quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Intendência Gerdau

Jorge Gerdau Johannpeter não é o que é por acaso. Tem faro, tirocínio e uma visão que muitos considerariam premonitória. Nos últimos dias, vinha dizendo que aceitaria ser Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio de Lula desde que desfrutando de “ampla autonomia para ditar os rumos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”!

O homem do aço sabe do que fala: controlar os instrumentos do Estado e direcioná-los para interesses particulares é a alma do negócio: só no atual governo estadual gaúcho, abocanhou R$ 1 bilhão em benefícios fiscais através do Fundopem. Ele já havia abocanhado, no início dos anos 1990, a estatal Aços Finos Piratini, que deu o impulso inicial para a formação do império de Gerdau.

Deu na Folha de SP de hoje que o Grupo Gerdau realizou 11 operações de financiamento junto ao BNDES no valor de R$ 1,752 bilhão desde 1999 até este ano [assinantes UOL ou FSP podem ler a notícia na íntegra clicando aqui].

Por mais de tenha divulgado nota pública voltando atrás nas manifestações anteriores de participar do governo Lula, é improvável que tenha desautorizado os movimentos nesse sentido. Gerdau é o típico neoliberal brasileiro: preconiza o Estado Mínimo para todo o povo e favorecimento máximo dos conglomerados econômicos através do Estado.
Foi assim que ele se fez na vida. Essa seria sua receita para o “sucesso” do governo Lula.

Ministro João Pedro Stédile?!

Há quem defenda, internamente no PT, que o critério de "notabilidade", "notoriedade" e "mega-representatividade setorial" que o presidente Lula adota para cogitar Jorge Gerdau Johannpeter no seu Ministério, poderia perfeitamente ser aplicado para a escolha de João Pedro Stédile no time de ministros de Lula.

O assunto corre animado em lista de discussão de importante tendência interna do PT. Quem poderia imaginar Jorge Gerdau Johannpeter e João Pedro Stédile colegas de repartição no Governo Lula. Os tempos são, decididamente, os profetizados por Nostradamus ...

Bush go home


Foi amarga a derrota sofrida por Bush nas eleições legislativas norte-americanas. Tem gosto de Vietnã, que foi outra malograda incursão do império nos anos 60/70 contra o direito dos povos à auto-determinação e à própria soberania. O Partido Republicano de Bush [que de republicano não tem nada] perdeu o controle da Câmara de Representantes [Câmara Federal deles] e também perdeu a maioria no Senado para o Partido Democrata [que é mais liberal que qualquer coisa] de Hilary e Bill Clinton.

Com o resultado, caiu o Secretário de Estado da Defesa, Donald Rumsfeld. Rumsfeld é o mesmo senhor que flertava com Saddam e fazia negócios escusos com o regime iraquiano nos anos 1980 durante o regime Reagan / Bush-pai e que na era do Bush-filho [apelidado de Mister Danger pelo presidente venezuelano Hugo Chávez] falsificou provas e fatos para justificar a guerra unilateral contra o Iraque.

A fotografia acima dispensa legenda, fala por si. Como bem escreveu no New York Times Paul Krugman, “Bush é um tirano inseguro que acredita que admitir um erro questionaria sua virilidade. É o tipo de homem que nunca deveria exercer um poder livre de barreiras e contrapontos, como o que recebeu de presente depois do 11 de setembro. Mas, infelizmente, a ele foi dado esse tipo de poder, assim como um salvo-conduto de boa parte da imprensa.”.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Barbárie contra os palestinos

Ariel Sharon padece moribundo na UTI, mas seu espírito belicoso vive. A resposta do exército israelense a manifestantes palestinos que usam pedras e bombas caseiras, é a descarga absurda de mísseis em alvos civis. Novo ataque hoje na Faixa de Gaza – território palestino ainda tutelado por Israel – causou a morte de 18 civis inocentes, das quais sete crianças.

A seqüência de atentados israelenses ao povo e ao Estado Palestino se enquadra na categoria de crime de guerra e crime contra a humanidade. Por onde anda a ONU, que não intercede na região e não instala o Tribunal Penal Internacional para julgamento justo dos criminosos dessa guerra estúpida? Por que Bush é tão condescendente com o terrorismo do governo israelense se o mesmo não difere, nos efeitos desumanos que produz, do terrorismo de Bin Laden?

A indiferença do mundo em relação ao conflito no Oriente Médio pode trazer conseqüências gravíssimas para o já instável sistema político internacional. Com o contínuo agravamento da situação no Iraque e a hostilidade quanto ao papel do governo norte-americano na região, a amplificação dos conflitos entre Israel e Palestina põe mais combustível na crítica situação internacional.

Começa cair a máscara de Yeda

A governadora eleita do Rio Grande, Yeda Crusius Credo [YCC], cometeu uma série de deslizes e gafes no programa do Jô Soares na TV Globo. Tentando aparentar familiaridade com o linguajar gauchesco e parecer simpática à cultura gaúcha, YCC errou feio ao fazer piada de mau gosto com a morte da mãe do cantor tradicionalista e também finado Teixeirinha. Dentre outras asneiras, disse que “pantalha” é uma indumentária típica dos gaúchos – talvez de gaúchos ligados na tomada ....

Mas as mancadas da governadora eleita valem menos pelo conteúdo do que por simbolizarem a desconstituição precoce da artificialidade e da trucagem apresentada nas eleições. Ou, dito claramente: está caindo a máscara eleitoral e a fantasia ilusionista para ganhar votos.

Nas negociações para montagem do governo, YCC reagrupa a velha turma que dilapidou o Estado, ressuscita personagens manjados na cena pública e portadores de um jeito antigo e fracassado de governar. Não tardará a hora em que a governadora eleita tentará impor seu verdadeiro programa, aquele que foi sistematicamente escondido nas eleições. Ela dá indícios de que poderá transferir antecipadamente ao governo Lula a culpa pelas dificuldades, ao considerar como pauta prioritária a redução para 9% do percentual da dívida. Nas eleições, sempre dizia que a renegociação da dívida, feita pelo Britto e FHC, foram como "um bombom maior que a festa da Páscoa na Serra".

Gerdau quer estender sua intendência para o resto do país

Continua replicando a notícia de que o mega-empresário mundial do aço, Jorge Gerdau Johannpeter, poderá compor o Ministério do segundo governo Lula. O empresário avança as pedras no tabuleiro e não só diz ter sido sondado por Lula, como confirma interesse de comandar o Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio desde que tenha “ampla autonomia para ditar os rumos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”! [sic]

Gerdau sabe o que quer, escancara seu desejo e sabe perfeitamente qual é a fonte capaz de saciar seus interesses. Na sua intendência no Rio Grande, o seu atual preposto no Palácio do Piratini presenteou o mega-empresário com benefícios fiscais de R$ 1 bilhão.

Caso venha efetivamente tomar parte no governo federal, haveria um grave conflito de interesses entre os negócios do Grupo Gerdau com o Estado brasileiro e a presença do patrono Gerdau gerindo os instrumentos estatais e as políticas públicas.

Porto Alegre no atoleiro

O afundamento de um ônibus de linha num buraco no asfalto, ocorrido na segunda-feira [06/11] no cruzamento da Rua Coronel Bordini com a Avenida Cristóvão Colombo, em Porto Alegre, é a mais apropriada metáfora do atoleiro de Porto Alegre na atual administração municipal.

O episódio decorreu de vários fatores combinados que sintetizam o descalabro dos serviços públicos da capital sob a administração do prefeito Fogaça e seu condomínio partidário de sustentação. Foi a conjugação de chuva intensa com obra sem planejamento, duvidosa qualidade técnica do trabalho executado e desconexão entre os órgãos municipais envolvidos na mesma ação.

Isto tem sido a regra do governo municipal em relação às obras e serviços públicos. Basta se observar atentamente a forma como os serviços públicos vêm sendo executados em Porto Alegre para se comprovar a incompetência e descalabro administrativo.

Obras simples e rotineiras de manutenção de ruas, por exemplo, são executadas em horários inadequados, sem planejamento e causam transtorno ao trânsito de regiões inteiras, não só dos pequenos trechos em reparos.

Outras obras mais estruturantes de esgotamento sanitário ou de telecomunicações comprometem regiões amplas simultaneamente, não têm cronograma confiável e demoram meses seguidos até a conclusão, depois de terem os mesmos serviços feitos e refeitos diversas vezes.

A coleta de lixo também segue o mesmo padrão de desordem: é realizada em horários de movimentos intensos, não há regularidade diária e a qualidade é deplorável – vide a sujeira em que se encontra a cidade.

Na época da Administração Popular, assuntos de muito menor relevância mereciam denúncias espalhafatosas em telejornais, capas de jornais, comentários diuturnos nos programas de rádio e debates a fio.

Mas os tempos são outros e Porto Alegre é governada pelo cavalo do comissário. Por isso Zero Hora não repercutiu o ônibus atolado no buraco do desgoverno municipal, assim como não publica os inúmeros problemas cotidianos que denotam a queda impressionante da qualidade dos serviços municipais.

Na Porto Alegre deste governo blindado pela mídia, ônibus ficam emborcados em buracos no asfalto, a cidade é deixada imunda e pacientes caem de ambulâncias pela porta traseira. Mas tudo parece natural. É de se supor, entretanto, o tratamento que seria dispensado pela imprensa a um prefeito do PT se ocorresse a cena dantesca de queda de uma paciente grávida da porta traseira de uma ambulância do SAMU!

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Solidariedade com Oaxaca em Porto Alegre

Acontece as 17 horas deste 07/11 em Porto Alegre um ato de solidariedade à luta do povo mexicano da província de Oaxaca. O conflito iniciou em agosto passado depois que uma manifestação de mais de 70 mil professores foi duramente reprimida pelas forças policiais da província de Oaxaca.

Em reação à repressão sofrida, os professores e outras representações civis formaram a APPO [Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca], iniciaram um movimento de desobediência civil e de luta pela deposição do governador Ulises Ruiz Ortiz.

Desde então, um clima de conflito aberto tomou conta da situação, com muitos feridos e sete pessoas mortas, dentre as quais um repórter norte-americano. Órgãos do governo central mexicano – Exército e Polícia Federal – se juntaram às forças policiais regionais para reprimir e dissolver o movimento, como parte de acordo existente entre o PRI do governador de Oaxaca e o PAN do presidente Fox. Informações atualizadas sobre a situação em Oaxaca podem ser lidas no jornal La jornada, do México.

O ato de solidariedade porto-alegrense acontece a partir das 17 horas de hoje [07/11] na Praça Montevidéo, em frente ao prédio da Prefeitura Municipal.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Dupla derrota imperial

Tendências das eleições legislativas norte-americanas indicam que Bush Júnior poderá perder a maioria legislativa para o Partido Democrata.
Noutro front, Bush amargará outra derrota: Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional da Nicarágua desponta como presidente eleito no primeiro turno, pois atingirá mais de 35% dos votos totais e terá vantagem superior a 5% em relação ao segundo colocado, conforme determina a constituição nicaraguense. Ortega derrota o candidato declarado de Washington, o banqueiro Eduardo Montealegre.

A ver a chiadeira dos EUA contestando a legalidade da vitória da FSLN e as manobras que poderão reabrir a guerra civil naquele país, já gravemente enfernizado pelo governo Reagan/Bush pai em todo o período da Revolução Sandinista nos anos 80.

A tentação fatal da maioria no Congresso

Lula obteve uma estrondosa vitória no segundo turno das eleições. Quase 60 milhões de brasileiras e brasileiros confirmaram o novo mandato do presidente Lula numa das maiores votações nominais já recebida por um governante em toda a história política mundial.

Com isso, Lula espantou o fantasma golpista dos tucanos e pefelistas que pretendiam fazer do segundo turno um componente de deslegetimação e desestabilização permanente do segundo governo. Este é, portanto, um paradoxo positivo do segundo turno, apesar da sensação inicial corrente nas hostes governistas, após os resultados no primeiro turno, de uma derrota política.

E, no terreno das contradições que ficaram ampliadas com o segundo turno, a principal diz respeito à natureza das alianças de governo e o sentido programático do próximo governo. No primeiro mandato, o centro político do governo e a direção do PT hiper-valorizaram a constituição de maioria absoluta no Congresso Nacional sem identidade programática - deu no que deu.

Parece que os entendimentos novamente se balizam pela convicção de que é essencial constituir-se maioria congressual absoluta na base de alianças com velhos caciques regionais de acordo com os quinhões de parlamentares que eventualmente possuam – a reedição da lógica das capitanias hereditárias. Tem tudo para dar errado de novo.

A busca de maioria absoluta a qualquer custo – ou no caso atual, ao custo da regressão programática – carece de razões superiores. No primeiro mandato, pouquíssimas foram as matérias de interesse do governo que exigiam maioria qualificada de 2/3 no Congresso. Quando, todavia, o governo necessitou de maioria para impedir a verdadeira chanchada da oposição que criou cinco CPIs para funcionarem simultaneamente, o governo perdeu.

Um governo progressista ou de esquerda não pode se iludir com alianças ocasionais que se formam não no interesse nacional, público e popular, mas unicamente para o desfrute de vantagens particularistas na ocupação de espaços no aparelho de Estado brasileiro. Se o governo tem matérias de relevante interesse público ou projetos de reformas democratizadoras e modernizadoras do país e diminuidoras das desigualdades e injustiças sociais, sempre encontrará nas forças sociais organizadas – movimentos sociais, setores empresariais, eclesiásticos, prefeitos municipais e vereadores, no povo simples, etc – a verdadeira aliança para realizar as transformações represadas que o povo brasileiro exigiu nas eleições.

O governo não pode perder a noção da enorme autoridade conquistada eleitoralmente. Realizar alianças não significa renunciar aos próprios compromissos assumidos nas eleições, mas sim buscar constituir condições mais favoráveis para a concretização de objetivos traçados. É fundamental a combinação da maioria social articulada, ativa e participante nas decisões de governo através, por exemplo, do Orçamento Participativo, com a construção de uma maioria de apoio ao governo também no parlamento. A força e pressão do povo organizado e participativo é o melhor antídoto contra as investidas que a direita faz em oposição às reformas e transformações que restituirão ao povo brasileiro a dignidade que lhe foi subtraída ao longo da história.

Raça mobilizada e unida

A raça, a teimosa raça que não se rende à maldição de Bornhausen, está mobilizada e unida na solidariedade racial a Emir Sader. São mais de cinco mil assinaturas colhidas nos dois últimos dias, e que serão somadas a milhares de outras que se seguirão.

As pessoas que integram esta estranha raça de Emir e de outros pensadores, ativistas e militantes por uma sociedade livre e justa, podem se somar ao Manifesto clicando aqui.
Em breve ocorrerão novas manifestações e atos políticos em solidariedade ao Emir e de repúdio à sentença judicial. Aguardemos, pois.

domingo, 5 de novembro de 2006

Pela condenação de Saddam e de todos seus cúmplices criminosos

A Folha Online publica com destaque desde o início da manhã deste 05/11 a notícia de que “Saddam Hussein é condenado à forca por crimes de guerra”.
A sentença do Tribunal Iraquiano se refere unicamente ao crime de morte de 148 xiitas no povoado de Dujail, em 1982, pois Saddam ainda responde por vários crimes praticados desde que ocupou o poder no Iraque em 1979. Dentre os crimes que pendem de julgamento, constam vários genocídios promovidos contra a população curda, massacres de opositores ao regime, genocídio de populações civis na guerra contra o Irã com uso de armas químicas e outras proibidas e de crimes contra a humanidade.
Todos estes crimes foram praticados entre 1979 e 1990, quando Saddam e o regime ditatorial iraquiano eram apoiados financeiramente, militarmente, tecnologicamente e logísticamente pelo governo norte-americano de Ronald Reagan [1980 a 1988] e George Herbert Bush [pai do atual presidente, o Bush filho]. A condenação de Saddam ocorre curiosamente às vésperas das eleições legislativas dos EUA, e será usada por Bush como troféu para tentar evitar a derrota eleitoral dos republicanos nas eleições.

Fossem os tempos outros que não de um impressionante entorpecimento global de consciências promovido pela mídia norte-americana [que gera e pasteuriza 90% das informações que circulam diariamente no mundo], a informação do julgamento deveria ser acompanhada de alguns questionamentos:

i] Por que Saddam e seus auxiliares diretos, acusados de cometer crimes contra a humanidade, não estão sendo julgados pela Corte Penal Internacional ao invés de uma Corte Judicial que mais se assemelha a um tribunal de vingança de Bush e de etnias vitimadas pelas práticas criminosas de Saddam?

ii] Quando ocorrerá o julgamento do governo norte-americano, que foi cúmplice e colaborador de Saddam na prática dos crimes fornecendo tecnologias, recursos e armas químicas aplicadas contra a oposição curda e a população do Irã?

iii] Como se explica a natureza bárbara e primitiva da Justiça dos EUA e do Iraque, que aplica a pena de morte com enforcamento na condenação de criminosos?

iv] Quando iniciará o julgamento do governo dos EUA pelos crimes cometidos contra a humanidade na guerra ilegal e unilateral contra o Afeganistão e o Iraque?

v] Quando serão iniciadas as investigações sobre as prisões clandestinas e ilegais mantidas pelos EUA mundo afora, e quando haverá o fechamento da prisão de Guantánamo e o julgamento dos EUA pelos crimes ali cometidos contra civis inocentes?

vi] Se o julgamento de Saddam retroage aos anos 80 – o que é fundamental dentro do princípio de crimes imprescritíveis – porque não se instauram processos na Corte Penal Internacional para julgar os crimes cometidos contra a humanidade por sucessivos governos norte-americanos, em especial pela família Bush?

vii] Quando os EUA farão uma auto-crítica honesta sobre sua atuação criminosa na deposição de regimes democráticos e na imposição de ditaduras militares em todo o continente latino-americano, que custaram milhares de vidas de pessoas e impediram o direito à auto-determinação e soberania dos povos?

viii] Quando, enfim, a humanidade será reparada pelos crimes hediondos cometidos pelos governos norte-americanos?

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Com Gerdau governo aderna à direita

Há muito “balão de ensaio” nas especulações feitas sobre a composição do segundo governo do presidente Lula. As distintas forças políticas e interesses se esgrimam à distância para testar possibilidades e alcances das várias hipóteses de nomes para o Ministério.

Um dos nomes aventados nos últimos dias para ocupar uma Pasta Econômica [Fazenda ou Desenvolvimento] foi o de Jorge Gerdau Johannpeter. A indicação do mega-empresário do aço para ocupar qualquer posto no governo Lula, conferiria um tom demasiadamente conservador ao governo.

Se Lula batizou o segundo governo como sendo do “desenvolvimento”, é de se duvidar se o desenvolvimento que defende o presidente é o mesmo usufruído por Gerdau – concentrado, desigual e privilegiador de interesses econômicos poderosos.

O empresário também teria de superar conflitos de interesses, pois na sua atividade empresarial faz amplos negócios com o Estado. Só no Rio Grande do Sul, por exemplo, o grupo Gerdau foi beneficiado com R$ 1 bilhão de reais em benefícios fiscais pelo atual governo. Ou se está de um lado ou de outro do balcão. A presença do mega-empresário em função chave do governo não pode sugerir que Gerdau governaria em "interesse próprio".

Repudiar e denunciar crime é crime

Emir Sader, sociólogo e articulista da Agência Carta Maior, foi condenado em primeira instância na ação movida contra ele pelo senador Jorge Bornhausen, aquele que prega o ódio contra os adversários políticos e torcia pela extinção da "raça" petista por 30 anos.

Na sentença, o nobre juiz não só proferiu a pena de hum ano para Emir como também recomenda que após o trânsito em julgado da condenação, Emir seja exonerado do cargo público de professor da UERJ!
O ilustre senador pode vociferar posições neonazistas, mas quem combate suas atitudes preconceituosas é punido. Por isso, personalidades, intelectuais, parlamentares, acadêmicos, militantes sociais e outras pessoas já estão fazendo circular um manifesto de solidariedade ao Emir e de denúncia dos tempos machartistas na política brasileira, com alcance no judiciário. Pessoas interessadas em assinar o manifesto podem enviar mensagem para solidariedadeaemirsader@hotmail.com.

Na Carta Maior, a repercussão completa sobre o assunto e o conteúdo do manifesto podem ser lidos clicando aqui.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Quem é o maior vitorioso?

O PSDB e o PFL foram as principais forças derrotadas nas eleições gerais de 2006. O PFL perdeu 3 de quatro governos estaduais conquistados em 2002, e o PSDB perdeu um. As bancadas dos dois partidos na Câmara Federal perderam 19 deputados do PFL e 4 deputados do PSDB.

Mas a principal derrota foi o revés eleitoral de Alckmin, que perdeu 2,5 milhões de votos, combinado com o desempenho exuberante do Lula, reeleito com 58 milhões de votos, 60,81% do eleitorado. A direita perdeu no objetivo estratégico de fazer do segundo turno o prosseguimento sem tréguas do combate furioso ao governo Lula e deslegitimá-lo e desestabilizá-lo permanentemente.

Do lado vitorioso, quem se saiu melhor - Lula ou o PT? É fato que o PT saiu fortalecido, apesar dos prognósticos [ou torcida] sombrios que indicavam não só sua derrota estrondosa como o próprio comprometimento de sua existência – Bornhausen, por exemplo, disse que o Brasil se livraria da “raça” dos petistas por pelo menos 30 anos.

O PT sobreviveu ao massacre jamais desferido contra nenhum partido político no Brasil, e saiu-se fortalecido da eleição ao preservar a representação parlamentar existente desde as dissidências do PSOL, ao receber a maior votação nominal do país, ao conquistar cinco governos estaduais e ao repetir a representação parlamentar nos legislativos estaduais.

Mas Lula e o “lulismo” – mescla de carisma pessoal e capital eleitoral baseado nas políticas sociais de governo – sai da eleição ainda mais fortalecido. O “lulismo” opera simbolicamente acima e por fora do PT, e o próprio Lula realizou alianças políticas e eleitorais muito além do espectro de centro-esquerda, chegando à centro-direita. A questão fundamental é saber se o que é bom ao “lulismo” também é bom para o PT.

A força da superação

Está por ser interpretado o significado do resultado eleitoral no Rio Grande do Sul. É certo que a vitória eleitoral não veio, mas provavelmente o desempenho da Frente Popular teria sido desastroso fosse outro o candidato que não o Olívio Dutra ao governo do Estado.

Ainda que o governo estadual não tenha sido conquistado, o PT teve uma extraordinária vitória política. Os elementos que conformam essa vitória - chegar ao segundo turno, preservar as bancadas parlamentares, rearticular a capacidade de intervenção social, recompor a base de confiança na sociedade e reagrupar o tecido partidário – têm a assinatura de Olívio.

Viva a esquerda, viva Olívio, viva o PT, viva a Frente Popular e viva o povo gaúcho.

Equivalências

Lula teve vitórias significativas em 20 unidades da federação, chegando a fazer 86,80% no Amazonas, terra do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio. Na quase totalidade dos casos, o bom desempenho de Lula impulsionou as candidaturas aliadas aos governos estaduais.

Nos três estados do Sul, entretanto, apesar de ter melhorado a votação em relação ao primeiro turno, Lula ficou atrás de Alckmin, se convertendo numa espécie de teto de votação para os candidatos aliados aos governos estaduais.

Houve uma nítida correlação entre a votação de Lula e os resultados de Olívio no Rio Grande do Sul, de Amin em Santa Catarina e de Requião no Paraná, assim como houve equivalência de desempenho entre Alckmin e seus aliados nesses Estados, como se observa no quadro abaixo:

PARANÁ

LULA

2.663.423

49,25%

REQUIÃO

2.668.611

50,10%

ALCKMIN

2.744.697

50,75%

OSMAR DIAS

2.658.132

49,90%

SANTA CATARINA

LULA

1.481.344

45,47%

AMIN

1.511.916

47,29%

ALCKMIN

1.776.776

54,53%

LUIZ HENRIQUE

1.685.184

52,71%

RIO GRANDE DO SUL

LULA

2.811.658

44,65%

OLÍVIO

2.884.092

46,06%

ALCKMIN

3.485.916

55,35%

YEDA

3.377.973

53,94%

Em todas as situações, Lula teve votações e percentuais muito próximos dos candidatos aliados, porém Lula sempre teve desempenho inferior aos aliados. E o oposto é percebido no desempenho de Alckmin, que teve votações e percentuais muito próximos dos seus aliados e sempre obteve desempenho superior às candidaturas aliadas.

Neste contexto, é admissível pensar-se que a candidatura de Lula favoreceu as candidaturas aliadas onde ele teve bom desempenho, mas o desempenho de Lula impediu o crescimento das candidaturas aliadas onde o próprio Lula teve desempenho ruim.

É provável que, no três Estados sulistas, foram as candidaturas aliadas que puxaram a candidatura de Lula para cima, e tiveram o crescimento contido devido ao comportamento do eleitorado em relação ao governo Lula e ao próprio candidato.

Uma das maiores votações do mundo

Lula, ao contrário de Alckmin, cresceu para cima e, de acordo com a totalização do TSE das 22h17min, obtinha 58.183.587 votos, correspondentes a 60,81% do total dos votos válidos. Dessa maneira, Lula engordou seu capital eleitoral com mais de 11 milhões de votos em relação ao primeiro turno.

No segundo turno de 2002, Lula já havia obtido 52 milhões de votos, e com esse novo desempenho formidável, se torna um dos mandatários mais bem votados do mundo.

Com esse resultado, Lula sai do segundo turno com legitimidade robustecida para o segundo mandato, que sofria inúmeras ameaças golpistas da trinca conservadora - PSDB-PFL-PPS.

Alckmin perdeu 2,5 milhões de votos do 1º turno

De acordo com a totalização realizada pelo TSE até às 22h17min de 29/10/2006, com 125.682.830 votos apurados [99,82% do total de votos], faltando apenas 230.649 votos a serem apurados [0,18% dos votos], Alckmin obteve 37.498.659 votos [39,19% dos votos válidos].

Com isso, Alckmin e a política raivosa e elitista do PSDB-PFL sofreram um tremendo revés ao receber votação inferior à obtida no primeiro turno, que foi de 39.968.369 votos - 41,64% dos votos válidos. Alckmin, desse modo, cresceu para baixo e emagreceu 2.500.000 votos no segundo turno.

sábado, 28 de outubro de 2006

A onda é vermelha, mas tem de ser aproveitada

Esta não será a primeira nem a última eleição em que pesquisas apresentam prognósticos aberrantes mesmo às vésperas da votação. A pesquisa IBOPE que sairá na Zero Hora deste sábado, 28/10, outra vez prestará um desserviço à democracia publicando resultados absurdos.

Pesquisa eleitoral não substitui a consciência do povo! E tampouco antecipa a vontade popular. Por isso, as próximas 48 horas serão dramaticamente decisivas para consolidar um potencial concreto de vitória de Olívio e Lula no Rio Grande do Sul. A onda é vermelha nesta reta final da campanha; sentem-se os ventos da viragem que garantirão a mudança do Rio Grande com Olívio e do Brasil com Lula.

Ocorreram simultaneamente três processos nesses últimos dias com impactos diferenciados: i] o crescimento de Olívio nos eleitores indecisos; ii] a transferência direta de votos de Yeda para Olívio e iii] a diminuição da votação espontânea em Yeda sem, contudo, haver a transferência automática de votos para Olívio, mas sim temporariamente para o contingente de indecisos.

Houve, por isso, o aumento de pessoas que ficaram indecisas nestes últimos dias. Este universo deve estar girando ao redor de expressivos 13% do total de eleitores e é composto preponderantemente por mulheres. É este o contingente que definirá a eleição no domingo.

Por isso é prioritário o trabalho de consolidação da mudança de voto que já foi de Yeda mas que ainda depende de um empurrãozinho para migrar definitivamente para o Olívio. A onda é vermelha e favorece o esforço de convencimento e de busca de novas conquistas. Somente com o trabalho árduo e perseverante se converte o potencial de virada em vitória concreta.

Os ventos sopram a favor da viragem para continuar as mudanças com Lula e retomar as transformações do Rio Grande com Olívio.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Desespero descamba para delinqüência e terrorismo

A eleição chega ao seu desfecho final e, junto com os ventos da viragem em favor de Olívio e Lula, chegam também as baixarias da candidatura Yeda, Alckmin e seus partidários. O desespero de Yeda/Alckmin e sua turma pode ser medido pelo grau de delinqüência e terrorismo que vêm empregando nestes momentos finais da campanha.

Só até as 11 horas desta sexta-feira, foram interceptados quatro crimes cometidos pelas candidaturas de Yeda e Alckmin:

  • a veiculação de comercial eleitoral fraudado sobre o debate da RBS que usa áudio e vídeo do debate da TV Band;
  • prisão de apoiadores de Yeda distribuindo material apócrifo, com acusações a Olívio e com a logomarca falsificada do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre;
  • apreensão de material ofensivo e mentiroso do deputado Osmar Terra, distribuído na região de Santa Rosa; e
  • distribuição de material falsificado com a logomarca da Folha OnLine com a falsa notícia da filha de Lula presa na carceragem da Polícia Federal.

Todas as pessoas democráticas e de bem do Rio Grande que repudiam tais atitudes desesperadas devem denunciar quaisquer novas ilegalidades para os comitês de Olívio e Lula, para a Justiça Eleitoral, para a Polícia Civil e Brigada Militar e para todos os órgãos de imprensa ao alcance.

Eleição deve ser disputada de maneira limpa e sem golpes baixos. Eleição é a manifestação consciente e livre do povo, e por isso deve ser feito um mutirão cívico de vigilância contra a delinqüência e o terrorismo desencadeados pelas candidaturas de Yeda e Alckmin.

A militância da Frente Popular, movida pela paixão e pela verdade, não deve aceitar e revidar qualquer violência sofrida, mas denunciar imediatamente.

A força do povo vence a vilania política da direita.

A nacionalidade de Elsa

O amigo David, que tem a sua Elsa e se sentiria bem representado no papel de Fred, esclarece a dúvida de Biruta quanto à nacionalidade de China Zorrilla, se uruguaya ou argentina:
Biruta do Sul, China Zorrilla es uruguaya, pero mira que raro. En 1970 se fué de Uruguay porque estaba prohibida, no es verdad, parece mentira que estas cosas ocurran en America Latina.- David

Mais um passo de Olívio rumo à estação vitória

No último debate televisivo desta eleição – um dos raros que a candidata Yeda não desistiu de comparecer – Olívio mostrou novamente porque é a certeza de mudar o Rio Grande e a vida do povo gaúcho para melhor.

Olívio apresentou as propostas de geração de empregos, recuperação dos serviços públicos, articulação e integração das polícias, redução de impostos, fortalecimento da agricultura e dos setores econômicos tradicionais da economia gaúcha e vários outros pontos do programa. Olívio deu, dessa forma, mais um e importante passo rumo à estação vitória.

Do outro lado se postou uma Yeda desfigurada e visivelmente irritada que a cada crítica recebida reagia com intolerância e desapreço. A candidata estava alterada e nervosa, mas mesmo assim não abandonou o costumeiro tom professoral e arrogante. Nas respostas, só falou generalidades e tecnalidades que nem seus mais esforçados alunos poderiam aprender qualquer coisa.

Adiante, nas postagens são comentadas as principais passagens do debate.

Debate III - mais um passo de Olívio rumo à estação vitória

Solução de Yeda é a mesma que gerou o PCC
Apesar da advertência de Olívio de que o desmembramento da Secretaria da Justiça e Segurança não é solução, mas sim problema para a questão penitenciária, Yeda defendeu novamente a doutrina falida do tucanato paulista, que consiste em criar vários órgãos de segurança porém sem nenhuma política de segurança. O efeito, todos sabem, é caos e PCC.
Olívio quer integração e inteligência das polícias, e Yeda defende a desarticulação e desintegração.

Remédio de Yeda é veneno
Yeda considera boa a renegociação da dívida feita por Britto e FHC, que retira R$ 1,7 bilhões todo ano do Rio Grande. Para Yeda, a medida adotada por Britto e FHC com o apoio dela é positiva, apesar do brutal sacrifício imposto aos serviços e aos servidores públicos.

Cuidado
: o que Yeda considera remédio é, na verdade, veneno.

Debate II - mais um passo de Olívio rumo à estação vitória

Yeda é contra a redução de impostos
A candidata Yeda é contra o Plano de Desenvolvimento e Emprego proposto por Olívio, que prevê a redução de ICMS para várias cadeias produtivas condicionada à geração de 125 mil empregos.
Yeda é contra a redução de impostos porque sua corrente político-ideológica só sabe governar com privatizações e aplicação de tarifaços.

Meia verdade = Mentira Inteira
Eleição é também o exercício de equações aritméticas e matemáticas, principalmente quando num dos lados está uma professora arrogante ou o que o jornalista Paulo Sant´Anna já chamou de “ectoplasma tecnocrático”.
Yeda tentou por repetidas vezes usar sofismas e dizer meias-verdades. Chegou até a insinuar que Olívio é contra a agricultura familiar. Mas repetidamente ela ouviu de Olívio que meia-verdade é pior que uma mentira inteira.

O homem da Azaléia
Yeda não explicou a Olívio porque ela não fez nada quando “o homem da Azaléia”, o amigo Britto, tirou a empresa e milhares de empregos do Rio Grande do Sul.

Debate I - mais um passo de Olívio rumo à estação vitória

Yeda faz o jogo das oligarquias baiana e paulista
Olívio mostrou outra vez que a deputada Yeda fez parte da trama poderosa para tirar a FORD do Rio Grande para levar para a Bahia. Foi com o voto de Yeda que FHC e ACM aprovaram a Medida Provisória que garantiu enormes privilégios para a empresa, que então abandonou as negociações com o governo gaúcho.
Yeda sempre fez o jogo das oligarquias baiana e paulista, e por isso também votou contra a proposta de Reforma Tributária do governo Lula que beneficiaria muito o Rio Grande do Sul.

Yeda foge das responsabilidades
Durante todo o debate Yeda se esquivou das responsabilidades diretas dela ou dos setores partidários que a apóiam. Aliás, a candidata sempre usa o truque de esconder ou negar o que lhe é desfavorável.
Negou ser responsável com FHC e ACM da trama para a saída da FORD; calou diante do grave desastre ocorrido no Rio dos Sinos durante a gestão tucana na SEMA; mentiu sobre votações dela como deputada e na postura diante da Lei Kandir.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

As pesquisas, a viragem e a responsabilidade

A candidatura de Yeda sempre usou a técnica de repercutir pesquisas erradas para induzir o voto em candidatos supostamente vencedores. Algumas pesquisas que foram divulgadas antes previam o crescimento de Yeda a porcentuais tão elevados que, se verdadeiros, atingiriam a soma dos votos dela, do Olívio e mais a população inteira do Uruguay. Outras pesquisas chegaram, inclusive, a sugerir a decisão eleitoral antecipadamente por WO, de tão confiantes na vitória da candidata neoliberal.

Os recentes resultados divulgados devem ser recebidos, por isso, com idêntica cautela, pois pesquisa não substitui voto na urna e menos ainda dispensa a responsabilidade militante de se conquistar novas consciências e construir a maioria eleitoral e social de Olívio e Lula.

É certo que os tempos e os ventos são de viragem na eleição gaúcha. A verdade, a consciência, a história e a política vencem a mistificação propagandística dos neoliberais. Mas isso exige muita garra, muita força e muito trabalho de convencimento até às 17 horas do próximo domingo.
Agora é hora de reforçar o dínamo dos ventos da viragem, para trazer os ares da mudança de volta ao Rio Grande.

Elsa y Fred

Vale ver Elsa y Fred, um filme sensível, simples e esperançoso de Marcos Carnevale, que tem China Zorrilla [argentina ou uruguaia?], de Conversando com Mamãe, no papel principal de Elsa. O filme não tem nada de vulgar ou caricatural, apenas explora as possibilidades existenciais muitas vezes invisibilizadas pela brutalidade do cotidiano.

A história vence a mistificação

Jeferson Miola, integrante do IDEA – Instituto de debates, estudos e alternativas de Porto Alegre - jmiola@uol.com.br
Nas últimas eleições no Rio Grande do Sul, o conservadorismo gaúcho esconde os reais propósitos da sua ideologia e se camufla em imagens, clichês e bordões de apelo subjetivo.
Diante da derrota das fracassadas fórmulas neoliberais aplicadas especialmente no governo estadual no período 1995/1998, a direita gaúcha se transforma em camaleão para parecer o que não é e esconder o que de fato representa. As eleições, sob a ótica conservadora, passaram a ser convertidas em concursos de propaganda e de marketing, cheios de generalidades confortantes, sedutoras e com cada vez menos conteúdo programático para responder aos problemas concretos da população. Esta estratégia propagandística-eleitoral tem encontrado na grande mídia um poderoso meio de propagação, que sedimenta essa mistificação no imaginário social.
Em 2002, por exemplo, o atual governador foi eleito sob a consigna da “pacificação do Rio Grande”. Não se discutiam propostas concretas para a saúde, educação, empregos, juventude e desenvolvimento, porque o que dominava o ambiente político e social era tão somente o tal sentimento de “pacificação do Rio Grande”.
Tanto a propaganda eleitoral como a mídia operaram com eficiência em duas dimensões - i] para sedimentar uma versão parcial e anti-histórica sobre a gênese dos conflitos na política gaúcha daquela época, em que a oposição ao projeto democrático-popular empregou técnicas e métodos não muito diferentes do terrorismo tucano-pefelista na oposição ao governo Lula e na eleição presidencial desse ano; e ii] para isentar a oposição do ódio e sectarismo e ao mesmo tempo estigmatizar o governo Olívio Dutra e principalmente o PT, tratando como nefastos à vida política gaúcha e cuja continuidade deveria ser evitada de qualquer maneira.
Nas eleições municipais de 2004 a direita gaúcha outra vez se coesionou no bloco de “todos contra o PT” e aperfeiçoou a estratégia propagandística adotada nas maiores cidades do Rio Grande governadas pela Frente Popular, como Caxias do Sul, Pelotas e Porto Alegre. Nada de programas e propostas concretas para responder às necessidades do povo, mas apenas bordões sedutores tipo “manter o que está bom e mudar o que precisa ser mudado”. Dito de outra maneira, seria como incutir a seguinte máxima: “apesar de ser bom com o PT, não pode continuar com o PT”.
Nos últimos embates eleitorais gaúchos, portanto, o disfarce e o engodo venceram a política.
Nessa eleição Yeda é mais que candidata. É a mais recente trucagem oferecida como um “novo jeito de governar”. Este e vários outros bordões são repetidos à exaustão com o objetivo de impregnar o senso comum com formulações fantasiosas e mistificadoras das pessoas, da política e da história. Os partidários de Yeda ridiculamente chegam a igualá-la a Ana Terra e Anita Garibaldi!.
Uma candidatura não é expressão de devaneios e delírios pessoais ou coletivos. Menos ainda de fantasias e de abstrações mistificadoras que ocultam o passado, as trajetórias e os compromissos programáticos unicamente para iludir o povo e fraudar sua vontade genuína de escolha.
O revés contínuo que Yeda vem sofrendo no segundo turno não representa somente perdas eleitorais, mas felizmente a derrota de uma técnica propagandística muito perigosa que mistifica biografias, demoniza quem contraria seus interesses, falseia a história e converte a política em recurso de alienação, ao invés de propiciar a libertação criativa e participativa.
Olívio vem vencendo objetivamente a disputa pois vem conseguindo construir maioria eleitoral, social e política. Mas a vitória mais importante de Olívio se desenrola precisamente no plano subjetivo, de geração de consciências e de recuperação, junto ao imaginário social, dos verdadeiros valores da igualdade, fraternidade, solidariedade e da liberdade.
Olívio não se desmancha no ar como a adversária do povo gaúcho porque exibe com orgulho sua origem, sua história e sua visão de mundo. Ele tem a humildade de quem quer aprender com as experiências vividas, e seu compromisso com um futuro generoso para todo o povo gaúcho não é retórica eleitoral, mas o emblema de uma vida comprometida com transformações. A solidez do Olívio é produto da história de vida e de luta do nosso povo, que foi talhado para vencer, e sempre, toda e qualquer mistificação da política e da história.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Os ventos, a Biruta e a viragem

Os ventos que varrem o Pampa oferecem boas novas para os dias que chegam. Notícias alvissareiras virão para todo o povo gaúcho.

A combinação de vários fatores evidencia que se já não aconteceu, está prestes a ocorrer o fenômeno conhecido como “intersecção” – o definitivo passo de Olívio rumo à Estação Vitória. A Finlândia fica geograficamente mais longe.

As pesquisas, apesar das fortes evidências em contrário dos seus achados, continuarão as mesmas ...

Descompostura e grosseria

Eleição deveria ser um momento de afirmação programática e do bom debates de idéias e visões de futuro para a sociedade. Mas infelizmente há setores intolerantes que perdem a compostura quando perdem os argumentos ou quando se defrontam com quem pensa diferente.

O governador reeleito do Mato Grosso, Blairo Maggi, cumpria agenda de apoio a Lula e Olívio no Rio Grande no último 24/10 e foi convidado pelo controvertido presidente da FARSUL para uma visita à entidade. Para não haver dúvida: foi convidado para ir à FARSUL – não se ofereceu e não constava da sua programação original tal visita.

Lamentavelmente o controvertido presidente da FARSUL convida as pessoas para irem à sua casa para destratar e ofender o convidado. Não se faz isso com ninguém. Maltratar as pessoas é parte de uma perversão inaceitável. Chamar à própria casa para maltratar e agredir por divergências políticas é um ato de selvageria.

De afonias e cagaços

Yeda deve sofrer de um tipo de afonia seletiva, a ser confirmada na literatura médica se não se trata daquela que acomete pessoas em situações de pânico.

Zero Hora de hoje noticia que Yeda estava normal somente antes e depois do debate que deixou de ir na rádio gaúcha as 14 horas com Olívio. Aliás, consta que no gritedo dela na reunião com bombachudos e setores partidários, não faltaram os habituais xingamentos e incitações violentas contra o PT.

Ela foi estranhamente acometida pelo mal-seletivo no horário do debate com Olívio. A deputada desrespeita toda a população gaúcha, que cultiva a tradição do bom e respeitoso debate.

Resposta ao IOTTI

Na inspiradíssima charge de hoje em ZH, Iotti pergunta se algum candidato falou em prorrogação de contrato.

Biruta responde com toda presteza que Yeda, apesar da dissimulação, não consegue esconder que além de novos pedágios com o velho Polão Yeda, Britto & Padilha, também vai prorrogar os contratos dos atuais pedágios.

Na edição de 21 outubro passado, Biruta revelou o verdadeiro plano de Yeda, que ela escondia sofismando pretender “Novos Equilíbrios para os Pedágios de Consórcios que diminuam o custo para o usuário de automóveis e ônibus. [Item 4 do Capítulo Transportes e Sistemas Logísticos do Programa de Governo de Yeda].

Em português que todo mundo entende isso significa, na vida real, a prorrogação dos contratos de pedágios implantados pelo Britto.

Não são só as companhias de Yeda que são velhas e manjadas; ela continua com a velha turma e o velho estilo de mentir. Também as propostas dela são velhas, ultrapassadas e não servem ao Rio Grande do século XXI, como já não serviam no século passado. Enquanto todo o Rio Grande quer se desvencilhar das amarras do passado e das armadilhas criadas com as políticas neoliberais de Yeda, a candidata retrocede e defende propostas que atravancam o desenvolvimento.

Reacionarismo

Feijó faz o gênero do precursor que revela o caráter e do conteúdo da candidatura conservadora ao governo gaúcho. Através dele foi revelado, por exemplo, que a candidatura Yeda-Feijó, se eleita, realizará plebiscito para privatizar o BANRISUL e também se “livrará” de outras instituições que consideram pesadas, como a PROCERGS, UERGS, FEE, CORSAN e fundações e empresas públicas.

No debate da TVCom com Jussara Cony, Feijó então revelou a faceta reacionária da sua candidatura. Com um discurso ideológico embolorado, o vice de Yeda se referia à filiação de Jussara Cony ao Partido Comunista [pronunciado por extenso e não a sigla PCdoB] com acento extremamente preconceituoso. Feijó parece estacionado no período da guerra fria, portando um discurso paranóico que enxerga as mãos de Moscou em tudo e que deve trancafiar infantes em cofre para protegê-las de comunistas devoradores de criancinhas.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Os interesses no Polão de Yeda, Britto & Padilha


Nos debates, Yeda justifica a proposta de novos pedágios da Região Metropolitana com o Polão de Yeda, Britto & Padilha dizendo que defende o pedido de todos os prefeitos da região.

Em julho de 2005, 14 das 18 prefeituras municipais pertencentes à Associação dos Municípios do Vale dos Sinos pediram o empenho do governador Rigotto para evitar a retomada do Polão de Yeda, Britto & Padilha.

Afinal, cabe uma pergunta: a que interesses atende a deputada Yeda, se o empreendimento do Polão de Yeda, Britto & Padilha efetivamente não interessa aos prefeitos municipais e às comunidades que seriam duramente afetadas e oneradas com o projeto?

O mundo de Yeda


Em plena convocação extraordinária do Congresso Nacional em janeiro de 1998, a deputada Yeda fugiu das sessões extraordinárias de quinta e sexta-feira para fazer um piquenique nas fantásticas cachoeiras da Chapada dos Veadeiros.

Um passeio místico, esotérico. A parte real dessa estória foi que a deputada marcou presença no plenário para não perder a boquinha de R$ 551,70 de diária para cada dia de descanso no paradisíaco planalto brasileiro.

Um trabalhador sem os privilégios da deputada jamais poderia fazer o que a deputada fez, e caso fizesse, sofreria desconto no salário. Em nome da decência, a deputada deveria devolver os R$ 551,70 recebidos em cada sessão gazeada. Não devolveu, obviamente.

A deputada faltou à sessão que votava o antigo projeto Banco da Terra, do qual foi relatora. Não há informações de que havia alguma matéria de interesse dos gaúchos e gaúchas na incursão de Yeda pela Chapada dos Veadeiros.

Quando não privatiza, mercantiliza

O programa de governo de Yeda é uma peça exemplar das teses neoliberais que devastaram países e sociedades no século passado. Seu projeto vai além e atualiza as estratégias de acumulação privada à luz de uma visão radical de minimização do Estado e de maximização das oportunidades de Mercado.

O centro do programa de Yeda se assenta no projeto de PPPs – Parcerias Público-Privadas, no esvaziamento da capacidade de atuação estatal devido à não reposição de aposentadorias, na transferência de renda pública para mega-empresas, nas privatizações e na redução de investimentos sociais.

Além da privatização do BANRISUL e da perspectiva de venda e/ou extinção de empresas e fundações públicas como PROCERGS, UERGS, FEE, CORSAN, a concentração privada da renda seria enormemente ampliada através das PPPs. Com a adoção das PPPs se abriria uma nova e duradoura etapa de mercantilização de vários aspectos da sociedade e da economia gaúcha.

As PPPs estão prescritas para soluções as mais variadas: Estradas, Irrigação Agrícola, Política Habitacional de Interesse Social, Ferrovias, Hidrovias e Construção e Manutenção de Presídios. A adoção de PPPs nestas áreas – além de outras que não estão claramente explicitadas no plano de governo de Yeda – atrasaria o desenvolvimento do Rio Grande.

PPPs em Irrigação Agrícola
O programa de Yeda apresenta generalidades em relação ao Sistema de Irrigação, pondo em dúvida a real viabilidade pois omite estudos, custos, bases técnicas para execução, redes e mananciais para suprimento de água.

A hipótese de PPPs para a Irrigação Agrícola também carece de esclarecimentos sobre como o produtor rural remuneraria o Parceiro-Privado. Os produtores teriam de hipotecar a propriedade? Teriam de entregar a produção animal e de grãos? Teriam de entregar parte das terras, maquinários e equipamentos?

As PPPs na agricultura representam o sério risco de inviabilização da agricultura familiar gaúcha, que responde por 95% das propriedades rurais, 25% dos postos de trabalho e 65% da produção dos gêneros alimentares e itens de exportação.

PPPs nas Estradas
Yeda finalmente confessou que pretende implantar o projeto Polão de Britto e Padilha e dessa maneira criar quatro praças de pedágio na Região Metropolitana. E ressuscita aquele velho projeto nas bases originais em que foi concebido: dez anos de praças de pedágios e início de obras somente a partir do décimo primeiro ano de generoso faturamento.

Além do Polão, a candidata Yeda também propõe PPPs para “adequação de vários trechos da malha estadual” e para um “Plano para Estradas Estaduais”.

Parcerias Público-Privadas em obras rodoviárias é hoje e será no futuro o estabelecimento de concessões públicas para a exploração de pedágios. E não se pode alimentar ilusões: seriam novos pedágios concedidos, pois as parceiras-privadas não fariam pedágios comunitários.

PPPs nos Presídios
PPPs para a construção e manutenção de presídios é a amplificação da crise carcerária e não sua solução. Estudos demonstram que presídios privados são extremamente lucrativos para as parceiras-privadas, mas muito prejudiciais ao Estado e ao interesse público porque aumentam significativamente os custos públicos e deformam o sistema penal para gerar mais apenados e uma superpopulação carcerária. O subproduto dessa escolha, por exemplo, é a crise permanente do sistema penitenciário e o surgimento do PCC.


PPPs na Política Habitacional

A proposta de Yeda de realizar moradias populares na Região Metropolitana de Porto Alegre através de PPPs representa o retrocesso na política pública de habitação de interesse social desenvolvida com subsídio estatal para a população necessitada. As parcerias eficientes para a construção de moradias populares são aquelas firmadas entre o Estado, os Municípios e as cooperativas habitacionais urbanas e do meio rural.

*** ***

Não é só na privatização do BANRISUL e de outras empresas públicas gaúchas que se evidencia o recorte privatista da candidatura Yeda / Feijó. As PPPs propostas por Yeda não só aprofundam a visão mercantil acerca de atividades de execução tipicamente estatal, como também poderiam comprometer setores econômicos por inteiro, como a agricultura gaúcha.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Arrogância

Não é só o tom professoral e falso consistente de Yeda que cai enviesado. A face soberba e arrogante da candidata tem se sobressaído nos últimos dias.

Nada do que os outros fazem Ela considera bom. Só presta o que Ela e sua turma fazem. Nada do que os outros fazem tem a autoria reconhecida, pois tudo foi criado por Ela e seus congêneres tucanos.

O Bolsa-Família foi invenção dEla. O Banco do Povo foi uma criação dEla. E o Crédito Fundiário foi outra invenção dEla. Não demora muito e Ela vai dizer que o Universo também foi criação dEla. Mas só os frutos bons, porque obviamente os defeitos da humanidade são do resto dos humanos – afora Ela, claro.

Crise se supera com União

A crise do Rio Grande é muito séria, e se alguém imagina que poderá resolvê-la abrindo guerra contra o governo federal, só agravará o atual quadro de dificuldades.

A candidata Yeda faz uma oposição furiosa ao PT e ao governo Lula. Não cansa de dizer que Lula é o “carrasco do Rio Grande”. Com esta atitude arrogante de desvalorizar tudo de bom que os outros fazem, a candidata obstrui o caminho do diálogo e não reconhece os enormes avanços que vêm ocorrendo com o governo Lula no Rio Grande. É a duplicação da BR101, a Perimetral da BR116, a Rodovia do Parque, as Usinas de Biodiesel, a quadruplicação dos créditos agrícolas, a Unipampa e a Universidade do Norte Gaúcho, o Seguro de Preço Agrícola, o CEITEC, R$ 450 milhões a mais para o SUS, PROUNI, escolas técnicas, Dique Seco, Pólo Naval e tantos outros investimentos que modificarão a fisionomia do Estado para sempre.

Yeda, ao longo da campanha, só desancou o verbo contra o governo federal e não apresentou uma única proposta de diálogo ou de equacionamento conjunto de problemas que a União pode colaborar. Ao contrário, do ponto de vista da candidata, não haverá sequer renegociação da divida estadual, pois ela considera os termos do comprometimento das finanças gaúchas com o pagamento da dívida “um bombom maior que a festa da Páscoa na Serra” que foi deixado por Britto e FHC.

Agindo com arrogância e fazendo oposição furiosa ao PT e ao Presidente Lula só porque não são do seu partido ou da sua turma, a candidata prejudicaria ainda mais o Rio Grande, deixando o Estado estagnado por mais quatro anos.

A superação da crise depende de conhecimento, experiência, boas propostas e muita capacidade de diálogo e entendimento com o governo federal. É necessário haver muita união entre o próximo governador e o Presidente Lula. Não se supera a crise do Rio Grande com ataques furiosos ao governo federal. Por isso Olívio vem consolidando sua vitória neste segundo turno, porque representa a certeza da mudança com diálogo e o enfrentamento concreto dos problemas do Rio Grande.

Programado para mentir

O vice de Yeda, Paulo Feijó, foi finalmente enquadrado nos métodos políticos da candidatura Yeda. No debate da TV Guaíba com a vice de Olívio, Jussara Cony, Feijó parecia um robô a repetir as mesmas mentiras de Yeda em relação ao Banrisul e a outros temas espinhosos para a candidatura da direita, como os votos contra os trabalhadores e aposentados, o Polão, a extinção de fundações e empresas públicas.

Eleição é mesmo um tempo de camaleonismo. Paulo Feijó já demonizou o Banrisul de várias maneiras e revelou que se eleitos realizariam o plebiscito para se desfazer do “peso” do Banrisul. Publicou um artigo na Zero Hora de 10/03/06 no qual disse que o Banco de todos os gaúchos “vale mais morto que vivo”.

A candidatura de Yeda perde, assim, o único resquício de verdade que possuía. Uma virtude que inclusive era restrita ao seu vice.

domingo, 22 de outubro de 2006

Lula diz que foi Deus quem garantiu o segundo turno

A cada instante Lula busca novas explicações para a realização do segundo turno. Hoje afirmou que foi Deus quem garantiu o segundo turno. Está bem, foi Deus, desde que Deus também atenda pelo nome de Rede Globo de Televisão, conforme artigo já publicado por Biruta - William Bonner Presidente.

Com tantas revelações sobre a trama do delegado Edmilson Bruno com a imprensa - em especial com a
Globo para mostrar as fotografias do dinheiro no Jornal Nacional de 29/09 - até mesmo quem acreditava que o segundo turno foi causado pela ausência do Lula no debate, já se convenceu da enorme armação golpista criada pela Rede Globo e a direita.

A volta do Fórum Social Mundial

A eleição para o governo do Estado do Rio Grande do Sul está sendo acompanhada por setores da sociedade civil internacional que atuam no contexto do Fórum Social Mundial. A eleição de Olívio como governador do Rio Grande favoreceria os entendimentos para a realização de nova etapa mundial do Fórum em Porto Alegre.

Foi justamente no governo de Olívio, no verão de 2001, que se realizou a primeira edição deste que é um das melhores e mais generosas invenções da sociedade civil internacional. Além da credibilidade institucional conferida por Olívio, o Fórum recebeu apoio material e operacional incondicional do seu governo, o que gerou reações obscurantistas da turma reacionária que se aglutina em torno da candidatura de Yeda.

Pontos de viragem

Olívio entra nesta última semana das eleições consolidando um trabalho sério de conquista de apoios e adesões à sua candidatura. No final de semana, a presença de Lula no Rio Grande deu o empuxe necessário para a virada da disputa presidencial e, por conseqüência, do crescimento de Olívio.

No início desta semana decisiva, com o apoio que Olívio receberá do governador reeleito do Mato Grosso, Blairo Maggi, mais e importantes pontos eleitorais serão contabilizados em favor de sua candidatura.

Maggi, que não é caldo de galinha, mas que também não é sopa, é o maior produtor agrícola do Brasil. Sua presença no Rio Grande, portanto, exorciza os últimos fantasmas na caminhada vitoriosa de Lula e Olívio no território gaúcho.

Acontecendo na bela e doce capital

Muita coisa boa anda acontecendo na bela e doce capital dos gaúchos – no cinema, nas artes, na música. Neste domingo, teve uma exuberante apresentação de Geraldo Flach acompanhado da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro, sob regência de Antônio Carlos Borges Cunha dentro da programação do Concertos CEEE.

Interpretando com extrema maestria e inventividade o clássico e o popular, Geraldo Flach populariza o gosto pelo erudito e sofistica a sonoridade do popular. Não por acaso é um dos principais músicos brasileiros da atualidade.