sábado, 14 de outubro de 2006

Eleição sem política

Que Yeda é defensora das privatizações, até as pedras do sofisticado bairro do Morumbi - na cidade de São Paulo, onde ela nasceu - sabem. E isso é dito não para ofender a candidata e a coligação conservadora montada em torno da sua candidatura, mas unicamente para clarificar o debate e tornar a eleição um momento de escolha consciente, para que as pessoas não comprem gato por lebre.

Mas Yeda se ofende com a verdade e tenta transformar o debate franco e direto em crime. Ora, o próprio candidato Olívio perguntou a ela no debate da TV Band sobre esta matéria de maneira franca e respeitosa, não como uma insinuação ou boato.

Mas Yeda e sua turma, que é composta pelas mesmas figurinhas manjadas que com o PSDB e Britto exterminaram o Rio Grande no passado, não aceitam o fato de que a balela de que representam o “novo” tenha sido desmascarada.

A candidata e seu bloco conservador, de cepa autoritária, não aceitam a crítica política. No primeiro turno, entraram na Justiça para proibir o PDT de veicular comentários sobre o racismo e os preconceitos dela em relação às religiões afro.

Do jeito que esta turma quer, proibindo que se discuta política em época eleitoral, a eleição seria convertida num concurso de propaganda sem povo, sem debate de idéias e com condenação para quem discutir política.

E quanto mais ardilosa e enganosa a propaganda – como a de Fogaça em 2004 -, maior a possibilidade de êxito eleitoral. Nesta arte, os yuppies do lado de lá, ex-petistas rancorosos e recalcados, se especializaram nas técnicas de Joseph Goebells.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Elas, as pesquisas

O Centro de Pesquisas do Correio do Povo, que na pesquisa de 29/09 havia eliminado Olívio do segundo turno, agora faz Yeda vencer por WO. Na próxima semana deverão formalizar pedido para que o TRE nem realize o pleito em 29/10 e proclame já o resultado.

Ou algo muito impressionante acontece no mundo da propaganda que faz com que Yeda obtenha 97% dos votos que no primeiro turno foram dados aos demais candidatos, ou algo muito errado acontece no mundo das pesquisas.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

O verdadeiro dossiê

Biruta recebeu a mensagem adiante publicada que vem de Cuiabá, domicílio da famiglia Vedoin, que é proprietária da firma que operou o superfaturamento de ambulâncias na época de FHC e José Serra. É um pedido de socorro para denunciar o que seria, de fato, a verdadeira história do dossiê e a negociata feita entre o tucanato e o capo Vedoin para ocultar o dossiê original e fabricar toda tramóia que resultou no que hoje é de conhecimento público.
Segue a mensagem:

DOSSIE VERDADEIRO É UMA BOMBA CONTRA SERRA E O PSDB
1) O Dossiê Serra, o verdadeiro, teria mais de 2.000 páginas. Quem teve acesso a ele, garante: é nitroglicerina pura contra o tucanato!
2) Vedoin, que não é bobo, quis vendê-lo ao PSDB, por 20 milhões.
Conseguiu, segundo dizem, vendê-lo por 10 milhões para os tucanos, via Abel Pereira.
3) Montou-se, entre Vedoin e Abel, preposto dos tucanos, um plano
genial: abafar o dossiê, o verdadeiro e ainda incriminar o PT.
Contando com a participação desastrada dos petistas Gedimar e Valdebran, que quando vieram a Cuiabá, viram o dossiê (o verdadeiro) e se assanharam! Era uma bomba de nêutrons para acabar com a raça do tucanato! Só que, na hora da venda, os Vedoin ofereceram uma isca, um dossiêzinho tabajara, que não continha nada que incriminasse os tucanos, é claro! O resultado está aí, ampliado e secundado pela mídia de aluguel!
Só que parece que algo desandou! Não contavam com a astúcia da Polícia Federal, que já tinha em mãos farta documentação incriminando Barjas Negri e Abel! Pena que esse estouro só se dará após as eleições! Pois se fosse antes, não se elegeria nenhum tucano nesse país! Aqui em Cuiabá, até os carapanãs do Porto já sabem dessa história. Pena que a mídia já está comprada e bem paga contra Lula! Essa mídia parcial fez uma blindagem aos tucanos, que nada os atinge! Isso até a Polícia Federal chegar ao fio do novelo!
Alô Blogosfera:
Divulguem isso, por favor! Não nos deixem isolados aqui em Cuiabá!
Não deixem que mentira
prevaleça! Não permitam que os tucanos, mais uma vez, saiam impunes!
Dessa vez, não! - por Ricardo Pedroni (
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=10516894795717838482)
Esta mensagem foi enviada por Rogier Menezes. Para ver o perfil de Rogier, clique em:http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=12104680871008857702"

Alckmin e o PCC

Alckmin, que se enquadraria no que Cláudio Lembo chama de "elite branca" que virou as costas para o Brasil real, quer ficar longe de uma das principais invenções do reinado de 12 anos dos tucanos em São Paulo - o PCC.
Numa entrevista a uma equipe estrangeira de televisão, ele nem parecia aquele sujeito valentão preparado por marqueteiros e anabolizado mentalmente por neurolinguistas.
No meio da conversa, levantou da mesa, arrancou o microfone e mandou a repórter falar com a Secretaria de Segurança de SP. Logo ele, que no debate disse que presidente tem de assumir a responsabilidade na área de segurança. Veja aqui como ele assume a responsabilidade.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Olívio é da paz

Guerra fiscal? Tô fora!

Nenhuma guerra é boa”, disse Olívio quando criticou o voto de Yeda na Câmara dos Deputados contra o fim da guerra fiscal proposta pelo presidente Lula.

Olívio ensinou humildemente que quer a paz, a solidariedade dentro do Estado, no país e entre os países. E a guerra fiscal prejudica a justiça, a solidariedade e a integração.

Olívio tem razão. Só com uma cultura de paz se constrói um futuro melhor e digno para todos os gaúchos e gaúchas. Com esta cultura de paz e com o orçamento participativo e o diálogo tolerante entre os que pensam diferente, o governo Olívio trouxe o Fórum Social Mundial para o Rio Grande.

Tom professoral e arrogante

A candidata Yeda também se saiu mal em relação a um dos principais disfarces da sua campanha: de que é uma técnica competente e eficiente.

Falando sempre em tom professoral e desprezando a sabedoria da população, a candidata só falou generalidades sobre todos os assuntos abordados. Não foi capaz de apresentar uma única proposta concreta em relação a nenhum assunto.

Causou assombro o desconhecimento e a inexperiência da candidata em relação à administração pública estadual e quanto à falta de propostas concretas para áreas fundamentais. Não respondeu absolutamente nada sobre segurança e sobre saúde e, além disso, falou que o ensino médio não é importante.

A verdade será mais forte que a camuflagem e os disfarces dos neoliberais que usam o marketing para enganar a população. O povo gaúcho, que já derrotou esta agenda, não permitirá a volta ao passado.

Não tugiu e não mugiu


Yeda não tugiu e não mugiu nas reiteradas vezes em que Olívio se referiu ao “seu governo, das privatizações” do qual a deputada fez parte de 1995 a 1998 tendo o PSDB com o vice-governador de Britto.

Foi o pior governo de toda história do Rio Grande, quando os neoliberais desenvolveram com radicalismo doutrinário as privatizações, a demissão de servidores em áreas essenciais, o desequipamento do serviço público na segurança, na educação, na saúde e a transferência de dinheiro público para grandes empresas e o abandono das cadeias produtivas locais.

O Rio Grande com Britto e o PSDB de Yeda serviu como o laboratório da aplicação das receitas neoliberais numa unidade da federação.

Este é, portanto, o governo da Yeda, o governo das privatizações.

A candidatura de Yeda não ressuscita só a agenda fracassada do passado. Também ressuscita a velha turma que esteve na linha de frente com Britto e o PSDB e hoje está na linha de frente da campanha dela.

Num panfleto da época, Britto dizia que eles [Yeda e a turma da sua campanha] estavam “construindo o novo Rio Grande”. Como se vê, não é de hoje que eles usam esse truque. Insistem em se dizerem “o novo jeito de governar”.

Uma ameaça no ar

Nas palavras de Olívio no debate da BAND, Yeda representa “uma ameaça no ar”. A candidata do PSDB se esgueirou de todas as formas para tentar demonstrar que não vai privatizar o Banrisul, a UERGS, a PROCERGS, a CEEE, mas não conseguiu.

A deputada também não foi nada tranqüilizadora para o funcionalismo. Ao contrário, fez vários malabarismos tecnocráticos para esconder o que significa exatamente o tal choque de gestão, e no que esse negócio poderia melhorar a vida dos servidores.

No primeiro turno da campanha, o choque de gestão de Yeda foi um curto-circuito, o calote nos fornecedores, o descontrole administrativo, a inexperiência e o inchaço da equipe de trabalho.

Yeda representa “uma ameaça no ar” porque por trás da idéia de choque de gestão se esconde a proposta de privatização do Banrisul e de outras empresas públicas estratégicas para o desenvolvimento do Rio Grande.

Olívio leu trecho de pronunciamento de Yeda na Câmara dos Deputados em 24/08/95, quando a deputada expôs professoralmente sua posição privatizante, dizendo que “... apóio, sem dúvida, a privatização dos bancos estatais, ...”.

O Vice de Yeda, Paulo Feijó, assume que é neoliberal e como gaúcho que é, não dissimula. Nunca escondeu suas posições radicais contra o Estado, contra o setor público e contra tudo o que não é privado ou que não pertence ao santíssimo mercado. No jornal Zero Hora de 08/10/06, o Vice de Yeda revelou claramente que, caso eleitos, realizarão o plebiscito previsto na Constituição do Estado para privatizar o Banrisul.

A ameaça, pois, aí está. É necessário espantar esta ameaça do ar assim como uma vela se apaga, aos poucos ...

Yeda faz o jogo da elite paulista

Numa linguagem futebolística, Olívio foi matador no debate com Yeda na TV BAND acontecido a poucas horas atrás. Com a humildade e sinceridade que lhe são características, Olívio desmascarou a camuflagem que a candidata do “novo jeito de governar” usa para esconder a natureza privatista e anti-popular do seu projeto.

Olívio se referiu ao voto dado pela deputada Yeda a favor da "guerra fiscal" e contra o projeto de Reforma Tributária do presidente Lula. A deputada - paulista de nascença e que apesar de exercer um mandato parlamentar dado pelos gaúchos defende interesses contra o Estado - não atendeu ao pedido do Governador Rigotto à bancada federal gaúcha para votar a favor do projeto de Lula, que é benéfico ao Rio Grande.

A deputada votou contra este projeto para atender ao pedido do então governador Alckmin, de São Paulo, que pratica a "guerra fiscal" para concentrar a riqueza ainda mais naquele Estado e exluir o resto do país do desenvolvimento harmônico. Por causa disso Olívio disse que “Yeda faz o jogo da elite paulista”.

Lula x Bush tupiniquim

Ontem a TV BAND realizou o tão esperado debate entre Lula e Alckmin. Muito foi comentado e escrito nas últimas 24 horas sobre o debate, portanto pouco haverá de ser acrescentado a essas horas. É difícil saber qual dos dois se beneficiará mais num confronto duríssimo e pautado por insultos e acusações pesadas.

Os mais entusiastas do debate foi justamente a mídia, que converte o que deveria ser a discussão programática e de esclarecimento democrático em um espetáculo de violência verbal e de ataques frontais.

Em termos táticos, Lula parece ter sido exitoso nas muitas ironias feitas, principalmente quanto comparou o totalitarismo de Alckmin à barbárie de Bush no Iraque. De sobra, pousou como um grande estadista.

E a tática de Lula também parece ter sido mais eficiente no objetivo de tornar Alckmin mais um governador do que candidato presidencial. De fato Alckmin pouco pôde conversar com todo o povo brasileiro, sendo chamado por Lula a se reportar quase exclusivamente ao povo de São Paulo – e sempre dando explicações.

O debate da BAND dá uma idéia da baixaria que teria sido um debate no primeiro turno com francos atiradores movidos a histeria.

domingo, 8 de outubro de 2006

A volta das pesquisas

O jornal Zero Hora publicou pesquisa do Ibope em 08/10 em que Yeda aparece com 63% e Olívio com 29%. No registro junto ao TRE/RS, Zero Hora declarou que a pesquisa custou R$ 85 mil, o dobro do valor de mercado.

Consultado por Biruta sobre tal resultado, o especialista RG prevê que, neste ritmo, na próxima pesquisa Yeda já aparecerá com 143%.

É de se supor também que nas novas rodadas as pesquisas também revoguem o resultado da Bahia.

sábado, 7 de outubro de 2006

Síndrome da cadeira

Deve haver alguma maldição que atinge os presidentes do PT. Todos os três últimos caíram em desgraça – Zé Dirceu, Genoino e Berzoini.

O Marco Aurélio Garcia terá que se cuidar para não ter o mesmo karma. Ele pisou feio no tomate ontem, quando disse que esperava em breve “se ver livre desse abacaxi”. Se referia à Presidência do PT, que estava assumindo em lugar do Berzoini, afastado devido à estupidez do dossiê.

Pegou mal, Marco Aurélio.

Apesar da fruteira, da fauna e da flora que coexiste no PT – com algumas amebas, cactus, abóboras, escorpiões, etc – o PT é grandioso e muito maior que os desvios daqueles que não representam sua origem e seus valores.

Perderam os profetas da extinção da raça do PT

Só depois de 29 de outubro se poderá fazer uma apreciação conclusiva do resultado eleitoral de 2006 e da nova paisagem que se descortina no horizonte político brasileiro.

A disputa presidencial é o fator mais relevante que poderia alterar a balança em favor da direita, caso ocorresse a até agora improvável vitória de Alckmin.

Em ordem seguida de importância, contarão nesta contabilidade da esquerda e dos setores progressistas os resultados das disputas nos estados do RS, PA, PE, RN e PR, porque nos dois principais estados do país [SP e MG], o tucanato preservou seu quinhão eleitoral.

Mas o primeiro turno eleitoral permite concluir que o PT não foi moído como alardeava a direita rancorosa. Ao contrário, segue eleitoralmente tão ou mais forte quanto antes:

  • foi o partido com a maior votação nominal do país. É o mais preferido do eleitorado;
  • elegeu 83 deputados federais, que é o tamanho da atual bancada na Câmara dos Deputados, eleita com 91 deputados e que teve 7 dissidências para o PSOL;
  • ampliou para 4 governos estaduais em primeiro turno [AC, BA, PI e SE] em relação aos 3 conquistados em 2002, sublinhando a importante vitória obtida na Bahia;
  • ficará com 11 senadores, só 2 a menos que a atual representação no Senado;
  • elegeu 127 deputados estaduais, número equivalente à atual representação nos legislativos estaduais em todo o país.

Apesar do brutal massacre da mídia todos os dias contra todo o PT - e não só contra os estúpidos passados e presentes do Partido -, pode-se dizer que nesta eleição o povo não decretou a extinção da raça do PT como desejava o Grande Kayser do PFL, Jorge Bornhausen.

Aliás, parece que o povo não acompanha o comportamento fascista do seu PFL:

  • perdeu o governo da Bahia, onde seu colega oligarca reinava frouxo;
  • a bancada na Câmara dos Deputados foi reduzida de 84 para 65 deputados, ou seja, 19 a menos da atual bancada;
  • perdeu 4 governos estaduais que tinha, elegendo apenas o governador do Distrito Federal.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Daslu mora aqui

Na genialidade de hoje [porque é heresia tratar os escritos do LF Veríssimo como "coluna" semanal] o genial Veríssimo comenta sobre o PT com maior influência eleitoral nortista e nordestina que emerge das urnas e também sobre o bem que faz ao PT a emergência de lideranças gaúchas e outras de fora do “domínio” paulista. [Acesse aqui a coluna do Veríssimo]

A frase final é lapidar: “Seja como for, o PT do Rio Grande do Sul tem sido uma reserva de talentos, nem sempre bem aproveitada, cuja principal credencial é estar longe do berço paulista.”.

Não se trata de xenofobia ou de rivalidades regionais, mas é fato concreto que a lógica paulista fez mal ao PT brasileiro.

Assim como a forma paulista de enxergar e pensar o Brasil, além de autoritária, é insuficiente diante da complexa e plural realidade nacional. Esta visão, aliás, compromete o desenvolvimento harmônico e desconcentrado do país.

O PSDB é a maior síntese dessa visão autoritária e restrita; é a representação política e institucional do capital financeiro e monopolista internacional com raízes sólidas em São Paulo.

O PSDB no Rio Grande do Sul é o subconjunto regional da lógica e da prática desse PSDB. O PSDB no Rio Grande é transmissor daquele jeito dissimulado, oportunista e hiper-pragmático de fazer política para satisfazer seus interesses a qualquer custo.

Dito em linguagem figurada, o PSDB tem aquele jeito de camelô que inventa um monte de estórias tolas pra empulhar seus produtos de qualquer jeito aos mais desavisados. E que no fim ainda acredita que os tolos são os compradores que lhe dão ouvidos.

A candidata tucana ao governo do Rio Grande do Sul simboliza isso duplamente: por ser do PSDB e por ter essa índole paulista, dado sua nascença e formação fundamental ter sido em São Paulo.

Enquanto Olívio simboliza a ancestralidade e os ideais Farrapos da fraternidade, lealdade, republicanismo, igualdade e nacionalidade com respeito e soberania, Yeda é uma visão deformada de um Rio Grande pensado como uma grande praça comercial da Daslu e da “modernidade” tucana dos shoppings centers.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Porque recordar é viver ...


A engambelação de Yeda de que representa um “novo jeito de governar” deveria ser comprovada através de fatos, de uma trajetória política coerente, de uma história ligada a mudanças e principalmente através das opções adotadas ao longo da vida pública.

Mas em nenhum desses aspectos Yeda consegue comprovar esta mistificação política criada para mais uma vez iludir o povo e tomar de assalto o aparelho de Estado.
Yeda, Alckmin e toda a aliança conservadora que se articula em torno de suas candidaturas ressucitam políticas fracassadas do século passado e que não deram certo no Brasil e no Rio Grande.

Eles querem retomar a agenda superada das privatizações do Banrisul e de empresas estatais, das concessões de benefícios estatais para mega-empresas que não precisam, e do desmonte das ações públicas na saúde, educação, assistência social e segurança pública.

A história não é uma página em branco, como a velha turma que já governou mal o Rio Grande e o país querem fazer crer.

Para que todo mundo se recorde – e para que nunca mais aconteça -, Biruta atiça a memória com outra imagem de 1998. Ali aparece a fotografia de Yeda e dos seus velhos amigos que, segundo Britto, estavam "ajudando a construir o 'novo' Rio Grande". [sic]

A fotografia mostra muitos da turminha ainda com carinhas jovens. Já praticavam as velhas maldades desde criancinha ...

Diga-me com quem andas


A candidata Yeda tenta se apresentar como a novidade na política gaúcha. Os fatos - ou melhor, as fotos - desmontam toda engambelação dela.
Existe alguém novo nesta foto da turma de velha convivência?

Dois pesos, dois desafios

Os resultados eleitorais no Rio Grande do Sul confirmam o que se suspeitava: Lula conteve o crescimento de Olívio, puxando-o para baixo, enquanto Alckmin catapultou Yeda ao segundo turno.

Foi a primeira vez, desde o segundo turno de 1989 contra Collor de Mello, que Lula perdeu uma disputa presidencial em território gaúcho.
Vale lembrar que o Rio Grande foi, em todas as eleições presidenciais anteriores [segundo turno de 1989, 1994, 1998 e 2002], o local onde Lula sempre obteve o melhor desempenho eleitoral do país. Neste ano, entretanto, o exigente e politizado povo gaúcho enviou um forte recado a Lula no primeiro turno.

A campanha do segundo turno de Olívio, por isso, terá um duplo desafio: melhorar a imagem de Lula no Estado para levá-lo à vitória, e derrotar Yeda expondo o retrocesso que o tucanato e sua aliança racista-conservadora representam para o país e para o Rio Grande.

BAH-iano porreta

Eleito no primeiro turno de forma surpreendente para governar o Estado mais importante conquistado pelo PT até agora, Jaques Wagner carrega o trunfo de ter derrotado o oligarca-mor da Bahia e do nordeste brasileiro.

O governador eleito na largada já passou a cumprir um papel político importante no cenário político nacional, defendendo a expulsão do bando de estúpidos do PT envolvidos no caso do dossiê.

É assim que o PT vence e que derrotará outra vez o conservadorismo: revigorando os fundamentos que lhe deram origem e que o tornaram uma luz de esperança e de mudanças para o povo brasileiro.

Yeda + Padilha = novo?!?!

É risível a desfaçatez da turma do “novo jeito de governar”. Eles são inovadores só na engambelação, porque a visão de mundo deles é tão obsoleta quanto a terra é redonda, como já bem disse Olívio Dutra.

O deputado Padilha, que controla uma turma grande do PMDB gaúcho e é o mais tucano de todos os peemedebistas, se apressou em anunciar o apoio à deputada Yeda no segundo turno.

Para isso, tentou atropelar a direção do PMDB, o ritmo do próprio governador Rigotto e seus correligionários que não assimilaram a deslealdade e traição da candidata em relação ao governo do qual fez parte com o vice-governador.

Ao que tudo indica, se verá um PMDB dividido no segundo turno – tanto na eleição para presidente quanto para governador.

Seja como for, prestaria um grande serviço à população quem esclarecesse qual é mesmo a novidade de Yeda, que a cada dia exibe adesões de personagens nada novos na política.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Problema circunstancial

Devido a problemas técnicos [ou dito melhor, devido a imperícia], ocorreu uma alteração imprevista na apresentação do blógue, o que deverá retornar à forma anterior nas próximas 36 horas.
Gratos pela compreensão.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Significado transcendental

Neste 1º de outubro transcorreu mais do que a eleição no Rio Grande. Teve lugar um acontecimento de significado transcendental para o PT gaúcho. O povo alçou Olívio ao segundo turno para derrotar a velha direita - que agora se apresenta travestida de “novo” - numa eleição dificílima e dramática.

Este feito ganha relevância dobrada se examinadas as circunstâncias extremamente desfavoráveis em que se desenrolou. A começar pela estupidez do caso do dossiê, que atingiu notavelmente o ânimo de militantes, simpatizantes e das pessoas identificadas com o PT.

O Rio Grande, por sua singularidade, foi o Estado onde o bombardeio da imprensa causou maiores danos ao desempenho não só do Lula, mas principalmente da candidatura estadual do PT. O Rio Grande era a única unidade da federação em que Lula havia vencido todos os pleitos presidenciais desde o segundo turno de 1989 contra Collor de Mello. Nesta eleição, entretanto, Lula sofreu uma derrota acachapante para Alckmin.

Havia também uma movimentação subterrânea que visava excluir Olívio do segundo turno para assim possibilitar um ambiente livre e desimpedido para o acerto, em “estado puro”, da continuidade do comando conservador do Estado, da gestão dos negócios públicos e da orientação dos subsídios, apoios e instrumentos estatais. Ou seja, uma tentativa de polarizar a decisão sobre o futuro do Estado exclusivamente no campo da direita gaúcha.

Circulam teses impressionistas sobre a hipótese de ter havido um esquema armado e mal-sucedido de troca de votos para turbinar Yeda e Rigotto e detonar Olívio - o próprio governador-candidato insinuou haver uma armação do PSDB/PFL/PPS neste sentido, em entrevista após a derrota.

Mas a tentativa de detonar Olívio foi menos resultado dessa hipotética [senão inexeqüível] armação do que de uma engenhosa operação da direita com amparo da mídia, com fatos consumados e a difusão permanente de um clima artificial de vitória de Yeda e Rigotto que exerceram influência na opção feita por parte do eleitorado.

A mídia operou cientificamente este objetivo e tratou de danificar a imagem do PT e prejudicar Olívio nas muitas formas que pôde: com reportagens mentirosas, parcialidade na abordagem do dossiê, espaços desbalanceados e/ou desprivilegiados nos veículos, pesquisas fraudulentas e indução da vontade popular mediante cobertura tendenciosa.

A mídia também elegeu antecipadamente Simon como senador pelo PMDB, atribuindo-lhe nunca menos que 45% de votos, enquanto na eleição obteve 32%. Ou se poderia dizer que derrotou o candidato Miguel Rossetto por antecipação, sempre apresentando-o com pretensões próximas a 14%, quando na eleição obteve quase 30% da preferência popular – um escândalo! E o lamentável é que desta vez, além do grupo RBS, outros meios de comunicação regional atuaram de maneira tendenciosa nas eleições.

Por todas essas circunstâncias, a ida de Olívio Dutra ao segundo turno no Rio Grande do Sul é mais um passo decisivo da emocionante caminhada “rumo à estação vitória”. A conquista desse lugar em meio a tremendas dificuldades confere uma gigantesca força moral capaz de impulsionar a vitória definitiva de Olívio no segundo turno.

A vitória do Olívio é essencial para o revigoramento do PT e da esquerda gaúcha. Além disso, também ajudará a dar um tempero da verdadeira esquerda tanto ao PT brasileiro como ao segundo governo Lula. Um gosto diferente e melhor do que fomos obrigados a amargar nos últimos tempos.

O povo já sabia

Na sexta-feira 29/09, Biruta já dizia [ver texto anterior] o que o povo já sabia: que é Olívio de novo para derrotar a velha direita, desta vez encarnada na figura da “ministra-fantasma, ente ficto, ectoplasma tecnocrático”.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Rio Grande: Olívio para derrotar a direita

Jeferson Miola, integrante do IDEA – Instituto de debates, estudos e alternativas de Porto Alegre

A eleição em todo o país se encaminha para seu momento decisivo. No Rio Grande do Sul a etapa final ganha contornos dramáticos, com três candidaturas chegando emparelhadas e com chances de irem ao segundo turno: Olívio Dutra pelo PT, Germano Rigotto pelo PMDB e Yeda Crusius pelo PSDB.

As últimas pesquisas divulgadas – uma feita pelo Instituto Methodus e publicada na revista Voto e outra realizada pelo Correio do Povo -, lançam novas e discutíveis possibilidades de resultado eleitoral.

De acordo com os dois levantamentos, Rigotto e Yeda se credenciariam para o segundo turno, deixando Olívio fora da disputa. Este cenário, contudo, é decorrência de erros metodológicos das pesquisas, e não expressam a dinâmica eleitoral concreta.

A pesquisa Methodus-Voto, por exemplo, apresenta dois erros grosseiros na amostra investigada, superestimando o contingente de pessoas com média e alta escolaridade e subestimando o universo de pessoas de escolaridade restrita ao nível fundamental.

Apesar de haver aparente regularidade nos demais quesitos da investigação [gênero, faixa etária e classes de renda], a deturpação da amostragem relativamente ao item escolaridade produz uma discrepância grande – e extremamente artificial - em favor de Yeda.

Já a pesquisa do Correio do Povo não disponibilizou no TRE o conjunto de dados devidos, e apresentou os desempenhos dos candidatos empatados no limite das margens de erro. Entretanto, mesmo assim sua divulgação é acompanhada de uma interpretação jornalística orientando para o segundo turno entre Yeda e Rigotto.

No limite da prudência e responsabilidade, a manchete do jornal no máximo poderia referir o “acavalamento” das três candidaturas na reta final. Mas prevaleceu o propagandismo e a parcialidade, e então o Correio do Povo proclamou o resultado sonhado pelo conservadorismo gaúcho, de uma disputa em segundo turno que se realizaria exclusivamente no interior do seu próprio campo ideológico.

É óbvio que as pesquisas divulgadas não substituem o voto soberano do povo. Mas a apresentação de múltiplas pesquisas com sentidos semelhantes pode provocar o efeito desejado, de induzir fortemente a opção do eleitorado, fraudar a vontade popular e, especialmente, abater o ânimo da militância identificada com Olívio.

Nunca é demais lembrar que no dia 1º de outubro de 1998, a três dias do primeiro turno, a manchete de capa de Zero Hora era: “Britto está 10 pontos à frente de Olívio”, acrescentando no sub-título que a “eleição seria decidida no primeiro turno”. O resto da história sabemos: a vontade do povo gaúcho não foi a mesma do grupo RBS e Olívio foi eleito governador no segundo turno.

O comportamento do Correio do Povo nesta eleição não só em relação às pesquisas, como também devido à cobertura tendenciosa e desfavorável ao PT, é o que marca a diferença no processo eleitoral no Rio Grande do Sul neste ano. A opção do “velho” Correio, de se aproximar da linha editorial do seu concorrente Zero Hora, retira o pouco de equilíbrio jornalístico que poderia haver nesta eleição.

Apesar do sonho dourado do campo conservador gaúcho de excluir Olívio do segundo turno, a historiografia político-eleitoral do Rio Grande não autoriza concluir que a disputa venha a se circunscrever a um único campo do espectro ideológico. A tradição do debate polarizado, da disputa acirrada, do Gre-Nal político falará outra vez mais alto e reproduzirá novamente o cenário de enfrentamento entre a esquerda e a direita no Estado.

Olívio e o PT contam com uma forte estrutura partidária e vêm sobrevivendo a todas as vicissitudes da política nacional. A cada dia a campanha de Olívio ganha empolgação e vigor na afirmação enquanto alternativa democrática e popular ao tsunami causado ao Rio Grande pelo PMDB de Rigotto, juntamente com o PSDB de Yeda.

As pesquisas – e mais que isso, o sentido de manipulação que contém -, foram como um sopro contínuo no braseiro da candidatura de Olívio, e vêm incendiando o ânimo da militância da Frente Popular, já calejada com as conhecidas manobras do passado.

A direita gaúcha, apesar de estar mais apoiada do que nunca numa cobertura escandalosamente tendenciosa da mídia, passa a enfrentar o dilema de devorar-se entre si. A esgrima real se dá entre Rigotto e Yeda para ver quem vai ao segundo turno para disputar o comando do Estado com Olívio.

Rigotto desde o início lidera as pesquisas, porém em bases estacionárias e limitadas. Denota enorme dificuldade de crescimento e limites para a expansão da sua candidatura. Além disso, seu governo pálido e destituído de grandes marcas não ajuda a animar o eleitorado em direção ao futuro.

Yeda, apesar da frágil maquiagem de “nova”, dos desgastes de uma gestão incompetente da campanha que desmente o bordão do “novo jeito de governar” e da manifestação racista e preconceituosa num debate, parece ser a melhor beneficiária do crescimento momentâneo de Alckmin no Estado.

Seja como for, Olívio praticamente tem assegurado seu lugar no segundo turno. E torce para que a disputa ao interior da direita gaúcha seja encarniçada a ponto de incompatibilizar a base social de um apoiar o outro no segundo turno.

A vitória de Olívio não significará somente a vitória do PT e da Frente Popular no Rio Grande, mas o revigoramento do percurso da esquerda no país.

Onda que vale é a do voto do povo

A onda que vale, numa eleição, é a do voto.
E voto, quem concede, é o povo, com soberania e independência.

A onda que conta não é aquela que os poderosos inventam. A onda de verdade é a que vem da força do povo. E o povo quer Olívio, de novo, pro Rio Grande voltar a crescer e ser generoso com a maioria que mais precisa.

Os institutos de opinião, a mídia e a direita sempre tentam fraudar a vontade popular de várias formas, principalmente através da indução com pesquisas com resultados pré-fabricados.

Esta é a mais atípica eleição dos últimos tempos, assim como nesta eleição o comportamento da mídia foi mais escandalosamente e despudoradamente parcial - em favor de Rigotto e Yeda, nesta ordem.

O Correio do Povo, que tradicionalmente representava um contrapeso aos excessos cometidos por Zero Hora e pelo grupo RBS, nessa eleição preferiu andar na companhia do “império”.

Por isso, é importante dizer que nada – nem pesquisas, nem notícias falsas, nem ataques odiosos - pode alterar o vigor, o ânimo e a dedicação militante das pessoas que ajudarão a consolidar uma exuberante e surpreendente vitória do Olívio nesta eleição.

Consciência não é substituída por pesquisas eleitorais. A consciência popular é a força da mudança e de construção do novo governo da Frente Popular.

O povo do Rio Grande tem a consciência de que Olívio representa autenticamente o novo, e só ele é capaz de derrotar as candidaturas da direita, que fazem o Estado retroceder ao invés de avançar junto com o Brasil de Lula.

Esta é a hora de cada militante se multiplicar por dois e a cada hora das próximas 48 horas trazer mais seis militantes que formarão muitas constelações militantes que, com entusiasmo e esperança, vão levar as palavras da vitória do Olívio em todas as casas, bairros, botecos, escolas, fábricas, igrejas, cinemas, repartições, lojas, festas, colônias, rádios comunitárias e recantos desse Estado.

Para ir à vitória, com o voto da maioria do povo.

A onda que conta não é das pesquisas, é a que vem da força do povo.

"Alto lá! Esta terra tem dono, ninguém no-la tira!!"

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

A verdade é libertadora, senador

O senador Bornhausen escreve o artigo “Queremos a verdade!” [assim, com ponto de exclamação e tudo!] na Folha de hoje, 28/09. Ele pergunta, no mesmo tom inquisitorial com que sentenciou o fim da “raça dos petistas”: “quem forneceu o dinheiro para a operação suja do dossiê?”.

A resposta é simples: quem se envolveu com isso praticou uma estupidez que pertence ao universo existencial, moral e político do senador Bornhausen e sua malta.

E, aproveitando a ocasião, cabe perguntar ao senador, este ser político fermentado no regime militar ao qual manteve-se fiel por 21 anos; que foi ministro de Collor, líder do corrupto e privatista governo FHC, e que também acumula a profissão de banqueiro e eterno detentor do direito de exploração dos Free shops dos aeroportos brasileiros:

- de onde vem a fortuna pessoal e familiar deste oligarca do século XXI com inclinação ideológica da Alemanha dos anos 30 do século XX?

Depois da novela: debate ou guerra?

O debate da Globo se transformou no grande dilema e no fato mais relevante do final da campanha graças à estupidez do dossiê. Passaria despercebido, não fosse a turbulência causada pelo episódio na dinâmica eleitoral, podendo alterar as chances de vitória re-eleitoral de Lula no primeiro turno.

Comparecer a debates públicos, independentemente da condição eleitoral que se desfruta, é um predicado democrático e um exemplo republicano. É má escola política aquela inaugurada por FHC no gozo de enormes vantagens numéricas em relação aos adversários da época – inclusive o próprio Lula.

Mas o debate da Globo não se processa em condições normais de temperatura, pressão e republicanismo. Ao contrário, existe uma atmosfera envenenada que abrange a mídia, os políticos lacerdistas, o Congresso, o TSE e procuradores da República. Por isso a reflexão sobre o comparecimento de Lula é menos teórica em “estado puro” e mais tática-eleitoral.

Os inimigos e adversários nunca esconderam o desejo de afofar Lula em debates. O debate da Globo foi editorializado como o acontecimento mais importante e decisivo dessas eleições - do ponto de vista da direita e do conservadorismo que tenta a última cartada para evitar sua derrota já.

A gentileza e candura dos adversários é tanta que expressam preocupações de prejuízos ao próprio Lula, caso ele se ausente [sic]. Mais: comprometem-se a tratá-lo com doçura durante a contenda.

Hoje a noite não haverá debate, mas sim uma guerra de quatro contra um. É a Globo, HH, Alckmin e Cristóvam contra Lula.

Quer Lula compareça ou não, a guerra terá sempre esta configuração de 4 a 1. No debate será 4 a 1 e na repercussão do debate também será 4 a 1. Caso Lula se ausente, este placar certamente não se alterará, porém não poderão explorar nada além dos fatos que atualmente exploram, sem acréscimo de qualquer conveniência produzida no debate.

As condições de atacarem o Lula são infinitamente maiores que a sua capacidade de defesa, por mais sagaz e hábil que seja na construção de respostas.

A hipótese de conter e/ou recuperar as perdas eleitorais havidas nos últimos dias é neutralizada pela hipótese mais provável de perder pontos frente aos ataques multidirecionais que receberá.

Mas em última instância quem decidirá isso é o próprio Lula ou os sábios que o cercam, que sempre conseguem metê-lo [e a todos os petistas] em enrascadas monumentais. Nada autoriza a não pensar que não façam, nesta hora, a pior escolha.

Pode estar acabando a temporada na UTI

As pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas ontem sinalizam a vitória de Lula no primeiro turno, porém com redução da diferença que Lula obtinha em relação aos demais adversários antes da estupidez do dossiê.

De qualquer maneira, é um sinal claro de que as perdas sofridas devido à estupidez do dossiê foram estancadas. Um dado igualmente importante é a elevada aprovação do governo Lula, com índices próximos de 50% de ótimo e bom. É um rochedo, e por isso a probabilidade de vitória no primeiro turno é cada vez maior.

O momento não permite e menos ainda recomenda celebrações antecipadas. É hora de continuar monitorando minuto a minuto para definir a melhor tática a ser adotada. Até porque o paciente ainda continua na UTI, talvez com a diferença de que já recobra alguns sentidos, dispensa aparelhos e inclusive já tenta passar a mão na bunda da enfermeira. Mas os adversários estão marcando em cima e apesar de não disporem de horário eleitoral gratuito, dispõe de horário eleitoral concedido pelo monopólio da mídia conservadora.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Se houve armação não pode ficar no TSE

Marco Aurélio de Mello não pode continuar presidindo o TSE. O Ministro, além de ter alardeado com muito barulho a existência de grampo telefônico no TSE de maneira irresponsável e precipitada, agora desdenha do trabalho técnico da perícia criminal da Polícia Federal.


Continua atuando como agente político, não como magistrado. Com a revelação de que não há indícios de existência de grampos, Mello não só pode ser suspeito de ter feito uma armação, como com seu comportamento perde o pouco de confiança para presidir o processo eleitoral brasileiro.


A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais [APCF] divulgou nota oficial hoje contestando as declarações do presidente do TSE, que põe em dúvida o trabalho dos peritos profissionais. A nota está acessível no sáite daquela Associação [clique].

O trecho final da nota diz o seguinte, numa referência direta ao narciso de toga:

Num momento já contaminado pela excitação que a disputa eleitoral naturalmente levanta, alguns, infelizmente, parecem preferir os holofotes da imprensa, sob os quais tentam manter-se a qualquer custo, ao invés de recolher-se à reflexão ponderada sobre as próprias falhas cometidas ao longo do episódio.

É como a pessoa que, insatisfeita com a própria aparência, volta sua ira contra o espelho, como se ele fosse o culpado.


Nunca foi tão recomendável o acompanhamento externo das eleições no Brasil. A direita do país se articula em todos os planos e em todos os poderes para desestabilizar o governo e, na hipótese de vitória re-eleitoral de Lula já no primeiro turno, prosseguir atacando-o com a virulência udenista de sempre.

E por fim, o que falta para que algum partido político peça o impedimento do presidente do TSE?

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Giro sempre à esquerda

O atual momento político não comporta ambigüidades. Independentemente do grau de envolvimento de alguns estúpidos do PT no escândalo do dossiê – e foi grande a participação de petistas no caso -, o fato é que a direita sabe exatamente onde quer chegar e o que quer atingir: a esquerda e sua vocação transformadora.

Pode-se contestar o governo Lula sob muitos ângulos, mas jamais se pode menosprezar o quão seria desastroso um refluxo à direita no Brasil a partir de uma eventual derrota eleitoral de Lula.

É nesse rumo que Emir Sader analisa no Blog do Emir a conjuntura brasileira, com lucidez e pela esquerda.

Não é Verde, é Laranja

Muitas pessoas que nutriam simpatias pela causa ambientalista se decepcionaram com a trajetória oportunista do candidato do PV nesta eleição.

Vinha como franco atirador, disparando para tudo quanto foi lado, mas nas últimas semanas o flerte com Rigotto evoluiu até um entendimento digamos assim “mais estável”.

Nos debates da TVE e da AGERT, já operou abertamente como “laranja” do PMDB.

E sonha superar a cláusula de barreira nesse zig-zag.

A saber: recentemente foi candidato a vice do PP para a Prefeitura de Porto Alegre e foi secretário-adjunto da administração Fogaça.

Armação de toga?

A perícia técnica realizada no TSE não confirmou ter havido grampeamento dos telefones dos Ministros do Tribunal.

Mesmo assim o presidente do TSE, Ministro Marco Aurélio de Mello, continua fazendo insinuações inaceitáveis para alimentar um clima de suspeição e de crise institucional:

Eu soube que não encontraram nada, mas isso já era presumível. A coisa veio à tona na sexta. Houve tempo bastante para aqueles que colocaram a escuta retirarem. A minha parte eu fiz, que foi comunicar ao procurador-geral da República e ao ministro da Justiça e escancarar as mazelas. Não sou parte nas investigações. A vítima, a meu ver, é a União. Teria sido um ato contra um serviço da União.”.

Terá sido pura invenção do presidente do TSE? Terá ele simplesmente inventado essa estória escabrosa de grampos telefônicos para vitaminar os ataques contra o governo, o PT e o Lula?

Cara de pau este Marco Aurélio de Mello. Na maior desfaçatez lança suspeitas sobre o trabalho técnico da Polícia Federal para continuar acusando o governo de bisbilhotar seu santo gabinete.

Zero Hora - o Partido

Zero Hora está se esmerando na arte de prejudicar o PT. E sabe muito bem como fazer isso. Assim como já não disfarça o desejo [ou delírio] de impedir a chegada do candidato Olívio Dutra ao segundo turno.

A cada edição o jornal demonstra sua capacidade de auto-superação em destruir a imagem do PT.

É difícil prever o que o partido/jornal ZH poderá aprontar nos próximos dias, principalmente na edição dominical, dia da eleição. Toda vacina é válida, pois os antecedentes do grupo RBS não autorizam ingenuidade na abordagem da questão.

O grupo RBS caminha para novo ciclo de desgaste e de conflito perante a opinião pública; para a perda da pouca credibilidade que lhe resta.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Vilania pela esquerda

Muitas pessoas da esquerda social e partidária ajudaram, com suas assinaturas, a legalização do PSOL. De boa fé e mesmo divergindo da opção daqueles que saíram do PT de fundarem um outro partido, muitas pessoas concederam apoio democrático para que os dissidentes do PT pudessem viabilizar uma alternativa política e institucional.

Gente do PT, PCdoB, PSB, dos movimentos sociais, intelectuais e tanta gente que, mesmo não vinculada a partidos políticos, apoiou o direito de reconhecimento formal do PSOL.

O que ninguém poderia aceitar é que o PSOL se transformasse em braço acessório do PSDB e do conservadorismo brasileiro. Falando claro: que o PSOL fizesse o jogo da direita.

Os fatos e circunstâncias em que isso ocorre são abundantes. Às vezes nem mesmo se consegue distinguir se uma generalização adjetiva contra o PT foi feita pela Heloísa Helena ou pelo ACM, por Serra, Alckmin ou pelo FHC.

Nas eleições no RS não é diferente. O candidato do PSOL, Roberto Robaina, tem como esporte predileto atacar neuroticamente Olívio e o PT. Ele simplesmente secundariza – quando não abstrai – as candidaturas neoliberais de Rigotto e Yeda. Ataca o PT e Olívio e ataca baixo, mas não num debate programático.

É lamentável que o PSOL tenha se tornado uma caricatura de si mesmo, do seu dogmatismo e do messianismo dos “novos” dirigentes revolucionários. Segue a pior tradição da esquerda doutrinária que crê no determinismo da história e perde a noção histórica e estratégica de discernir quem são e onde estão os adversários de classe.

O Olívio, no primeiro governo democrático e popular do Rio Grande do Sul, foi vítima da vilania da direita. Vilania de quem reivindica tradição de esquerda tem outro nome.

Governador nas 24 Horas do dia

Do candidato Olívio Dutra na manifestação de despedida no debate promovido hoje pela AGERT:

Já fui governador. Mas fui governador 24 horas do dia. Não entendo essa de dizer que é governador somente no horário comercial. Serei governador outra vez 24 horas do dia.

Olívio se referiu ao governador-candidato, que na justificativa de ausência no debate, registrou que não poderia participar do encontro da AGERT por ser no horário “que atua como governador”.

De fato o governador-candidato nem precisa fazer muita campanha, podendo dispender seu tempo “fora da repartição” ou “fora do expediente” para brincar com o cachorrinho novo.

Com a mídia dando a força escandalosa que dá, mais a conversão de postos de vacinação em comitês eleitorais, o governador-candidato se dá ao luxo de guardar suas energias.

Rigotto cada vez mais se parece com Britto: enrola, mente e é o “cavalo do comissário” desta eleição.

Crise editorializada

Os jornais brasileiros de circulação nacional como a Folha, o Estado de SP, Globo e Correio Braziliense trazem manchetes de capa das edições dessa segunda-feira em torno da declaração de Lula proclamando vitória no primeiro turno.

A ver:
Correio Braziliense: Lula e Alckmin empatam no DF. Presidente diz que ganhará no 1° turno
O Estado de São Paulo: Lula: "Podem denunciar, mas ganho no 1° turno"
Folha de São Paulo: Lula diz que "mata" eleição no 1° turno
O Globo: Lula se compara a Cristo e diz que ganha no 1° turno

Nas matérias predomina a cobertura sobre o escândalo provocado pelo dossiê e a respeito dos estúpidos personagens que fizeram a picaretagem. Muito pouco é reportado sobre o conteúdo do dossiê, que são as falcatruas da turma do PSDB junto com a famiglia Vedoin. De qualquer maneira, o principal da cobertura não trata o escândalo como uma crise. O caso do dossiê é tratado como deveria, ou seja, como um escândalo.

Zero Hora, porém, é semiótica.
A edição de hoje não faz mera cobertura sobre o escândalo do dossiê e seus desdobramentos, mas sim cria o clima de recepção de Lula, que chega ao Estado para compromissos oficiais e de campanha.

A manchete de capa do jornal é “Em meio à crise, Lula visita o RS”.
Nas matérias internas, ZH se esmerou com reportagens sobre “o serviço secreto” [sic] do PT com ilustrações até de PC Farias na matéria; sobre a queda de Lula nas pesquisas; a “blindagem” [sic] do PT gaúcho a Lula nas atividades de campanha no RS; sobre o mal-estar de Alckmin e por aí vai.

Mas surpreende muito a reportagem “Clube Militar vê risco à democracia”. A matéria, que destoa de toda a imprensa nacional, ganha destaque na edição de ZH porque “confere” veracidade à idéia de “crise” estampada na capa.

Dispensável referir que as atividades da campanha Olívio, especialmente a enorme [e maior] caminhada no Brique da Redenção, não figurou no jornal.

Se afastando das bases

O candidato Turra anda na contramão das bases do PP em todo o interior do Rio Grande. Muitos prefeitos, vereadores e dirigentes partidários já manifestam a decisão de apoiar o candidato Olívio Dutra no segundo turno.

Olívio colhe os frutos do trabalho respeitoso, sério e republicano que manteve com representações de todos os partidos políticos quando foi governador do Rio Grande e depois como Ministro das Cidades. Olívio avançou e muito e valorizou os Municípios na perspectiva de uma verdadeira relação federativa.

A posição crispada de Turra contra o Olívio nos debates não agrada prefeitos, vereadores e simpatizantes do PP no interior, e pode afastar a base do PP do candidato Turra já no primeiro turno, o que pode ser ruim para as pretensões partidárias do PP.

Ao invés de realizar um debate programático, Turra tem preferido atacar Olívio. Parece querer constrangê-lo em relação a questões como a Ford e ocupações de terra. Olívio, contudo, responde com tranqüilidade, mas certamente preferiria avançar na apresentação de propostas para tirar o Rio Grande do buraco em que a coligação conservadora de Rigotto o meteu.

Turra também se passa quando nega sectariamente os avanços importantes tidos no RS com o governo federal, como o seguro agrícola.

Desse jeito, o candidato do PP acaba desempenhando um papel de “laranja” do PMDB e do governador-candidato Rigotto. E isso não agrada a setores identificados com o PP em todo o interior, que podem migrar de candidatura e apoiar Olívio já no primeiro turno.

Desta vez foi fora do ar

A candidata Yeda não compareceu ao debate da TVE ocorrido ontem a noite. Justificou a ausência devido a uma gastroenterite.

Menos mal, porque da última vez que participou em debate eleitoral, a gastroenterite da candidata foi no ar e ao vivo, quando respondeu colericamente a pergunta de outro candidato. Na ocasião, expôs uma posição racista e seu preconceito contra as religiões afro-brasileiras.

Aos leitores da ZH de hoje, 25/09, o Biruta pede que se manifestem quanto à técnica jornalística do jornal, que colocou as notícias e fotografias de Yeda e Alckmin em páginas espelhadas [8 e 9]: Yeda e Alckmin, unidos até na doença.

As pesquisas, que detectam crescimento de Alckmin no RS, são a senha para a força que ZH volta a dar para Yeda.

Ainda monitorando na UTI

A semana passada teve um movimento frenético no mercado de pesquisas eleitorais.

O Ibope e o Datafolha registraram no TSE e divulgaram pelo menos duas pesquisas que cada instituto realizou entre o início e o fim da semana.

A variabilidade detectada ainda não permite conclusões – menos ainda definitivas. Apesar disso, muitos jornais e TV´s publicaram desejos e comemorações, porém não reportagens e prospecções acerca das pesquisas.

Ainda não é possível aferir a extensão efetiva do dano que a estupidez do dossiê trará para a reeleição de Lula no primeiro turno. Mas é evidente que além dos prejuízos políticos e de imagem, a estupidez do dossiê causou perdas eleitorais.

Em Estados com tradição mais crítica, como o Rio Grande, é plausível acreditar-se em contaminação da bandalheira do PT nacional na candidatura do PT e a produção de estragos justamente num momento em que começa a se criar uma onda ascendente do Olívio rumo à vitória. Fato também a ser visto e monitorado.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Tsunami Rigotto causa tragédia na saúde

O candidato-governador que se elegeu prometendo construir um posto de saúde a cada quilômetro é fiel à doutrina do PMDB de causar uma tragédia na saúde pública. Segue, assim, o mesmo estilo do seu ex-governo do seu ex-correlegionário Britto: prejudica a população que precisa do SUS, mas favorece os grandes.

No final de agosto, a Justiça mandou o atual governo devolver R$ 365 milhões das verbas que foram desviadas da saúde somente no ano de 2003.

Nos anos de 2004 e 2005, o governo estadual também deixou de aplicar na área os 12% que determina a Constituição Federal, causando um rombo de mais de R$ 1 bilhão de reais.

Na proposta de orçamento para 2007 que enviou à Assembléia Legislativa no último 15/09, Rigotto outra vez desrespeitou a Constituição [e principalmente o povo que mais precisa] e deixou faltando R$ 237 milhões no orçamento da saúde. Com isso, ao final do tsunami Rigotto, o SUS vai contabilizar um prejuízo de aproximadamente R$ 2 bilhões.

O Rio Grande do Sul, no ano de 2004, foi a unidade da federação com o pior índice de investimento na área de saúde, de acordo com a Nota Técnica 49/2006 do Ministério da Saúde. Aplicando apenas 6,1% da receita, Rigotto deixou o Rio Grande na lanterna neste verdadeiro "ranking da vida", posicionando-o muito abaixo do padrão de investimentos dos demais Estados, que variaram de 9% a 24%.

Além de retirar dinheiro da saúde, Rigotto desmontou o SUS ao abandonar projetos importantes criados no governo Olívio e que vinham dando certo pois permitiam o atendimento qualificado e resolutivo da população. Não faltam exemplos: a municipalização solidária, a regionalização hospitalar, a produção de medicamentos e o financiamento dos hospitais, casas de saúde e instituições comunitárias, filantrópicas e conveniadas do SUS.

Enquanto o governo estadual aplica menos de 6% do orçamento na área da saúde, os municípios gaúchos estão aplicando em média 19% e o governo Lula aumentou em R$ 400 milhões/ano o custeio dos serviços e ações do SUS no Estado. Isso quer dizer que quem de fato financia o SUS no Rio Grande do Sul são a União e os Municípios.

Ao mesmo tempo em que desviou R$ 2 bilhões da saúde, Rigotto concedeu R$ 5 bilhões em benefícios fiscais para mega-empresas e deu três anistias para sonegadores.

Como está acostumado a transferir a culpa de todos os males do Rio Grande a São Pedro ou ao governo federal, é provável que o candidato-governador culpe as pessoas que adoecem pela tragédia que causa à saúde.

Quando tudo ajuda ...

O governador-candidato anunciou que não mais se licenciará para se dedicar exclusivamente à campanha reeleitoral.
Concluiu que nem é necessário, pois com a generosa força que recebe dos principais meios de comunicação, pode ficar em casa brincando com o cachorrinho novo e se poupando da dureza do trabalho.
Ademais, o governador-candidato também tem a vantagem de poder transformar comitê eleitoral em repartição pública de vacinação infantil sem ser molestado pela justiça eleitoral. Ah, com direito a usar materiais, equipamentos e funcionários públicos!! Sem deixar de recordar que o feito se deu em Imbé e que os funcionários atuavam devidamente uniformizados.

Para que nunca mais aconteça III

Repercutiu no Nuestro Vino, blógue que consta dos linques do Biruta do Sul, a notícia da prisão perpétua de um ex-comissário de polícia que atuou fortemente durante a repressão argentina entre 1976 e 1983. É a primeira medida do gênero que ocorre na Argentina.

O comentário completo e outras referências sobre esta notícia, podem ser obtidas no Nuestro Vino, clicando aqui.

A dias atrás, Biruta também fez referência à ação judicial impetrada pela família Maria Amélia e César Teles contra o torturador e hoje coronel aposentado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, que durante a ditadura militar no Brasil foi um dos piores algozes dos presos políticos, dos seus familiares e de muitas pessoas inocentes. Foi a primeira ação do gênero no Brasil.

São duas iniciativas - tão somente duas - mas de ressonância exponencial para a preservação da viva memória contra a barbárie, o totalitarismo e a intolerância.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Alerta total: vacinação contra a vilania

A coordenação da campanha Lula emitiu boletim de alerta para as manobras golpistas engendradas principalmente pelo PSDB e PFL. O boletim pode ser lido no saite da campanha [clique].

Jogada ensaiada

O nada-isento presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, mais esforçado em impugnar Lula do que em conduzir o processo eleitoral com isenção e imparcialidade, segue se superando na modalidade “reacionarismo de toga”.

Comentando sobre o episódio do dossiê, tem emitido juízos de valor que lhe impedem não só de conduzir as investigações acerca do assunto, como de presidir o processo eleitoral brasileiro. Já aventa a cassação do eleito, caso não consiga impugnar a candidatura de Lula.

No outro lado da Praça dos Poderes em Brasília encontra-se o Senador Heráclito Fortes, do PFL-PI, um jogador do mesmo time do presidente do TSE e que vem aprontando das suas. Propõe a criação de uma CPI para investigar o assunto e que seria instalada, entretanto, somente após as eleições.

As medidas desses dois personagens têm um objetivo em comum: azucrinar Lula desde antes mesmo da posse no segundo mandato. Faz parte do jogo de desestabilização e deslegitimação do governo Lula com vistas ao assalto tucano-pefelista ao aparelho de Estado em 2010.

Os gaúchos lembram bem do que são capazes os reacionários e conservadores ao serem democraticamente derrotados. Durante o governo Olívio Dutra, de 1999 a 2002, houve a oposição raivosa capitaneada pelo PMDB que começou imediatamente após as eleições e se desenrolou até o último dia de governo. Para não esquecer: o ex-governador Britto, do PMDB, incendiou o Estado e recusou-se a transmitir o cargo. Em 1º de janeiro de 2003 Olívio Dutra democraticamente transmitiu o cargo ao atual governador, que se elegeu ironicamente com a promessa abstrata de “pacificar o Estado” [sic] – envenenado pelo seu próprio correligionário de então.

Monitorando na UTI

Na noite de hoje, 21/09, foram divulgadas duas novas pesquisas IBOPE e Vox Populi, cujo campo foi colhido no calor inicial do episódio do dossiê. Os resultados indicam a preservação da ampla vantagem de Lula em relação à soma de todos os demais adversários, com o encaminhamento da eleição, por ora, já no primeiro turno.

Nada autoriza, entretanto, conclusões imediatas sobre a extensão e efeitos do episódio do dossiê para a eleição de Lula e dos candidatos do PT nos Estados. Muita água ainda vai passar por debaixo da ponte. E muita baixaria vai circular nos programas eleitorais e através da mídia conservadora.

A campanha, que até então estava modorrenta, ganha nova dinâmica a partir de agora, e cada novo lance passa a ser acompanhado como um médico monitora paciente internado numa UTI: a todo instante constatando todos os sinais vitais.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Brasil ao avesso

Tempos curiosos no Brasil de hoje.

Alguém que chegasse de fora, passasse os olhos nos jornais e noticiários, concluiria que as coisas estão de cabeça para baixo no Brasil.

Vejamos:

- O PSDB e o PFL só têm talibãs e terroristas entre os chefes da malta, mas querem fazer crer que o homem-bomba seja Lula, que só perderia com uma estupidez como a do dossiê.

- Presidente do TSE, de quem se esperaria parcimônia e isenção, atua como acusador com ânsia de impugnar a candidatura de Lula.

- Inventores do Valerioduto, do PCC e das Sanguessugas, o PSDB e PFL aproveitam o embalo da confusão do tal dossiê para enterrar as investigações que ligam a famiglia Vedoin a Serra.

- A direita, no governo, sempre impediu o trabalho sério e isento da Polícia Federal, mas agora que a instituição atua com profissionalismo e independência no governo Lula, atacam-na porque gostariam de obter cenas sensacionalistas para explorarem na televisão.

- A candidata do PSOL, que diz representar uma alternativa de esquerda, vocifera com a mesma estridência que a direita, dizendo coisas como “Não tenho dúvida que o presidente Lula é o grande comandante desta estrutura, que é uma organização criminosa capaz de roubar, matar e liquidar quem passa pela frente ameaçando o seu projeto de poder.”.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

A Herança Farroupilha

Por Olívio Dutra, publicado no Correio do Povo de 19 setembro 2006

As gaúchas e os gaúchos têm todo o direito de comemorar com muito orgulho a data de Vinte de Setembro, a nossa Revolução Farroupilha. São raros os acontecimentos que varam o tempo e se projetam para o futuro, criando símbolos permanentes e uma cultura específica. A revolução dos farrapos é um deles. Foi um fato histórico relevante não apenas para o RS, mas - e isso poucos percebem - para o Brasil. Por isso mesmo, quando celebramos mais um aniversário do decênio heróico, devemos, além da festa, justa e necessária, pensar sobre ele, refletir sobre as razões que tornaram a revolução não apenas um acontecimento datado no calendário, mas o fato que desencadeou a descoberta do gaúcho, a sua identidade, o seu jeito de ser.


Pois a Revolução Farroupilha teve um conteúdo profundo e antecipador. Não é por acaso que revolucionários europeus, como os italianos Luigi Rossetti, Tito Lívio Zambeccari e o grande Garibaldi participaram ativamente da Revolução que por dez anos resistiu ao Império. A revolução dos farrapos tinha uma ideologia inovadora que perpassava todos os interesses materiais que a motivaram. Ela estava positivamente influenciada pelas idéias renovadoras que sacudiram a Europa nos séculos XVIII e XIX, estava construída nas pegadas do Iluminismo e erguia bandeiras que só no final do século XIX iriam se tornar realidade no Brasil: a República, que, segundo os ousados revolucionários, era inseparável da liberdade, da igualdade e da humanidade. Foi, portanto, uma revolução liberal e republicana.


Assim, esse legado profundo não pode ser esquecido, não pode ser deixado em segundo plano, mas ser lembrado sempre para não submergirmos na tentação perigosa da mera 'folclorização' da data. Ainda mais que muitos dos aspectos do programa farroupilha continuam extremamente atuais e, principalmente, a idéia de República, que ainda está para ser plenamente realidade em nosso país.


Celebremos mais um aniversário da grande revolução, com alegria e com orgulho, relembrando coletivamente as nossas tradições culturais, os nossos costumes que nos formaram como povo que soube receber e assimilar as outras etnias que aqui aportaram e que também contribuíram para que o RS viesse a se tornar o que hoje é. Mas sem esquecer que o Vinte de Setembro foi fundamentalmente uma corajosa e imorredoura ação política que viria a ter profunda influência no futuro da nação brasileira. E, principalmente, sem olvidarmos o fato de que muito do que sonharam os revolucionários de 1835 ainda está por ser feito.