1979 e 1990, quando Saddam e o regime ditatorial iraquiano eram apoiados financeiramente, militarmente, tecnologicamente e logísticamente pelo governo norte-americano de Ronald Reagan [1980 a 1988] e George Herbert Bush [pai do atual presidente, o Bush filho]. A condenação de Saddam ocorre curiosamente às vésperas das eleições legislativas dos EUA, e será usada por Bush como troféu para tentar evitar a derrota eleitoral dos republicanos nas eleições.

Fossem os tempos outros que não de um impressionante entorpecimento global de consciências promovido pela mídia norte-americana [que gera e pasteuriza 90% das informações que circulam diariamente no mundo], a informação do julgamento deveria ser acompanhada de alguns questionamentos:

i] Por que Saddam e seus auxiliares diretos, acusados de cometer crimes contra a humanidade, não estão sendo julgados pela Corte Penal Internacional ao invés de uma Corte Judicial que mais se assemelha a um tribunal de vingança de Bush e de etnias vitimadas pelas práticas criminosas de Saddam?

ii] Quando ocorrerá o julgamento do governo norte-americano, que foi cúmplice e colaborador de Saddam na prática dos crimes fornecendo tecnologias, recursos e armas químicas aplicadas contra a oposição curda e a população do Irã?

iii] Como se explica a natureza bárbara e primitiva da Justiça dos EUA e do Iraque, que aplica a pena de morte com enforcamento na condenação de criminosos?

iv] Quando iniciará o julgamento do governo dos EUA pelos crimes cometidos contra a humanidade na guerra ilegal e unilateral contra o Afeganistão e o Iraque?

v] Quando serão iniciadas as investigações sobre as prisões clandestinas e ilegais mantidas pelos EUA mundo afora, e quando haverá o fechamento da prisão de Guantánamo e o julgamento dos EUA pelos crimes ali cometidos contra civis inocentes?

vi] Se o julgamento de Saddam retroage aos anos 80 – o que é fundamental dentro do princípio de crimes imprescritíveis – porque não se instauram processos na Corte Penal Internacional para julgar os crimes cometidos contra a humanidade por sucessivos governos norte-americanos, em especial pela família Bush?

vii] Quando os EUA farão uma auto-crítica honesta sobre sua atuação criminosa na deposição de regimes democráticos e na imposição de ditaduras militares em todo o continente latino-americano, que custaram milhares de vidas de pessoas e impediram o direito à auto-determinação e soberania dos povos?

viii] Quando, enfim, a humanidade será reparada pelos crimes hediondos cometidos pelos governos norte-americanos?

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Com Gerdau governo aderna à direita

Há muito “balão de ensaio” nas especulações feitas sobre a composição do segundo governo do presidente Lula. As distintas forças políticas e interesses se esgrimam à distância para testar possibilidades e alcances das várias hipóteses de nomes para o Ministério.

Um dos nomes aventados nos últimos dias para ocupar uma Pasta Econômica [Fazenda ou Desenvolvimento] foi o de Jorge Gerdau Johannpeter. A indicação do mega-empresário do aço para ocupar qualquer posto no governo Lula, conferiria um tom demasiadamente conservador ao governo.

Se Lula batizou o segundo governo como sendo do “desenvolvimento”, é de se duvidar se o desenvolvimento que defende o presidente é o mesmo usufruído por Gerdau – concentrado, desigual e privilegiador de interesses econômicos poderosos.

O empresário também teria de superar conflitos de interesses, pois na sua atividade empresarial faz amplos negócios com o Estado. Só no Rio Grande do Sul, por exemplo, o grupo Gerdau foi beneficiado com R$ 1 bilhão de reais em benefícios fiscais pelo atual governo. Ou se está de um lado ou de outro do balcão. A presença do mega-empresário em função chave do governo não pode sugerir que Gerdau governaria em "interesse próprio".

Repudiar e denunciar crime é crime

Emir Sader, sociólogo e articulista da Agência Carta Maior, foi condenado em primeira instância na ação movida contra ele pelo senador Jorge Bornhausen, aquele que prega o ódio contra os adversários políticos e torcia pela extinção da "raça" petista por 30 anos.

Na sentença, o nobre juiz não só proferiu a pena de hum ano para Emir como também recomenda que após o trânsito em julgado da condenação, Emir seja exonerado do cargo público de professor da UERJ!
O ilustre senador pode vociferar posições neonazistas, mas quem combate suas atitudes preconceituosas é punido. Por isso, personalidades, intelectuais, parlamentares, acadêmicos, militantes sociais e outras pessoas já estão fazendo circular um manifesto de solidariedade ao Emir e de denúncia dos tempos machartistas na política brasileira, com alcance no judiciário. Pessoas interessadas em assinar o manifesto podem enviar mensagem para solidariedadeaemirsader@hotmail.com.

Na Carta Maior, a repercussão completa sobre o assunto e o conteúdo do manifesto podem ser lidos clicando aqui.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Quem é o maior vitorioso?

O PSDB e o PFL foram as principais forças derrotadas nas eleições gerais de 2006. O PFL perdeu 3 de quatro governos estaduais conquistados em 2002, e o PSDB perdeu um. As bancadas dos dois partidos na Câmara Federal perderam 19 deputados do PFL e 4 deputados do PSDB.

Mas a principal derrota foi o revés eleitoral de Alckmin, que perdeu 2,5 milhões de votos, combinado com o desempenho exuberante do Lula, reeleito com 58 milhões de votos, 60,81% do eleitorado. A direita perdeu no objetivo estratégico de fazer do segundo turno o prosseguimento sem tréguas do combate furioso ao governo Lula e deslegitimá-lo e desestabilizá-lo permanentemente.

Do lado vitorioso, quem se saiu melhor - Lula ou o PT? É fato que o PT saiu fortalecido, apesar dos prognósticos [ou torcida] sombrios que indicavam não só sua derrota estrondosa como o próprio comprometimento de sua existência – Bornhausen, por exemplo, disse que o Brasil se livraria da “raça” dos petistas por pelo menos 30 anos.

O PT sobreviveu ao massacre jamais desferido contra nenhum partido político no Brasil, e saiu-se fortalecido da eleição ao preservar a representação parlamentar existente desde as dissidências do PSOL, ao receber a maior votação nominal do país, ao conquistar cinco governos estaduais e ao repetir a representação parlamentar nos legislativos estaduais.

Mas Lula e o “lulismo” – mescla de carisma pessoal e capital eleitoral baseado nas políticas sociais de governo – sai da eleição ainda mais fortalecido. O “lulismo” opera simbolicamente acima e por fora do PT, e o próprio Lula realizou alianças políticas e eleitorais muito além do espectro de centro-esquerda, chegando à centro-direita. A questão fundamental é saber se o que é bom ao “lulismo” também é bom para o PT.

A força da superação

Está por ser interpretado o significado do resultado eleitoral no Rio Grande do Sul. É certo que a vitória eleitoral não veio, mas provavelmente o desempenho da Frente Popular teria sido desastroso fosse outro o candidato que não o Olívio Dutra ao governo do Estado.

Ainda que o governo estadual não tenha sido conquistado, o PT teve uma extraordinária vitória política. Os elementos que conformam essa vitória - chegar ao segundo turno, preservar as bancadas parlamentares, rearticular a capacidade de intervenção social, recompor a base de confiança na sociedade e reagrupar o tecido partidário – têm a assinatura de Olívio.

Viva a esquerda, viva Olívio, viva o PT, viva a Frente Popular e viva o povo gaúcho.

Equivalências

Lula teve vitórias significativas em 20 unidades da federação, chegando a fazer 86,80% no Amazonas, terra do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio. Na quase totalidade dos casos, o bom desempenho de Lula impulsionou as candidaturas aliadas aos governos estaduais.

Nos três estados do Sul, entretanto, apesar de ter melhorado a votação em relação ao primeiro turno, Lula ficou atrás de Alckmin, se convertendo numa espécie de teto de votação para os candidatos aliados aos governos estaduais.

Houve uma nítida correlação entre a votação de Lula e os resultados de Olívio no Rio Grande do Sul, de Amin em Santa Catarina e de Requião no Paraná, assim como houve equivalência de desempenho entre Alckmin e seus aliados nesses Estados, como se observa no quadro abaixo:

PARANÁ

LULA

2.663.423

49,25%

REQUIÃO

2.668.611

50,10%

ALCKMIN

2.744.697

50,75%

OSMAR DIAS

2.658.132

49,90%

SANTA CATARINA

LULA

1.481.344

45,47%

AMIN

1.511.916

47,29%

ALCKMIN

1.776.776

54,53%

LUIZ HENRIQUE

1.685.184

52,71%

RIO GRANDE DO SUL

LULA

2.811.658

44,65%

OLÍVIO

2.884.092

46,06%

ALCKMIN

3.485.916

55,35%

YEDA

3.377.973

53,94%

Em todas as situações, Lula teve votações e percentuais muito próximos dos candidatos aliados, porém Lula sempre teve desempenho inferior aos aliados. E o oposto é percebido no desempenho de Alckmin, que teve votações e percentuais muito próximos dos seus aliados e sempre obteve desempenho superior às candidaturas aliadas.

Neste contexto, é admissível pensar-se que a candidatura de Lula favoreceu as candidaturas aliadas onde ele teve bom desempenho, mas o desempenho de Lula impediu o crescimento das candidaturas aliadas onde o próprio Lula teve desempenho ruim.

É provável que, no três Estados sulistas, foram as candidaturas aliadas que puxaram a candidatura de Lula para cima, e tiveram o crescimento contido devido ao comportamento do eleitorado em relação ao governo Lula e ao próprio candidato.

Uma das maiores votações do mundo

Lula, ao contrário de Alckmin, cresceu para cima e, de acordo com a totalização do TSE das 22h17min, obtinha 58.183.587 votos, correspondentes a 60,81% do total dos votos válidos. Dessa maneira, Lula engordou seu capital eleitoral com mais de 11 milhões de votos em relação ao primeiro turno.

No segundo turno de 2002, Lula já havia obtido 52 milhões de votos, e com esse novo desempenho formidável, se torna um dos mandatários mais bem votados do mundo.

Com esse resultado, Lula sai do segundo turno com legitimidade robustecida para o segundo mandato, que sofria inúmeras ameaças golpistas da trinca conservadora - PSDB-PFL-PPS.

Alckmin perdeu 2,5 milhões de votos do 1º turno

De acordo com a totalização realizada pelo TSE até às 22h17min de 29/10/2006, com 125.682.830 votos apurados [99,82% do total de votos], faltando apenas 230.649 votos a serem apurados [0,18% dos votos], Alckmin obteve 37.498.659 votos [39,19% dos votos válidos].

Com isso, Alckmin e a política raivosa e elitista do PSDB-PFL sofreram um tremendo revés ao receber votação inferior à obtida no primeiro turno, que foi de 39.968.369 votos - 41,64% dos votos válidos. Alckmin, desse modo, cresceu para baixo e emagreceu 2.500.000 votos no segundo turno.

sábado, 28 de outubro de 2006

A onda é vermelha, mas tem de ser aproveitada

Esta não será a primeira nem a última eleição em que pesquisas apresentam prognósticos aberrantes mesmo às vésperas da votação. A pesquisa IBOPE que sairá na Zero Hora deste sábado, 28/10, outra vez prestará um desserviço à democracia publicando resultados absurdos.

Pesquisa eleitoral não substitui a consciência do povo! E tampouco antecipa a vontade popular. Por isso, as próximas 48 horas serão dramaticamente decisivas para consolidar um potencial concreto de vitória de Olívio e Lula no Rio Grande do Sul. A onda é vermelha nesta reta final da campanha; sentem-se os ventos da viragem que garantirão a mudança do Rio Grande com Olívio e do Brasil com Lula.

Ocorreram simultaneamente três processos nesses últimos dias com impactos diferenciados: i] o crescimento de Olívio nos eleitores indecisos; ii] a transferência direta de votos de Yeda para Olívio e iii] a diminuição da votação espontânea em Yeda sem, contudo, haver a transferência automática de votos para Olívio, mas sim temporariamente para o contingente de indecisos.

Houve, por isso, o aumento de pessoas que ficaram indecisas nestes últimos dias. Este universo deve estar girando ao redor de expressivos 13% do total de eleitores e é composto preponderantemente por mulheres. É este o contingente que definirá a eleição no domingo.

Por isso é prioritário o trabalho de consolidação da mudança de voto que já foi de Yeda mas que ainda depende de um empurrãozinho para migrar definitivamente para o Olívio. A onda é vermelha e favorece o esforço de convencimento e de busca de novas conquistas. Somente com o trabalho árduo e perseverante se converte o potencial de virada em vitória concreta.

Os ventos sopram a favor da viragem para continuar as mudanças com Lula e retomar as transformações do Rio Grande com Olívio.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Desespero descamba para delinqüência e terrorismo

A eleição chega ao seu desfecho final e, junto com os ventos da viragem em favor de Olívio e Lula, chegam também as baixarias da candidatura Yeda, Alckmin e seus partidários. O desespero de Yeda/Alckmin e sua turma pode ser medido pelo grau de delinqüência e terrorismo que vêm empregando nestes momentos finais da campanha.

Só até as 11 horas desta sexta-feira, foram interceptados quatro crimes cometidos pelas candidaturas de Yeda e Alckmin:

  • a veiculação de comercial eleitoral fraudado sobre o debate da RBS que usa áudio e vídeo do debate da TV Band;
  • prisão de apoiadores de Yeda distribuindo material apócrifo, com acusações a Olívio e com a logomarca falsificada do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre;
  • apreensão de material ofensivo e mentiroso do deputado Osmar Terra, distribuído na região de Santa Rosa; e
  • distribuição de material falsificado com a logomarca da Folha OnLine com a falsa notícia da filha de Lula presa na carceragem da Polícia Federal.

Todas as pessoas democráticas e de bem do Rio Grande que repudiam tais atitudes desesperadas devem denunciar quaisquer novas ilegalidades para os comitês de Olívio e Lula, para a Justiça Eleitoral, para a Polícia Civil e Brigada Militar e para todos os órgãos de imprensa ao alcance.

Eleição deve ser disputada de maneira limpa e sem golpes baixos. Eleição é a manifestação consciente e livre do povo, e por isso deve ser feito um mutirão cívico de vigilância contra a delinqüência e o terrorismo desencadeados pelas candidaturas de Yeda e Alckmin.

A militância da Frente Popular, movida pela paixão e pela verdade, não deve aceitar e revidar qualquer violência sofrida, mas denunciar imediatamente.

A força do povo vence a vilania política da direita.

A nacionalidade de Elsa

O amigo David, que tem a sua Elsa e se sentiria bem representado no papel de Fred, esclarece a dúvida de Biruta quanto à nacionalidade de China Zorrilla, se uruguaya ou argentina:
Biruta do Sul, China Zorrilla es uruguaya, pero mira que raro. En 1970 se fué de Uruguay porque estaba prohibida, no es verdad, parece mentira que estas cosas ocurran en America Latina.- David

Mais um passo de Olívio rumo à estação vitória

No último debate televisivo desta eleição – um dos raros que a candidata Yeda não desistiu de comparecer – Olívio mostrou novamente porque é a certeza de mudar o Rio Grande e a vida do povo gaúcho para melhor.

Olívio apresentou as propostas de geração de empregos, recuperação dos serviços públicos, articulação e integração das polícias, redução de impostos, fortalecimento da agricultura e dos setores econômicos tradicionais da economia gaúcha e vários outros pontos do programa. Olívio deu, dessa forma, mais um e importante passo rumo à estação vitória.

Do outro lado se postou uma Yeda desfigurada e visivelmente irritada que a cada crítica recebida reagia com intolerância e desapreço. A candidata estava alterada e nervosa, mas mesmo assim não abandonou o costumeiro tom professoral e arrogante. Nas respostas, só falou generalidades e tecnalidades que nem seus mais esforçados alunos poderiam aprender qualquer coisa.

Adiante, nas postagens são comentadas as principais passagens do debate.

Debate III - mais um passo de Olívio rumo à estação vitória

Solução de Yeda é a mesma que gerou o PCC
Apesar da advertência de Olívio de que o desmembramento da Secretaria da Justiça e Segurança não é solução, mas sim problema para a questão penitenciária, Yeda defendeu novamente a doutrina falida do tucanato paulista, que consiste em criar vários órgãos de segurança porém sem nenhuma política de segurança. O efeito, todos sabem, é caos e PCC.
Olívio quer integração e inteligência das polícias, e Yeda defende a desarticulação e desintegração.

Remédio de Yeda é veneno
Yeda considera boa a renegociação da dívida feita por Britto e FHC, que retira R$ 1,7 bilhões todo ano do Rio Grande. Para Yeda, a medida adotada por Britto e FHC com o apoio dela é positiva, apesar do brutal sacrifício imposto aos serviços e aos servidores públicos.

Cuidado
: o que Yeda considera remédio é, na verdade, veneno.

Debate II - mais um passo de Olívio rumo à estação vitória

Yeda é contra a redução de impostos
A candidata Yeda é contra o Plano de Desenvolvimento e Emprego proposto por Olívio, que prevê a redução de ICMS para várias cadeias produtivas condicionada à geração de 125 mil empregos.
Yeda é contra a redução de impostos porque sua corrente político-ideológica só sabe governar com privatizações e aplicação de tarifaços.

Meia verdade = Mentira Inteira
Eleição é também o exercício de equações aritméticas e matemáticas, principalmente quando num dos lados está uma professora arrogante ou o que o jornalista Paulo Sant´Anna já chamou de “ectoplasma tecnocrático”.
Yeda tentou por repetidas vezes usar sofismas e dizer meias-verdades. Chegou até a insinuar que Olívio é contra a agricultura familiar. Mas repetidamente ela ouviu de Olívio que meia-verdade é pior que uma mentira inteira.

O homem da Azaléia
Yeda não explicou a Olívio porque ela não fez nada quando “o homem da Azaléia”, o amigo Britto, tirou a empresa e milhares de empregos do Rio Grande do Sul.

Debate I - mais um passo de Olívio rumo à estação vitória

Yeda faz o jogo das oligarquias baiana e paulista
Olívio mostrou outra vez que a deputada Yeda fez parte da trama poderosa para tirar a FORD do Rio Grande para levar para a Bahia. Foi com o voto de Yeda que FHC e ACM aprovaram a Medida Provisória que garantiu enormes privilégios para a empresa, que então abandonou as negociações com o governo gaúcho.
Yeda sempre fez o jogo das oligarquias baiana e paulista, e por isso também votou contra a proposta de Reforma Tributária do governo Lula que beneficiaria muito o Rio Grande do Sul.

Yeda foge das responsabilidades
Durante todo o debate Yeda se esquivou das responsabilidades diretas dela ou dos setores partidários que a apóiam. Aliás, a candidata sempre usa o truque de esconder ou negar o que lhe é desfavorável.
Negou ser responsável com FHC e ACM da trama para a saída da FORD; calou diante do grave desastre ocorrido no Rio dos Sinos durante a gestão tucana na SEMA; mentiu sobre votações dela como deputada e na postura diante da Lei Kandir.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

As pesquisas, a viragem e a responsabilidade

A candidatura de Yeda sempre usou a técnica de repercutir pesquisas erradas para induzir o voto em candidatos supostamente vencedores. Algumas pesquisas que foram divulgadas antes previam o crescimento de Yeda a porcentuais tão elevados que, se verdadeiros, atingiriam a soma dos votos dela, do Olívio e mais a população inteira do Uruguay. Outras pesquisas chegaram, inclusive, a sugerir a decisão eleitoral antecipadamente por WO, de tão confiantes na vitória da candidata neoliberal.

Os recentes resultados divulgados devem ser recebidos, por isso, com idêntica cautela, pois pesquisa não substitui voto na urna e menos ainda dispensa a responsabilidade militante de se conquistar novas consciências e construir a maioria eleitoral e social de Olívio e Lula.

É certo que os tempos e os ventos são de viragem na eleição gaúcha. A verdade, a consciência, a história e a política vencem a mistificação propagandística dos neoliberais. Mas isso exige muita garra, muita força e muito trabalho de convencimento até às 17 horas do próximo domingo.
Agora é hora de reforçar o dínamo dos ventos da viragem, para trazer os ares da mudança de volta ao Rio Grande.

Elsa y Fred

Vale ver Elsa y Fred, um filme sensível, simples e esperançoso de Marcos Carnevale, que tem China Zorrilla [argentina ou uruguaia?], de Conversando com Mamãe, no papel principal de Elsa. O filme não tem nada de vulgar ou caricatural, apenas explora as possibilidades existenciais muitas vezes invisibilizadas pela brutalidade do cotidiano.

A história vence a mistificação

Jeferson Miola, integrante do IDEA – Instituto de debates, estudos e alternativas de Porto Alegre - jmiola@uol.com.br
Nas últimas eleições no Rio Grande do Sul, o conservadorismo gaúcho esconde os reais propósitos da sua ideologia e se camufla em imagens, clichês e bordões de apelo subjetivo.
Diante da derrota das fracassadas fórmulas neoliberais aplicadas especialmente no governo estadual no período 1995/1998, a direita gaúcha se transforma em camaleão para parecer o que não é e esconder o que de fato representa. As eleições, sob a ótica conservadora, passaram a ser convertidas em concursos de propaganda e de marketing, cheios de generalidades confortantes, sedutoras e com cada vez menos conteúdo programático para responder aos problemas concretos da população. Esta estratégia propagandística-eleitoral tem encontrado na grande mídia um poderoso meio de propagação, que sedimenta essa mistificação no imaginário social.
Em 2002, por exemplo, o atual governador foi eleito sob a consigna da “pacificação do Rio Grande”. Não se discutiam propostas concretas para a saúde, educação, empregos, juventude e desenvolvimento, porque o que dominava o ambiente político e social era tão somente o tal sentimento de “pacificação do Rio Grande”.
Tanto a propaganda eleitoral como a mídia operaram com eficiência em duas dimensões - i] para sedimentar uma versão parcial e anti-histórica sobre a gênese dos conflitos na política gaúcha daquela época, em que a oposição ao projeto democrático-popular empregou técnicas e métodos não muito diferentes do terrorismo tucano-pefelista na oposição ao governo Lula e na eleição presidencial desse ano; e ii] para isentar a oposição do ódio e sectarismo e ao mesmo tempo estigmatizar o governo Olívio Dutra e principalmente o PT, tratando como nefastos à vida política gaúcha e cuja continuidade deveria ser evitada de qualquer maneira.
Nas eleições municipais de 2004 a direita gaúcha outra vez se coesionou no bloco de “todos contra o PT” e aperfeiçoou a estratégia propagandística adotada nas maiores cidades do Rio Grande governadas pela Frente Popular, como Caxias do Sul, Pelotas e Porto Alegre. Nada de programas e propostas concretas para responder às necessidades do povo, mas apenas bordões sedutores tipo “manter o que está bom e mudar o que precisa ser mudado”. Dito de outra maneira, seria como incutir a seguinte máxima: “apesar de ser bom com o PT, não pode continuar com o PT”.
Nos últimos embates eleitorais gaúchos, portanto, o disfarce e o engodo venceram a política.
Nessa eleição Yeda é mais que candidata. É a mais recente trucagem oferecida como um “novo jeito de governar”. Este e vários outros bordões são repetidos à exaustão com o objetivo de impregnar o senso comum com formulações fantasiosas e mistificadoras das pessoas, da política e da história. Os partidários de Yeda ridiculamente chegam a igualá-la a Ana Terra e Anita Garibaldi!.
Uma candidatura não é expressão de devaneios e delírios pessoais ou coletivos. Menos ainda de fantasias e de abstrações mistificadoras que ocultam o passado, as trajetórias e os compromissos programáticos unicamente para iludir o povo e fraudar sua vontade genuína de escolha.
O revés contínuo que Yeda vem sofrendo no segundo turno não representa somente perdas eleitorais, mas felizmente a derrota de uma técnica propagandística muito perigosa que mistifica biografias, demoniza quem contraria seus interesses, falseia a história e converte a política em recurso de alienação, ao invés de propiciar a libertação criativa e participativa.
Olívio vem vencendo objetivamente a disputa pois vem conseguindo construir maioria eleitoral, social e política. Mas a vitória mais importante de Olívio se desenrola precisamente no plano subjetivo, de geração de consciências e de recuperação, junto ao imaginário social, dos verdadeiros valores da igualdade, fraternidade, solidariedade e da liberdade.
Olívio não se desmancha no ar como a adversária do povo gaúcho porque exibe com orgulho sua origem, sua história e sua visão de mundo. Ele tem a humildade de quem quer aprender com as experiências vividas, e seu compromisso com um futuro generoso para todo o povo gaúcho não é retórica eleitoral, mas o emblema de uma vida comprometida com transformações. A solidez do Olívio é produto da história de vida e de luta do nosso povo, que foi talhado para vencer, e sempre, toda e qualquer mistificação da política e da história.